Animais de criação que vivem confinados têm uma vida que encaramos como mecânica: comem ração (processada a partir de grãos que não fazem parte da dieta natural desses animais), têm pouco espaço, pouco movimento, pouca luz solar e são criados e mantidos vivos para que sejam abatidos.
Se uma doença infecciosa pega em um animal, os outros logo são contaminados também: porque todos estão juntos, comem a mesma coisa, têm organismos parecidos e portanto condições parecidas de se defender - ou não. Tá, entender a dinâmica de infecções em porcos, frangos e vacas é fácil: gripe suína, gripe aviária, vaca louca. Vamos considerar os humanos, então.
A indústria farmacêutica visa lucro.
"Das 18 maiores empresas farmacêuticas, 15 abandonaram totalmente este campo [vacinas e antibióticos]. Medicamentos para o coração, tranquilizantes viciantes e tratamentos para a impotência masculina são líderes do lucro, não as defesas contra infecções hospitalares, doenças emergentes e assassinos tropicais tradicionais" (Mike Davis, em: A crise do coronavírus é um monstro alimentado pelo capitalismo, publicado em Coronavírus e a luta de classes).
Quantos hospitais particulares existem numa cidade? E quantos hospitais públicos? Aqui em Porto Velho consigo lembrar de 3 hospitais públicos e 6 particulares. Hospital particular não trabalha com leitos e equipamentos sobressalentes, porque o que está parado não gera lucro. Trocando em miúdos: a ciência não está preparada para a prevenção de doenças e o sistema de saúde não é público.
H1N1, cuja campanha de vacinação foi antecipada agora no Brasil, é a gripe suína. A gripe do frango é H5N1. Se quisermos procurar por epidemias, teremos ebola, SARS, gripe espanhola e muitas outras. Covid-19 apresenta a novidade de ser global. E isso tem a ver com a movimentação das pessoas infectadas.
As pandemias gripais proliferaram em centros urbanos. Em lugares onde as pessoas comem ultraprocessados, exercitam pouco o corpo, têm pouco acesso a luz solar, moram em caixas pequenas, trabalham em caixas pequenas e são transportadas por caixas mais ou menos compridas. Enquanto a função dos animais de criação é servir de comida aos humanos, a função desses humanos é trabalhar.
sábado, 28 de março de 2020
quinta-feira, 26 de março de 2020
A guerra na televisão
Assistir TV tem sido uma aventura nesses tempos de calamidade: coronavírus e Bolsonaro. No início, vimos o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, como um herói. Ele falava com calma, clareza, dava instruções e colocava o presidente da nação no seu lugar, enquanto Jair Bolsonaro dizia que o cenário era de histeria e que não devíamos levar essa gripezinha tão a sério.
Anteontem o Ministro da Saúde começou a falar de economia e todo mundo comentou que o discurso do Mandetta tinha mudado. Ele é um político, é preciso lembrar.
No mesmo dia, de noite, Bolsonaro fez um pronunciamento imediatamente antes do Jornal Nacional, da Globo. O Jornal já estava pronto antes do pronunciamento, portanto não houve diálogo possível com o que ele disse. E fomos dormir com essa sensação de que "então suspendeu o isolamento e vamos voltar a trabalhar como se não houvesse um vírus solto nas cidades, é isso que eu entendi?". Pois é. Teve jornal por escrito que analisou inconsistências na fala do presidente a cada afirmação. Em linhas gerais, Bolsonaro criticou a imprensa, disse que o caos social vai se instalar se as pessoas não voltarem trabalhar, que não tem por que as crianças não voltarem pra escola, que ele, como atleta, não sofreria com o vírus se o pegasse, que Covid-19 não passa de uma gripezinha e que já houve várias outras doenças mais letais que causaram menos comoção que essa.
Pois é. Como pode o presidente de um país olhar para a situação mundial, calcular que o presente da Itália, Espanha ou Estados Unidos pode ser o nosso futuro, ver o número de casos e mortos aumentando a cada dia no Brasil e obrigar as pessoas - forçadas a cumprir quarentena pelos governadores de todos os estados brasileiros - a voltarem ao trabalho? Tem gente que enxerga um plano aí. Tem gente que só vê loucura, desatino, irresponsabilidade.
