terça-feira, 17 de maio de 2022

Retorno ao presencial

Hoje foi o meu primeiro dia de aula presencial na UNIR. Estou dando aula de Sintaxe para uma turma que eu já conhecia: ministrei algumas poucas aulas ainda em modo presencial de Introdução à Neurolinguística em 2020, quando eles entraram na UNIR. Depois fomos pro modo remoto, a mesma disciplina foi ofertada no semestre seguinte, e semestre passado dei Morfologia pra eles. Por incrível que pareça, eu não lembrava da cara deles. Uma moça tinha cabelos encaracolados e verdes - eu não fiquei sabendo disso nas aulas remotas.

A lousa se mostrou como o grande diferencial das aulas presenciais, além da possibilidade de comunicar dúvidas através da cara de interrogação. Eu percebi que, por mais que as aulas sejam dialogadas, ainda preciso melhorar a estratégia de envolvê-los na aula.

No final, os alunos agradeceram pela aula e me fizeram entender que o modo presencial é bem mais favorável ao processo de aprendizagem que o remoto. Porque estavam imersos na sala, aula, Sintaxe. Porque a turma toda veio.

Um aluno fez uma afirmação que queria ser pergunta: eu achei que a senhora usava óculos... 

Sim, pra ler eu uso.

domingo, 15 de maio de 2022

O meu servidor

Chegou um pedido de redistribuição de servidor técnico na Reitoria. Tratava-se de um técnico-administrativo que atuava no Departamento de Medicina, tem comorbidades e está com medo de voltar ao modo presencial - especialmente de ter contato com médicos e alunos de Medicina. Ele está a um ano de se aposentar, tem férias vencidas e uma licença de três meses pra usufruir antes de se aposentar. A Biblioteca respondeu que precisava de gente atuando no atendimento ao público e declinou. A EDUFRO foi consultada em seguida e eu pensei: esse sujeito pode não trabalhar muito tempo para a editora, mas quando ele se aposentar, a vaga dele fica na Editora e poderemos contratar novo servidor.

Os trâmites da remoção a pedido, no interesse da administração, foram executados e o servidor foi removido para a EDUFRO. Como todo servidor tem email institucional, escrevi o nome dele na caixinha do destinatário e apareceu um endereço de email vinculado a esse nome. Tentei agendar uma conversa com o novo servidor prestes a se aposentar. No mesmo dia veio a resposta: quando o chefe dele ficou sabendo da remoção, decidiu revogar a portaria de lotação do técnico na EDUFRO e ele fica no DEPMED.

Puxa vida. Quando o pedido de redistribuição foi feito, eu assumi que o técnico estava de comum acordo com a chefia. Não tive a impressão de que ele estava tentando fugir do seu local de trabalho escondido do chefe e com a anuência da Reitoria.

Em paralelo, sou procurada pelo diagramador da Assessoria de Comunicação da Universidade que terá que passar por tratamento de saúde e passará a funcionar em modo remoto. Queria saber da rotina na editora, volume de trabalho, tipo de habilidades demandadas. Contou que estava sobrecarregado no atual local de trabalho e estava pedindo ou redistribuição ou atestado. Conversamos algumas vezes por telefone e pouco antes de formalizar o pedido na Reitoria, ele me disse que o chefe dele, quando soube, não admitiu que ele saísse.

Eu fico pensando no grau de sofrimento dessas duas pessoas que quase vieram pra Editora ao mesmo tempo: não havia diálogo com a chefia imediata, havia apenas um plano de fuga. Eu já avisei à minha chefia imediata (a Reitora) que pretendo sair da EDUFRO em junho, depois de 5 anos na EUditora.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Museu da Língua Portuguesa

Combinei com a Cecília Farias de encontrar no local de trabalho dela e ela me ofereceu uma visita guiada. Cheguei no Museu e encontrei uma vírgula bem grande.

Cecília me deixou vendo o vídeo e voltou ao Centro de Referência. Eu entrei no auditório com uma turma de adolescentes. O vídeo era sobre o mistério da língua e eu senti que eles ficaram impressionados. Depois do filme, a tela de projeção se abriu e nós fomos convidados a entrar ali onde antes tinha passado a provocação para se pensar. Mais uma sessão de projeção, essa toda misturada e meio aleatória. Gostaram do ovo da Clarice Lispector narrado pelos timbres de Arnaldo Antunes e acompanharam o rap. Dali, do escuro, saímos todos pro terraço. Não era mais a língua, era a vida lá fora que causava entusiasmo.

