quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Unimed em Brasília

Em Porto Velho, a melhor cobertura médica era da Unimed. Percebemos o movimento da própria seguradora de descredenciar médicos e concentrar os atendimentos no Hospital da Unimed ao longo dos anos. Daí viemos pra Brasília, onde não encontramos nenhum médico credenciado à Unimed. Descobrimos que em Brasília existe um lugar que concentra todos os serviços chamado Espaço Saúde.

Como é um lugar novo, não conta ainda com muitas especialidades. Por exemplo, o pediatra da Agnes a encaminhou para dois médicos que não estão no Espaço Saúde da Unimed. 

Ontem Agnes tinha consulta com o pediatra e Luis a levaria. Esqueci de separar, além do documento e carteirinha de vacinação dela, a carteirinha do convênio. Quando ele me avisou que faltava a carteirinha, peguei o meu celular, abri o aplicativo e procurei a carteirinha digital. Não constava. Tentei entrar com o meu CPF, mas não dava pra fazer nada a não ser ser impedida de cadastrar algo já cadastrado e que não era recuperável. Fiquei bem uma hora tentando mandar qualquer informação relevante pro Luis pra que Agnes pudesse ser atendida.

Liguei na Unimed Nacional que me disse que eu não estou cadastrada e que era pra eu ligar pra Unimed de Rondônia. Lá eu consegui finalmente o número da carteirinha da Agnes - mediante a informação do CPF dela, que eu recuperei numa foto de 2021 armazenada no meu celular. Consegui também o número da minha carteirinha Unimed. Nada disso adiantou. A atendente dizia pro Luis que faltava um dígito. Não teve remédio a não ser sair do trabalho, ir pra casa, pegar a carteirinha física e levar no Espaço Saúde da Unimed. 

Chegando lá, Luis disse que tinha reunião e quem entrou no consultório com a criança fui eu. Perdi a tarde toda por ter esquecido a carteirinha de plástico. Nem a Unimed nem o aplicativo ajudaram, afinal de contas, o número escrito na carteirinha era completamente diferente dos números que me foram informados pela Unimed.

Hoje eu tinha consulta com o ginecologista porque eu preciso fazer exames periódicos enquanto servidora. O ginecologista colheu material do Papa Nicolau e me deu o tubo branco. Disse que era pra eu levar no laboratório, no andar de cima. Levei e depois de muito tempo de consulta aos colegas, a moça atrás do balcão me disse que a análise do material coletado não estava autorizada pela Unimed. Sugeriu que eu fosse em outro laboratório.

Fui com o meu tubo branco até outro laboratório. A atendente abriu o frasco, conversou com as colegas e me deu duas luvas de plástico. O médico deveria ter identificado a lâmina em que estava a amostra com as minhas iniciais. Ela, como atendente, não podia fazer isso, mas eu podia. Eu tinha que lavar as mãos, colocar as luvas e escrever as minhas iniciais com um lápis na lâmina de vidro em que estava (em algum lugar) material coletado. Cuidado pra não contaminar!

Estamos avaliando se vale a pena seguir com a Unimed aqui em Brasília.


sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Orgulho


Tenho orgulho desse texto publicado hoje na Alfa com data de 2023. Renato e eu enviamos uma primeira  versão para um dossiê na Revista do GEL que acolhia textos sob o viés funcionalista. Fomos avaliados por três pareceristas, dos quais só um gostou do texto e se esforçou pra pensar como melhorar o texto. Lembro que o livro sobre sinais de pontuação que eu tinha comprado na Alemanha e me servia de referência foi roubado em Peruíbe e que eu encomendei esse livro de novo (!). 

O texto é sobre expressões idiomáticas que lançam mão dos sinais de pontuação. Essa foi a parte mais difícil para os pareceristas entenderem: não são os nomes dos sinais de pontuação, nem são os sinais eles mesmos. Quando dizemos "está decidido e ponto final", a expressão "e ponto final" não refere nem ao nome do sinal nem ao ponto, mas resume a função mais saliente deste sinal: encerrar. No caso, a expressão encerra não só a frase, mas a interação/conversa.

Apresentamos o texto para a Revista Alfa em 2022 e fomos avaliados em 2023 por dois pareceristas, um dos quais era português de Portugal e achava algumas coisas estranhas. Lembro que pedi ajuda pra Lauren Gawne porque ela estuda gestos (está pra publicar um livro) e me indicou um artigo sobre o gesto de aspear. Mas em inglês, nem todas as expressões fazem sentido: "muitas aspas", "paizinho, vírgula!", "abrir um parêntese" etc.

Uma vez aprovado, Renato traduziu o texto para o inglês em tempo recorde e ficamos esperando a publicação depois dos ajustes da revisora e do diagramador. Saiu hoje, junto com mais quatro artigos represados - mas saiu! Esse foi um texto trabalhado ao longo de muitos anos e que se beneficiou do tempo de preparo: tenho orgulho dele.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

INMA

Agnes e eu fomos no Instituto Nacional da Mata Atlântica, bem no meio de Santa Teresa. É um parque tranquilo, limpo, sem fedor de animal confinado.

Jogo da memória impossível para pessoas impacientes

No viveiro havia pássaros, mas não os colibris que esperávamos ver aqui na região, onde cada comércio explora ou o nome ou a imagem do colibri. Estamos a poucos quilômetros da Reserva Augusto Ruschi que leva o nome de um renomado especialista em colibris e orquídeas.
Vimos grande variedade de colibris quando nos sentamos de frente pra esse varal de garrafas com líquido que os beija-flores vêm beber. Essa era a parte mais legal: os colibris estavam todos soltos, livres na natureza.
Fomos seguindo uma placa que anunciava animais e tinha o desenho de 3 macacos. Não encontramos esses macacos em canto nenhum. Pouco antes da saída, quando entendemos que não dava pra entrar no pavilhão das epífitas, Agnes perguntou ao jardineiro se tinha macaco no parque. Tem. Tá tudo solto.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Parla (italiano)

Estamos em Santa Teresa, uma comunidade italiana no Espírito Santo. Na cafeteria, o preço do café varia com o tanto de italiano que você usa pra pedir o seu café. Isso é política linguística. Agora como faz política linguística pelo Estado pra valorizar as línguas indígenas?
 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Comer o peixe que pescou

Último dia de praia nessas férias, então retornamos à Pedra da Tartaruga.

Luis achou um caramujo e tirou o molusco de dentro da concha pra servir de isca.

Na primeira tentativa, já fisgou um peixe vermelho lindo.
Ainda tentou pegar outros dois, mas não deu certo. Apareceu uma lesma do mar - que logo foi devolvida à água.
O peixe foi conservado no balde, morto na pia - panela (eles disseram que ainda percebiam as barbatanas se mexendo na panela!) e comido com muito orgulho na mesa por Luis e Agnes.
Depois, lavando a louça e o balde, encontramos um anzol no balde. Como esse anzol foi parar no balde? Luis lembrou do peixe vermelho que comeu o anzol dele outro dia - mas essa não parece ser uma boa hipótese.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Voando

Estávamos a caminho da Praia de Castelhanos, mas como demorou a chegar, começamos a prestar atenção nas placas (e não nas indicações da Waze). Apareceu uma placa indicando berçário de tartarugas em Guanabara. Passamos na frente: tinha muita gente, um instituto que cuida de tartarugas marinhas e uma trilha interditada. Um pouco mais adiante, encontramos outra trilha que levava à praia. Ventos incrivelmente fortes nos mandaram de volta ao carro.

Na porta daquele instituto tinha uma placa anunciando a abertura de ninho de tartarugas pra dali a alguns minutos.


Seguimos o cortejo que foi se formando pra ver as tartaruguinhas saindo do ninho e entrando no mar. Só que demorou tanto, que desistimos de ficar ali.

Na mesa do café da manhã, Agnes quis lembrar de uma casa, ou apartamento? "Num Bloco G!" Nossa casa em Brasília? Ela nos olhou fixo: a gente ainda mora em Brasília? 

De tanto voar de praia em praia, ela perdeu a referência do nosso pouso.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Pedra da Tartaruga

No dia em que chegamos em Setiba, fomos logo ver a praia de cima do morro, pra ter uma noção melhor da geografia local. Entendemos que a praia de Setiba é cheia (tava tendo campeonato de canoagem), com quiosques, restaurantes, pousadas, estacionamento e muita gente. Do outro lado do morro, tem o Parque Estadual Paulo César Vinha. O Vinha foi morto brigando pela restinga contra as empresas que queriam tirar areia (pra construção) da restinga, daí fizeram o Parque em homenagem a ele, que foi colega do Luis (é recente). Como a praia ao longo do Parque não tem casa nem gente, tudo é mais tranquilo e selvagem.
 
Subimos numa pedra que tinha muitas piscinas com mariscos, anêmonas e caranguejos. No mar, margeando a pedra, avistamos muitas tartarugas marinhas nadando livremente. Mais tarde, olhando o mapa, vi que essa pedra é chamada de Pedra da Tartaruga.
Luis quase fisgou um baiacu e depois um peixe vermelho ficou com o anzol dele. Agnes aprendeu a tirar sururu e craca de dentro da casca pra colocar no anzol.

A vegetação em cima Pedra da Tartaruga surpreendeu, porque era abundante. Mais tarde, andando pelo Parque Estadual, colhemos vários frutos de cactus. Não sei bem se é pitaya, mas a polpa é branca com pontinhos pretos.
Uma das piscina de água me lembrou o formato de uma tartaruga. Ver a forma de uma tartaruga numa piscina em cima da Pedra da Tartaruga - que recebeu esse nome por causa das muitas tartarugas que nadam por ali não parece coincidência, né... O mito original de A'Tuin...

domingo, 7 de janeiro de 2024

De volta a Vitória

Ontem a previsão era de tempestades em Porto Seguro, onde o nosso avião faria escala. Mas como a saída atrasou, pegamos só chuva mesmo e seguimos tranquilos pra Vitória (ES). Passamos a primeira noite em hotel nessas férias - e foi a noite mais bem dormida de todas.

O programa era passear de barca (ônibus aquático), mas a fila tava tão grande e as notícias que eram entoadas eram todas ruins: barca quebrada, lotação completa e último horário, que decidimos visitar o Projeto Tamar. Agnes e eu já conhecíamos, mas foi bom voltar a ver as tartarugas marinhas.

Na praia de Aleluia (Flamengo, na Bahia), tínhamos visto cercas indicando ninhos de tartarugas. Ali, no Tamar, vimos filhotes que não conseguiam sair dos ninhos - porque a concorrência pela vida começa desde cedo. Não tirei fotos das filhotes, esqueci.
O ponto alto foi a alimentação das tartarugas. As crianças é que podiam jogar comida para as tartarugas. Teve fila e, como as tartarugas já conhecem a rotina, a tartaruga do tanque da esquerda tentava passar a grade pra pegar peixinhos.


quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Terceira morada

Assim que chegamos na Bahia, nos instalamos num apartamento de um quarto só. Ali entendemos que ter trazido a faca de descascar legumes e um pote com tampa era pouco pra quem quer cozinhar. As casas oferecem pratos, copos, xícaras e talheres pro hóspede comer, mas não o suficiente pra fazer comida: tábua, faca grande, jarra, bacia, potes, panelas e frigideiras.

Dali do Rio Vermelho descobrimos muitas outras praias e fomos entendendo os horários das marés - na maré baixa dá pra ver muita vida marinha, na maré alta é uma única onda batendo na areia com toda força.
Nossa segunda morada foi em Ondina. Lá tivemos um apartamento inteiro alugado de alguém que mora lá: a cozinha era bem equipada, dava pra lavar roupa e tinha uma varanda enorme. Sair de lá é que era o problema, porque o apartamento ficava no alto do morro, no fim de uma rua encaracolada e estreita. A praia não ficava longe, mas a gente só saía de casa de carro.

Grande parte das nossas viagens era pra o Rio Vermelho (acarajé, praia, livraria, supermercado).

Agora estamos no Flamengo, num condomínio de chalés. É maior que o primeiro, mas o aperto da cozinha permanece: tem panela de pressão, mas não tem assadeira ou panela pra fazer moqueca. A praia aqui é ótima, mas fomos buscar as piscinas de peixes e caranguejos em Itapuã.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Fogos de artifício

Acho que passei muitos Natais e viradas de Ano Novo em Gramado e acabei me acostumando com o foguetório que começa no Natal e termina bem depois da virada do ano. Confesso que quando acordei com os fogos de artifício, pensei: eles esperaram dar meia-noite!

Nem levantei porque Agnes seguia dormindo e o espetáculo seria pra ela ver. Estamos hospedados numa cobertura, mas o prédio só tem cinco andares. Fica de frente pro mar, mas tem dois prédios de 12 andares bem na frente, tapando quase que totalmente a visão do mar. 

Dessa vez, os fogos de artifício funcionaram (pra mim) como um marcador de tempo, só.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Mar.avilhoso

Andando pelas praias de Salvador, ficamos muito impressionados com a quantidade de lixo que as ondas trazem. Muitas vezes tentamos decifrar objetos incríveis que, olhando mais de perto, se revelavam plásticos ou vidros. Mas como tem muita pedra, alga e refúgios (recifes), tem muita vida se mexendo na água. É só sentar numa pedra e observar caranguejos movendo pedras, peixinhos que eu só identificava pela sombra que projetavam na areia, conchas andando por aí nas costas de ermitões, bolhas saindo de buracos na areia, cardumes de peixes que mudam de direção a cada instante, ouriços, pepinos, anêmonas de diversas cores, marias-mijonas, peixinhos lindos como pavões, siris com casco de mariposa.

Agnes encontrou búzios, que ela não conhecia, pegou caranguejo na mão (!) e trouxeram um peixe no balde pra casa.
Pra ela, o mar é maravilhoso.

domingo, 24 de dezembro de 2023

Enfim férias

Cá estamos nós, em Salvador. Agnes e Luis passam metade do dia procurando peixinhos coloridos, caranguejos e conchas entre as pedras.
Na praia, Agnes vira outra pessoa.

domingo, 17 de dezembro de 2023

domingo, 10 de dezembro de 2023

Linguagem simples

O Projeto de Lei 6.256 de 2019 pretende instituir a "Linguagem Simples" na comunicação do Estado com o cidadão. O projeto de Lei é da autoria da Erika Kokay (PT) e Pedro Augusto Bezerra (PTB) - e portanto foi encarado pelo PL como sendo um "projeto de esquerda". Acho difícil traçar os limites entre ignorância, preguiça mental e rigidez cognitiva.

Linguagem Simples é a tradução encontrada em português para o que se chama de Plain Language. No Brasil existe uma rede Linguagem Simples (até sou membro) que pretende discutir estratégias de tornar acessíveis e claros textos elaborados pelo poder público. Os membros dessa rede percebem que muita informação não é absorvida pelo povo - e que linguagem é poder.

Acontece que, nas apreciações do projeto, entraram dois jabutis: a vinculação da Linguagem Simples ao VOLP e a proibição da linguagem neutra. A ABRALIN, por meio da Comissão de Políticas Públicas, procurou diálogo com os parlamentares para, na condição de linguistas, esclarecer as consequências de se legislar sobre a língua com base em crenças. A nota pode ser lida aqui. 

O VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) é um produto da Academia Brasileira de Letras. Como eles pensam a língua nacional como um patrimônio (imaterial), é preciso inventariar esse patrimônio e estabelecer - ano após ano - uma lista contendo todas as palavras da língua. A grafia do VOLP é a grafia que os dicionários usam como referência. Linguagem Simples não se resume a ortografia de palavras, mas trata de formas de apresentar um texto. Como é que o VOLP beneficia a lei de Linguagem Simples? Simples: no VOLP não constam palavras como todes, amigues, elu.

Chico Alencar (PSOL) levantou a lebre do VOLP: por que trocaram "observar o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa" por "obedecer"? Esse pode ser um elemento engessador - mas ninguém se esforçou pra esclarecer o que é o VOLP e o que ele faz ali no meio de um projeto de Linguagem Simples. A resposta que deram a ele foi que essa mudança foi resultado de muita negociação. Quem faz questão de proteger a língua portuguesa da linguagem não binária? A linguagem neutra é tida como aberração pelo PL - um deputado inclusive cometeu um ato falho e disse "linguagem negra".

Cabo Gilberto Silva (PL) fez questão do banimento da linguagem neutra usando como argumento o emburrecimento da população brasileira nos anos Lula e Dilma. Paulo Fernando (Republicanos) vomitou uma série de arcaísmos, pescou repetições de palavras no projeto de lei para sugerir sinônimos e por fim afirmou que o projeto de Linguagem Simples empobrece a língua portuguesa e representa a norma inculta. Ele afirma que leu o projeto atentamente, mas não entendeu o que é a Linguagem Simples. Domingos Sávio (PL) defendeu que a comunicação do poder público com a população deve ser feita em língua portuguesa e não em Linguagem Simples - como se a Linguagem Simples fosse um idioma à parte, uma versão deteriorada do vernáculo.

A sessão que aconteceu dia 05 de dezembro, foi gravada em vídeo e pode ser verificada aqui. A sessão tem quase 8 horas de duração. Quem quiser se inteirar dessa discussão em específico, recomendo que procure a marca das 6 horas, 14 minutos e 2 segundos.

Chico Alencar (PSOL) argumentou que a bancada conservadora não deve temer que o projeto de Lei instaure uma linguagem chula, reduzida e deturpada da língua portuguesa, já que o projeto obriga o uso das palavras no VOLP. De novo: o VOLP não passa de uma lista de palavras, não dá instrução de como essas palavras se combinam em orações, frases e textos. Citou Manuel Bandeira que, contrastando a fala do povo com a da elite, disse que "o que fazemos é macaquear a sintaxe lusíada" para mostrar que a linguagem sofisticada é linguagem de dominação. Gilson Marques (Novo) não entendeu nem mesmo a intenção argumentativa do Chico Alencar: "maquiar a sintaxe lusíada... que foi isso? Por que citar poesia altamente sofisticada e complicada para defender a Linguagem Simples?"

O relator, Pedro Campos (PSB), liberou a bancada pra votar o destaque proposto pelo PL referente à proibição novas formas de flexão de gênero e número, afirmando que esse destaque correspondia a um jabuti - que é "jabuti" no masculino e no feminino. A piadinha, bem como a citação de Manuel Bandeira, não teve a recepção esperada: "feminino de jabuti é jabota!" "É jabutia!!!". Houve mais votos favoráveis ao destaque que ao projeto (ou seja, mesmo quem votou a favor do projeto não entendeu a vinculação do VOLP à Linguagem Simples), o que garante em lei que, além da obrigatoriedade de usar o VOLP, fica proibido usar linguagem não binária - ou qualquer outro neologismo.

Fica de lição que Linguagem Simples precisa, necessariamente, ser uma postura comunicativa - não uma lista de técnicas para organizar a frase. É preciso calcular o que o receptor da mensagem sabe/entende. Antes mesmo de pensar na forma do texto (ou das palavras, já que não conseguiram ultrapassar a barreira do VOLP e da linguagem não binária), é preciso ter empatia com o receptor. Nesse sentido, o próprio nome Linguagem Simples é um obstáculo: linguagem cidadã seria um candidato melhor. Esse projeto foi votado em tempos de fascismo: um projeto que era pra ser inclusivo acaba excluindo a dinâmica própria da língua porque mirou no que chamam de linguagem neutra.

A nota de repúdio da ABRALIN termina assim:

A Abralin expressa a sua completa discordância em relação ao texto PL º 6.256/2019 aprovado no último dia 5 de dezembro e se coloca novamente à disposição do Congresso Nacional para discutir, na fase de tramitação no Senado Federal, uma proposta de comunicação pública verdadeiramente cidadã, clara, acessível e eficaz, que esteja de acordo com os princípios do conhecimento científico da linguagem e com a defesa enfática dos direitos humanos e dos direitos linguísticos.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Bodas de zinco (ou estanho)

10 anos se passaram desde que nos casamos na igreja.


Muita coisa aconteceu nesses dez anos, mas a vontade de seguir juntos continua.



terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Piada

Agnes quis contar uma piada:

Um homem entrou numa mercadoria pra comprar um mercado/

Eu dei risada antes de ela terminar a piada porque entendi a analogia de mercadoria com padaria, sorveteria, papelaria, pizzaria etc., mas a graça estava em outro lugar.

domingo, 19 de novembro de 2023

Onde está Wally?

O fotógrafo do Congresso da Abralin liberou as milhares de fotos que fez durante o evento e pediu que, se as divulgássemos, mencionássemos seu nome: Antônio More / MorePress. Eu fiquei revivendo o evento através das imagens

Simpósio de Popularização da Linguística

Mesa Redonda da Donna Erickson

Credenciamento

Simpósio de Políticas Linguísticas

Mesa redonda sobre patologias de linguagem

Simpósio de Políticas Linguísticas

Mesa redonda sobre ensino de língua