terça-feira, 3 de dezembro de 2019
Lançamento do livro na Unir Centro
Aconteceu ontem, no auditório da Unir Centro, o lançamento do livro "Onze sinais em jogo". Representando o Departamento de Letras Vernáculas, Lucas Khalil, o chefe de departamento, apresentou a mim e suas impressões sobre a obra. Sua fala versava sobre o retorno que esse livro representa para a comunidade acadêmica: trata-se de um livro didático (incomum) sobre um assunto pouco explorado no ensino.
Condensei aqui a minha fala na mesa:
Esse livro é fruto de uma experiência vivida em sala de aula. Sou professora de língua portuguesa fora do curso de Letras e de linguística dentro do curso de Letras. Percebi que os alunos não usavam uma variedade grande de sinais de pontuação – na verdade, usavam basicamente o ponto e a vírgula nos textos que me entregavam. Passei a incorporar os sinais de pontuação na minha agenda e a ensinar como funcionam.
O primeiro sucesso dessa brincadeira foi apresentar os sinais de pontuação aos alunos, fazer com que eles se interessassem pelos sinais e pensassem no seu uso.
Outro passo, menos explícito, era assimilar a função dos sinais de pontuação: trata-se de recursos gráficos que organizam o texto escrito.
O que não se aprende nas escolas é que, para entender a função dos sinais de pontuação, é preciso ter clareza da constituição da sentença. É preciso acomodar elementos inseridos, encaixados, deslocados ou invertidos. Há quem defenda que os sinais de pontuação sejam fenômenos linguísticos que protegem e evidenciam a integridade da sentença. Ou seja, para entender de pontuação, é preciso entender de sintaxe.
As categorias de certo e errado não fazem sentido no universo da ciência, em que se tenta descrever dados e explicar fenômenos. O que tentamos fazer é chegar na formulação de regras, de regularidades, de normas – que fazem parte do que é considerado normal. Essas regras mostrarão que a língua não é caótica, que, em se tratando de comunicação, não estamos diante de um vale-tudo. A tarefa do linguista é investigar a complexidade da língua e dos processos linguísticos.
Depois das falas, tivemos um coffee break no hall externo (Agnes queria cantar parabéns, porque pra ela era festa) e fiz dedicatórias (eu confesso que no começo estava insegura, mas acho que consegui fazer algumas bem bonitas) para aqueles que adquiriram exemplares do livro.
Como o livro é pequeno, já recebi hoje retornos entusiasmados :) de quem esteve no lançamento ontem. Agradeço pela oportunidade de mostrar o trabalho!
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