No dia seguinte ao pronunciamento, as ruas de Porto Velho se mostraram mais movimentadas. O governador do Estado de Rondônia, que tinha decretado quarentena e suspendido e fechado tudo, foi o único governador que editou o decreto abrindo parte do comércio. Como justificativa, o governador afirmou que é uma pessoa amiga de Bolsonaro. Por enquanto foram registrados 4 casos de coronavírus em Porto Velho. Não sei como, nem onde: porque não há testes aqui. Nem máscaras, nem álcool, nem luvas.
Mandetta voltou a aparecer na TV, reforçando as palavras do presidente, dizendo que estamos na subida da curva, temos poucos mortos, e que vamos ver no que vai dar. Admitiu que muito poucas pessoas foram de fato testadas. Disse que como todas as cirurgias eletivas foram canceladas, há leitos de sobra nos hospitais. Vamos ver no que vai dar. O isolamento é um remédio muito amargo. Defendeu o agroneócio (quando era deputado e agora), para justificar o pronunciamento de Bolsonaro.
Bolsonaro, que já voltou atrás em várias decisões depois de ver a reação que suas palavras causaram, se manteve firme: brigou com governadores, afirmou que é um crime isolar as pessoas e não permitir que trabalhem, porque muitos dependem do trabalho para sobreviver. Determinou que igrejas abrissem suas portas.
O vice-presidente deu entrevista e disse que Bolsonaro se equivocou, que é pra manter o isolamento.
Ontem o Jornal Nacional todo (não lembro de ter visto a previsão do Tempo!) foi uma resposta ao pronunciamento de Bolsonaro. Cientistas, sanitaristas, médicos e presidentes de outros países diziam, em línguas diferentes: fiquem em casa. Governadores bolsonaristas discordavam de Bolsonaro. Projeções e números apontavam para a velocidade com que o Covid-19 causa estrago. Atletas vieram a público para dizer como foram derrubados pelo vírus. Políticos infectados pelo coronavírus foram mostrados em reuniões de cúpula em Brasília.
Hoje o número de casos aumentou em Brasília. E o Jornal Nacional revelou as estratégias de países com baixa taxa de mortalidade: testes e isolamento. O foco do JN hoje, contudo, foi o aspecto econômico: os pacotes anunciados por países liderados por direitas são centenas de vezes mais generosos que o que foi anunciado pelo governo brasileiro. O Jornal Nacional defendeu a atuação do Estado - o que é inédito - através da fala de economistas de direita. O JN deu a solução de como evitar o caos social.
A condução do país está em disputa. E nós assistimos a essa guerra pela TV. Alguns batem em panelas e gritam pelas janelas em horários marcados. Outros silenciam. Em Porto Velho não há panelaços.
Anteontem o Ministro da Saúde começou a falar de economia e todo mundo comentou que o discurso do Mandetta tinha mudado. Ele é um político, é preciso lembrar.
No mesmo dia, de noite, Bolsonaro fez um pronunciamento imediatamente antes do Jornal Nacional, da Globo. O Jornal já estava pronto antes do pronunciamento, portanto não houve diálogo possível com o que ele disse. E fomos dormir com essa sensação de que "então suspendeu o isolamento e vamos voltar a trabalhar como se não houvesse um vírus solto nas cidades, é isso que eu entendi?". Pois é. Teve jornal por escrito que analisou inconsistências na fala do presidente a cada afirmação. Em linhas gerais, Bolsonaro criticou a imprensa, disse que o caos social vai se instalar se as pessoas não voltarem trabalhar, que não tem por que as crianças não voltarem pra escola, que ele, como atleta, não sofreria com o vírus se o pegasse, que Covid-19 não passa de uma gripezinha e que já houve várias outras doenças mais letais que causaram menos comoção que essa.
Pois é. Como pode o presidente de um país olhar para a situação mundial, calcular que o presente da Itália, Espanha ou Estados Unidos pode ser o nosso futuro, ver o número de casos e mortos aumentando a cada dia no Brasil e obrigar as pessoas - forçadas a cumprir quarentena pelos governadores de todos os estados brasileiros - a voltarem ao trabalho? Tem gente que enxerga um plano aí. Tem gente que só vê loucura, desatino, irresponsabilidade.
