Em inglês, o organizador de um livro é editor. Essa descrição, traduzida de volta ao português e um pouco idealizada, se aplica a organizadores que planejam um livro - não apenas o conteúdo, mas também a forma de apresentação.
O organizador envia aos colegas terra e sementes. Cada autor que recebe a terra, a coloca num vaso/canteiro e planta as sementes. A terra é a mesma para todos, as sementes foram escolhidas a dedo para cada autor. O modo como cada um cuida das plantas define o número de mudas no vaso, o tamanho, vigor das plantas e a sua orientação. Quando o autor se considera satisfeito com o resultado, envia ao organizador o seu canteiro. O organizador terá um duplo olhar: para a unidade e para o conjunto. Poderá usar a tesoura de poda para acertar encaixes e evitar sobreposições, poderá criar pontes e passagens entre os canteiros, poderá construir uma cerca em volta, fazendo com que o todo seja um jardim orgânico. Quando entrevistado, o organizador terá uma história para contar: a história da composição de um projeto conjunto.
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Em português, o organizador de um livro é org. Na minha experiência, este organizador trabalha mais ou menos como alguém que propõe um dossiê temático: anuncia o tema da coletânea, dá diretrizes e depois coleta textos que chegam prontos, como caixas fechadas. O organizador identifica o título na caixa, força uma abertura para ter acesso ao resumo, fecha de novo e percebe que cada caixa é de uma cor. Entende que sua função é organizar as cores (arranjando as cores quentes no início, frias no fim, seguindo o arco-íris, agrupando tons da mesma cor etc.). Para mitigar a sensação de que o resultado final é um mosaico de textos multicoloridos de pesos e tamanhos diferentes, o organizador escreve uma apresentação em que revela seu critério de organização.
















