quarta-feira, 29 de abril de 2026

Parque Nacional Povos Indígenas do rio Tanaru

O filme Corumbiara (2009) de Vincent Carelli (nosso Adrian Cowell), começa em 1986, na gleba Corumbiara, fazenda Ivipytã, em que havia acontecido um massacre de povo indígena. Apesar dos vestígios identificados por Marcelo Santos (Funai), e Polícia Federal, a Funai (Sidney Possuelo) desinterditou a área interditada judicialmente e Marcelo foi proibido de retornar à região. Mas Marcelo Santos e Vincent Carelli insistiram. Uma vez Chefe dos Índios Isolados em Rondônia, Marcelo Santos ganhou autonomia para retornar a Corumbiara - dessa vez com o assistente Altair Algayer.

Em 1995, foram à fazenda de Antenor Duarte acompanhados por dois jornalistas do Estadão. Acontece então o contato com dois Kanoê, a Justiça interdita a Terra e logo depois membros do MST são massacrados no que ficou conhecido como o Massacre de Corumbiara. Faroeste. 

Havia um falante de Kanoê em Guajará-Mirim, levado pra lá nos anos 50 pelo SPI (Serviço de Proteção aos Índios) pra liberar o espaço para os seringalistas. Faroeste com suporte do Estado. Esses dois Kanoê que Marcelo contactou provavelmente tinham ficado pra trás nesse movimento do Estado de remover indígenas como se fossem animais. 

Os Kanoê condiziram a equipe da Funai aos Akuntsu: um grupo isolado leva a outro e ambos seguem sendo de recente contato até hoje. Daí veio, em 1996, a notícia (contada por funcionário de serraria) de uma maloca de índio a 40km de onde estavam. Os Kanoê (tanto os recém-contactados como o senhor idoso de Guajará-Mirim) toparam fazer essa expedição. Encontraram vestígios na madeira das árvores (cortes), um buraco fundo com estrepes dentro e a maloca abandonada - com um buraco dentro. Os vestígios confirmam a existência de um (grupo? povo?) isolado, mas as interdições eram temporárias, era preciso comprovar periodicamente que os vestígios apontam para pessoas.

Em 1998 (1h33' no filme) Altair Algayer faz uma parada na frente da palhoça e diz: "ele tá dentro da casa". Marcelo, Vincent e Purá Kanoê esperam do lado de fora e acompanham os movimentos da ponta de uma flecha que mira neles de dentro. Eles oferecem comida, fazem fogo, esperam, mas durante as 6 horas que rodearam a palhoça, o "índio do buraco" não emitiu um som sequer, nem se deu a ver. Perante a Justiça, o "índio do buraco" só passou a existir quando sua imagem foi divulgada. Interdições judiciais garantiram que não houvesse tentativas de contato por parte de fazendeiros, peões ou jagunços, mas elas caducavam.

Nos anos seguintes, o pessoal da Funai percebeu que o "índio do buraco" abandonava a sua palhoça toda vez que percebia que estava sendo monitorado e fazia uma nova morada (com buraco dentro) mais adiante. Depois do primeiro avistamento, passaram-se 4 anos até que o "índio do buraco" fez sua primeira roça, tal a desconfiança. Quando a Funai entendeu que ele se fixaria no território, uma conjunção inusitada se deu: para não entregar as terras da fazenda ao MST, o fazendeiro fez um acordo com a FUNAI e em 2006 saiu a primeira Portaria da Restrição de Uso.  

Gosto desse mapa (da autoria de Altair Algayer) que está no Relatório de Fundamentação da Destinação da Terra Indígena Tanaru apresentado ao STF no âmbito da ADPF 991, cujo relator é Edson Fachin. O mapa mostra em vermelho a área que foi interditada judicialmente entre 1988 e 2006. A primeira palhoça (representada por um triângulo) estava fora dessa área. Nem com a lupa eu consegui ler todos os números de habitação, mas sei que foram 53 no total. A área em verde representa a área de mais ou menos 8 mil hectares abrangida pela Portaria de Restrição de Uso da Funai. Caducou e foi renovada em 2009, 2012, 2015 e a última foi válida por dez anos, ou seja, o impedimento de acesso à área foi até 2025 (Tanaru faleceu em 2022). Essa área verde é floresta. Ao redor, a fazenda é pasto e monocultura.

Perceba que o território da TI Tanaru sofreu alterações: o que era o lote 37 da Fazenda Modelo passou a incluir os lotes 36 e 46 da Fazenda Sorcel. Trocando em miúdos, a TI Tanaru era composta de partes de fazendas. Essas terras trocaram de dono ao longo dos anos. E como esse território correspondia à reserva de floresta das fazendas e não continha imóveis, não houve "vantagem" para os fazendeiros.

