sábado, 26 de abril de 2025

E os efeitos da colonização

O tema do último dia eram os efeitos da colonização e conflito armado sobre os povos indígenas. Com base na nota conceitual referente ao tema - que inclusive podia ser usada pra argumentar contra a "mineração responsável" - eu elaborei a minha fala. Mandei pro meu chefe que achou muito negativo e ponderou com os avanços tímidos do governo (13 terras demarcadas quando existe um passivo de 300 processos paralisados no MJ ou Casa Civil e 500 demandas por demarcação na Funai). 

O rapaz de uma outra delegação chegou pra Elaine e disse que o Embaixador dele não chegaria em tempo e se quiséssemos ser o quinto (em vez de décimo terceiro) país a falar, podíamos trocar. Topei, porque de tarde eu tinha alguns eventos paralelos pra ir, então, quanto mais cedo eu pudesse falar, mais tranquila eu ficaria. Reparei que a Chair estava intercalando país, instituição ligada à ONU (FAO, UNESCO, UNFPA) organização indígena. Nos dias anteriores, ela chamava um país e duas ou três associações indígenas. Achei curioso, o movimento de dar a palavra aos países e ONU. Por que os países queriam tanto falar sobre os efeitos da colonização?

A minha fala foi tranquila. Não tremi a voz, consegui desprender os olhos do texto por vezes e Marcos Terena até elogiou o meu progresso. Não pense que só eu tremi a voz: pra maioria dos povos indígenas, aqueles 3 minutos eram a chance de denunciar as desgraças sofridas. Não era só a voz que tremia: o corpo todo tremia.

Eu já tinha me acostumado com a Ucrânia reclamando da Rússia e vice versa. A Chair se sentiu obrigada a lembrar que o tema era povos indígenas, mas os ucranianos todos eram tartar da Crimeia, então o problema era a Federação Russa mesmo. Era comum que países falassem contra seus povos indígenas e vice versa (Austrália, Equador, Bolívia, Canadá,  Sibéria, Latvia) e que as (ex-)colônias falassem contra seus colonizadores (West Papua e Indonesia chamou mais atenção).

Fiquei impactada com a fala dos asiáticos dizendo que havia formas colonização interna anteriores à colonização, com a fala dos indianos dizendo que na Índia todos são indígenas (tipo quem é contra cotas pra negros e indígenas argumentando que não precisa de cotas: somos todos humanos), do Egito dizendo o mesmo e que não existe perseguição religiosa no país. A delegação da Tanzânia fez o movimento contrário, negando que haja povos indígenas em seu país (mas por que então a delegação estava presente no Fórum Permanente de Questões Indígenas?). Uma delegada do Reino da Dinamarca falou pela independência da Groelândia e um delegado dos Estados Unidos criticou a China em relação ao Tibet  - ninguém entendeu.
Marcos Terena coordenando

Fui no evento paralelo sobre jogos indígenas mundiais e depois no evento paralelo sobre corredores de proteção a indígenas isolados na fronteira Brasil - Peru em que reconheci Toya e Bushe Matis. 

De volta à plenária do Fórum, acompanhei a última hora. Não fiz mais questão de anotar, de ouvir as falas traduzidas na concha que a gente põe no ouvido, tava só acompanhando mesmo. Reparei que só as organizações indígenas  falavam. Os países e instituições da ONU devem ter ficado contentes de terem tido sua chance de falar na parte da manhã, por que a sala estava consideravelmente mais vazia. A poucos minutos do final, um membro do Fórum (pra quem o tempo de fala não conta) pediu a palavra e fez um resumo da semana toda. Quando pensávamos que a Chair ia declarar a sessão por encerrada, ela concedeu a palavra pra China. Que, em 3 minutos e com a voz tremendo de raiva, criticou duramente os EUA. Foi a chave de ouro.


quinta-feira, 24 de abril de 2025

Diálogo sobre desenvolvimento

O movimento indígena sempre se chocou com o governo (tanto de direita como de esquerda, porque o governo é uma máquina burocrática lenta e pesada). Quem compõe a ONU são os Estados membros. O Fórum Permanente de Questões Indígenas tentou intercalar falas de movimentos/organizações/associações indígenas com falas de representantes de governo dos países. Cada um tinha 3 minutos de fala e os movimentos não sabiam quando seriam convocados a falar. A Elaine conseguia uma lista de países, daí dava pra calcular quando seria a minha vez.

