sábado, 31 de julho de 2021

Princesa?

Agnes está participando das atividades recreativas de uma casa de brincadeiras. Como ali ela é livre pra brincar, correr e interagir com outras crianças (e não é obrigada a sentar, escutar, escrever e obedecer), ela se destaca bastante. Hoje fui levá-la numa oficina de Lego e a Gabi, idealizadora do Maternar e Brincar, me deu um retorno de como foi a Colônia de Férias. 

Gabi contou de um momento em que montaram um castelo lindo e maravilhoso e que, quando perguntaram pra Agnes que função ela assumiria no castelo (esperando que ela dissesse que seria a princesa), a menina respondeu que seria a caçadora de sapos que ficam em volta do castelo. 

Criativa, autônoma, "fora da caixinha", ímã para as outras crianças, Agnes ultrapassava as expectativas das monitoras.

domingo, 25 de julho de 2021

Boca do Maravilha

Normalmente tem muita gente pescando na boca do Maravilha. Hoje de manhã não tinha ninguém. Descemos do carro pra conhecer o lugar.

Barranco rachando em camadas: a várzea do Madeira é terra movida pelo rio.
Na árvore, a marca da última cheia. Agnes andaria em baixo da água - e ela tem pouco mais de um metro de altura.


A manilha que liga o lado de lá da estrada da beira ao lado de cá.


Trilha com Agnes.
O Madeira está baixando.

Devir

 

Fluxo permanente, ciclo, constante transformar-se.

Vir a ser, por vir.
Movimento que dissolve, cria e transforma.
Em tempos de seca, preparação para os tempos de chuva.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Judô para meninas

Liguei na academia de judô perguntando sobre horários e se o grupo era só de meninos. A pessoa que me atendeu disse que "hoje em dia não tem mais isso não, é tudo mesclado, tem meninas fazendo judô, sim." Em seguida, ele me perguntou por que eu queria levar a minha filha de 5 anos pra fazer judô. Pra ela aprender a cair, respondi. "Aprender a cair, e depois levantar!" ele completou.

Fomos lá, Agnes e eu, para uma aula-teste. Agnes não era a única novata e havia duas outras meninas além dela (contra uns 10 meninos). Todos os pais e mães assistiam à aula (aqueles que conseguiam não olhar para o celular. O próprio sensei olhava o celular de vez em quando). Notei que o sensei tinha consciência de que era ouvido pelos pais quando reparei nas concordâncias sibilantes e no esforço de falar de acordo com o padrão culto. O sensei impunha respeito gritando e anunciando avanços individuais. A competitividade estava posta nos troféus, nos golpes, na conduta. Nem o sensei nem as crianças usavam máscara, adultos treinavam judô ao lado, os pais faziam torcida pelos filhos: "pega ele!"

Luis recebeu da Paula (carateca) uma indicação de um instrutor que dava aula de judô como atividade extracurricular num colégio. Aproveitamos pra conhecer o colégio, já que Agnes ainda não está matriculada em escola alguma.

Os alunos de judô foram entrando na sala aos poucos. Todos usavam máscara, inclusive o instrutor, que era chamado de "tio". O ar condicionado não foi ligado e os pais (menos nós - só tinha 2 cadeiras) ficaram do lado de fora, vendo a aula pela porta aberta. Todos os alunos exceto Agnes eram meninos e estavam matriculados no colégio. Alguns meninos eram bem levados (cada um à sua maneira).

O instrutor fazia os exercícios junto, conversava (com autoridade e razão) ao invés de gritar, dialogava com todos e tinha muita paciência. Não ensinou golpes, mas a incorporar estratégias: deu essa bola de rugby para um menino proteger. O menino deitou em cima. Como tirar a bola? Virando o menino, como se fosse uma tartaruga! Pra criança, perceber que o outro pode ser movido é um enorme passo. Em vez de prometer faixas, macarrão, medalhas e sucesso olímpico, o instrutor observava e comentava questões de ordem com as crianças, questões corporais com os pais. 