Após o falecimento do indígena, constatado em 2022, dois processos judiciais relativos à regularização fundiária da TI Tanaru começaram a correr em paralelo: de um lado, a ADPF 991, na qual a APIB acionou o STF contra a União Federal em razão da não regularização fundiária das TIs ocupadas por povos indígenas isolados; de outro, a Ação  Civil Pública movida pelo MPF pela Justiça Federal de Vilhena-Rondônia. No caso da ACP, em audiência de conciliação realizada em 2024, o juiz de Vilhena - RO determinou sua suspensão em função da tramitação da ADPF 991, que versa sobre o mesmo tema e corre em instância superior. (Relatório Tanaru, 2025, p. 17)

Pois é. Temos apenas duas TIs homologadas para uso exclusivo de povos isolados: Massaco (RO), a primeira, e Hi-Merimã (AM). Kawahiva do Rio Pardo (MT) só foi declarada, ao passo que Pirititi (RR), Piripkura (MT), Ituna-Itatá (PA), Jacareuba-Katawixi (AM), Mamoriá Grande (AM), Mashko Piro do rio Chandless (AC) e Igarapé Taboca do Alto Tarauacá (AC) são interditadas por Portarias de Restrição de Uso. A ADPF 991 determina (1) a reestruturação da FUNAI para melhor atender aos povos isolados e (2) que todas as Portarias de Restrição de Uso sigam vigentes até a demarcação (homologação) ou até que se descarte a existência de indígena isolado na terra. 

E por que existem essas Portarias de Restrição de Uso? Porque o rito demarcatório tem, em sua primeira fase, um Relatório Antropológico que comprove ocupação indígena tradicional. Como etnografar um povo isolado? O que Altair e Cangussu (suponho que tenham trabalhado nisso) fizeram pra que Massaco e Hi-Merimã fossem demarcadas é entender, pelos vestígios dos isolados, qual é a área que eles ocupam permanentemente, usam para suas atividades produtivas, para preservar os recursos ambientais e para a reprodução física e cultural (lugares sagrados e cemitérios inclusos). 

A Lei 14.701, já com o Marco Temporal incluso, que regulamenta o artigo 321 da Constituição e explica o rito demarcatório, determina que: 

Art. 4º São terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas brasileiros aquelas que, na data da promulgação da Constituição Federal, eram, simultaneamente:       (Promulgação partes vetadas)

I - habitadas por eles em caráter permanente;

II - utilizadas para suas atividades produtivas;

III - imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar;

IV - necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.

A reprodução física do "índio do buraco" não era possível desde 1996, quando se entendeu que ele era o último sobrevivente de um povo. No caso dos Piripkura - são dois homens, tio e sobrinho - essa reprodução física também não vai acontecer. E talvez esse tenha sido um argumento pra que a TI Tanaru não tenha sido declarada Terra Indígena depois da morte do "índio do buraco". O outro argumento é que se trataria de uma terra indígena sem indígena.

Teve uma reviravolta - que provavelmente não seguirá adiante, mas enfim. Quando o "índio do buraco" foi encontrado sem vida por Altair, o MPF de Vilhena solicitou a coleta de material genético para determinar a etnia do "índio do buraco". Ora, cultura não se classifica a partir da biologia. Na notícia que saiu domingo passado no Globo, o MPF Vilhena defende que há um outro povo que se autodenomina Guaratira/Tanaru que reivindica o território da TI Tanaru como seu território ancestral. Pena que não habitavam a TI Tanaru em caráter permanente, né.

A TI Tanaru é fruto de um acordo com fazendeiros - que contavam com a finitude do povo Tanaru. Com a criação do Parque Nacional, uma Unidade de Conservação Integral, está prevista a indenização aos fazendeiros pelas terras. Quando é criada uma Terra Indígena, reconhece-se o direito originário ao território, o que torna nulos todos os títulos de propriedade particular, porque a TI é terra da União. Assim sendo, quando é demarcada uma Terra Indígena, a indenização recai não sobre a terra, mas sobre as benfeitorias se for comprovada boa fé de quem ocupou terras indígenas. Ou seja, a criação do Parque Nacional gera indenização de terras (muito dinheiro) aos fazendeiros, a criação de Terra Indígena gera indenização apenas das benfeitorias - que não existem, porque a TI incide sobre a reserva de floresta das fazendas. É claro que o interesse na criação do Parque é maior - mesmo porque o que se quer é preservar a memória dos povos indígenas do rio Tanaru e sua resistência para sobreviver.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Aniversário conjunto

No ano passado, não conseguimos organizar a festa de aniversário da Agnes porque os finais de semana coincidiam com feriados ou com outras festas dos colegas de turma. Estivemos diante do dilema de fazer festa no dia 18, correndo risco de o pessoal viajar por causa do feriadão de Tiradentes, e fazer festa antes do aniversário dela, dia 11. Resolvemos alugar uma casa e a primeira que visitamos só tinha dia 11. A gente gostou da vibe da casa, cheia de frutíferas, plantadas por um agrônomo que logo se entendeu com a Agnes. Entre o meu aniversário (completei 48!) e o da Agnes (10 anos), o dia 11 pareceu um compromisso bacana. A festa com as crianças começaria às 14h. Como teve sábado letivo, o pessoal da escola dela chegou essa hora mesmo.

