segunda-feira, 31 de maio de 2021

Organizadores

Em inglês, o organizador de um livro é editor. Essa descrição, traduzida de volta ao português e um pouco idealizada, se aplica a organizadores que planejam um livro - não apenas o conteúdo, mas também a forma de apresentação. 

O organizador envia aos colegas terra e sementes. Cada autor que recebe a terra, a coloca num vaso/canteiro e planta as sementes. A terra é a mesma para todos, as sementes foram escolhidas a dedo para cada autor. O modo como cada um cuida das plantas define o número de mudas no vaso, o tamanho, vigor das plantas e a sua orientação. Quando o autor se considera satisfeito com o resultado, envia ao organizador o seu canteiro. O organizador terá um duplo olhar: para a unidade e para o conjunto. Poderá usar a tesoura de poda para acertar encaixes e evitar sobreposições, poderá criar pontes e passagens entre os canteiros, poderá construir uma cerca em volta, fazendo com que o todo seja um jardim orgânico. Quando entrevistado, o organizador terá uma história para contar: a história da composição de um projeto conjunto.

*

Em português, o organizador de um livro é org. Na minha experiência, este organizador trabalha mais ou menos como alguém que propõe um dossiê temático: anuncia o tema da coletânea, dá diretrizes e depois coleta textos que chegam prontos, como caixas fechadas. O organizador identifica o título na caixa, força uma abertura para ter acesso ao resumo, fecha de novo e percebe que cada caixa é de uma cor. Entende que sua função é organizar as cores (arranjando as cores quentes no início, frias no fim, seguindo o arco-íris, agrupando tons da mesma cor etc.). Para mitigar a sensação de que o resultado final é um mosaico de textos multicoloridos de pesos e tamanhos diferentes, o organizador escreve uma apresentação em que revela seu critério de organização.

sábado, 29 de maio de 2021

Audiodescrição

Ocorreu ontem o lançamento dos 13 ebooks da Coleção Pós-Graduação da UNIR publicados pela EDUFRO. O evento foi organizado pelo Cerimonial da UNIR, então teve intérpretes de Libras e o rito foi seguido conforme o roteiro. A novidade (pra mim, ao menos) foi ser convocada a fazer audiodescrição.

Depois de ter feito a minha audiodescrição (cortei o cabelo ontem, pintei de escuro, estou de óculos etc.), percebi que as outras, que se seguiram, eram mais próximas de histórias do que descrições objetivas: "sou caboclo daqui da Amazônia" era mais uma reivindicação identitária do que uma descrição. "Sou descendente de orientais" era mais uma explicação para os olhos puxados do que a descrição dos olhos. "Barba retirada e camisa abotoada até o último botão" me pareceu uma postura. "Uso óculos como quase todo professor nessa idade" afetava a todos nós. "Com alguns fios brancos" da fala de uma professora contrastou com "tenho a intenção de que o meu cabelo seja louro" de outra, que, por sua vez, foi usado por contraste em "não tenho cabelo, não tenho céu azul no meu fundo".

Conclusão: toda identidade é construída.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Antes do eclipse

 

Acho pouco provável que estarei acordada no momento do eclipse... então registro a lua cheia.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Parques na pandemia

O Google não informa se o Parque Natural de Porto Velho (situado fora da cidade) está aberto ou não. Então a gente foi. Muita gente vai, especialmente aos domingos. Nem guarda não fica mais lá na frente, explicando que o parque está fechado. Só tinha um cartaz informando que o parque estava fechado por tempo indeterminado. No começo da segunda onda, o parque fechou e não abriu mais.

Não deu pra fazer passeio de cavalo 

Com o parque fechado, o restaurante ao lado também fechou. O ingresso pra andar de cavalo era vendido no restaurante, então não tem mais passeio, mas os cavalos continuam lá, às vezes curiosos em relação aos visitantes, às vezes cuidando da vida. 

Só deu pra montar na onça estátua no Parque Circuito

O Parque Circuito (que agora tem nome de gente, depois que botaram guarita e portão na frente) fechou junto com o Parque Natural, mas reabriu recentemente. Dos parques com portão que conheço em Porto Velho, é o único aberto.