No segundo dia, um representante de movimento disse: vocês estão percebendo que os indígenas estão apontando problemas e os Estados estão dizendo que não há problemas, que está tudo bem? Que sentido faz intercalar falas de 3 minutos completamente desconexas? A resposta foi que essa dinâmica do Fórum proporciona o diálogo.

No terceiro dia, o tema geral era acesso de indígenas a financiamento - que foi quebrado em dois blocos: na parte da manhã, o debate era sobre mineração responsável e o debate da tarde era sobre financiamento. Muitos alertas acenderam: grande número de indígenas dizendo que não eram contra o desenvolvimento; o fato de se aventar a mineração como fonte de renda para indígenas; o fato de somente um dos 6 painelistas (membros da equipe organizadora do Fórum) falar contra a mineração; e a insistência em dizer que os indígenas podem não consentir. (O que é estupro, senão uma relação sem consentimento? Se a mulher pode dizer NÃO,  por que os estupros acontecem?)

Observei que todos os movimentos/associações e organizações indígenas listaram mazelas da mineração: perda do território, contaminação da água e dos rios (peixes), violência armada, dinheiro pra dividir as pessoas, doenças, suicídios. Os Estados, em contrapartida, faziam discursos de 3 minutos sobre financiamento no geral. 

A minha voz tremeu de novo, mas dessa vez consegui dizer tudo:

Thank you, Chair.

The greatest biodiversity there is on this Planet breathes on indigenous territories. This biodiversity thrives now thanks to the guardians of biomes who do not extract from the environment more than they need. Mining in rivers or the land destroys a fine tuned balance of whole ecosystems. Shifting from fossil fuels to minerals for batteries maintains the patterns of predatory exploitation of finite resources. Our consuming model and views on development and progress must change because they mean disaster for indigenous peoples. We have no legislation supporting mining in indigenous territories.

The Ministry of Indigenous Peoples has already performed 8 disintrusion operations. Environmental criminals of all kind have been expelled with the aid of Police forces from Yanomami, Munduruku, Arariboia, Apyterewa, Karipuna, Alto Rio Guamá, Trincheira Bacajá and Kaiapó territories. Expelling invaders is not enough, because they return. And they return because the borders of demarcated indigenous territories are not protected. A permanent protection of indigenous territories is costly and unfortunately depends on the political situation the country is going through. Because companies make such enormous pressure on the state and our justice system, we need to strengthen international cooperation to protect indigenous territories.

Brazil has registered 114 isolated peoples in the Amazon biome. Since the late 80’s, the contact policy has changed in order to avoid genocide through our viruses and illnesses. There are now 6 indigenous territories demarcated exclusively for isolated peoples: Tanaru, Massaco, Piripkura, Igarapé Taboca do Alto Tarauacá, Hi-Merimã and Pirititi, but most of the isolated peoples live on other peoples’ demarcated territories. Safeguarding policies don't protect indigenous rights from the "national interests" that always seek for exceptions.

Avisei pro meu chefe que a minha fala foi a única fala de Estado contra a mineração, o desenvolvimento e o progresso. Ele me deu os parabéns. 

Depois que acabou, fui na Missão Permanente do Brasil em NY. Havia lá um grupo sortido de lideranças munduruku, mŷky e wajampi com o CIMI, um antropólogo da USP e eu na mesa com o Embaixador. Me tocou quando o parente do Amapá disse: o que que eles ainda não entenderam? A Constituição diz que os povos indígenas são soberanos em suas terras. Como pode o STF abrir mesa de conciliação se os nossos direitos são inegociáveis? Será que eles não dormem direito? Por que não entendem? Nessa fala, eu ouço um eco: não foi consentido.

terça-feira, 22 de abril de 2025

Dinâmica de falas

Só tinha um lugar com microfone onde estava escrito Brazil. Perguntei pra Elaine se esse lugar era do Embaixador e ela respondeu que daqui pra frente é comigo.