No dia seguinte ao pronunciamento, as ruas de Porto Velho se mostraram mais movimentadas. O governador do Estado de Rondônia, que tinha decretado quarentena e suspendido e fechado tudo, foi o único governador que editou o decreto abrindo parte do comércio. Como justificativa, o governador afirmou que é uma pessoa amiga de Bolsonaro. Por enquanto foram registrados 4 casos de coronavírus em Porto Velho. Não sei como, nem onde: porque não há testes aqui. Nem máscaras, nem álcool, nem luvas.
Mandetta voltou a aparecer na TV, reforçando as palavras do presidente, dizendo que estamos na subida da curva, temos poucos mortos, e que vamos ver no que vai dar. Admitiu que muito poucas pessoas foram de fato testadas. Disse que como todas as cirurgias eletivas foram canceladas, há leitos de sobra nos hospitais. Vamos ver no que vai dar. O isolamento é um remédio muito amargo. Defendeu o agroneócio (quando era deputado e agora), para justificar o pronunciamento de Bolsonaro.
Bolsonaro, que já voltou atrás em várias decisões depois de ver a reação que suas palavras causaram, se manteve firme: brigou com governadores, afirmou que é um crime isolar as pessoas e não permitir que trabalhem, porque muitos dependem do trabalho para sobreviver. Determinou que igrejas abrissem suas portas.
O vice-presidente deu entrevista e disse que Bolsonaro se equivocou, que é pra manter o isolamento.
Ontem o Jornal Nacional todo (não lembro de ter visto a previsão do Tempo!) foi uma resposta ao pronunciamento de Bolsonaro. Cientistas, sanitaristas, médicos e presidentes de outros países diziam, em línguas diferentes: fiquem em casa. Governadores bolsonaristas discordavam de Bolsonaro. Projeções e números apontavam para a velocidade com que o Covid-19 causa estrago. Atletas vieram a público para dizer como foram derrubados pelo vírus. Políticos infectados pelo coronavírus foram mostrados em reuniões de cúpula em Brasília.
Hoje o número de casos aumentou em Brasília. E o Jornal Nacional revelou as estratégias de países com baixa taxa de mortalidade: testes e isolamento. O foco do JN hoje, contudo, foi o aspecto econômico: os pacotes anunciados por países liderados por direitas são centenas de vezes mais generosos que o que foi anunciado pelo governo brasileiro. O Jornal Nacional defendeu a atuação do Estado - o que é inédito - através da fala de economistas de direita. O JN deu a solução de como evitar o caos social.
A condução do país está em disputa. E nós assistimos a essa guerra pela TV. Alguns batem em panelas e gritam pelas janelas em horários marcados. Outros silenciam. Em Porto Velho não há panelaços.
domingo, 22 de março de 2020
Zumbis
Luis e eu temos conversado muito sobre atividades que a universidade pode oferecer/mediar nesses tempos de isolamento. Uma analogia sempre recorrente é o cinegreve que fizemos pelo Cineclube DeLírio na escadaria da Reitoria em 2011, durante a greve que derrubou o reitor. Foram exibições mais numerosas, para um público menor, e à margem do currículo. Como o paralelo envolve audiovisual, pensamos numa lista de filmes sobre epidemias e distopias que podíamos montar.
Nossa lista continha títulos como 12 Monkeys, Ensaio sobre a cegueira e Elysium. Fui no Google, o oráculo pós-moderno, para mais opções de filmes de epidemia e me surpreendi com o número de filmes de terror com zumbis. Luis explicou que era normal que os infectados pobres, sujos e famintos sejam caricaturados como zumbis em situações de pandemia. Fiquei com isso na cabeça.
Pra saber como outra universidade federal está lidando com a continuidade das atividades, conversei com a Fran, chefe de gabinete da UFSB. Ela respondeu que tudo que for acadêmico está suspenso (como aqui) e comentou que provavelmente o primeiro caso de coronavírus no Brasil ocorreu a 60km dali (Itabuna, BA). Naquele casamento milionário da irmã da blogueira no Resort em que um hóspede do Resort, vindo dos EUA, contaminou várias pessoas, inclusive a blogueira. A notícia é uma coletânea de postagens diversas e termina com o casal no aeroporto, a caminho da lua de mel em Dubai.