Fiz algumas viagens entre a casa da festa e a nossa casa pra buscar coisas e fiquei matutando como lidar com um arco enorme que a proprietária tinha dito que tinha. Se a festa fosse temática (sei lá, 10 anos ainda tem tema?), daria pra lugar capinhas, mas ninguém foi atrás disso. Numa das pendulações entre casa da festa e casa, passei numa loja de festa, pra ver se tinham as tais das capinhas. Não trabalhavam com isso há anos, mas a moça desenhou um arco e ficou pensando como preencher o vazio com coisas pendentes: balões, plantas, tecido. Lembrei de um lençol amarelo que eu tinha aposentado por ser muito justo na cama queen, peguei canetinhas e aproveitei o arco. 

O churrasco foi feito para os adultos - Altaci, Alessandra + Réverson e Rose. Conforme o pessoal foi chegando, alguns pais foram ficando.
Quando as crianças chegaram, se espalharam pela piscina, quadra, foram conhecer o pomar e os animais (patos e galinhas). Quase todas as crianças perguntaram se Agnes morava ali. A mãe do Milton ainda lembrava onde era o banheiro e me contou que tinha passado o Réveillon naquela casa. 
Tivemos ajuda de outras mães pra dispor os brigadeiros e o bolo. Luis ainda perguntou se acendia as velas antes ou depois de cantar parabéns e fomos tachados de pais que não sabem como funcionam festas de aniversário infantis (em Brasília), mas deu certo. Agnes curtiu a festa, não houve crise alguma, as pessoas saíram felizes e contentes, me dando parabéns. Aceitei os parabéns.


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Momento histórico do passado

A reunião na manhã do dia 07 de abril, bem na hora da Marcha do ATL, era com lideranças Manchineri e Jaminawa e representantes da Coiab sobre a ausência da FUNAI na TI Cabeceira do Rio Acre e a presença incômoda, ao lado, da Estação Ecológica gerida pelo ICMBio. Na Unidade de Conservação, os indígenas não podem caçar, nem coletar a castanha que cai no chão. A maior preocupação era que o Parque está bem no meio da rota dos Mashko Piro, um grupo grande de indígenas isolados peruanos. Os Manchineri e os isolados são Yine e falam a mesma língua. 

Clica na imagem pra ver melhor

Reconheci Carlos Travassos, que se apresentou como consultor - mas já foi Coordenador Geral de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato da Funai. No final da reunião, fui dizer a ele que eu lembrava dele da SBPC de 2014 que aconteceu no Acre, na UFAC. Eu tinha feito uma pergunta pra ele sobre povos isolados na área de impacto das usinas do Madeira. Luis e eu estávamos coletando material pro nosso filme e a resposta da Funai de que havia povos isolados ali perto de onde queriam construir a UHE Santo Antônio segurou o licenciamento até trocarem o chefe da Coordenação Regional (ou equivalente) que depois assinou uma certidão negativa.

Localizei o vídeo que eu fiz do Travassos falando do princípio da precaução e dos tempos tanto do empreendimento como da Funai para comprovar a presença de isolados.
 

Em julho de 2014 aconteceu o primeiro contato depois de 20 anos sem eventos de contato. Foi lá no Acre, no rio Xinane. Desconfio que Carlos Travassos e Txai Terry estavam ali na SBPC pra narrar esse contato.

domingo, 5 de abril de 2026

Páscoa no Cerrado

Depois de Agnes encontrar os ovos de Páscoa escondidos, nos preparamos para fazer uma trilha no Parque da Água Mineral.

Como as piscinas não estavam abertas, havia bem pouco público no Parque e nas trilhas. 

Esse foi o primeiro presente: a tranquilidade. O segundo foram os tesouros escondidos. Agnes e eu revezamos a máquina fotográfica e já não sei mais quem fez qual foto.





No total, fizemos 10km de trilha, um grande feito pra Agnes que ainda não completou 10 anos.


sábado, 21 de março de 2026

Vivência de Páscoa

Hoje foi sábado letivo na escola e preparação para a Páscoa. Agnes e eu participamos das oficinas de origami e pintura de ovos.

A dobradura da Agnes saiu diferente, mas como todo mundo elogia a criatividade dela, o coelho dela foi aceito como sendo um coelho de Páscoa.