De volta ao Museu, a maior parede era essa, cujas fotos eu não consigo colocar lado a lado.

Aqui vai a parede com as línguas que conhecemos


Então fui procurar sinais de pontuação no Museu, já que a vírgula é a logo.

Achei mais uma vírgula e uma interrogação:


O que pode essa língua?

E se olhar bem, dá pra enxergar uma exclamação também, mas um pouco diferente do símbolo gráfico:


34 Reunião Anual da ABEU

Esta é a terceira reunião anual da ABEU de que participo presencialmente como representante de editora universitária associada. 2018 foi em Petrópolis, sediada pela Fiocruz, 2019 foi em Porto Alegre, sediada pela editora da UFRGS,  2020 foi cancelada (seria em Manaus), 2021 foi virtual e agora estou no Centro de São Paulo.

O primeiro dia sempre tem um escritor convidado. Dessa vez foi Ignácio de Loyola Brandão contando causos bem amarrados com humor.

Voltar à Avenida Paulista, comer em restaurantes vegetarianos, rever prédios históricos e refazer caminhos foi uma aventura. Aproveitei pra visitar Ferrone, meu irmão tapioquense. Na ligação de vídeo, Agnes achou bem mais legal interagir com a Kit (esposa do Fer) e os meninos do que comigo.
Nessa Reunião, que também é Seminário acadêmico, acompanhamos apresentações muito interessantes sobre o livro e a leitura: passado, presente e futuro. Enquanto Márcia Abreu falava sobre século 19, Marisa Lajolo examinava pesquisas sobre leitura mais recentes.
Márcia Abreu (ex editora da Unicamp), Flávia Rosa (EDUFBA por 23 anos), Tânia de Luca e Marisa Lajolo
Na mesa em que a SciELO Livros e a CBL estavam representadas, o assunto foi o livro digital.
João Canossa (FIOCRUZ), Rosane Silveira (Argos), Abel Packer (SciELO) e Vitor Tavares (CBL)
Na mesa em que Bookwire e Árvore estiveram presentes, nos demos conta de como a informática e big data rondam o livro (ao menos no mercado). "Disruptivo", "player" (no sentido de suporte, plataforma e no sentido de concorrente), "ativar" eram palavras que soavam estrangeiras ao longo de uma sintaxe quase inglesa.
Fernando Mattos (UFABC), Marcelo Gioia (Bookwire), Camila Cabete e Flávio Carsalade (UFMG)
Nas reuniões das regionais, conhecemos novos membros da Região Norte e recebemos a Germana, da UNB, que estava sozinha na Região Centro-Oeste. E como editora de grande editora, foi ela que nos deu um Norte.
Germana, eu, UEA, UEPA, Socorro da UEA, Amapá e Sérgio da UFAM
A última roda de conversa foi meio em espanhol, meio em português. Nós pudemos imaginar melhor o cenário argentino de editoração e o cenário latino-americano.
Leandro Sagastizábal, Rita Argollo (Editus), Jézio Gutierre (Unesp) e Sayri Karp (EULAC)
Num dado momento, se discutia os autores independentes que pagam publicações que não são avaliadas e se chegou nas editoras predatórias. Leandro (que não acompanhou bem a discussão em português) pediu à Sayri que traduzisse e ela, mexicana, explicou: hacen libros como tortillas.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Todas as doses

 

A última dose que faltava foi aplicada sem choro nem ansiedade (porque os preparativos pra selfie distraíram a menina). Agora nós adultos tomamos nossas 3 doses e a criança tomou as suas duas.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Tabajara

Olhamos o mapa de relance e pegamos a BR 364 rumo a Ariquemes. Na véspera da viagem, Luis tinha ligado pra pousada e tinham dito que a pousada ficava a 15 km depois de Tabajara (ao Norte de Machadinho). Os sanduíches que eu tinha feito pra viagem se acabaram antes da parada no posto Fazendinha, poucos quilômetros depois da entrada pra Cujubim. Esse (em azul) parecia ser o caminho mais curto.