Esse vírus se caracteriza pelo alto grau de contágio e pegou as pessoas que circulam. A elite que viaja (de avião) foi espalhando o coronavírus. São zumbis?
Iran libertou os presos, houve rebeliões e fugas de presos no Brasil e hoje apareceu (no meu whats, pelo menos) a notícia de que haveria 171 apenados nas ruas de Porto Velho (e bandeiras vermelhas encerravam o enunciado).
Tão aí, os zumbis!!
171 apenados nas ruas de PVH🚩🚩🚩
Li o ofício da Secretaria de Estado de Justiça que acompanha o alerta e verifiquei que se pede 171 tornozeleiras para que os 171 apenados listados (nome, data de entrada posterior ou igual a 2019 e outros números que identificam a pessoa) cumpram quarentena em casa. O gesto humanitário de preservar parte dos apenados (a população carcerária de Porto Velho é muito maior) é encarado pela população com temor. Zumbi é o diferente, é o que você não quer ser.
Nossa lista continha títulos como 12 Monkeys, Ensaio sobre a cegueira e Elysium. Fui no Google, o oráculo pós-moderno, para mais opções de filmes de epidemia e me surpreendi com o número de filmes de terror com zumbis. Luis explicou que era normal que os infectados pobres, sujos e famintos sejam caricaturados como zumbis em situações de pandemia. Fiquei com isso na cabeça.
Pra saber como outra universidade federal está lidando com a continuidade das atividades, conversei com a Fran, chefe de gabinete da UFSB. Ela respondeu que tudo que for acadêmico está suspenso (como aqui) e comentou que provavelmente o primeiro caso de coronavírus no Brasil ocorreu a 60km dali (Itabuna, BA). Naquele casamento milionário da irmã da blogueira no Resort em que um hóspede do Resort, vindo dos EUA, contaminou várias pessoas, inclusive a blogueira. A notícia é uma coletânea de postagens diversas e termina com o casal no aeroporto, a caminho da lua de mel em Dubai.
Esse vírus se caracteriza pelo alto grau de contágio e pegou as pessoas que circulam. A elite que viaja (de avião) foi espalhando o coronavírus. São zumbis?
Iran libertou os presos, houve rebeliões e fugas de presos no Brasil e hoje apareceu (no meu whats, pelo menos) a notícia de que haveria 171 apenados nas ruas de Porto Velho (e bandeiras vermelhas encerravam o enunciado).
Tão aí, os zumbis!!
171 apenados nas ruas de PVH🚩🚩🚩
Li o ofício da Secretaria de Estado de Justiça que acompanha o alerta e verifiquei que se pede 171 tornozeleiras para que os 171 apenados listados (nome, data de entrada posterior ou igual a 2019 e outros números que identificam a pessoa) cumpram quarentena em casa. O gesto humanitário de preservar parte dos apenados (a população carcerária de Porto Velho é muito maior) é encarado pela população com temor. Zumbi é o diferente, é o que você não quer ser.
sábado, 21 de março de 2020
quinta-feira, 19 de março de 2020
O mundo aqui dentro
No domingo, dia 15, Agnes e eu conversamos longamente com o Philip e depois com Opa e Oma pelo whats video. Philip estava de férias antecipadas. Minha mãe estava triste que os eventos todos estavam cancelados. Nós aqui, na Amazônia, nos sentimos muito distantes da Europa. De tarde, passou uma carreata buzinante em apoio a Bolsonaro convidando pelos altofalantes a sair de casa e ficar juntinho no Espaço Alternativo (que eu chamo de aeroportopark). A prévia do meu contracheque informa que o meu salário diminuiu. Não se trata de corte, mas de aumento de quase R$ 400,00 em Contribuição Plano Seguridade Social.