A pintura de ovos já era conhecida e saiu conforme o esperado.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Iconicidade

No Interab, fui ver a conferência da Professora Corrine Occhino (Texas/EUA) e fiquei impressionada com o tema: iconicidade. Nas línguas orais (faladas), a maior parte do léxico que consideramos que representa a palavra é relacionado a som (miau), movimento (vrum) e tato (liso), ao passo que, nas línguas sinalizadas, é o elemento visual que se presta à iconicidade (o sinal pra "mesa" representa uma mesa).

Enquanto ela falava, eu ficava lembrando do Luis que viu um filme em alemão com uma menina surda que sinalizava e a conclusão a que ele tinha chegado: a língua de sinais alemã é mais fácil de entender que Libras, porque ele entendia muitos dos sinais que a menina fazia.

Acontece que a iconicidade, conforme Corrine Occhino, não é uma relação direta entre palavra/sinal e conteúdo representado. Ela mostrou - e isso ficou evidente durante a conferência, em que grande parte do público sabia Libras - que a língua tem certos esquemas que são reconhecidos como icônicos. Por exemplo, ela mostrou um set de três sinais em ASL (que são muito similares aos mesmos sinais em Libras):

 

Uma vez que a pessoa entende a lógica de que indicador e médio voltados para baixo representa "pernas", a pessoa é capaz de derivar os significados dos sinais de "dançar" e "saltar/pular".

Então, além da língua ter uma lógica própria - que pode ser semelhante entre línguas sinalizadas - ainda tem o conhecimento de mundo compartilhado. É preciso saber que estar em pé não implica movimento e que dançar envolve movimento para enxergar iconicidade no sinal. Resumindo, nas palavras dela: "iconicity lies in the eye of the beholder".

Chegando em casa, eu testei isso, só que ao contrário. Pedi pra Agnes e Luis adivinharem o sinal de "saltar". Não acertaram. Pedi pra adivinharem o sinal de "dançar". Também não. Mostrei o sinal "em pé" e eles entenderam. 

Ontem de noite, enquanto eu esperava o pão assar, fui ver o livro do Gustavo Piqueira sobre Warja Lavater: Desenho como escrita como desenho.

 

Essa designer não se vê como pintora, mas como escritora quando contou a história da Chapeuzinho Vermelho - cujo enredo é conhecido. Veja aí se você acompanha a história: 

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Communication breakdown

Chegou um processo da CONJUR em que a Advogada da União apresenta uma petição de 2016 de um advogado que representa os proprietários de imóvel situado no Parque Juruena. Nesta peça jurídica, o advogado afirma que os seus clientes não receberam indenização prévia do ICMBio quando o Parque Juruena foi criado em 2006. Não há menção a povos indígenas neste texto do advogado, já que a indenização ou reintegração de posse é pleiteada à instituição que lida com conservação ambiental. 

 

Consta no processo um Ofício que menciona um desdobramento que envolve a FUNAI que não consta neste processo, qual seja: 

Em decisão recente, o Juízo, agindo com a cautela necessária, determinou a intimação da FUNAI para que o órgão indigenista se manifestasse conclusivamente sobre a incidência da área objeto da lide no território demarcado ou em demarcação. Em resposta, a autarquia indigenista [...] assever[ou], sem margem para dúvidas, que a Fazenda [...] encontra-se totalmente sobreposta à Terra Indígena Apiaká do Pontal e Isolados. 

 

Tentei entender como funciona essa tripla sobreposição: uma fazenda dentro de um Parque Nacional de Conservação Integral criado em 2006 que fica quase na mesma área que uma Terra Indígena declarada em 2024. Como o advogado do fazendeiro agora pedia indenização pelas terras à FUNAI, a CONJUR perguntava se era possível comprovar a ocupação tradicional indígena (antes de 5 de outubro de 1988). Se a ocupação ancestral indígena fosse comprovada, em tese o fazendeiro teria direito a indenização:

solicita-se informações quanto à ancestralidade da ocupação indígena na área, porquanto o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 1.017.365 (Tema 1.031 da Repercussão Geral), estabeleceu a seguinte distinção no regime indenizatório:

IV – Existindo ocupação tradicional indígena ou renitente esbulho contemporâneo à promulgação da Constituição Federal, aplica-se o regime indenizatório relativo às benfeitorias úteis e necessárias, previsto no §6º do art. 231 da CF/88;

