Vestidos de caipiras, muitos ciclistas foram se ajuntando na Praça do Ciclista, que fica ali onde a Av. Paulista junta com a Consolação. Bandeirinhas foram estendidas, biribinhas foram distribuídas e o povo foi chegando aos poucos.
Algumas pessoas trouxeram comida (principalmente bananas, a comida de ciclista por excelência) pra compartilhar. Também tinha pé de moleque e paçoca, claro.

Caixas de madeira (restos de feira) encontradas nos arrdores foram reduzidas a tábuas e foi feita uma fogueira de São João.

Apareceu um sanfoneiro ciclista, que animou a galera a dançar e teve quadrilha, claro.

As pessoas se divertiram dançando, se pintando de caipira, conversando com velhos conhecidos e conhecendo pessoas novas. Eu, por exemplo, conheci a organizadora de um grupo de mulheres que pedalam de noite chamado Saia na Noite. A mulher era muito simpática, mas o esquema do grupo não me agradou. As mulheres que pedalam uma média de duas horas num determinado dia da semana chegam de carro, pedalam, e voltam pra casa de carro. Elas só pedalam neste grupo, contam com a obstrução de algumas vias (ou a CET ou a monitora trancam o trânsito) pra que possam passar 'em segurança' e não têm autonomia para pedalar na cidade e fazer da bicicleta seu meio de transporte.
A noiva teve uma chegada triunfal, o noivo já estava esperando.
Enquanto 300 ciclistas deram uma volta na Av. Paulista, algumas pessoas, que ficaram na praça, prepararam um quentão.
A volta ciclística contou com algumas bicicletas chamativas, como esta, por exemplo. Reparem que há duas telas mostrando o que toca no DVD do homem. Isso é o que dá pra ver. O sujeito também pode fazer a sua bicicleta tocar um som super alto. (Uma bateria de carro alimenta o DVD e as lâmpadas de árvore de Natal.) Durante o passeio pela Paulista, o homem deixou rolar um funk dos infernos (em que créu créu créu era repetido ad absurdum). Eu não queria ser relacionada a essa poluição sonora.
Enquanto pedalávamos, algumas coisas me incomodavam: por que andamos no lado esquerdo da via? Ariel respondeu que do lado direito tem os ônibus. Reparei que am alguns momentos, ocupamos todas as faixas da Paulista. Se eu estivesse dentro de um carro, eu sentiria raiva destes ciclistas que não sabem respeitar o trânsito e ficam gritando que carro faz trânsito, que vão tocar fogo nos carros. Percebi que a grande motivação dos ciclistas é tomar as ruas, se posicionar contra os carros. Notei que as travessas da Paulista eram obstruídas por ciclistas que faziam o 'corking'. De novo, se eu estivesse dentro de um carro e o farol abrisse e fechasse três vezes e eu fosse incapaz de sair do lugar porque tem um ciclista parado na minha frente, eu teria muita raiva dos ciclistas. Os pedestres, no entanto, eram respeitados. Os ciclistas paravam no farol até que o último pedestre tivesse atravessado a rua, mas não esperavam que o farol abrisse, para continuarem seu passeio.Estes ciclistas não são capazes de se integrar ao trânsito. Ninguém sinaliza que vai virar, muitos não tinham luzes em suas bicicletas e muitos não sabem que ciclista nunca deve andar na contramão e nunca deve pedalar na calçada.
Enfim, de volta à Praça, o herói já estava à caráter e as pessoas se divertiram ao som da música tocada pelo sanfoneiro. Percebi que o que importa pra bicicletada é agregar gente, não educá-los pro trânsito. Estes ciclistas querem ciclovias e não consideram que esta é uma solução cara, que apenas segrega motoristas e ciclistas, mas não faz com que um respeite o espaço e a velocidade do outro. Muitos destes ciclistas são ativistas contra o carro e se orgulham de não possuir uma lata poluidora.







Do meio dia às duas da tarde de sábado, ficamos na Praça do Ciclista dando entrevista, servindo de alvo pras lentes dos fotógrafos, pintando os corpos dos ciclistas. Além de florzinhas, copos quebrados (frágil) e bicicletas, as pessoas escreveram mensagens umas nas outras: 















