Fui à 31. Reunião anual da ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias) via Confins (onde esperei por 7 horas). Cheguei em Santos Dumont e peguei um Uber para a Fiocruz, onde aconteceu a abertura do evento. Quando fiz a primeira foto de mim, pra mandar pra Agnes, reconheci a moça que saiu na foto por acidente: ela foi minha aluna em Santa Maria, quando ministrei o curso de editoração de livros. Na época, ela era estagiária da editora da UFSM. Agora é revisora concursada.
Na abertura, Conceição Evaristo e Eliana Yunes deram o tom do evento e foram citadas, mencionadas e mostradas ao longo dos dias que se seguiram. Depois, no ônibus a caminho de Petrópolis, fui ouvindo relatos de gráficas muito ruins, revisores terceirizados muito ruins, fui percebendo a importância de ter uma equipe de editoração na editora e fui conhecendo meus pares: colegas editores.
Fui percebendo a presença marcante da Fiocruz nas rodas de conversa e na organização. Por mais que a Fiocruz tenha uma editora e uma postura politicamente defensável, eles não tratavam das pressões a que está sujeita uma editora universitária. Pressões burocráticas internas à universidade (por exemplo, a filiação da ABEU demorou um mês e meio para ser paga pela UNIR. O comprovante de pagamento me foi enviado no último dia do evento), pressão dos autores que precisam publicar (mas nem sempre apresentam material publicável), não ter equipe e ter que terceirizar o serviço que muitas vezes não é bem feito, não ter reconhecimento da própria instituição etc.
No penúltimo dia, as regiões se reuniram em separado. Na foto acima estão, da esquerda pra direita, o editor da Editora da UFRR, EDUFRA (Rural do Amazonas em Belém), UFAM, EDUFT (Tocantins), EDUFRO (eu) e dois da Editora da UEA. Fizemos um pacto de nos ajudarmos mutuamente, porque percebemos que temos realidades similares.
Durante o evento, além do pessoal da Fiocruz, falaram representantes da CAPES, FAPEMIG, Biblioteca da UFSC, Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Assessor da Senadora Fátima Bezerra e alguns editores notáveis (ou pelo tempo no exercício da função ou pela atividade pós-lançamento: participação em feiras, festivais, bienais, conversas com autor, oficinas, performances na praça).
Eu assumi a Edufro há menos de um ano e ainda não acompanhei nenhum livro da submissão à publicação. Mas eu montei o catálogo da editora, para que a comunidade soubesse o que a Edufro já publicou, fiz o novo site da editora, convidei o Conselho Editorial, conversei com Pró-Reitores, Diretores de Núcleo e Coordenadores de Programas de Pós sobre suas demandas, chamei novos parecersitas ad hoc a se cadastrarem, propus novo regimento interno e uma política editorial (não tinha), comecei campanha de propaganda institucional com os estagiários e fui na Reitoria pedir financiamento de publicação de livro. Ter participado desse encontro me fez sentir menos solitária nessa jornada e mais armada de argumentos para negociar por uma equipe maior que eu + 2 estagiários.
Aí começaram os rumores sobre a greve, o medo de não conseguir voltar pra casa. Havia iniciado uma greve forte dos caminhoneiros que impedia o combustível de chegar aos postos. Sem gasolina, sem abastecimento (alimentos, transporte, serviços), todo mundo parado. Era a tão esperada greve dos trabalhadores, mesmo que eles fossem, em sua maioria, passivos. Muitos de nós, participantes da Reunião da ABEU, estávamos hospedados numa terceira pousada, indicada pelo site da ABEU, mas não atendida pela van da Fiocruz. Já desde o primeiro dia nos acostumamos (nós da foto acima e outros) a fazer rodízio de quem pede Uber pra ir pro Palácio do Itaboraí ou de volta pra pousada. No último dia, pegamos um Uber com placa de Duque de Caxias bem desorientado. Perguntei como ele tinha vindo parar em Petrópolis e ele respondeu que tinha trazido um grupo de pessoas que não estava conseguindo ônibus pra Petrópolis devido à greve. Começamos a entender o que se passava no resto do país.
Fomos em dois ônibus para os aeroportos SDU e GIG. Muitos voos cancelados, outros tantos atrasados. Até Confins estava tudo certo, segundo o rapaz do check-in, e depois de lá também, porque Confins ainda tinha combustível. Brasília é que não tinha. O avião foi abastecido, 50 minutos de voo depois, chegamos em Confins. Saímos do avião, mas eu voltaria, já que o mesmo avião seguiria pra PVH. Entramos confiantes, vimos o caminhão abastecendo o avião de novo e daí o piloto informou que o combustível do caminhão tinha acabado enquanto nos abastecia. Havia notícia de um caminhão que vinha escoltado para o aeroporto. A mulher atrás de mim parou de falar e cantar de Jeová e resolveu colocar música de louvor bem alto no celular pra todo mundo ouvir. Essa parte, de como cada um lida com o desespero, foi difícil de suportar. Pedi pra ela colocar os fones dela. Uma hora depois da hora prevista, fomos abastecidos e partimos.
Em Porto Velho não teve Uber (por R$ 16,00) e tive que pegar taxi (por R$ 55,00). Mas pelo menos tinha taxi! A caminhada teria sido bem longa e penosa...




3 comentários:
Oi, professora! Li agora o relato sobre a moça de Santa Maria (haha). Eu me lembro daquele momento, quase fiz um thauzinho pra foto, pra ver se você me via (que coincidência!).
Vim até aqui porque sempre gostei dos teus textos e tô buscando inspiração pra começar a escrever o meu blog sobre as minhas aventurinhas na revisão e editoração ao longo desse tempo na editora. Espero que esteja tudo bem por aí, abração!
Tagiane Mai!
Que surpresa. Nos vemos em porto Alegre, na 32. Reunião da ABEU?
Não iremos dessa vez, só o chefe :/
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