Na segunda-feira, dia 16, a UNIR anunciou a suspensão das aulas a partir da semana seguinte, dia 23 (a 12 de abril). Houve protestos, porque muita gente entendeu que a suspensão das aulas presenciais deveria ser imediata, não dali a uma semana. Circulou logo um abaixo-assinado em que se argumentava que muitas salas contam com 50 alunos e é impossível dar aula sem ar condicionado ligado, porque a ventilação das salas é péssima. Muita gente respirando o mesmo ar pode fazer o vírus andar. As ondas de medo e prevenção chegaram.
Na terça-feira, dia 17, o Governo do Estado de Rondônia publicou um decreto que obrigava as escolas particulares e da rede a suspenderem suas atividades presenciais por 15 dias (prorrogáveis por igual período, conforme a necessidade). Agnes não foi na escolinha nem no balé. Em virtude da suspensão das aulas nas escolas, a UNIR, apesar de ser uma autarquia e ter autonomia, precisou rever a data da suspensão das aulas, porque universidade e escola estão interligadas em vários aspectos.
A partir do dia 18 foram suspensas as aulas na UNIR, mas não houve encaminhamento acerca da continuidade das aulas de forma à distância - o que entendemos que é o mais apropriado para tempos de confinamento. Não é fácil de executar, afinal, quem assume todas as tarefas da casa + criança full time não consegue se isolar dentro de casa pra propor e corrigir tarefas (porque o que eu aprendi que é Ensino à Distância é justamente o gerenciamento de tarefas: o aluno não tem presença, mas muitas notas de atividades).
É um tempo de aprendizados sociais e individuais.
Na segunda-feira, dia 16, a UNIR anunciou a suspensão das aulas a partir da semana seguinte, dia 23 (a 12 de abril). Houve protestos, porque muita gente entendeu que a suspensão das aulas presenciais deveria ser imediata, não dali a uma semana. Circulou logo um abaixo-assinado em que se argumentava que muitas salas contam com 50 alunos e é impossível dar aula sem ar condicionado ligado, porque a ventilação das salas é péssima. Muita gente respirando o mesmo ar pode fazer o vírus andar. As ondas de medo e prevenção chegaram.
Na terça-feira, dia 17, o Governo do Estado de Rondônia publicou um decreto que obrigava as escolas particulares e da rede a suspenderem suas atividades presenciais por 15 dias (prorrogáveis por igual período, conforme a necessidade). Agnes não foi na escolinha nem no balé. Em virtude da suspensão das aulas nas escolas, a UNIR, apesar de ser uma autarquia e ter autonomia, precisou rever a data da suspensão das aulas, porque universidade e escola estão interligadas em vários aspectos.
![]() |
| Agnes brincando de cobra come coronavírus |
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| Agnes desenhando vírus (amarelo), bactérias (verde) e anticorpos (azul) |
É um tempo de aprendizados sociais e individuais.
sábado, 14 de março de 2020
O livro que muda as palavras
Agnes acordou de tarde e veio até o escritório, onde eu estava trabalhando no computador.
- Mamãe, eu quero ver aquele seu livro!
- Que livro?
- Aquele livro que muda as palavras...
- Essa é difícil, Agnes, porque todos os meus livos têm palavras. Conforme a gente lê, as palavras mudam.
- Lembra daquele seu livro que a gente aperta do lado e todas as palavras mudam de uma vez?
- O Kindle! É um leitor de livros. Dentro dele é que tem os livros.
- Mamãe, eu quero ver aquele seu livro!
- Que livro?
- Aquele livro que muda as palavras...
- Essa é difícil, Agnes, porque todos os meus livos têm palavras. Conforme a gente lê, as palavras mudam.
- Lembra daquele seu livro que a gente aperta do lado e todas as palavras mudam de uma vez?
- O Kindle! É um leitor de livros. Dentro dele é que tem os livros.
quarta-feira, 4 de março de 2020
Escola de Verão da ABRALIN
Estou em Aracaju, participando da II Escola de Verão da ABRALIN. Propus uma oficina sobre sinais de pontuação e me inscrevi em cursos e oficinas.
Ontem e hoje participei de um curso ministrado pela profa. Violeta Virgínia Rodrigues sobre sentenças desgarradas (ou insubordinadas). Como eu sou bem agnóstica da Gramática Tradicional, achei ótimo aprender de uma funcionalista os processos de composição de sentença (subordinação e coordenação) do ponto de vista da Gramática Tradicional e da Gramática Baseada no Uso (que, além da subordinação e coordenação, explora também as correlatas e justapostas).
