segunda-feira, 29 de julho de 2019

Rancho Grande

A ideia era passar três dias no Hotel Fazenda Rancho Grande, mas como Luis ficou retido em Brasília, só ficamos dois dias. Pegamos a BR 364 em direção a Cuiabá e passamos Candeias, Samuel, Itapoã do Oeste e Ariquemes. 33 km depois, entramos numa RO em direção a Cacaulândia. 20 km depois de estrada muito esburacada, pegamos 7 km de estrada de terra.
Na primeira noite, fomos ver vaga-lumes. Agnes dava aqueles gritinhos de alegria enquanto os perseguia. Pra mim, essa foi a melhor parte da viagem: os vaga-lumes.

No dia seguinte, de manhã, fomos a Jaru, procurar a Festa Camponesa - ou o que tinha sobrado dela. E só deu pra acompanhar o pessoal desmontando tudo, limpando a quadra, carregando as coisas no ônibus e no carro. Demos sorte de encontrar com Renata, Tijolão e Teresa, mas a conversa foi curta, porque a vontade deles de encerrar o evento era maior que qualquer plano de almoço de domingo. Almoçamos no único restaurante aberto: atrás da rodoviária. Depois desse almoço enche-barriga, voltamos ao Rancho Grande pra fazer a siesta.

Quase, Agnes, quase!

Luis queria pescar e se animou quando viu que eles ofereciam kit pesca: varinha, anzol e isca. Mas a isca era de "massinha", ou seja, farinha com água - que não adere muito bem ao anzol na água.
Aqui os peixes já se acostumaram com a gente
Tentaram aqui, ali, mais adiante. Eu fiquei observando. Agnes era quem chegava mais perto de pegar peixe, mas no final, toda a massinha se perdeu na água.
Pescaria ao pôr do sol
Na última manhã, Agnes queria porque queria andar de cavalo. Vestir roupa - cavalo! Tomar leite - cavalo! Comer pão - cavalo! Os cavalos foram selados antes que terminássemos o café da manhã. E lá foi Agnes, sozinha pela primeira vez, andar de cavalo!

Giovanne puxando o cavalo

sábado, 27 de julho de 2019

Interior e exterior

Rondônia faz divisa com a Bolívia, mas pra viajar a La Paz, a rota passa por São Paulo. É como se os gaúchos tivessem que ir a Cuiabá pra chegar em Buenos Aires. A diferença é que Porto Velho fica no Norte e o sul maravilha fica na borda do centro das rotas aviárias.

Luis sentiu um leve aperto no coração quando o avião de Santa Cruz de la Sierra atrasou. O voo de Guarulhos a Brasília sairia de noite. Apesar do atraso, deu tempo. Mas o avião de Guarulhos a Brasília atrasou 40 minutos e o avião de Brasília a Porto Velho não esperou. Enquanto ele me dava notícia de que estava preso em Brasília, procurei por voos nas outras companhias. Nada. Todos os passageiros com destino a Porto Velho foram encaminhados prum hotel. Procurei voos pro dia seguinte: a Gol não tinha voos BSB-PVH, a Azul só tinha voos com pelo menos duas escalas e a Tam tinha um direto, ao meio-dia. O voo não alcançado era Gol. Em vez de acomodar os passageiros no voo da Tam, ao meio-dia, a Gol os acomodou num voo Gol às 21h. Por causa de um atraso de 40 minutos ocasionado pela Gol, todos com destino Norte ficaram 24 horas (menos 40 minutos) em Brasília. A Gol pagou hotel e alimentação, mas não fez nada além disso, pra compensar o dia perdido em Brasília. E ainda tiveram que ouvir que “pro Norte é difícil mesmo”.

Everal tinha a seguinte teoria: como São Paulo é o centro de tudo, tudo que estivesse dentro de São Paulo deveria ser denominado “interior”. E o que fica fora é o “exterior”.

Porto Velho é exterior, estranho, isolado. Luis entendeu isso de forma dura e burocrática.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Olhando para a câmera

Em 2014, depois que o nosso filme Entre a cheia e o vazio foi premiado no Fest Cine Amazônia, me pediram pra falar sobre o filme. O cameraman ajeitou a câmera no tripé e me pediu pra falar. Eu fui falando pra ele, explicando pro sujeito que usava fones de ouvido enormes. Até que ele foi embora e me deixou sozinha. Naquele instante em que perdi a atenção dele, fui desconcertada e percebi a linguagem se dissolvendo. Meu discurso perdeu o rumo, o fio da meada se foi, eu fiquei completamente perdida. Desconfio que os primeiros segundos da minha fala devem ter prestado, o resto era o testemunho da dissolução do pensamento.