V – Ausente ocupação tradicional indígena ao tempo da promulgação da Constituição Federal ou renitente esbulho na data da promulgação da Constituição, são válidos e eficazes, produzindo todos os seus efeitos, os atos e negócios jurídicos perfeitos e a coisa julgada relativos a justo título ou posse de boa-fé das terras de ocupação tradicional indígena, assistindo ao particular direito à justa e prévia indenização das benfeitorias necessárias e úteis, pela União; e quando inviável o reassentamento dos particulares, caberá a eles indenização pela União (com direito de regresso em face do ente federativo que titulou a área) correspondente ao valor da terra nua, paga em dinheiro ou em títulos da dívida agrária, se for do interesse do beneficiário, e processada em autos apartados do procedimento de demarcação, com pagamento imediato da parte incontroversa, garantido o direito de retenção até o pagamento do valor incontroverso, permitidos a autocomposição e o regime do §6º do art. 37 da CF;"

O primeiro lugar que eu fui pesquisar foi o livro do Elias Bigio de 2021, em que ele trata de todos os povos isolados do Mato Grosso e mostra as sobreposições de imóveis rurais. Me surpreendi ao não encontrar a fazenda lá.  

O segundo lugar em que eu fui procurar informação foi o Bernardo, que senta atrás de mim e trabalhou uns 15 anos na FUNAI. Ele me explicou que para delimitar uma Terra Indígena e pro Ministro da Justiça declará-la através de Portaria como Terra Indígena, é preciso que tenha sido feito um estudo antropológico que comprova ocupação indígena ancestral. Achei um resumo do estudo antropológico publicado no Diário Oficial e comecei a escrever uma nota técnica para a CONJUR, mostrando que a ocupação tradicional podia ser comprovada através de documentos oficiais. O próprio mapa do Curt Nimuendaju (de 1944) já mostrava os Apiaká no rio Juruena.

Mas como explicar essa sobreposição de Parque Nacional com Terra Indígena? Achei um texto de 2025 justamente sobre isso.

O Parque Nacional Juruena foi criado em 5 de junho de 2006 como Unidade de Conservação de Proteção Integral para conter o desmatamento numa época em que se acreditava que conservação ambiental significava ausência de pessoas no território a ser conservado. Conforme se lê em Fanzeres e Carvalho (2025, p. 8):

Ignorar a territorialidade Apiaká no processo de criação do Parque Nacional foi um erro crasso, uma vez que a presença dos Apiaká no Baixo Juruena é incontestável. Conforme Almeida (2019), há vasta documentação histórica atestando que a região era tratada como “Reino dos Apiaká” ou “Baixio dos Apiaká” e, ainda hoje, tal presença marcante dá nome a inúmeros acidentes geográficos e localidades da região: Serra dos Apiacás; Pontal dos Apiacás; Município de Apiacás (MT); além dos rios Apiacás e Apiakazinho. Certamente a referência mais conhecida se trata dos relatos deixados pelo artista Hercules Florence, que nos anos 1820 acompanhou a “Expedição Langsdorff”, do interior de São Paulo rumo à Santarém, navegando pelos rios Arinos, Juruena e Tapajós. Décadas mais tarde, a consolidação da rota Cuiabá-Santarém e a expansão dos seringais pela região fez aumentar a hostilidade dos colonizadores em relação aos indígenas e os Apiaká foram sistematicamente perseguidos, afastando-se da região (ALMEIDA, 2019).

Conforme os autores, a reivindicação pelo reconhecimento dos indígenas foi formalizada em 1999 e as primeiras portarias que iniciam os estudos de delimitação territorial datam de 2008. A portaria declaratória data de 05 de setembro de 2024. 

Criar o Parque Juruena pelo ICMBio foi uma solução mais rápida que demarcar uma TI pela Funai (passaram-se 16 anos entre os estudos de delimitação e declaração da TI). Na minha nota técnica, eu concluí que então o fazendeiro tinha direito a indenização pela terra nua. Quando terminei a nota técnica, o meu chefe imediato estava viajando e a diretora estava no exterior. Nenhum dos dois editou ou assinou a nota enquanto estavam fora. Quando voltaram, eu fui pro congresso da Abralin. Eu pedi pra cada um dos dois me avisar quando assinasse a nota, pra eu assinar também. No hotel em Recife, acessei o SEI e vi um despacho do meu chefe imediato em que ele copia trechos da minha nota técnica - que segue invisível para todos porque não foi assinada. Achei muito bonito assinar despacho com as palavras de outra pessoa quando ele podia ter editado e assinado a nota técnica.

Fiquei me perguntando por que a minha nota técnica não foi aproveitada (foi, mas não como eu esperava) e no dia seguinte apareceu um despacho da Coordenadora-Geral do departamento irmão do nosso. A argumentação se baseava na Constituição:

Art. 20. São bens da União:

(...)

XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.

(...)

Art. 231.

§ 6º - São nulos e extintos, não produzindo efeitos jurídicos, os atos que tenham por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras a que se refere este artigo, ou a exploração das riquezas naturais do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, ressalvado relevante interesse público da União, segundo o que dispuser lei complementar, não gerando a nulidade e a extinção direito a indenização ou a ações contra a União, salvo, na forma da lei, quanto às benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé. 

