segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Apabô

Durante essa viagem, Agnes desenvolveu rapidamente a fala. Ela não produz os róticos (variantes de [r]), trocando-os por [l] quando intervocálicos (ex: tila ao invés de tira) ou simplesmente omitindo-os (ex: Pêdu ao invés de Pedro). Os sibilantes também não estão estabilizados. Reparei que em palavras com 3 sílabas, a tônica é reduplicada e a primeira cancelada (sassaku ao invés de casaco/ memente ao invés de semente). Desconfio que se trate de um processo de assimilação (apabô ao invés de acabou) em que ela percebe a sílaba tônica e organiza sua fala em torno dela.

Um pouco mais de um mês fora de casa, percorrendo o litoral de Fortaleza a Ubatuba e a fala desabrocha. Em outra viagem, de duas semanas, também longe de casa (Alemanha), ela aprendeu a andar.

Nesse tempo fora de casa, a grama cresceu, o bambu no muro da Vila foi cortado, 4 dos nossos 7 porquinhos da índia morreram (chuva e mucura), o mofo tomou conta de colares e sapatos e Damián fez uma pérgola pras nossas trepadeiras.

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