Hoje foi dia de gravar video-aula. Eu já tinha conversado com a Geane sobre essas aulas UAB que são dadas pra câmera. Ela comentou que a primeira aula que ela gravou, foi com outra colega do lado, então foi tranquilo. Mas na segunda aula, ela passou pela mesma aflição que eu em 2014, quando o técnico de som abaixou pra pegar um negócio que tinha caído no chão: perdeu o fio vermelho, deu branco.

Cheguei mais cedo e pedi pra Camila (estagiária da EDUFRO) me acompanhar, pra garantir. Desculpa, Camila, tenho que dar uma aula de Filosofia da Linguagem e preciso que alguém esteja lá. Ela topou, curiosa. Ficamos tanto tempo esperando o técnico do som aprontar tudo, que tive tempo de me ambientar no espaço e fui me acostumando com a câmera e o microfone. Dei uma aula curta olhando diretamente pro buraco negro que é a câmera. Sobrevivi.

domingo, 21 de julho de 2019

Boa viagem, vá com Deus

No último dia do GEL, eu tinha me proposto a participar de um simpósio sobre morfologia e uma mesa sobre ensino de língua materna. Depois desses eventos, os orientandos da Rosana almoçariam num restaurante próximo, barato e simples. Como eu tinha algumas horas de estrada pela frente, decidi almoçar num restaurante vegetariano, pra conseguir dirigir sem correr o risco de ficar com sono.

A voz do Waze me guiou até o restaurante, depois pra fora da cidade. Como não havia placas pra Ribeirão Preto, fui me orientando pelo aplicativo. Quando a voz me instruiu a seguir por uma hora e vinte minutos naquela mesma estrada, desliguei o aplicativo, pra não gastar demais a bateria do celular. Ainda pensei que eu tava driblando o aplicativo, usando o mínimo necessário, até aparecerem as placas pra Ribeirão.

No segundo pedágio, já bem próximo a Ribeirão, a moça me devolveu o troco dizendo "Boa viagem, vá com Deus". E eu tomei um susto. Depois fui entender que o susto era porque eu não esperava por Deus no pedágio - que, pra mim, era equivalente a uma máquina que recebe dinheiro e levanta a cancela. Mas quem recebe o dinheiro e devolve o troco é uma pessoa, não uma máquina. Assim como o cara que agita a bandeira laranja antes das obras na pista é uma pessoa, não uma máquina.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

GEL 50 anos

Tendo sido formada no estado de São Paulo (escola, graduação e pós-graduação), o GEL (Grupo de Estudos Linguísticos de São Paulo) sempre foi pra mim uma ocasião de reencontros. As universidades que promovem o evento são USP, Unicamp e Unesp. Desde 2005, já participei de nove Seminários do GEL: São Carlos (2005 e 2010), Araraquara (2006), São José do Rio Preto (2008 e 2019), São Paulo (2013), Campinas (2014 e 2015) e Assis (2017).

Dessa vez o GEL acontece em São José do Rio Preto. Peguei avião até Ribeirão Preto, aluguei um carro e vim dirigindo. O carro se mostrou útil para sair da Unesp e almoçar e, de noite, pra levar os orientandos da Rosana pro bar. Como a bateria do celular estava pouca, e eu dependo de aplicativo pra me orientar na cidade, não fiquei muito tempo no bar com eles.

Perdi a conferência de abertura que aconteceu no dia em que cheguei, mas, em compensação, ontem participei de tudo que podia: apresentei meu trabalho, fui até o "coffee", fui na mesa de Renato e Ataliba, no simpósio da Rosana e orientandos, mesa sobre aquisição de consoantes e até no lançamento de livros.

Na sessão de comunicação em que apresentei com outros quatro mestrandos, somente o meu trabalho despertou curiosidades e as pessoas me fizeram perguntas que me ajudam a continuar pensando o meu objeto. Gostei muito de rever Renato, Ataliba, Rosana, seus orientandos embaixo da asa e Rafaela, minha primeira orientanda de TCC. É muito bom ver os amigos produzindo conhecimento relevante.

domingo, 14 de julho de 2019

Marvada morfologia

Não sei se é a situação de prova, se é o final do curso que foi dando nó na cabeça, ou se o povo fala assim mesmo. Não sei. Aqui em casa, Agnes e Rose (a faxineira) fazem usos pouco convencionais de alguns sufixos, tipo:
- Mamãe, cê tá me enrolando. Pára desse enrolamento!
A Rose falando do neto:
- O menino fica numa ansiosidade, quando tira o celular dele...

