quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O vestido de noiva

Quando estive com o Luis (agora nas férias) em Campinas, conseguimos comprar toda a roupa dele para o casamento: sapatos, paletó, calça e blusa. Faltava o meu vestido. Mas eu não estava preocupada, afinal eu já tinha encomendado pra Oma fazer um crochê que se veste por cima de um vestido longo, liso e simples.

Oma terminou o crochê quando voltei das férias. Ela passou dois dias me contando a aventura que foi fazer esse trabalho. Falava da dificuldade de entender a lógica da peça, o desafio de equilibrar quatro voltas da linha na ponta da agulha, a aventura que era acompanhar as variações da padronagem. Contou que concedeu a si mesma um dia inteiro de pausa depois que acabou esse crochê e mostrou a cortina que agora ocupa suas mãos nas horas solitárias.

O crochê estava lindo, faltava o vestido que eu usaria por baixo dele. Luis tinha insistido que eu procurasse uma costureira em Gramado, Oma concordou que fosse melhor eu encontrar uma perto de mim, em Santa Maria.

O Google me indicou oito costureiras em Santa Maria e duas no Camobi. Telefonei para a primeira, no Camobi, que esperou eu dizer a palavra mágica "vestido de noiva" para me responder que estava com a agenda lotada até o fim do ano. Com auxílio do GoogleMaps, tracei uma rota entre as outras costureiras e tomei um ônibus pra cidade.

No primeiro ateliê, a costureira perguntou se eu queria vestido de formatura. Mostrei a foto da revista de crochê, disse que o vestido era simples, mas ela estava com a agenda cheia até o ano que vem. Caminhei até o segundo ponto, seguindo a numeração das casas e esperando chegar no 1880 da Presidente Vargas. Ali, onde deveria estar o segundo ateliê de costura, havia um enorme espaço vazio: uma casa havia sido demolida. Do outro lado da rua, mais abaixo, vi um cartaz que anunciava "costura em geral". Quando cheguei perto, vi outro cartaz, menor, em que li: "precisa-se de costureira". Nem entrei.

No desespero, fui numa loja de aluguel de trajes. Tudo que deveria ser branco era de um branco sujo, como se todos os vestidos de noiva tivessem sido pendurados ao longo da 23 de Maio ou outra avenida movimentada, para absorverem bem toda a sujeira de poluição. E vestido de noiva sem bordados, brilhos, babados, rendas etc. estava difícil. Mostrei o crochê da Oma, que foi muito elogiado. Depois de muito tempo, encontramos um vestido que, com as devidas adaptações, poderia servir. O aluguel custaria R$ 90,00. Como continuei encarando a vendedora depois de ouvir o preço (na verdade eu estava lembrando do preço que pagamos na roupa do noivo), ela perguntou se eu achava caro. Confessei que eu não tinha ideia de quanto custam essas coisas.

Saí da loja com a sensação de que, com esse vestido alugado, eu decepcionaria o Luis e a Oma. O terceiro ateliê ficava numa rua que eu desconhecia. Pro meu azar, fiz anotações de roteiro no meu mapa das costureiras de Santa Maria que me confundiram - e acabei caminhando dois quilômetros a mais para chegar na Visconde de Pelotas (foi o carteiro quem me indicou a direção correta). Chegando no número indicado, dei de cara com um conjunto de prédios. Que sina! Um endereço dava para o vazio, outro dava para o excesso. Antes de desistir, olhei para as campainhas do prédio. Num número, havia um adesivo em que li "ateliê de costura".

Toquei a campainha, uma voz feminina atendeu e perguntou quem era. Eu tentava responder, mas ela não entendia nada pelo interfone. Decidiu: "vou abrir". Entrei no pátio dos prédios, procurando alguma seta ou placa que me indicasse o caminho por entre os vários prédios. Num, os apartamentos tinham números ímpares, no outro, toquei a campainha do 22. Em seguida, a porta do prédio abriu e eu entrei e subi as escadas.

Mostrei a revista de crochê e perguntei se ela tinha tempo de fazer um vestido assim. Ela teve curiosidade de ver o crochê e admirou e elogiou muito o trabalho da Oma. Tomou as minhas medidas e me indicou a loja de tecidos onde eu deveria comprar o tecido, o zíper e a linha (todos da mesma cor). Perguntei quanto ela cobraria e a resposta me surpreendeu: "R$ 50,00". Eu não disse que eu usaria o vestido no meu casamento, porque eu já havia experimentado o poder que a palavra "noiva" tem sobre costureiras.

Caminhei até a loja de tecidos e fui atendida por um senhor muito simpático: "tecido de vestido de festa, vamos lá". Comparou o cetim branco com o crochê branco e sentenciou: "o seu bordado não é branco-branco, é branco-pérola. Vamos procurar um tecido dessa cor." Quando fui pagar pelos 1,70m de tecido shantung, zíper e linha, nova surpresa: R$ 32,00. Ou seja, mandar fazer o vestido estava saindo mais barato do que alugar. E o tecido era melhor e teria o formato e tamanho que eu quero.

Com o tecido na sacola, fui na loja de sapatos. Sempre acho difícil gostar dos sapatos que vejo nas lojas, e dessa vez não foi diferente. Quando eu já tinha desistido de sapatos brancos e tava sentada, esperando a atendente me trazer sandálias com florzinhas coloridas, uma cliente experimentou um sapato que combina com o meu futuro vestido. Com o calçado no pé, a moça desfilou o sapato que os meus olhos tinham ignorado quando ele estava na vitrine. Elogiou o sapato: "bem delicadinho" e o devolveu à atendente. Fiquei feliz por ela ter me mostrado aquele sapato e mais ainda que não quis comprar o único par que a loja ainda tinha.

Um comentário:

Mônica disse...

Que bom que tudo está dando certo. Quero ver fotos da noiva, hein?