quarta-feira, 1 de novembro de 2023

REVER

Ver araucárias, plátanos, cinamomos e cerejeiras é como rever velhos amigos ou parentes. Que bom que estão ali, que bom que, apesar do asfalto, resistem.

Rever, depois de tantos anos, colegas em congresso, é quase como rever parentes ou árvores queridas. Por mais que haja ali um hiato no tempo e no espaço, tem uma aliança que se faz pela memória.

Estou bastante feliz por poder transitar entre simpósios, temas, amigos e problemas. Não sei é a sensação de este ser o meu último congresso de Linguística em que trago os meus estudos, que me movem intelectualmente (pra ser liberada pelo MPI, o argumento usado - dentre tantos que ofereci - foi que eu tinha me inscrito no congresso antes de ser requisitada, e não as possíveis articulações que eu poderia fazer nos simpósios sobre línguas indígenas ou políticas linguísticas; afinal quem estuda direito linguístico e línguas indígenas são os linguistas), mas estou me sentindo muito em casa. Não só pelas árvores, a arquitetura, o cheiro do ar, as pessoas conhecidas: a Linguística é a minha formação.

Não acho que a minha contribuição seja super importante, apesar de gostar de ver olhos brilhando quando apresento o meu trabalho. O que eu acho legal é ter a capacidade de entender e avaliar trabalhos alheios e juntar as pontas entre o que foi falado na mesa-redonda da manhã sobre o fato de que não importa tanto sabermos o que a máquina faz, porque não sabemos como a máquina faz o que faz com a apresentação da tarde sobre a IBM desenvolvendo corretor ortográfico de celular e tradutor para línguas indígenas. O que esses dados de língua fornecidos por linguistas (dicionário, gramática) e constante treinamento da inteligência artificial por parte dos falantes significam para uma empresa que não tem interesses humanitários? O que move os linguistas estrangeiros que articulam a empresa com a comunidade indígena?

Acho legal poder falar sobre tudo isso com pessoas que estão na mesma sintonia porque passaram por experiências semelhantes. Acho legal perceber que esses parceiros de diálogo são firmes em suas posições.

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