segunda-feira, 15 de junho de 2026

Memória e conexão

De trás pra frente, a semana passada encerrou com um evento na Funai sobre memória dos indigenistas mortos: Maxciel Pereira dos Santos (Vale do Javari), Rieli Franciscato (Uru Eu Wau Wau), Bruno Pereira (Vale do Javari) e Adonias Jaboti (Vale do Guaporé) e outros que Beto Marubo enumerou com a ajuda dos mais velhos (lembra, Sydney?). Estavam na plateia Wellington Figueiredo e Sydney Possuelo, formuladores da política de não-contato adotada pela FUNAI a partir de 1987. 

Wellington Figueiredo no microfone
Ambos foram convidados a falar. Sydney reclamou que, na reestruturação da FUNAI, a carreira de sertanista deixou de existir e Wellington olhou para a plateia colorida e disse estar feliz com essa nova geração que está aí. 


Sydney Possuelo

Agnes (que não tem contraturno de sexta-feira) me acompanhou nesse evento e em outro, no MPI, em que recebemos os certificados de conclusão de curso (3 meses!) sobre parcerias MROSC. O grupo de pessoas ligadas à mesma secretaria (no meu caso, a SEDAT), teve como tarefa trabalhar cenários e possibilidades de um estudo de caso (fictício) envolvendo vigilância territorial.

Grupo 1 (SEDAT) com professora no meio
Na noite anterior, teve o evento de premiação do concurso Dom Phillips e Bruno Pereira no Itamaraty. A memória de Bruno e Dom estava tão presente, que, na longa mesa de abertura, o primeiro a falar sobre o concurso de jornalismo investigativo foi Capobianco (MMA). Djuena Tikuna cantou o hino em ticuna e eu voltei pra 2024, quando ajudei a organizar o evento em memória de Bruno e Dom.
 
Sidônio (SECOM) fez a fala mais forte, inclusive atendendo ao pedido histórico dos peticionários da Medida Cautelar 449 de 2022: formulou um pedido de desculpas pela ausência do Estado. Ouvindo o Sidônio, entendi por que a SECOM tinha assumido o concurso e não o MPI.
As duas viúvas também falaram e a premiação propriamente dita trouxe a público reportagens de texto, fotojornalismo, audiovisual e iniciativas de povos tradicionais - tanto indígenas como de matriz africana bem instigantes. Fiquei particularmente curiosa em relação ao podcast "Dois Mundos", que trata de um caso de descompasso trágico pelo qual passaram pessoas pertencentes a um povo de recente contato.


E ao longo de três dias estive na Escola Superior do Ministério Público da União - com pessoas que reencontrei nos outros eventos - para um curso sobre populações indígenas de recente contato e isolados. O curso foi iniciativa do Daniel Dalberto do MPU, mas eu percebi (pelos suspiros e olhares pisados) que ele aprendeu mais que nós. 

Tivemos aulas com Carla Rodrigues sobre saúde Yanomami e o alcance dos braços da SESAI; com Janete (DPT/Funai) sobre a história da Funai e as demarcações de terras indígenas; com Dominique Gallois (Iepé) sobre políticas públicas para povos de recente contato, especificamente Waijampi e Zoé; com Daniel Cangussu (FPE Madeira) sobre vestígios de povos isolados Tupi; e com Awamirim Tupinambá (CGIIRC/Funai) sobre o reconhecimento que a Funai deve aos (mateiros) colaboradores indígenas nas Frentes de Proteção Etnoambiental. 

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