terça-feira, 16 de maio de 2023

Eu achava que tinha palavra pra tudo

A maioria das línguas indígenas faladas no Brasil estão ameaçadas de desaparecimento/silenciamento. Acompanhando iniciativas de revitalização de línguas indígenas, percebo que adultos que não receberam a língua indígena de seus pais (só falavam português) aprenderam a língua de seus anciãos para ensiná-la às crianças.

Um dos desafios é pensar estratégias de inserir a língua em todos os lugares: a criança que aprende a língua indígena na escola precisa falar a língua fora da escola, com os pais.

Nós, que nascemos pra dentro da língua portuguesa, temos a impressão de que a língua é maior que nós (porque já existia antes de nós e sobreviverá depois de nós). Temos a impressão de que existe palavra pra tudo, nós é que não sabemos bem as palavras que existem. Acontece que também fazemos a língua: inventamos palavras novas, mudamos a ordem das palavras pra dar destaque ao que dizemos, criamos textos infinitos. Por isso o português de hoje é diferente do português de 100 anos atrás.

Revitalizar uma língua significa recuperar uma língua silenciada que só sobrevive em poucos falantes (anciãos) e fazer essa língua no coletivo.

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