A Praça Madeira-Mamoré, que foi cercada e fechada, está em reformas desde tempos imemoriais. O Parque da Cidade, situado ao lado do Shopping, está fechado. O parque, um local aberto, está fechado; o Shopping, um local fechado, está aberto. Dionizio Bueno já tinha reparado nesse padrão.

domingo, 23 de maio de 2021

Novos sinais

 

Interrobang, interrogação retórica, ponto de ironia, ponto do amor, ponto de aclamação, ponto de certeza, ponto de dúvida, ponto de autoridade, asterismo, vírgula de exclamação e vírgula de interrogação



Ideia do Ziraldo.

 

Existe uma razão para você nunca ter visto qualquer um destes sinais de pontuação, mesmo que alguns deles tenham sido patenteados. Em primeiro lugar, nossos teclados não são capazes de registrar esses sinais. E mesmo que fossem, não gostamos muito de novidades radicais, totalmente inventadas. 

Vamos ao paralelo com a morfologia. Quando criamos novas palavras (piscinar, future-se, abreviações como bjoks, bio, tbt ou novos sentidos para seguir, cancelar, amigo), não inventamos palavras novas do zero (isso seriam logatomas). Usamos palavras para compor outras palavras, usamos morfemas para derivar novas palavras de palavras existentes, ressignificamos palavras, diminuímos palavras. Na sua palestra sobre neologismos no Abralin ao Vivo, a professora Ieda Alves conclui que os neologismos são, na maior parte das vezes, reciclagens. Como os sinais de pontuação não são divisíveis em unidades menores (radical e afixos ou desinências), novos sinais teriam que ser justaposições do tipo :) ou :. ou ..!

A outra razão tem a ver com a função dos sinais de pontuação. Se todos os sinais podem (1) marcar, (2) separar e (3) delimitar, não são muitos os que só assumem uma dessas três funções. Estes sinais novos, que vemos acima, foram criados para fins específicos.

Em termos cognitivos, é mais econômico adaptar do que aprender novidades radicais.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Morfologia conservadora

Na prova de morfologia apareceram coisas surpreendentes, como sempre, mas dessa vez a novidade se dá na escala temporal. 

Tivemos uma aula só sobre neologismo e um seminário todo sobre neologismo e chegamos juntos à conclusão de que qualquer estratégia de formação de palavras (seja derivação - prefixal, sufixal, regressiva etc., - composição -seja por cruzamento, aglutinação ou justaposição -, ou ainda abreviação, onomatopeia, estrangeirismo etc.) pode ser aplicada aos neologismos. O que distingue um neo-logismo é sua novidade, não o modo como foi criado.

Quando pedi que dessem exemplos de neologismos, eu esperava que mobilizassem seus conhecimentos adquiridos nas redes sociais, com seus colegas, enfim, palavras da moda atual. Os exemplos de neologismos que vieram foram:

deletar

escanear

petista

motoboy

que eram palavras novas ... tipo ... 30 anos atrás.

Prêmio de melhor neologismo não apareceu na questão em que se pedia exemplos de neologismo, mas na questão em que se pedia para determinar classes de palavras: "adjver". Acho que a pessoa ficou indecisa entre adjetivo e advérbio e fez um cruzamento vocabular.

Quando pedi que dessem exemplos de estrangeirismos, vieram:

bife

sutiã

abajur

balé

xampu

todas assim, em sua forma aportuguesada. 

Quem lembra da entrada desses antigos neologismos na língua portuguesa? Quem lembra que bife vem de beef, sutiã de soutien etc.? Os gramáticos de plantão na internet lembram. Em vez de puxar da memória, da vivência, da vida cotidiana, meus alunos preferiram consultar sites normativos para responder a essas questões.

segunda-feira, 17 de maio de 2021

domingo, 16 de maio de 2021

Old Internet People

Estou lendo Because internet, da Gretchen McCulloch e me identificando com o que ela chama de Old Internet People. Ela é linguista, entusiasta da comunicação científica e escreve sobre a escrita nas redes sociais. Para chegar na linguagem, ela primeiro descreve as pessoas que estão na rede - e acabou me explicando coisas sobre mim que eu não sabia articular.