Ou seja, o fazendeiro não teria direito à indenização pelas terras, apenas pelas benfeitorias derivadas da ocupação de boa fé. Meu chefe imediato poderia ter editado a conclusão da nota técnica. Em seguida, a diretora do meu departamento mandou anexar 7 documentos (livros, artigos, alguns repetidos) sobre a TI Apiaká do Pontal e Isolados.

Na sexta passada, a CONJUR repetiu o pedido de informação sobre ocupação ancestral de terras indígenas - como se não tivéssemos feito nada naquele processo que está com duas pastas de documentos. Achei que era hora de conversar. A comunicação via zap ou processo não parecia ser eficiente. Subi na CONJUR. Claro que a pessoa que assinou o despacho não estava no MPI às 9h, mas uma das assistentes estava. Expliquei toda a novela e ela respondeu: a Advogada da União é a única pessoa que não tem acesso ao SEI, só a documentos diretamente endereçados a ela. Mas agora que você me mostrou onde estão as respostas que ela precisa, vou enviar esses despachos pra ela. 

 

domingo, 8 de março de 2026

8M

Minha amiga FranFran escreveu um texto sobre violência de gênero, feminicídio, cultura menina casinha e menino aventura, a associação que se faz entre mulher e mãe e todas as possibilidades de mulher e de mãe que existem. Terminava o texto mandando o pessoal que envia parabéns e flores enfiar essas flores e parabéns no fiofó. Li esse texto em voz alta pra minha filha.

Agnes adorou, mas não entendeu a parte de enfiar flores e parabéns no cu. Daí eu mostrei pra ela as mensagens de flor e parabéns enviadas pelos meus colegas professores, ex-alunos crentes, o porteiro etc. Aí ela entendeu que o porteiro jamais me daria flores (ou mesmo parabéns) de verdade.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Em resumo

Tenho trafegado para a UFPE, onde está acontecendo o Interab (Congresso internacional da Abralin), todos os dias por vias diferentes. A voz da Waze me manda pra esquerda e pra direita a cada duas quadras, me faz atravessar feiras, ruas em que a maioria dos veículos tem duas rodas e ruas que mudam de largura como uma cobra depois de almoçar. Não percebi, nesse trajeto entre hotel e universidade, veias ou artérias da cidade, rotas mais usadas. Notei, no entanto, alguns nomes de bairro peculiares: Aflitos, Afogados, Encruzilhada e Espinheiro.

Achei curioso ouvir a voz da Waze dizendo "cruzamento complexo à frente" - nunca tinha ouvido isso - ou "insegurança adiante". Hoje ouvi: "histórico de acidentes reportado nos próximos 200m" e depois "siga na faixa da direita para sair à esquerda". No entanto, achei o trânsito relativamente calmo. Como não há faixas fixas (ou porque estão apagadas ou porque a rua oscila entre duas e três faixas), estão todos sempre muito atentos ao espaço que ocupam.  

Cada congresso tem sua história. Nesse congresso, fiquei muito feliz de poder mostrar jogos didáticos que eu fiz com papel, tesoura, tinta e cola. Mesmo. O nível das conversas que eu tive com pessoas que se interessaram pelos meus jogos e manequins foi acadêmico: falei de teoria, experimentos, de estudos, jogos e das minhas tentativas de dar corpo a isso tudo. A conversa que me deixou mais feliz foi a que tive com a Dudu (Edwiges Morato). Ela imediatamente reconheceu o livro "Onze sinais em jogo" que tava em cima da mesa porque foi editora da Unicamp e sucedeu a Márcia Abreu, que editou o livro. Ela pegou nas peças do jogo de memória e perguntou: você estudou pedagogia? Em seguida, pegou uma vírgula e perguntou: que material é esse? Escrever um livro sobre um fenômeno linguístico era esperado, mas fabricar jogos era incrível - e eu vi a admiração no rosto dela e ganhei um abraço.

Fui ver a mesa sobre a Década Internacional das Línguas Indígenas e perguntei pra Sâmela se ela era a Sâmela que tinha tentado vir pro MPI. Ela teve que pensar, depois disse que sim, mas que não deu certo. Eu concordei e ela perguntou quem eu era. Lou. Ela me deu um abraço inesperado e agradeceu pelo apoio, suporte e torcida.

Nesse congresso, conheci pessoas novas e durante a conversa descobrimos que tínhamos amigos em comum. Fui reconhecida por uma pessoa que não consegui localizar ainda nas minhas memórias e fiquei contente de ver um ex-aluno (se não me engano, era militar e cursava Libras à noite) da Unir. Conversei com dois colegas da Unir sobre a situação de lá e me apresentaram cenários diametralmente opostos: enquanto ela achava que tava tudo ok, ele confessou que estava tomando remédio controlado pra enfrentar a burocracia apocalíptica. Misturada com pessoas tão diferentes entre si, me vi como aluna da USP e da Unicamp, editora da EDUFRO e da Roseta, popularizadora da Linguística, professora da Unir e servidora do MPI. 

