No meio do ano passado, Agnes e eu fomos atrás de gato pra adotar. Sabíamos que pet shops às vezes tinham gatos pra adoção, então começamos por aí. Entendemos logo que se tratava de animais resgatados e adultos. Fomos então numa feira de adoção de gatos e gostamos da Ravena.
A mulher da ONG que nos deu a gatinha de 4 meses era atrapalhada com documentos, então acabamos não formalizando nada. Levamos a Ravena pra casa e só aguentamos cinco dias, porque a Ravena tinha uma diarreia incessante. Comia vorazmente, mas marcava a casa toda - em torno de 8 vezes por dia. Levamos na veterinária que fez ultrassom, coletou sangue, fez testes e receitou vitaminas. Me senti enganada por todos e concordamos que estava pesado seguir assim. Com o coração na mão, pedi pra moça da ONG levar a Ravena de volta.Desistimos do esquema e passamos a nos interessar por raças de gato. Siamês era o mais promissor, então procurei no OLX por um siamês no DF. Apareceu um anúncio em que a pessoa escrevia que morava na Asa Sul. Mas o siamês que ela tinha já não era mais o filhote macho da foto. E ela não tinha pix e viria de ônibus no dia seguinte às 10h e era possível que o telefone não tivesse sinal durante a viagem até aqui. Tentamos avisar que não queríamos mais o gato, mas nenhuma das mensagens/ligações foi atendida depois que as regras do jogo deixaram claro que não se tratava de uma pessoa que mora na Asa Sul. De repente uma senhorinha estava aqui, tocando a campainha, segurando uma gaiola fedida com um gato adulto assustado dentro. Ofereci de levar ela de carro para casa, mas ela não aceitou. Semanas depois, mandou mensagem cobrando o dinheiro da passagem - viria de ônibus pra receber.
Agnes falava da Ravena até pra quem não tinha perguntado. Explicava detalhes e voltava a ficar triste. Restava uma opção que não tínhamos testado: o Betina Cat Café. Ricardo Kato, diplomata do Itamaraty, tinha me contado que era amigo da dona do café e que recebia gatos na casa dele enquanto não eram adotados. Assim a filha dele tinha milhares de gatos volantes. Agnes e eu fomos no Café e entendemos que se paga por minuto pra ficar numa sala com vários gatos (eles chamam isso de gatoterapia) e que depois era possível adotar um daqueles gatos for free.
Na segunda vez que fomos lá, levamos o Luis. Juntos escolhemos o Faísca e perguntamos se já podíamos levar o gato de nossa escolha. Não era tão imediato: tem um formulário no Instagram que precisa ser preenchido antes e teríamos resposta em no máximo 5 dias. Respondi no formulário que temos tela nas janelas, que não vamos deixar o gato ir pra rua, que nos comprometemos a comprar sempre ração super premium e pagar seguro saúde pet a partir de 19,90 o mês. No dia seguinte, Agnes levantou cedo (isso não é normal), perguntando: "O Faísca está aqui?" Dois dias depois do envio do formulário, retornamos ao Betina Cat Café para perguntar se tinham recebido o formulário. A atendente disse que não lidava com o Instagram e o processo de adoção e sugeriu que eu enviasse mensagem ao Café pelo Instagram. Fiz isso na mesma noite, mas continuei sem resposta. No quinto dia de ansiedade acumulada da criança, mandei mensagem no WhasApp para o Betina Cat Café. O silêncio continuou. Eu já tinha desistido, mas estava estranhando o destrato. Eis que, passada uma semana (7 dias) desde o envio do formulário em que a minha família manifestava interesse na adoção do Faísca, chegou mensagem no Whats cheia de figurinhas de gatinhos. Informava que o formulário tinha sido enviado à protetora. Junto vinha o contato de uma mulher cujo lugar do sobrenome era preenchido por "protetora". A pessoa do Betina Cat Café que usava o telefone do Café - onde ficava o Faísca - não me informou que o Faísca já tinha sido adotado por outra pessoa/família.Esse gato que a gente tanto quer tem que cair no nosso colo, porque quando eu corro atrás, não dá certo.










































