terça-feira, 29 de novembro de 2022

Eles continuam lá

Os bolsonaristas seguem acampados na frente da Brigada Militar em Porto Velho. Os cheiros de picanha e banheiro químico se misturam.

Vamos tentar entender o fenômeno através de Letícia Cesarino (2022):

Enquanto fenônemo fractal, o bolsonarismo não imprimiu uma substância política unificada e programática às demandas de seus seguidores. Como o populismo, a plataformização e o "estalinismo de mercado" (Fischer, 2020), esse movimento é ao mesmo tempo vazio de conteúdo e altamente performativo. (p. 151)

Trata-se um líder digital, que atua(va) com alta assiduidade nas redes sociais e as usa(va) como instrumento de comunicação com seus seguidores. Os seguidores preenchem as palavras de ordem (liberdade, família, pátria) como podem: os significados não são dados por Bolsonaro. 

A autora faz uma analogia entre ritos de passagem - que são manifestações culturais que se dão em momentos específicos de forma sequenciada e controlada para superar uma crise na comunidade - com o movimento bolsonarista. Nos ritos de passagem, ocorre a suspensão de convenções (meninos são retirados da condição de meninos), identidades horizontais são produzidas (filhos do chefe e de mãe solteira passam a ter o mesmo valor), o núcleo cultural é discursivamente trabalhado (eles estão se preparando para serem homens), os sujeitos são colocados em estado de heteronomia (o mais velho guia o processo dos meninos que obedecem a ele) e prevalecem processos de mímese e inversão estrutural (todos os meninos fazem o mesmo - que é exceção para todos). Ao olhar para o movimento bolsonarista, a autora nota:

[...] não havia ali um indivíduo (oficiante) que orientasse diretamente os noviços, incutisse o núcleo cultural e galvanizasse sua entrega a uma força superior. Esse trabalho era feito pelo "todo" que se individuou entre usuários comuns, influenciadores (explícitos ou camuflados) e o próprio líder carismático (Cesarino, 2019). Além disso, diferente dos noviços ndembo, os usuários não reconheciam sua situação como sendo de heteronomia, ou entrega à influência oficiante. Pelo contrário, se apegavam obsessivamente a uma experiência de liberdade e escolha individual, rechaçando qualquer acusação de manipulação e devolvendo-a prontamente ao "inimigo". 

Nesse caso, a heteronomia não leva à reitegração dos "noviços" ao corpo social. Não havendo etapa de reintegração, ela produziu seu oposto: uma bifurcação similar à dos ecossistemas conspiratórios [...]. (p. 137)

Resumindo, os bolsonaristas ainda acampados em frente à Brigada Militar ultrapassaram um limiar e não conseguem voltar (pra casa, pro trabalho, pras suas funções rotineiras) porque aqueles comunicados de poucos minutos que Bolsonaro deu (e que foram recebidos via vídeo) não foram suficientes. O primeiro era confuso, o segundo mandava pra casa, mas não reconhecia a derrota nas urnas. 

Vazios de conteúdo, resta-lhes serem performáticos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

O Território

Chegamos no Palácio das Artes um tanto impressionados com a quantidade de carros estacionados ao redor: todo mundo veio ver o filme O Território? Depois de passar pelas duas mulheres na porta, nos perguntando onde que era pra deixar os 2kg de alimento que tínhamos trazido, fomos chamados de volta: "vocês vieram ver o filme? É no outro teatro." O outro teatro é menor, mas estava cheio. 

O grupo Minhas Raízes fez a abertura do evento: eles cantam Nazaré, no Baixo Madeira. As comidas, as palavras e os instrumentos beradeiros nos prepararam para o universo dos uru-eu-wau-wau.
Como a Neidinha é daqui e a ONG Kanindé está aqui, Porto Velho foi um lugar de encontro: os parente vieram ver o filme em que atuaram, o camera-man que acompanhou a Neidinha viu o filme com plateia pela primeira vez, Bitaté estava no palco depois da exibição. Essa conversa depois do filme foi importante pra nós (público) entendermos o processo de filmagem. 

O território uru-eu-wau-wau está em disputa. Os indígenas lutam pela permanência no território (território é diferente de terra) e preservação da mata (terra está mais pra solo que pra floresta, caça, rio). Sob a liderança de Bitaté, os uru-eu defendem o território registrando em vídeo os ataques vindos de fora. O olhar indígena se faz presente no filme que não mostra apenas panorâmicas capturadas pelos drones, mas também foca nas formigas, folhas, água. Essa parte do filme - a da autoria indígena - a gente entende sem problema.

