terça-feira, 25 de novembro de 2025

Evacuação do prédio

Os computadores apagaram todos ao mesmo tempo, as luzes piscaram e o pessoal especulou que era trovão. Eu não ouvi a explosão. Os colegas de trabalho se entreolhavam com expressão de dúvida. Pela janela, vimos pessoas olhando em direção ao final do prédio. Entendi que o problema podia ser local. Os primeiros a saírem da sala logo retornaram, avisando: é fogo! Vamos evacuar o prédio.

Juntei minhas coisas, até o guarda-chuva que eu tinha deixado fora da sala aberto pra secar. A fumaça branca vinha do final do corredor da sobreloja. A nova sala em que estamos todos misturados (todas as secretarias enviaram pessoas aparentemente aleatórias para uma nova sala do MGI) é perto da saída de emergência, então nem tivemos que andar até o elevador. 

Com os dois braços esticados, um guarda do prédio segurava duas portas abertas com as pontas dos dedos. Cumprimentei com o olhar e segurei a segunda porta aberta por ele. "Pode seguir, moça", ele disse, mas eu só soltei a porta quando outra pessoa tomou o meu lugar, segurando aberta a porta de emergência.  

No térreo, as catracas estavam abertas e muita gente tossia enquanto se movimentava para fora. A nossa diretora queria fazer reunião de manhã, mas era provável que ainda não tivesse chegado. Avisei no grupo que estávamos evacuando o prédio. Nos grupos grandes de zap do MPI, os chefes e diretores (que ainda não tinham chegado) perguntavam se a equipe estava bem. Muita gente de seis ministérios se espalhou pelo estacionamento. O pessoal do MPI que trabalha no sétimo andar disse que tinha muita fumaça lá em cima, mas que ela era mais densa embaixo, na sobreloja. Chico, meu ex-chefe na assessoria internacional, perguntava pela Fran no zap. Fran tinha sido hospitalizada por causa da fumaça.

Minha vizinha de mesa, Samara Marubo, tinha deixado as coisas dela lá dentro. Quando ela viu o Mário de jaqueta, ela entendeu que ele tinha conseguido entrar - ou fazer com que alguém lhe trouxesse suas coisas. O pessoal do MIR e MMulheres dizia: ou vai pra marcha das mulheres negras, ou vai pra casa, vamos sair da frente do prédio.

Depois que eu saí, as notícias sobre o ocorrido começaram a circular. Entendi que não haveria expediente de tarde, que eu não precisava me preocupar em bater ponto hoje. Como o Congresso de Arqueologia está acontecendo na UnB, fui ver Eduardo Neves de tarde e o pessoal todo que trabalha no projeto Amazônia Revelada.

Não que eu não queira voltar ao trabalho, mas torço pra que amanhã também tenha Arqueologia.
 

Nenhum comentário: