quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Fogo na terra e monocultura na cabeça

Em agosto de 2019, o Maravilha queimou e isso ainda é visível hoje, quase meio ano depois. Refizemos o caminho pela estrada do 4,5 (km em que se entra pro Maravilha pela BR 319) e pudemos ver a mata se regenerando lentamente. Nada do que nasceu novo tem mais de dois metros de altura. O que morreu no fogo, continua lá.
O desmatamento por queimada é gradual: no próximo verão, a madeira seca e morta no verão passado servirá de lenha na fogueira.
Perceba como não há fundo de mata nessas duas fotos: o que se vê é um clarão, um descampado. Aqui não há mais floresta.
O que abunda na região agora é a propriedade privada, a cerca nova, a sinalização de posses e caminhos.

No Maravilha não tem escola, mas tem igrejas.
Aí chegamos na divisa das terras do Jairo. Em agosto, no auge da queimada, a paisagem era assim:
À esquerda, a fundiária do Jairo. No meio, as terras da vizinha: queimadas até o chão.
Agora, a fundiária do Jairo mostra as cicatrizes da queimada, enquanto as terras vizinhas mostram a macaxeira. E foi só macaxeira que vimos plantada em todo o trajeto. Cadê agrofloresta? Derrubou-se a floresta e ficou só o agro-tech-pop-tudo que faz com que pequeno produtor e grande produtor reproduzam a lógica da monocultura.
Arirambas ainda resiste

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Abordagem teórica

Tive professores que usaram os óculos como metáfora da teoria.

Quando se estuda a língua, está-se diante de fatos linguísticos que podem ser descritos através da língua - já que esse é o método mais compreensível e universal. Quanto mais "avançado" o estudo da língua, maior o acúmulo de descrições, ou seja, de metalinguagem. Acontece que a descrição não é isenta de crenças - apostas que a pessoa faz. Esse conjunto de crenças forma uma teoria/ideologia que funciona como óculos: só se enxerga aquilo que os óculos permitem.

As categorias (substantivo, verbo, particípio etc.) são descrições da língua, não são fatos linguísticos. Enquanto descrições, envolvem convicções teóricas.

Gramáticas

Quando os meus alunos chegam no curso de Sintaxe e entendem que a Gramática que vamos estudar não é a Gramática Tradicional (porque se baseia num ideal de língua e não nos fatos linguísticos, porque se concentra na modalidade escrita e ignora a oralidade, porque mistura critérios e aposta na classificação de fatos linguísticos atomizados e fragmentários ao invés de perceber inter-relações), se perguntam se o que aprenderam da GT está errado. São maneiras diferentes de observar a língua.

A GT remonta à descrição gramatical do grego e latim. As categorias com as quais lidamos hoje (substantivo, preposição, conjunção etc.) serviram à descrição de grego e latim e foram assumidas pelos gramáticos da língua portuguesa - que não são linguistas, mas pessoas de notório saber (literário e) linguístico. Mesmo quando linguistas fazem gramáticas, muitas dessas categorias são reutilizadas sem que sejam avaliadas quanto à sua pertinência.

Para a GT, a unidade máxima de análise é a sentença e a unidade mínima é a palavra (que é considerada indivisível). Tanto latim como grego são línguas de caso marcado, ou seja, a função sintática (sujeito/objeto/etc.) é embutida na forma da palavra. Isso significa que, dependendo do caso (nominativo, acusativo, dativo etc.) muda a forma da palavra. Se não existe a noção de que a palavra é composta por unidades que significam (caso/número/gênero/tempo), a maneira de ordenar as palavras é através de paradigmas. Então uma palavra como menino, por exemplo, tem um monte de paradigmas: nominativo, acusativo, gênero, número etc. Menino é uma palavra, meninos é outra palavra, menina é outra e meninas é outra ainda. A GT não enxerga os morfemas (radical + gen. masc./fem. + sing./pl.) que compõem a palavra, percebe apenas variedades da mesma palavra.

Hora da metáfora. Desculpem o exemplo consumista: é a sociedade do consumo em que estou inserida que me faz pensar que este exemplo seja compreensível pelo leitor/consumidor.

Entro na bicicletaria e vejo grande variedade de opções. Como organizar toda essa informação? Criando categorias: tem o uso (mountain bike, speed, downhill, infantil, urbana e elétrica), o material (alumínio, carbono, aço), tem a cor e a marca. Para a GT, cada bicicleta corresponde a uma palavra. A speed de carbono preta Specialized é uma unidade concreta, assim como a speed de carbono verde da mesma marca. Ambas estão prontas e não é possível mudar sua forma.

Entro num site que vende roupas. Posso escolher entre camisas, calças etc. Se eu quiser saber o que a loja virtual oferece, ou se eu quiser comprar alguma coisa, preciso continuar determinando características do produto: tamanho, cor etc. Em alguns sites, se eu clicar na bola azul, a foto que ilustra o produto muda e o produto aparece azul. Se clicar na bola roxa, a imagem muda novamente. O que mudou? A maneira de organizar as coisas: parte-se da ideia de que o objeto é composto por unidades abstratas (tamanho/cor) que estão na descrição do objeto, não no objeto ele mesmo.

Borges Neto (2012) apresenta duas formas de classificação: (i) por reconhecimento de propriedades compartilhadas e (ii) prototípica. A primeira maneira de classificar pressupõe o método científico, em que se verifica as condições necessárias e suficientes para agregar um elemento novo a uma classe. A segunda maneira de classificar não pressupõe classes definidas, nem propriedades necessárias e suficientes para encaixar um elemento numa categoria. Basta que, por alguma razão, o elemento novo seja parecido com o melhor representante da categoria. O exemplo que ele cita é o de frutas e verduras: os biólogos não lidam com frutas e verduras, porque essas categorias agregam elementos que a rigor não se encaixam bem em seus limites: abacate é fruta ou verdura? Cenoura é vendida como verdura, mas é uma raiz. Então as categorias de verduras e frutas não servem? Servem, sim, principalmente para descrever seus elementos prototípicos. A conclusão de Borges Neto é que a GT trabalha com categorias prototípicas, que trazem consigo a vagueza e imprecisão.

Último fato curioso, pra aproveitar o Borges Neto: substantivos (nomes) e verbos têm comportamentos diferentes, por isso os gramáticos os descrevem como pertencentes a categorias distintas. Algumas formas verbais, no entanto, compartilham características tanto de verbos como de formas nominais: cansado é adjetivo ou verbo? A GT criou uma categoria especial para as formas que "participam" tanto dos nomes como dos verbos: particípio.

Dicionários

O que faz um linguista? Descreve fatos linguísticos e os explica. Tá, mas o que um linguista faz? Gramáticas e dicionários, por exemplo.

Só que poucos dicionários são feitos por linguistas e muitos deles apresentam ideologias do dicionarista (da sociedade em que está imerso). Nos dicionários mais antigos, VIRGEM é definido como donzela, pura, casta, mulher que nunca teve relação sexual. A virgindade masculina não aparece, porque não é importante para o dicionarista ou a sociedade em que ele vive. NEGRO aparece como cor de pele, mas BRANCO não aparece como cor de pele, porque o dicionarista (e a ideologia da época) não percebe a cor de pele branca como diferente - mas a negra, sim.

Percebe que esses dicionários mais antigos usam óculos que enxergam como normal o masculino, branco e católico?

Catálogo de línguas

O Ethnologue continua sendo o catálogo de línguas mais respeitado que existe - e é feito por missionários. O Summer Institute of Linguistics (SIL) tem como missão traduzir a Bíblia para todas as línguas do mundo - como se o mundo todo precisasse conhecer o texto sagrado para a tradição judaico-cristã. Assim como os irmãos Grimm tinham o propósito de anotar e descrever variantes sonoras na língua alemã e tiveram como produto mais reconhecido a coletânea de contos de fada - e não seus estudos fonético-fonológicos -, o produto mais reconhecido da SIL não são as traduções da Bíblia, mas o catálogo de línguas no mundo.

Parece um tanto paradoxal a SIL afirmar que valoriza e respeita a diversidade linguística do mundo quando pretende transformar essa diversidade toda num mesmo e único texto.

O Ethnologue de 2016 registra 7.097 línguas vivas. E agora percebemos os óculos pré-modernos que a equipe da SIL usa ao classificar as línguas do mundo:
- extinta
- dormente
- quase extinta
- moribunda
- em transição
- ameaçada
- vigorosa
- em desenvolvimento (envolve sistema de escrita)
- educacional (envolve sistema escolar)
- comunicação ampliada (envolve limites geográficos)
- regional (provincial)
- nacional
- internacional

Darwin foi parâmetro de ciência para muitos, tanto é que os missionários consideram a língua como um organismo vivo, biológico, que pulsa, se desenvolve, cresce, transcende fronteiras, é ameaçado, atacado, agoniza, entra em coma e morre.

Se houvesse tantos linguistas quanto missionários e se os linguistas tivessem claros critérios para diferenciar dialetos de línguas e dialetos de sotaques, e se os linguistas tivessem condições financeiras, psicológicas e físicas para rodar e conhecer o mundo e os falantes de todas as línguas, esses números e classificações seriam os mesmos? Acho que a pergunta vale para os demais produtos normativos: se as escolas adotassem gramáticas e dicionários feitos por linguistas, continuaria havendo tanta gente que reprova na língua materna?

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Até os 100 anos


Aniversário de 100 anos
Faleceu, nesta madrugada, a minha Oma, a Ominha dos filhos dos meus primos, a Ma da minha mãe. Marie Agnes Kleine chegou até os 100 anos de idade em setembro de 2019. Uma semana antes do centenário que reuniu grande parte da família, ela tinha caído e quebrado o osso da perna que encaixa na bacia. Passou por cirurgia e colocaram uma prótese nela - que deslocou duas vezes, provocando muita dor. Retiraram a prótese e ela voltou pra casa no dia da festa de aniversário.
Centenário da Oma: Ruth, Karin, Oma, Hans Jürgen e Ulla
Oma esteve lúcida e ativa até os 99: fazia seu próprio café da manhã e janta, tomava banho sozinha, arrancava matos no jardim, fazia crochê e palavras cruzadas. No aniversário dos 100, percebi que a força de vida a abandonava aos poucos. Tinha emagrecido, diminuído, ouvia mal, enxergava pior.
Marie Agnes e Agnes Maria
Oma teve oito irmãos, quatro filhos, dez netos e oito (?) bisnetos. Um único namorado e marido.
Agnes com 5 meses
Quando Oma ia comemorar seus 80 anos, viajou com o Opa pra Alemanha, para rever e juntar os parentes e conhecidos. Aí o Opa morreu na nossa casa e todos os convidados pra festa dela vieram pro velório dele. E ela viveu mais vinte anos sem ele.
Deram um gato pra ela, Nina, que foi sua companheira por bem uns 14 anos. Aí ela perdeu a gata e o filho mais velho, Gerhard. Foram perdas duras; e Ruth, a nora, assumiu todos os papéis possíveis dali em diante.
Crochê
Café colonial no nosso casamento: Hans Jürgen e Oma
Oma conhecia todo mundo na família e acompanhava a vida de todos. Tenho muitas cartas que recebi dela, lembro de infinitas conversas e algumas viagens. Nossa última viagem com ela foi com o Luis, antes de nos casarmos. As anteriores estão registradas em fotografias impressas em papel. Teve uma virada de ano que Oma e eu demos a volta na Lagoa dos Patos em três dias. Teve outras pra Gravatal, Laguna, Farol de Santa Marta...
Viagem à Alemanha: Luis, Mama, Ulla e Oma
Aí, faz uns 10 anos, ela começou a achar que ia morrer logo e me mandava milhas pra eu comprar passagem e ir visitá-la, me dava louças e roupas e deixava eu escolher fotos da minha infância. Recuperei grande parte de minhas memórias de infância através dessas fotos.
Philip e Oma
Oma me ligava com frequência pra falar do tempo, do Harro, desejar feliz aniversário, perguntar quando eu ia visitar, contar de acidentes bobos que tiveram consequências graves. No aniversário de 100 anos da Oma, Philip não conseguiu viajar a Gramado, mas mandou um video - que nos comoveu a todos - em que ele rememorava o tempo que passou com a Oma: fomos criados na casa dela e depois que nos mudamos pra São Paulo, voltamos a Gramado de ônibus muitas vezes pra passar férias. Depois que eu voltei da Alemanha (quase 20 anos atrás - meus pais e meu irmão continuam lá), passei muitos Natais e viradas de ano em Gramado.

A escolha do nome da nossa filha é uma homenagem que tanto Luis como eu prestamos às nossas avós. Que o corpo descanse em paz, mas que a memória de Marie Agnes Kleine continue entre nós, porque eu gostava muito dela.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Antecipação

Não adianta dizer e repetir MA RA CU JÁ:
Agnes vai dizer que é MA CU RU JÁ.
Agnes não anda de Ô NI BUS,
mas de ÔM BI NUS
Quando uma comida é DE LI CI O SA,
ela fica DE CI LI O SA na boca dela
A menina não se deixa HI Pi NO TI ZAR:
ela fica HI PI TI NO ZA DA

Coletores

Comendo jambo
Quando a almoço estava encaminhado, vestimos calças, sapatos fechados e fomos na casa do Jairo, ver o nível da água no brejo, porque Luis tinha transplantado muitas das plantas que tínhamos na casa antiga pra beira do brejo; e com a alta do rio e do lençol freático, ficamos preocupados.

Agnes estava com fome e ficou feliz com o jambo, bacuri e curumim que coletamos pra ela.
Mostrando buriti
Lembrei de um texto que li sobre coletar cogumelos e como quem caminha pela floresta à procura de cogumelos acaba percebendo as relações de interdependência na natureza. A autora do texto defende que o cultivo de uma horta é muito mais trabalhoso (porque se cria um microssistema que depende de intervenção para que dê frutos) que a coleta extrativista. 
O brejo

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Quase

Quando estudávamos na Unicamp, Renato e eu conversávamos sobre os nosso problemas cotidianos: eu falava de preposições (basicamente) e ele de vários quebra-cabeças linguísticos, um deles o 'quase'.

Sim, porque quando dizemos que algo quase caiu, referimos ao processo que se deu antes da queda de fato. Outro exemplo é 'quase comprei a passagem': o processo de escolha de destino e origem, da data, do voo e tudo mais que antecede o ato de efetivar a compra foi interrompido - e a empresa fica me mandando email perguntando se vou mesmo desistir da viagem.

Daí eu quis pregar uma peça e disse pruma amiga: 'eu quase sonhei com você'. Causou grande estranhamento. Essa combinação de palavras era inusitada. A pergunta que não se pode responder é: 'o que foi que te impediu?'

Tatit tem uma música intitulada Quase:

[...]
Fui partir
Era muito tarde
Quase que parto
Mas estava inseguro
Quase que embarco
Num sonho maduro
Quase me curo
Quase, eu juro
Quase dou um grande salto
Para o futuro
Fiquei no caminho
Faltou só um pouquinho
[...]

Tudo isso sobre o 'quase' pra dizer que Agnes está usando uma expressão original que me fez quebrar a cabeça:

"Ufa, essa foi por quase!
Quase que eu escorreguei."

Antes e depois - que já é depois de agora

Marcas de trânsito atravessando o jardim

Cactus pra preservar o jardim
Mastruz, alfavaca, manjericão, alecrim, vinagreira, hortelã etc.

Jambolão, pitanga, carambola, limão e unha de gato nas paredes
Mangueira solitária

Manga, açaí, acácia e tantas outras cujo nome me escapa
Lateral que vai pra onde fizemos a compposteira
Voltando da composteira

Antes da pérgola

Instalação da pérgola

Pérgola para maracujás e passarinhos

Escolhemos essa casa pra Agnes ter uma primeira infância num grande jardim

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Natal em família com os sem-família

Agnes decorou a árvore praticamente sozinha. Na véspera, ela e eu tínhamos conseguido comprar luzinhas (que oficialmente chama pisca-pisca) e antes disso ela e o pai tinham providenciado a árvore.
Enquanto ela pendurava enfeites em enfeites que ela pendurava na árvore, Luis e eu nos empenhamos em diminuir o número de caixas espalhadas pelo chão. Damián veio dia 24 e ajudou a colocar os armários de cozinha na parede: toda a louça subiu da caixa pro armário. Luis conseguiu acomodar todos os seus livros (mesmo que empilhados, porque temos poucas estantes e as prateleiras ficaram na outra casa).
Esse Natal foi o primeiro (de que Agnes talvez possa se lembrar depois) em casa. Antes dela completar o primeiro ano de vida, passamos o Natal em casa. Antes de completar o segundo, o Natal foi em Natal, numa viagem louca em que Agnes conheceu o mar. Antes de completar o terceiro, estivemos em Campinas, com a família do Luis. Agora foi aqui, logo depois da mudança. Dia desse ela teve um lapsus linguae e disse que estamos no hotel.
Luis tinha encomendado um peru na loja que nos vende ovo de pato e galinhas (no passado). Como o bicho era grande, demos uma festa pra compartilhar o peru. Damián, Trubiliano & Laura + Mathias estavam convidados pro almoço no dia 25, Binho & Elen + Emanuel também. Nesse sentido, o dia 24 foi de preparação para o dia 25.

E quando Agnes acordou no dia 25, encontrou presentes embaixo da árvore.
E aí chegaram os convidados e ela pôde brincar com o Mathias. Comeu pouco, mas brincou muito, de quase tudo: os brinquedos migravam do quarto pra sala pra mesa num ritmo acelerado.
Binho mandou mensagem dizendo que acordou com a família na porta de casa e por isso não conseguiu vir.
Um dos presentes da Agnes foi esse microfone que amplifica a voz (e dá microfonia, que ela soube aproveitar como se fosse percussão).
Quando Agnes e Mathias começaram a correr e gritar pela casa, nos demos conta de que ela precisava dormir (e como tinha passado da hora, ela estava elétrica). Mathias, contudo, não dorme de tarde e aproveitou pra brincar com o trem que Agnes herdou do Mathias (do Micha e da Helga).
Quando Cynthia, Fran, Heloisa, Edinaldo, Marcelo e eu nos reuníamos (ou um grupo menor desse grupo), nos identificávamos como os sem-família. Cynthia e Fran estão na Bahia, Heloisa já viajou pra perto da família, Edinaldo aposentou e sumiu, Marcelo saiu pra doutorado e não voltou. Agora os sem-família são outros.
Foto: Luis

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Mudança

Foi muito difícil encontrar uma transportadora que fizesse nossa mudança antes do Natal. Transoriental (que fez a minha mudança pra Santa Maria) só em janeiro. Confiança (que fez a minha mudança do Verona pra Vila da Eletronorte) estava com a agenda cheia. A Granero estava com a agenda lotada, mas não de mudanças: de programação interna. Negociei com eles por uma semana e consegui que a mudança fosse feita no dia 17. Toda vez que eu me comunicava com a empresa (por telefone, ao vivo ou por escrito), eles diziam que a mudança seria feita em 2 dias. Negociei desconto alegando que poderíamos levar algumas coisas de carro.
Vieram  buscar as nossas coisas na casa da Vila de manhã, quando eu estava no apartamento na Farquar, acompanhando a instalação do ar condicionado. O condomínio só permite que se coloque a condensadora (foto em cima) na sacada, mas não há parede que possa ser furada e onde a vaporizadora possa ser pendurada. A tubulação precisaria passar pelo vidro da porta da sacada. Não foi fácil achar um vidraceiro, e quando achei, ele fez o furo onde achou que ficava bom. Quando o instalador do ar condicionado veio pra tirar as medidas (ambos estavam agendados para o mesmo horário, mas o sujeito do ar atrasou), constatou que o furo tinha que ser mais abaixo, porque o dreno não pode fazer uma barriga, a água deve poder escorrer pra baixo. Chamei o vidraceiro de volta. Ele inverteu o vidro, colou o caco recortado de volta e fez o furo na marcação do instalador do ar. Aí, quando chegou o dia da instalação, o rapaz que tinha vindo tirar as medidas mandou só 2m de tubo, o que não deu pra chegar na condensadora. Tiveram que sair pra buscar 3m de tubo. Quando finalmente cheguei em casa, metade das coisas já estava embalado e em caixas.