A questão é que o colono, o grileiro, as máquinas (motosserra, trator) também dão seu depoimento genuíno. Acompanhamos o colono que sempre foi empregado (trabalhando nas terras dos outros), montando uma associação, esperando os políticos (bolsonaristas) darem carta branca pra expandirem suas conquistas. Acompanhamos o grileiro que não acredita na associação, que afirma que aquilo que ele desmatou já é terra dele por direito, que - como erva daninha - está determinado a voltar toda vez que seu barraco for queimado. O interesse é pela terra. Ser proprietário de terra, expandir a fronteira. Ambos querem avançar sobre o território indígena justificando que nunca viram um índio sequer: "será que tem mesmo?"

Para o espectador, a complexidade da tarefa é destrinchar essa narrativa que se apresenta onisciente (se os uru-eu-wau-wau fizeram o filme, quem foi que filmou o grileiro?). Uma das perguntas do público dirigidas a Bitaté foi: se vocês sabiam onde eles estavam construindo a sede da associação, então por que vocês não foram lá? "Porque a gente não sabia". 

O grileiro não sabia que estava num filme idealizado pela Neidinha, nem Bitaté sabia que Neidinha tinha pedido ao diretor americano Alex Pritz que os dois lados fossem filmados sem o viés de uma narrativa. O filme mostra "a verdade" de cada lado dessa disputa - e isso precisa ser digerido pelo espectador que está acostumado a aderir (ou não) a uma única narrativa consolidada. Temos então dois filmes em um. E parte da disputa pela terra (a floresta, o rio, a fauna não importam) se dá pelo desconhecimento do outro: os povos originários são um empecilho, não humanos, não merecedores da terra porque não fazem com ela o que qualquer um (inserido no sistema capitalista) faria: gerar riqueza. 

Ao deixar as duas narrativas coexistindo, temos um retrato fiel da realidade. E é isso que dá grandeza ao filme.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Dentes

 

Agnes ficou banguela aos 2 anos de idade, quando perdeu o dente da frente (na foto, o da esquerda) batendo a boca no banco em que eu estava sentada. A dentista disse que "avulsionou": saiu avulso, com raiz e tudo. Lembro que na época a vizinha tinha 4 anos e ficava espantada que a Agnes já estivesse banguela antes dela.

Foram 4 anos mordendo de lado, esperando alguém cortar a fruta em pedaços. Tinham nos dito que a gengiva daquele que saiu primeiro ficaria tão calejada, que esse dente seria o último a sair. Mas aí a dentista disse que um dente puxa o outro: arrancou o da direita antes da hora e agora estão saindo - pelo visto, os dois! E parece também que serão separados, como os da mãe.

Criança passa aperto com os dentes durante quase toda a infância: é dente nascendo, dente caindo, nascendo em lugares insuspeitos...

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Renovação de CNH

Como eu tenho uma carteira de motorista digital (a de papel estava na carteira que foi furtada em Peruíbe), o aplicativo me avisou primeiro que a carteira estava pra vencer em dezembro. Em seguida, as locadoras de automóveis que possuem registro da minha CNH enviaram emails com "comunicados importantes". 

Fui no site do Detran, agendei um horário pra coleta de biometria, paguei a taxa num boleto que informava o endereço do local que era pra fazer exame de vista e esperei o dia marcado chegar. Fui lá antes da hora, pedi pra alterar RG e endereço e tirei foto, impressão digital e esqueci de perguntar quando a minha carteira ficaria pronta.

Segui pra clínica que faz exame de vista, falei as letras e as cores que eu via, paguei outra taxa e fiquei pensando que talvez a carteira digital poderia chegar antes da física. Fui lá no aplicativo e reparei que tinha lá um histórico. A primeira carteira eu tirei em 1998, aos 20 anos de idade. Em 2000 teve outra, que teve validade até 2002, depois as seguintes tiveram validade de 5 anos. 

Algumas horas depois, ainda de manhã, chegou email avisando que a minha carteira digital estava disponível. Lamentei a minha cara na foto e fui checar a validade: 10 anos. Com essa foto...

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Manual do Minotauro

 

Estou lendo a biografia do Henfil e eis que o cartunista conhece, perto da data em que nasci, Lula e Laerte. Acaba que leio a biografia do Henfil e os quadrinhos de Laerte em paralelo, só pra embaralhar as memórias.

domingo, 13 de novembro de 2022

Conversa sobre o lugar do livro nas Ciências Sociais e Humanas

Quando o vídeo foi gravado, apareciam umas legendas bizarras, então o vídeo não ficou muito tempo no ar. O pessoal da ANPOCS conseguiu tirar as legendas da gravação e subiu de novo a primeira sessão do Fórum de editores do 46. Encontro ANPOCS.

sábado, 12 de novembro de 2022

Fim de tarde


 Castanheira
Flor de castanheira
Flor de biribá
Ouricuri
Açaí
Jaca

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Seminário PIBIC

Depois de um ano de pesquisa, chegou o dia de apresentar o que fizemos e como, a que resultados nossos dados nos trouxeram e por que ... e ruminar perguntas da avaliadora.

