Um dia, notamos que a água que saía da torneira estava amarelada. As privadas confirmavam que água estava mais turva, porque decantava lodo no vaso sanitário. Imediatamente compramos galões de água e perguntamos ao síndico por que a água estava alterada. Chuva forte, lama, melhor estocar. Estocamos água amarela.
Uma camada de poeira se estendeu sobre a superfície da água parada nos baldes.
Alguns dias depois, uma grande operação foi executada aqui no prédio: a cisterna foi lavada, a caixa do alto foi esvaziada e lavada e ficamos todos sem água por um dia inteiro. Luis brigou comigo por eu ter esvaziado os baldes de água amarela e a contragosto desceu algumas vezes com baldes pra pegar água na piscina.
Nesse dia, pedimos comida no almoço e na janta. Depois de mais ou menos dois meses preparando todas as refeições, o sabor da comida feita em restaurante surpreendeu. Luis matou saudade do feijão, eu senti falta dos vegetais e Agnes reparou que não tinha panelas na mesa. Todos ficamos com as barrigas inchadas e decidimos nunca mais pedir comida.
Nisso a quarentena nos transformou: antes, fazer comida "custava tempo demais". Agora, fazer comida é normal e necessário.
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