Fiquei impressionada com a sujeira e quantidade de traças e teias de aranha acumuladas atrás e debaixo dos móveis. Os rapazes vinham me perguntar se tal objeto ia também, e eu levava a coisa pro tanque e lavava primeiro. De repente, na hora do almoço, a gerente ligou pro imediato que me comunicou que a mudança seria feita no mesmo dia. Fiquei escandalizada: não foi esse o combinado! Liguei pra Granero e conversei com o subgerente que tinha recebido ordens da gerente. O combinado era 2 dias. A portaria aqui e lá estão avisadas e preparadas pra isso. A Farquar é uma avenida movimentada, é preciso chegar cedo de manhã e garantir a vaga do caminhão com cones. De tarde não vai dar pra achar lugar pra encostar e o condomínio tem horário pra mudança terminar.

Depois de muita argumentação, consegui voltar ao plano inicial. A equipe tinha almoçado marmita no caminhão e se esticado no jardim. O horário de almoço foi até 14h e às 15h eles encerraram o serviço. Quando eles saíram, nos demos conta de qua tinham levado até o que não deviam: o sofá deveria ter ficado, a bacia grande pra levar tudo que estava dentro da geladeira também.

Uma cama de casal, a geladeira, o fogão e uma mesinha que ficava do lado da máquina de lavar tinham ficado. Pra Agnes, a situação de acampamento foi novidade. Sentamos em pilhas de livros em volta da mesinha, jantamos cogumelos e fomos dormir. Eu fiquei encafifada com o lance de levar tudo no mesmo dia, se teria dado tempo. E o dia seguinte amanheceu chovendo e eu tive certeza que era castigo divino pela minha teimosia de manter o plano inicial.

Aí eu fui na Farquar colocar os cones e vi os primeiros raios de sol. Enquanto isso, os últimos móveis foram acomodados no caminhão já lotado. Voltei e saímos junto com o caminhão. Deixamos Agnes na escolinha e chegamos antes do caminhão na Farquar. Como eles só podiam usar um elevador, um deles ficava em cima, outro embaixo e assim eles levaram o dia inteiro pra subir as coisas. Sério: começaram a descarregar às 9h e terminaram às 17h. Como é que ia fazer mudança no mesmo dia?
Essas fotos foram tiradas há alguns dias. A paisagem aqui já mudou bastante, mas ainda convivemos com as caixas, objetos quebrados e incógnitas das mais variadas naturezas. Quase todo dia, voltamos à Vila pra pegar plantas, roupas, cabides e coisas deixadas.
Tivemos que cancelar a internet porque não estavam querendo transferir o plano antigo do Luis de R$ 20,- pra cá (diziam que o endereço apresentava impedimento). Mas quando eu ligava e pedia pra adquirir um plano novo de internet por R$ 150,- eles diziam que tinha um bloqueio no endereço, mas que dava pra resolver. Só hoje entendi como o meu celular pode jogar internet pro meu computador.

sábado, 14 de dezembro de 2019

Polinizadores

Faz um ano a nossa pérgola está com maracujás em flor. E somente agora as flores evoluíram para frutos. Não são muitos frutos: 4 - e todos azedos, a julgar pelo formato. Onde estão os polinizadores de flores de maracujá?