Vi pouco de Recife, vi mais as pessoas que me fizeram olhar pra mim. 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Superpop

Hoje foi dia de expor os meus produtos de popularização. Fui no hall de exposição de manhã porque de tarde eu seria mediadora de um debate sobre avaliação da Capes e periódicos da Abralin justo no horário da exposição. Tivemos pouco público, mas as pessoas que pararam pra entender os meus manequins e sinais de pontuação de papier marchê gostaram muito do trabalho: falei do jogo de memória dos sinais de pontuação pra esclarecer quais são os sinais de pontuação, falei do livro "Onze sinais em jogo", falei do jogo de dados e das funções dos sinais de pontuação. Apresentei o teórico e concreto.

Encontrei com Cleber no corredor e ele me levou para a sala em que estavam gravando um podcast sobre trajetórias de professores na Linguística. Gravei depois da Marta Scherre. Reconheci uma editora que foi super mãe nos tempos da ABEU, mas não lembrava do nome dela, nem ela do meu. Maristela, editora da UEA, super acolhedora e radiante.

Quando sentei do lado da Luana num intervalo, engatei na conversa com uma orientanda do Renato, que mundo pequeno. 

De tarde aconteceu essa mesa sobre os periódicos da Abralin em que eu falei da Revista Roseta, Miguel falou da CadLin e Olga falou da editora da Abralin e todos entendemos um pouco mais sobre Qualis e a avaliação que a Capes faz da Pós-Graduação. 

De noite, em vez de aderir ao jantar de adesão, acabei indo com o pessoal da USP (Cecília e sua trupe) prum boteco que tinha "bode" no nome, rememorar os tempos e professores do fim da década de 90.

terça-feira, 3 de março de 2026

Popularização, divulgação e difusão

Como vice-coordenadora da Comissão de Popularização da Linguística, apresentei trabalho junto com Cecília Farias (Museu da Língua Portuguesa) no Simpósio Temático sobre popularização que ela coordenou. 

Apesar de concordarmos todos que "popularização", "divulgação" e "difusão" não são sinônimos, algumas pessoas no simpósio conjugavam os elementos compondo estruturas do tipo "precisamos popularizar a divulgação científica".
Achei legal rever amigos de congressos anteriores, andar junto com o pessoal da comissão pop e cumprimentar pessoas que antes eu só tinha visto na tela do computador.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Olinda sem orla

Cheguei ontem em Recife pro Interab, o grande congresso da ABRALIN que acontece a cada 2 anos. 

Procurei por restaurante vegetariano e escolhi uma indicação em Olinda (estou perto da divisa). Como cheguei cedo, resolvi caminhar pela orla, mas não encontrei o que eu esperava. Havia um calçadão em obras, pedras no desnível e depois a água. Não vi areia, onda, essas coisas.

Depois do almoço em que até o café era vegano (não sei como esse café era diferente de qualquer outro café), botei no aplicativo de mapas pra me levar até a Orla de Olinda, mas as ruas que a voz mandava eu pegar ou eram contramão ou me levavam para a direção oposta. Desisti de ver uma praia prototípica e voltei pra Recife.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Exposição de produtos de popularização

Eu sempre quis mostrar as coisas que posto no Instagram, onde tenho um público pequeno (bem mais postagens que seguidores). Tentei já enviar fotos para uma revista toda conceitual, Dobra, mas não deu certo. Daí tive minha submissão de exposição de produto de popularização aprovada no Interab, o congresso bienal da ABRALIN. 

Resolvi pegar os recortes, rebarbas e picotes que sobraram do mega álbum de recordações que fizemos no carnaval. Como o papel da fotografia tem uma gramatura bem mais alta que o papel normal, fiquei muito tempo tentando fazer o liquidificador processar aqueles picotes todos. Juntei cola, maizena e botei a papa de papel pra ferver. Depois, modelei o papier mâché e botei pra secar.

Pintei os picotes de memórias reificadas e recicladas todas de preto e passei o carnaval fotografando posturas diferentes do manequim de madeira. Estou ansiosa pra levar esses objetos e jogos com sinais de pontuação pra um congresso. 

domingo, 25 de janeiro de 2026

Férias em casa: outro tempo

Até tínhamos passagens e reservas pra passar o Natal em Belo Horizonte, com a família do Luis - e depois, em janeiro, ainda tínhamos planos de viajar de carro até a Serra da Capivara! - mas a recuperação da cirurgia no joelho não aconteceu no tempo previsto pelo médico.