Na escola, da qual saí em 1995, eu tive aulas de informática. Lembro da tela em DOS, lembro de ter que aprender a programar no Pascal, lembro dos disquetes enormes e que não tinha computador em casa. Na graduação, tinha laboratório de informática, os disquetes mudaram. Meu mestrado está preso num disquete; meu doutorado começou sendo armazenado em disquete, passou pra pen drive e foi finalizado num computador próprio.

Nos anos 1999, as pessoas que passaram a usar a internet para trocas sociais (para além de email e trabalhos escolares), não tinham computador em casa. Eu mesma estava na Alemanha, num vilarejo a 30 km de Bremen. Para ter acesso a um computador, eu viajava de ônibus ou trem (e outros modos) para a UniBremen, onde eu tinha acesso a computador. Foi lá que eu criei minha primeira conta de email - que eu tenho até hoje. Foi lá, nos laboratórios de informática da universidade, que entrei para o mundo maravilhoso dos chats. Pseudônimo, adivinhar a identidade do outro através das escolhas de palavras, conversar (chatear) com pessoas completamente desconhecidas e situadas do outro lado do oceano era a aventura.

Depois, em 2006, em outra grande viagem (doutorado sanduíche na Holanda), fiz um blog chamado Pequena Lou pedalando na Holanda,  em que eu descrevia minhas aventuras em forma de diário. Segundo dados da Gretchen, homens tendem a manter blogs específicos de um assunto (bicicletas, por exemplo), enquanto mulheres tendem a manter blogs com cara de diário. De repente me vi comunicando com um universo de pessoas maior que o dos meus amigos reais. Começaram as amizades virtuais. Foi em 2006 que adquiri o meu primeiro computador (um laptop comprado na Alemanha). Acabou a viagem, encerrei o blog em 2007, mas mantive o mesmo nome (iglou) para começar um novo blog (este), também com cara de diário.

Facebook surgiu em Harvard (2004), passou para as outras universidades e depois se tornou aberto (2006). Facebook nunca me interessou - nem Orkut, e eu não entendia bem por que. Eu acompanhava os amigos na universidade metidos em discussões, eu percebia que aquela página era infinita, eu me sentia invadida por imagens e palavras que não me pareciam relevantes. Gretchen explica que a ideia do Facebook era se conectar online a pessoas que já eram conhecidas (velhos amigos do tempo da escola, parentes distantes etc.). 

Old Internet People entraram nas redes para se conectar ao desconhecido, ao virtual. Old Internet People têm certa idade para se lembrar da vida na internet sem computador e de ter que lidar com a linguagem do computador. Assim como os primeiros motoristas de carro precisavam ter noções de mecânica para dirigir e consertar o carro (eu, como cicloviajante precisava conhecer a mecânica da bicicleta para poder consertá-la), Old Internet People aprenderam, antes de comunicar com outras pessoas pelo computador, a comunicar com a máquina.

sábado, 15 de maio de 2021

Curumim



O nome popular da fruta é curumim, porque a criançada adora.

 

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Palavra-alvo

Quando fui levar Agnes na escolinha, uma das tias que ajuda a lavar as mãos (na entrada) me contou que outro dia Agnes tinha se recusado a comer a manga (que eu tinha mandado no lanche) porque era ácida e ela tinha medo de morrer de câncer. Surpresa, a tia tinha perguntado que história era essa, de câncer, e Agnes respondeu que a vó da amiga da tia tinha morrido de câncer. 

Eu entendi que Agnes se referia à Madá. Ela confirmou e eu expliquei: Madá era a madrasta do pai da Agnes, não era avó direta, por isso ela colocou esse monte de gente no meio da história pra fazer a intermediação.

*

Em 2007, entrevistei MS, um sujeito afásico. Rosana (minha orientadora na época) e eu aplicamos o teste de nomeação: mostrávamos figuras e esperávamos que ele dissesse o nome do objeto representado no desenho. Apareceu a imagem de uma pirâmide e MS disse MÚMIA. Nos surpreendemos com a resposta, indicamos que não era bem essa a palavra e ele tentou de novo: ESFINGE. Rosana deu a ele um contexto: Sou louca para ir ao Egito e conhecer as ... CATARATAS - ele disparou. 