A programação está bem apertada: nem cheguei perto do mar. O hotel serve café da manhã a partir das 7h. Às 7h15 já tem alguém aqui pra buscar Inês Signorini, eu (que estamos no Farol) e Violeta (hospedada ali, mais adiante). A viagem até a UFS é cheia de engarrafamentos e obras e motoristas tentando ocupar espaços impossíveis. Conseguimos chegar pouco depois das 8h. O curso vai até meio-dia e as oficinas começam às 13h.
Este evento traz uma modalidade nova de participação, que é o que chamam de mentoria. Parecido com orientação, é a oportunidade de alguém expor seu trabalho, dúvidas e hipóteses para alguém que já estudou o mesmo objeto. Eu não tinha me inscrito nem como mentora, nem como "mentorada", mas apareceu uma proposta de trabalho com os sinais de pontuação, então topei. Trocamos referências bibliográficas e pensamos sobre usos dos travessões em textos jornalísticos.
Hoje ministrei a minha oficina sobre sinais de pontuação. Nas duas primeiras horas, falamos sobre o sistema dos sinais de pontuação, levei livros sobre sinais de pontuação, pensamos sobre a história da escrita e do livro. Nas duas últimas horas, exploramos cada um dos onze sinais de pontuação que considero como símbolos linguísticos que orientam a leitura. O meu público era composto, em sua maioria, por professoras de Língua Portuguesa (muitas do Ensino Médio e Fundamental) que precisam ensinar os sinais de pontuação e não sabem bem onde buscar instruções. Uma moça veio de Jaru (RO) pra participar da oficina, veja só!
Amanhã é o último dia, com as desgarradas de manhã e muitas horas de avião e aeroporto de tarde - pra só chegar no outro dia em casa. Aqui tem brisa, mas a saudade aperta.
Ontem e hoje participei de um curso ministrado pela profa. Violeta Virgínia Rodrigues sobre sentenças desgarradas (ou insubordinadas). Como eu sou bem agnóstica da Gramática Tradicional, achei ótimo aprender de uma funcionalista os processos de composição de sentença (subordinação e coordenação) do ponto de vista da Gramática Tradicional e da Gramática Baseada no Uso (que, além da subordinação e coordenação, explora também as correlatas e justapostas).
A programação está bem apertada: nem cheguei perto do mar. O hotel serve café da manhã a partir das 7h. Às 7h15 já tem alguém aqui pra buscar Inês Signorini, eu (que estamos no Farol) e Violeta (hospedada ali, mais adiante). A viagem até a UFS é cheia de engarrafamentos e obras e motoristas tentando ocupar espaços impossíveis. Conseguimos chegar pouco depois das 8h. O curso vai até meio-dia e as oficinas começam às 13h.
Este evento traz uma modalidade nova de participação, que é o que chamam de mentoria. Parecido com orientação, é a oportunidade de alguém expor seu trabalho, dúvidas e hipóteses para alguém que já estudou o mesmo objeto. Eu não tinha me inscrito nem como mentora, nem como "mentorada", mas apareceu uma proposta de trabalho com os sinais de pontuação, então topei. Trocamos referências bibliográficas e pensamos sobre usos dos travessões em textos jornalísticos.
Hoje ministrei a minha oficina sobre sinais de pontuação. Nas duas primeiras horas, falamos sobre o sistema dos sinais de pontuação, levei livros sobre sinais de pontuação, pensamos sobre a história da escrita e do livro. Nas duas últimas horas, exploramos cada um dos onze sinais de pontuação que considero como símbolos linguísticos que orientam a leitura. O meu público era composto, em sua maioria, por professoras de Língua Portuguesa (muitas do Ensino Médio e Fundamental) que precisam ensinar os sinais de pontuação e não sabem bem onde buscar instruções. Uma moça veio de Jaru (RO) pra participar da oficina, veja só!
Amanhã é o último dia, com as desgarradas de manhã e muitas horas de avião e aeroporto de tarde - pra só chegar no outro dia em casa. Aqui tem brisa, mas a saudade aperta.
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