Logo depois da cirurgia, já estavam programadas sessões de fisioterapia e a evolução com as muletas ideal era: duas muletas, uma muleta, nenhuma. Nos primeiros dias, Luis não podia sair de casa sozinho por causa das escadas e quem fazia tudo era eu: cuidava do jardim (Luis virou o jardineiro da praça e eu tive que assumir o papel dele quando apareciam lixos, quando um galho de uma árvore despencou, quando apareciam entulhos, quando precisava varrer manga podre), fazia comida, lavava louça, fazia compras, levava na fisioterapia, esperava, trazia de volta, repunha gelo no saco e gelo no freezer (o freezer estava tomado por cubos de gelo). 

As bandagens no começo faziam com que tudo em volta ficasse roxo, mas mesmo depois que tirou a bandagem, seguia se espalhando uma mancha roxa. Doía e Luis de repente andava sem muleta, depois a fisioterapeuta ensinava a usar uma única muleta, sincronizando a passada. Não foi conforme o cronograma, e sempre acompanhado de muita dor.

Começamos a ver um seriado médico italiano. Depois de um episódio em que "Doc" dá um remédio que causa reação na paciente e tenta descobrir qual condição médica causaria aquela reação, Luis teve a sacada que o remédio que ele toma pra dormir poderia estar retardando a recuperação. Suspendeu o remédio, o roxo regrediu. Entendemos que a recuperação não é universal, mas que cada um responde com um histórico diferente.

Luis logo entendeu que o seriado não era sobre casos clínicos, mas sobre as relações amorosas entre os personagens e desistiu de ver Doc. Eu continuo achando superlegal ouvir todo mundo parlando italiano. Depois do pacote de 10 sessões de fisioterapia, e já sem muleta, Luis contratou mais outro pacote igual, pra disciplinar os exercícios. Passou a cozinhar, trabalhar no jardim e voltar de Uber da fisioterapia. 

Agnes nos acompanhou nesse processo todo. Como não mudamos a paisagem, resolvi que era hora de fazer uma viagem no tempo. Consultei o último álbum de fotografias que eu tinha montado pra ela e reparei que a última foto lá era de uma vacinação contra COVID. Passei bastante tempo selecionando fotos e encontrei um lugar em que se revela fotos. Agnes ficou intrigada com essa coisa de "revelar" foto: mas é só olhar! Levei mais de 100 fotos num pendrive e me disseram que tinham pacotes de 300 fotos que saía mais baratinho. Revelamos mais de 460 fotos e ainda tenho créditos lá, o que animou a Agnes a montar o seu próprio álbum de fotografias. Demorei muito pra ordenar essa montanha de fotos e depois colar no álbum. Fui acompanhando pelo blog as datas dos eventos e suspeito que eu tenha me embananado em pelo menos duas sequências no álbum.

Ficou imenso, mas vai de junho de 2022 a janeiro de 2026... Era pra ter saído em dois volumes, mas achei melhor não desmembrar esse colosso, fruto dessas férias.

Lembro que no ano passado, em João Pessoa, eu tinha levado pra praia os quadrinhos do Alienista. Agora a revista pra qual eu submeti o artigo sobre o narrador em adaptações do conto de Machado para os quadrinhos está enviando o texto para pareceristas: o tempo acadêmico é parecido com o tempo das férias em casa. Como não tem passagem, devolução, entrega de chave, mala etc., o fim das férias parece distante. 
 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Férias no Itamaraty

 

Aproveitando que os 51 bancos rituais indígenas ainda estão expostos no Palácio do Itamaraty, resolvi levar Agnes para essa visita guiada que o Ministério das Relações Exteriores chama de "Férias no Itamaraty".
Numa linguagem ligada nas crianças, nossa guia apresentou obras de arte/arquitetura e paisagismo. Os jardins são de Burle Marx, o desenho do Palácio é de Oscar Niemeyer e um painel lá, de Athos Bulcão. Os outros nomes que assinam outras obras já me fugiram.
A monumentalidade do Palácio é o que pega mais na visita toda.

A regra número um era: não pode correr.
O Itamaraty tem se mostrado aberto ao diálogo com o indigenismo: o Kuntari Katu não faria sentido algum sem as aulas no Instituto Rio Branco, por exemplo, agora os bancos indígenas estão lá expostos. Mas o texto que acompanha a exposição menciona 150 línguas indígenas. De onde saiu esse número? O Ethnologue conta 180, o Censo de 2010 conta 274 línguas, ao passo que o Censo de 2022 conta 295 línguas indígenas - inclusive piripkura (os isolados não foram entrevistados, mas a Rita foi) e tupi-guarani (como língua, não como tronco linguístico). 
Meteoro

Agnes gostou de ganhar um envelope cheio de desenhos que representam partes visitadas hoje.