Estou há mais de um ano no MPI e pela primeira vez tenho uma passagem emitida pelo ministério. A viagem de avião foi até Manaus, onde descansamos por algumas horas antes de começar o módulo 2 do curso de formação de jovens lideranças indígenas para negociar projetos na COP 30 de Belém. O nome do curso foi tirado do nheengatu e significa falar bem: kuntari katu.
No dia seguinte, fomos de ônibus cheio até a sede da FAS - Fundação Amazônia Sustentável, que havia captado recursos numa COP passada pro curso acontecer. Como a FAS é ligada aos bancos, o discurso do mercado de crédito de carbono está muito mais presente que demarcação de territórios e garantia de direitos.
Eu fiquei escandalizada com essa hierarquização de prioridades: água, energia e internet acima de saúde, educação e direitos. Achei péssimo também o discurso de prosperidade na aldeia - no MPI acreditamos no bem-viver, mesmo que cada um o interprete ao seu modo.
Depois do almoço, fomos de ônibus até o rio Negro, onde embarcamos numa lancha em direção a Três Unidos, a comunidade indígena - kambeba - mais próxima de Manaus em que a FAS desenvolve projetos de empreendedorismo.
A viagem que devia durar 2 horas ultrapassou 3. O barqueiro teve que usar uma lanterna potente pra enxergar o caminho entre as gramas que cresceram no leito do rio seco.Tinha uma bandeira indicando a entrada, mas não foi fácil acertar o caminho na escuridão.
A liderança local veio nos ajudar a desembarcar e tirar as malas do barco.
Havia um restaurante com lanche nos esperando, redário para os cursistas e pousada para nós, equipe do MPI. Eu tive a sensação de estar numa comunidade ribeirinha comprada (escola Samsung, laboratório de informática Americanas, restaurante que FAS incentivou) e enfeitada com plaquinhas coloridas com dizeres edificantes, habitada por indígenas.
O rio Negro está no fundo. O braço que vem pra cá está coberto de vegetação devido à seca do rio. Gostei de comer tambaqui assado, mingau de banana e farinha, ver a chuva amazônica, tomar banho gelado de noite e os japins (sumimi em kambeba). Gostei de ter vindo porque preciso entender a realidade altamente diversa (entre si e diferente de nós) dos povos indígenas. Por fim, essa turma é bastante animada.






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