Cada tentativa de MS de chegar na palavra-alvo estava relacionada ao seu campo semântico (das pirâmides e depois do turismo).

*

Em 2012, conheci VA, uma moça de trinta e poucos anos que sofreu um AVC e ficou afásica. Diferentemente de MS, que consideramos ser agramático, VA lidava com a estereotipia: ela só dizia uma palavra - que nem mesmo é uma palavra em português. Ela escrevia no celular, lia se apoiando nas vogais, mas na fala espontânea só saía TISSA. 

E mesmo assim a comunicação era possível: VA usava gestos, entonação, a fala do outro e a escrita para comunicar.

*

A língua que falamos não se resume às palavras usadas. Tanto a criança como os dois sujeitos afásicos não chegaram na palavra-alvo, mas são falantes e se movimentam na língua.

terça-feira, 11 de maio de 2021

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Friagem: abre estrada da beira

Depois da friagem, o nível do rio Madeira deveria baixar. Só que quem controla o nível do rio é a usina. O rio baixou, mas a lama estava intensa em alguns pontos perto do igarapé Maravilha. Passou o patrol na estrada, empurrando a lama para as laterais, alargando um pouco mais a estrada. Mais uma vez a máquina entra em ação, para que outras máquinas trafeguem pela estrada da beira estreitada pelo mato.
 
Abrir estrada na Amazônia é chamar gente pra povoar o local. Antes da estrada da beira, a comunidade Maravilha se deslocava de canoa. Damián teve muita dificuldade para aprender a fazer (do zero, ele mesmo, com as mãos) uma tarrafa. Ia perguntando aqui, aprendendo ali, fazendo a amarração acolá, juntando com o que tinha aprendido do ponto inicial mais adiante. Percebeu que, ao perguntar, ao pedir pra demonstrar, a arte de fazer redes de pesca era ressuscitada na comunidade. O estrangeiro, o argentino querendo ser ribeirinho. E os ribeirinhos fatiando suas terras, querendo trazer supermercado e posto de gasolina pra perto de si.

Escrita inicial

 

Agnes escreve textos longos, sem ponto nem vírgula - e sem palavras. O texto é, pra ela, um todo, uma unidade gráfica. Acho que ela entende poesia concreta melhor que eu. Ela lê esses textos com o dedinho, de baixo pra cima, da direita pra esquerda.

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Dá-me DOI

Digital Object Identifier é a sigla pra DOI. Trata-se de um identificador de localização de um conteúdo digital, não necessariamente um lugar de armazenamento. Como editora, peço DOI para os livros digitais da EDUFRO. Se o site da UNIR cair - e o da editora junto -, se o site da editora for hackeado e os arquivos forem deletados, o DOI aponta com segurança para o local de publicação dos livros que têm DOI. Quem mais usa DOI são os periódicos, que constantemente precisam migrar seus dados (do impresso para o digital, de uma plataforma para outra, de um servidor para outro). Nesse sentido, o DOI garante que os artigos com DOI cheguem todos e inteiros ao seu destino.

Quem atribui o DOI é o CrossRef, mas, no Brasil, é a ABEC (Associação Brasileira de Editores Científicos - isto é: periódicos). Quem tem contrato com a ABEC para emissão de DOI ganha um prefixo. Quem tem prefixo, paga 1 dólar por DOI; quem não tem, paga 5. No caso da EDUFRO, o DOI fica sendo então o prefixo + ISBN digital. No caso de periódicos, o prefixo é do periódico, infixo é o ISSN da Revista e o sufixo são informações de volume, número e página em que aquele artigo específico foi publicado (em PDF separado, dentro da revista). Como se vê, cada artigo publicado na revista ganha um DOI (e pode ser citado pelo DOI). Diferentemente de periódicos em geral ou mesmo dossiês, livros pressupõem uma unidade: um livro é publicado uma vez, num único arquivo. Tem gente que chama o livro de obra. Os capítulos não são publicados separadamente, por isso não é comum que se peça DOI por capítulo.