Não é nessa escola que Agnes vai passar as tardes, mas é lá que vai fazer judô.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Entre escolas

Agnes vinha reclamando da escolinha porque só tinha atividade pra fazer sentado, não podia sair, correr, brincar. Até aula de atividade física era dentro da sala de aula. Da prisão de casa, ela ia pra prisão da sala de aula. A escola vinha reclamando do comportamento da Agnes que era muito agitada e liderava a turminha na bagunça. Nós estávamos sentindo a insubordinação dela: não obedecia, respondia, fazia que não escutava, se perdia.

Aproveitamos o recesso escolar para testar outras escolas, mas em sua colônia de férias. O que tinha disponível era a escola de elite da cidade. No primeiro dia, voltou deslumbrada: tinha visto um filme. Então eles deixam a TV ligada? Não, era CINEMA! Tinha ganhado balas, tinha achado tudo ótimo. No segundo dia, reparei que todas as crianças saíam da escola segurando alguma coisa na mão. Agnes nem falou muito do peixe que a tia fez, mas disse que ela tinha sido escolhida pra ser o tubarão e não gostou disso. Fiquei tentando imaginar a situação de ser escolhida por último pra composição de um time. No terceiro dia, reparei o trânsito que todos aqueles SUVs fazem num drive thru de dois lugares. Todos querem estacionar no drive thru, muitas picapes param em fila dupla, eu mesma não consegui sair da vaga de estacionamento porque tinha um carro enorme (vidros escuros, óbvio, não dá nem pra saber se tem alguém dentro) parado na rua. Pais e mães mergulhados no celular se plantam na porta e quando chega a criança que lhes pertence, é uma gritaria: meu amor! Que lindo!

Reparei que Agnes não comia o lanche que eu mandava. Perguntei por que e ela respondeu que as outras crianças têm um lanche que vem na sacola. Lá vai eu encomendar lanche gourmet na sacola, porque afinal de contas, comer junto é uma forma de socialização. Ontem perguntamos pra Agnes se as crianças falavam inglês com ela. A resposta foi triste: ninguém fala comigo. 

Taí. Método pedagógico excelente ... mensalidade em dólar ... sociabilidade complicada.

quarta-feira, 7 de julho de 2021

68º GEL - dessa vez online

 

Congresso sempre é uma maratona de apresentações e diálogos, perguntas e contribuições. Hoje aconteceu muita coisa: mesa redonda sobre a edição crítica de livro do Mattoso (muito bacana ver e ouvir sobre esse projeto); simpósio da minha ex-orientadora (mas pra sempre no coração), Rosana, sobre o GELEP (Grupo de estudos da linguagem no envelhecimento e patologias) e suas atividades; e minha de apresentação de trabalho sobre sinais de pontuação numa sessão de gramática funcional.


sábado, 3 de julho de 2021

Manifestão 03JL

As pessoas tiveram que olhar pra baixo pra verificar de onde vinham os gritos "Fora Bolsonaro" de voz fina. E ela gritava, caminhava e mostrava o cartaz que ela tinha feito de manhã.

O nome (manifestação) ainda não sai inteiro e mais lembra uma grande festa (festão), mas pra ela, esse é o espírito. Ela revê uma galera, é cumprimentada e parabenizada por um monte de gente e se sente acolhida. A manifestação de hoje foi beeem mais expressiva em PVH que no dia 19. As pessoas na rua não revidavam: faziam muxoxos, balançavam a cabeça.

Em Porto Velho, a LCP e o PT (e MAB) são - cada qual demarcando seus espaços - quem convoca e organiza as passeatas com carro de som, palavras de ordem, trajeto, faixas, cordão, corking, ou seja: dominam a tecnologia de manifestação. Poucos são os não filiados que aderem espontaneamente à manifestação, cujo mote acaba deixando de ser "Fora Bolsonaro" pra ser o que a pessoa no microfone diz que é.
Quando Agnes chegou com seu cartaz, atraiu todas as lentes disponíveis. Avisei que ela vai ficar conhecida. Ela logo vibrou: vou ficar famosa!
Família manifestante.