Na prova de Morfologia aparecerem o que eu considero neologismos:

amorice, paixonice, surdice, muitice, queridice, espertice e malvadice

pessoismo, baixismo

concorrentemente

Apareceram dois erros ortográficos que poderiam suscitar reflexões morfológicas:

indiotice (idiota, não índio) e empreguinada (impregnar, não empregar e guinada)

Lua

Lua de tarde com nuvem
Na sexta, o Clube de Astronomia da UNIR (pois é, tem cada coisa escondida nessa universidade!) promoveu um evento de observação do céu no aeroportopark. Agnes eu fomos lá, esperar na fila pra ver a lua no telescópio. Eu achei mágico, Agnes não se encantou muito. Ela lembra muito mais da apresentação do tigrão (um argentino vestido de tigre) que prendeu a ponta do rabo no monociclo. Doeu muito, mamãe!


Mesma lua, foto mexida
Ontem peguei a minha câmera de longo alcance, sentei no chão e fotografei a lua. De tarde e de noite, pra ver como mudava.
Mesma lua, de noite
Mesma lua, foto mexida

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Omas

Um dia, a caminho da escolinha, Agnes tirou o dedo da boca e me disse que a Oma vai pro céu. Eu pensei na viagem que a minha mãe fará pra cá quando a minha Oma completar 100 anos em setembro e disse: "sim, a Oma vai entrar num avião."

Agnes não se abalou e prosseguiu no seu raciocínio: "A Oma tem cabelo branquinho, ela vai pro céu." Eu, que estava com a cabeça no trânsito e não consegui abandonar a ideia do centenário da minha avó, comentei que o cabelo da Oma era branco como as nuvens.

Agnes perdeu a paciência comigo e exclamou que a Oma vai morrer porque tem cabelo branco e tá velhinha. Quase chorou dizendo que não queria ficar velhinha e não queria morrer.

                                           *   *   *

Ontem, Agnes emergiu de seus pensamentos e concluiu em voz alta: "Então vão ser quatro Omas."

De novo, estávamos no carro, a caminho da escolinha. Mais uma vez o meu pensamento foi direcionado pra Gramado e pro centenário da Oma. Comecei a contar as Omas: "a minha Oma, a tua Oma, a Oma da Helena e Ulla, a Oma da Liah."

"Não, mãe. Eu vou ficar de cabelo branco, vou ficar velhinha e vou ser Oma. Você vai ficar velhinha e vai ser Oma. A minha Oma e a sua Oma. Quatro Omas."





quarta-feira, 10 de julho de 2019

Encerramento do curso de extensão EDUFRO

Elizeu e Leidijane
Elizeu comandou o encerramento do curso de extensão que a EDUFRO promoveu ao longo de dois meses (infelizmente os últimos do semestre, quando o povo se sentiu obrigado a escolher prioridades). Elizeu falou do seu trabalho enquanto poeta e performer, editor de si mesmo, independente (ou marginal?) e engajado na vida social do lugar em que vive.

Na tarde em que o curso foi divulgado no Facebook, preencheu as 15 vagas. Antes de anoitecer, já tinha lista de espera e dramas. Contudo, como já era final de semestre na segunda metade de maio, a galera foi priorizando os cursos que dão nota e o curso de extensão foi esvaziando. Ao longo do curso, falamos muito do livro acadêmico e da editora universitária - mas acabamos sendo conduzidos ao livro em si, enquanto objeto. Tanto foi que os alunos bravos guerreiros que se mantiveram firmes até o final fizeram seus próprios livros:
Livro da Greis

Greis mostrando o livro
Livro colorido

Livro casa da Vitoria

Os alunos de Psicologia com seus livros geniais
Todos os livros foram muito surpreendentes, Elizeu ficou impressionado e recomendou a todos que publicassem mesmo seus livros.

Eu não sabia nem metade do que ensinamos ao longo do curso. Leidijane e eu aprendemos muito ao preparar o curso e dizer em voz alta o que tinha sido captado superficialmente. Se o lema da Edufro é PENSAR POR ESCRITO, nesse curso aprendemos falando.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Viva São João!!!

Agnes e eu fomos na Festa Junina da escolinha. Ela ficou muito à vontade invadindo famílias alheias: entrava nas fotos, roubava bolhas de sabão, brincava com espadas que brilham no escuro. Dançou também, mas a maior parte do tempo ficou fugindo de mim - e entrando na vida dos outros.
Na festa Junina da UNIR, fomos todos juntos. Tinha música ao vivo e Agnes dançou muito, com muita alegria. Mathias dançou com ela:


segunda-feira, 1 de julho de 2019

Aprovado!

A Editora da Unicamp tinha um edital 2018 (que encerrou em fevereiro de 2019) com chamada para obras dirigidas a estudantes de graduação. Havia dez vagas a serem preenchidas e escolheram apenas cinco livros - dentre eles, o meu. O livro é sobre os sinais de pontuação!!!