Enquanto estávamos na BR, reparei que o lado de quem subia pra PVH era mais esburacado que a pista de quem descia pro resto do Brasil. Meu caro Watson explicou que os caminhões sobem mais carregados de mercadoria do que descem. Antes Porto Velho exportava madeira, agora não tem mais (tanta) madeira por aqui.

Se clicar na imagem, ela aumenta e dá pra ver mais detalhes.
O primeiro trecho pela RO 205, até Cujubim, era muito esburacado. E buraco de asfalto não é macio como buraco na estrada de terra. Depois de Cujubim, tudo era terra. Nos espantou a velocidade de alguns caminhões: esse aí deve estar fugindo, olha só a fumaça de poeira que ele levanta! Aí choveu e a poeira virou lama e a lama grudou nos pneus e o carro começou a patinar. Foi tenso quando chegamos na parte em que havia montes de cascalho ocupando uma pista e um caminhão meio atolado na outra. 

A paisagem era bem agro: soja, máquinas, café, trator, milho, boi, soja de novo outra vez. Quando não havia cercas dos dois lados da pista, a gente ficava: de quem são essas terras? Será uma reserva?

Não nos demos conta de que Tabajara poderia não ter posto de gasolina. Pedimos informação pra Tabajara num posto em Machadinho. O rapaz informou que tínhamos que voltar bem uns 5km por onde tínhamos vindo e que todas as terras atrás dele eram do Seu Raul. Seguimos primeiro pro supermercado, e lá perguntamos de novo como fazia pra chegar em Tabajara. Tabajara? O espanto nos revelou que não era muita gente da cidade que vai pra lá. Seguiu-se uma história de como o informante foi parar em Tabajara por engano (estava bêbado). 

Chegamos na bifurcação entre Tabajara e a cachoeira 2 de novembro, onde fica a pousada. Não entramos em Tabajara porque queríamos chegar no nosso destino ainda de dia. 

A imensidão do rio Machado e do tombo eram impressionantes. Todas as horas sentado no carro foram recompensadas pela paisagem.
As fotos não conseguem mostrar os degraus do rio, o barulho da cachoeira, a ausência de mosquitos ou mutucas. Havia pessoas, brega tocando alto demais nos carros, garrafas por aí, gente bêbada tropeçando e gritando, mas tínhamos conseguido chegar. O céu estrelado avistado entre as árvores foi muito legal de ver.
Todas as nossas refeições foram na casa dos donos da pousada e Agnes logo fez amizade com todos os humanos e não humanos: a senhora porca e seus filhotes passando, os gatos que roubavam comida, os cachorros que não podiam entrar, os periquitos que não podiam sair, as galinhas que andavam por aí.

Ali no tombo da cachoeira vão construir uma barragem. Essa paisagem está com os dias contados.
 

Se clicar na foto, vai dar pra ver Agnes e Luis coletando pedrinhas

Nós, que levamos trabalho, só conseguimos fixar os olhos no texto quando Agnes fez amizade com dois meninos hospedados lá. 

Energia só tinha de noite: depois da janta, eles ligavam o gerador e assim funcionavam a luz e o ventilador. O chuveiro não era elétrico: Luis e eu achamos da hora; Agnes gritava. Tinha internet de satélite na casa, mas era beeem lenta e só funcionava de noite.

Agnes poderia ficar dias inteiros coletando pedras preciosas de rio. Luis achou essa (possível) ponta de lança e eu encontrei essa (talvez) cabeça de machado no rio Machado que depois passa a ser chamado de Ji-Paraná e que depois deságua no Madeira lá em Calama. Esse rio faz praticamente a divisa com o Amazonas.
Voltamos por Machadinho e seguimos em direção ao Vale do Anari até a RO 257, que volta pra Ariquemes. Tive a impressão de que as cidades são ilhas no meio do paisagem. E me senti muito Mad Max, só pensando em gasolina conforme ela era consumida. Esse trecho era asfaltado, mas não todo: todas as pontes ainda eram de madeira e antes e depois da ponte havia trechos em terra. A placa informava: "Atenção! Fim do asfalto." Trafegamos por uma estrada que ainda não foi concluída - e já está bem desgastada e esburacada (a suspensão traseira direita que o diga).