Gisele coletou 89 peças publicitárias impressas publicadas no jornal local Alto Madeira relativas aos anos 40 e 50. O estudo dela era pra ser paralelo ao meu, que investiguei peças publicitárias publicadas no primeiro ano da Revista Manchete, mas não foi tão simples assim. Na revista, eu não tinha dúvidas do que era uma propaganda e o que não. No jornal, os gêneros se misturavam: isso daí é anúncio? O que é uma propaganda? Tivemos que construir o nosso objeto: peças publicitárias em que há texto e imagem, sendo que a imagem não se limita à logomarca ou ilustração do produto, mas permite pensar uma narrativa.

Álany coletou 35 peças publicitárias impressas no mesmo jornal nos anos 2000. Por incrível que pareça, encontramos menos anos recentes do Alto Madeira (criado em 1917 e extinto em 2017) no Museu da Memória e nada digitalizado. Além de menor número de edições disponíveis, Álany encontrava muito mais anúncios que peças publicitárias (conforme nossa definição). 

Como os corpora não eram compatíveis em termos de volume de dados, tivemos que dar um tratamento estatístico aos dados: concentramos nos sinais finalizadores de sentença e dividimos o número de sinais pelo número de sentenças.

Nossas principais conclusões desse estudo diacrônico: sim, o modo de pontuar mudou ao longo do tempo porque as peças publicitárias mudaram. O volume de texto diminuiu, as sentenças são cada vez mais finalizadas com [nada] e a linha é, ela mesma, sinal de fim. 

As peças publicitárias passaram por mudanças no nível linguístico: nos anos 40 e 50, foram encontrados textos organizados em parágrafos. Isso mesmo, parágrafos. Ou seja, o texto linear é conjugado com uma imagem. Nos anos mais recentes, o espaço da peça (os centímetros quadrados adquiridos pelo anunciante) é mais explorado graficamente (por letras grandes) e o que era texto linear assume caráter de lista: uma lista de mercado arrola os itens sem separá-los por vírgula. Cada linha nova separa os itens. Mesmo que haja uma enumeração, se cada item estiver em linha nova, começa com letra maiúscula (que é indicadora de nova sentença). Ursula Bredel (2020) aponta para a própria linha como organizadora do texto que adquire formato de lista.

Parabéns às meninas que cresceram durante a pesquisa, se envolveram com o assunto e apresentaram o trabalho hoje!

domingo, 6 de novembro de 2022

Nunca más

 

Como se dorme depois de ver "Argentina, 1985"? É um filme argentino que retrata o processo de responsabilização da ditadura militar pelos seus crimes. Uma ditadura feroz, clandestina e covarde que torturou, separou, sequestrou, matou e desapareceu milhares de pessoas. Mas também é um filme que dialoga com qualquer processo de expurgo, de desfascistização, desnazificação. 

Como será a nossa vida até a posse do presidente eleito? E depois? Vamos esquecer?

Quando o promotor, Julio Strassera (interpretado por Darín), foi convocado pelo governo da redemocratização, ele tentou fugir da tarefa de investigar os crimes cometidos pelas forças militares. É uma tarefa assustadora, não se encontra parceiros para executá-la. O apoio vem dos jovens: tanto Luis Moreno Ocampo (Peter Lanzani) como o filho pequeno (em menor medida, claro) colaboram na condução e apresentação do processo e acusação.

Vamos conseguir explicar com clareza o que aconteceu nos últimos anos? As pessoas que ainda hoje andam na rua envoltas na bandeira do Brasil conseguirão processar o que fizeram? Por que a moral de alguns não parece racional para outros? 

É preciso coragem para fazer o que é certo e do interesse de todos. Se somos um coletivo, precisamos de dispositivos coletivos para dar sentido ao passado e planejar o futuro.

sábado, 5 de novembro de 2022

Antípodas

Estatísticas fabulosas continuavam brotando da teletela. Em comparação com o ano anterior, havia mais comida, mais roupas, mais casas, mais móveis, mais panelas, mais combustível, mais navios, mais helicópteros, mais livros, mais bebês - mais tudo, exceto enfermidade, crime e loucura. (1984 na nova tradução, de 2009, p. 76)
O orçamento de um ano é planejado e estimado no ano anterior. Ou seja, é o governo Bolsonaro que decidiu qual será o orçamento do ano que vem, em que Lula será presidente. O que consta lá no orçamento para a Cultura? Não existe mais o Ministério da Cultura.