Em suma, a ideia por trás do DOI é segurança cibernética e gestão da informação na internet. Só que o CNPq, por exemplo, usa o DOI como uma espécie de certificação da produção científica. Autores que preenchem o Lattes passam a precisar de DOI para poderem lançar seus dados. E assim começa a corrida pelo DOI. 

A EDUFRO é editora de livros, não de periódicos, por isso não consegue (a Reitoria não pagaria por isso) se filiar à ABEC. Somos filiados à ABEU. Na UNIR, quem gerencia os periódicos é a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPESQ) - que é filiada à ABEC. Então eu peço DOI à PROPESQ. Os últimos 13 livros lançados pela EDUFRO eram todos vinculados à Pós-Graduação da UNIR, por isso foram alocados numa coleção chamada Coleção Pós-Graduação da UNIR. Quando fui pedir DOI para os 13 livros para a PROPESQ, veio a determinação de que DOIs seriam atribuídos não somente aos 13 livros, mas a todos os capítulos de todos os 13 livros. Apresentação de coletânea com DOI, isso é novidade pra mim. A justificativa: "para colaborar no processo de avaliação quadrienal CAPES também será atribuído DOI para os capítulos de livros."

Voltemos. DOI não é nada mais que um identificador de objetos digitais. Mas está sendo usado como selo de produtividade. Coletâneas não valem quase nada na avaliação da CAPES. O que vale é artigo em revista Qualis A ou B. Se queremos mostrar produtividade, precisamos investir na qualidade dos periódicos e publicar livros de autoria (em oposição às coletâneas).

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Nova bicicleta

Como é difícil a transição do triciclo pra bicicleta de rodinhas... Agnes ficou super contente com a nova bicicleta da Caloi, mas não acertava pedalar pra frente. O ângulo estava ruim, não fazia força nos pedais, o pé escapava.

Decidi levá-la para um lugar em que o chão fosse propício: liso, uniforme. Uma quadra. Fomos ao campus, onde não tinha ninguém. Tive que levar o triciclo também, porque a nova bicicleta causava mais apreensão que alegria.

 
Depois de muita insistência, ela topou pedalar na nova bicicleta. E eu registrei que de repente ela conseguiu desenrolar novas habilidades.
 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Six word story

Tenho visto, nas redes sociais, convocações para que se escrevam estórias em 6 palavras. O que eu acho curioso é que só é dado o limite de palavras, não de caracteres, espaços ou sinais de pontuação. Com poucas palavras à disposição, diversos sinais de pontuação são mobilizados para dar sentido às criações: 

Peguei algumas no Wired. Seguem o tema e a estória (nem sempre a vencedora):

A freaky discovery in Physics

Gravity was a consensual, shared illusion.

Review of a future work of art

Uninspired. Lacking originality. Try again, Earth. 

Tech-centric religion

In the beginning was the "www"...

Future american president

He died as he lived: online.

Apocalypse with a happy ending

Dinosaurs return - this time as pets.

Ler: essa é a questão

Quanto maior é o tempo que separa o autor e o leitor, mais difícil é a leitura, pois os critérios de invenção do texto são outros. (p. 36)

[...] uma coisa básica a ser lembrada é que o leitor deseja ler o texto e realmente o lê, mas também é lido pelo seu imaginário. (p. 44)

Assim, quando falamos de leitura, é fundamental dizer que, quando lê, antes mesmo de aprender qualquer coisa do texto, como os conteúdos dele, o leitor aprende com o próprio ato que a verdade do texto não é adequação, mas produção de novas significações e sentido. (p. 44-45)

[O] leitor deve refazer os atos da invenção do texto, que são atos intencionais. (p. 60)

Em qualquer leitura, o leitor tem de descomplicar a complicação do texto e, para isso, tem de operar as implicações dele: tem de dominar repertórios de informação muito variados. (63-64)

[...] em qualquer leitura, que é por definição variável, o leitor deve encontrar a estrutura básica do texto, que permite justamente a comunicação do ato da sua invenção com a sua leitura. Isso também define o que é um livro. (p. 66-67)