Guerra é paz

Liberdade é escravidão

Ignorância é força

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Não pensem mal de mim

Esse vídeo saiu faz 13 minutos. Esse vídeo em que ele apela aos bolsonaristas bloqueadores de estradas para que desobstruam as estradas veio no quarto dia de bloqueios. Dia 1 foi o domingo, hoje é quarta. As PMs e as torcidas organizadas (Corinthians e Galoucura) já furaram e desmobilizaram muitos bloqueios. Pelo que entendi, a única pessoa presa foi o motorista que avançou sobre os bolsonaristas ferindo 7 pessoas. Um motorista morreu ao colidir de noite com o bloqueio que não estava sinalizado. Os golpistas não foram presos, mas receberam multas. Os bloqueios caíram pela metade, mas os estados do agro (que tiveram maior votação 22) ainda mantêm mais de 140 bloqueios. 

O líder deles não sabe ser presidente. O líder deles quer ser amado.

Letícia Cesarino

NA Pública



terça-feira, 1 de novembro de 2022

Análise do discurso de 2 minutos

Eu tava esperando essa análise de discurso. Afinal de contas, COMO nos comunicamos importa.

Definir pela negativa

Aprendi, no curso de Semântica, que não se define algo pelo que não é. Uma entrada de dicionário seria muito mais longa se fosse preciso dizer que aquilo não é um cadarço, nem um helicóptero, muito menos um sorvete de pistache ou de manga etc. e tal. 

 

Depois de 44 horas de silêncio do presidente em exercício após o resultado das eleições, centenas de bloqueios em estradas e muito barulho nas redes, ele leu um discurso em 2 minutos que eu não sei se entendi. Ele não reconheceu a derrota nas urnas, pelo contrário, agradeceu à mais expressiva votação que teve na vida. Ele não manda os bloqueadores de estrada de volta pra casa, mas explica que eles estão indignados com o desenvolvimento do processo eleitoral. O que foi que deu errado? É a atuação da PRF que está sendo criticada que, à revelia do TSE, resolveu fazer blitz em dia de eleição?

Ele não reconhece que esse tipo de manifestação (bloqueio de estradas) é descabida (Bolsonaro perdeu!) e criminosa, mas afirma que manifestações pacíficas são sempre bem-vindas. Ele (representante da direita), adverte que os métodos não podem ser os mesmos que os da esquerda, que sempre prejudicou a população. Ou seja, é pra voltar pra casa, pessoal? Não, ele falou de invasão de propriedade, destruição de patrimônio e cerceamento do direito de ir e vir. Certo, então acabou o bloqueio? Os métodos estão errados, mas o motivo é justo, é isso que eu entendi?

Peraí, ele continua: a direita surgiu de verdade (ele não tem memória, não? A ditadura foi de esquerda, é? Ou o "de verdade" se refere ao discurso de ódio chamado de liberdade?). Somos pela ordem e pelo progresso. Isso significa que é pra voltar pra casa, irmão? Véio, ele tá falando de censura das mídias e redes sociais. O que que é pra fazer? Ele falou mais alguma coisa? Liberdade, verde amarelo, muito obrigado.

E acabou???

Muito complicado entender o que ele disse, porque parece descolado da realidade. Mais fácil interpretar o que ele não disse: reconhecer a derrota, desbloquear as estradas, transição.

P.S.: Só achei esse vídeo no Youtube com só e somente o discurso.

Inimigo ou adversário?

Bolsonaro recebeu ligação telefônica do Ministro do Supremo Tribunal Eleitoral assim que a vitória de Lula tinha se confirmado matematicamente. Ele não contestou o resultado. Mas também não se pronunciou: nem deu os parabéns ao adversário, nem se comunicou com a outra metade da população que tinha depositado o seu voto nele. 

Caminhoneiros estacionados em frente à HAVAN (SC) anunciaram que "travou". Bloquearam estradas porque discordam do resultado da eleição. O número de bloqueios foi crescendo de domingo pra cá (terça-feira) e a Polícia Rodoviária Federal, que, no dia das eleições, trabalhou para retardar a chegada de eleitores de Lula aos seus locais de votação, se junta aos manifestantes em vez de mandá-los de volta pra casa. 

O aeroporto de Guarulhos, o maior que temos no Brasil, está inacessível pra quem vem de SP. Voos foram cancelados porque as pessoas não conseguem chegar ao aeroporto devido aos bloqueios. 

Os bolsonaristas pedem apoio. Bolsonaro segue em silêncio. Os bolsonaristas pedem intervenção militar. Bolsonaro, o mito deles, não se pronuncia. Aceita a derrota, mas não reconhece a vitória do outro. Prefere o silêncio que faz tanto barulho nas estradas. É isso que se espera de um presidente? O silêncio dele mantém e aumenta os bloqueios - e ele conta com isso. 

Manobrar metade da população para prejudicar a outra metade não é da política, mas da guerra.