Eu tinha preparado uma fala com Nayra, achava que era curta, mas como só tenho bloco de notas aqui, não tinha ideia de quantas palavras eram. Eu sabia que na primeira parte da manhã a pauta ainda era a mesma de ontem. Fiquei pra entender a dinâmica, apesar de ter sido convidada pelo pessoal da Harmony with Nature and Living Well. 

Percebi como as falas de governo divergiam das falas de organizações de povos indígenas e achei incrível observar como colônias e colonizados disputavam a verdade e lei. Todo mundo tinha 3 minutos de fala, exceto as pessoas do Fórum, que não tinham tempo estabelecido. Essas pessoas também podiam pedir a fala pra criticar/enfatizar falas anteriores. Aí entrou o tema sobre o qual eu falaria. Elaine foi lá descobrir qual era a ordem de oradores e disse que éramos o 18 lugar. Chile, Suriname, depois você.

Comecei a anotar. Colômbia foi chamada umas três vezes, a mesma chilena falou duas vezes (uma pela associação,  outra pelo governo), o número de associações intercaladas entre os países variava. Deu a hora do almoço e paramos pra retomar de tarde.

Elaine calculou que minha fala ficaria mais pro final. Quando chegou a minha vez, a voz tremeu e não consegui dizer tudo antes de desligarem o microfone. Mas o efeito foi que vieram até mim. Pra falar dos pataxó, pra convidar pra side events, pra pedir que eu enviasse a fala por email.

Em busca do passe sagrado

Cheguei por volta de 5h da manhã no aeroporto de JFK. Eu confiava que minha mala teria sido despachada direto de BSB porque havia dois voos (BSB - GRU e GRU - JFK) no comprovante de bagagem. A nossa fila de imigração para estrangeiros era bem menor que a fila de residentes, mas as duas acabaram juntas. Minha mala estava em pé, fora da esteira, de tanto que o processo demorou. 

Ainda no avião em BSB, eu tinha mudado o meu plano de celular pra ter roaming nas Américas. Reiniciei o celular em NY e o Uber apareceu em inglês.  Dava mais de 100 dólares a corrida pro hotel. Entrei na fila dos táxis amarelos porque tinha preço fixo pra Manhattan: 70 dólares. Entrei no taxi e fomos passando vagarosamente por diversos canteiros de obra... Quando chegamos no hotel depois de mais de hora, o taxímetro já marcava mais de 83 dólares. Enfiei o meu cartão e não aconteceu nada. O motorista disse que eu tinha que escolher no outro painel que dava opção de quanto de gorjeta que eu queria pagar. 20%, 25% ou mais. Fiquei com vergonha de dizer que eu não queria pagar gorjeta e nem achei a opção de não pagar. O meu cartão de crédito informa que a corrida custou mais de 600 reais. 

O hotel só disponibilizava quarto a partir das 15h. O recepcionista poderia guardar as minhas malas. Pedi banheiro e ele me deu um cartão que me dava acesso a uma porta com escadas. Os meus planos de trocar de roupa ficaram dentro da mala.

Fui caminhando até a sede da ONU e perguntei onde era o ID office. Me mandaram pro centro de visitantes e entendi que lá era pra turistas. Vi os indígenas de outras nações e perguntei pelo ID office. Encontrei. Eu não tinha recebido o e-mail de confirmação do credenciamento e aqui as contas gov.br não funcionam. 

A moça procurou pelo meu nome e descobriu que o meu pass já tinha sido coletado na semana anterior e que eu precisava entrar em contato com a minha missão. Chegou mensagem da Elaine dizendo que o meu badge tava na missão permanente do Brasil em NY. Deu localização no Maps e lá fui eu. Quando o meu ponto azul no mapa coincidiu com o marcador vermelho, tocou o telefone. Perguntei se a missão ficava no prédio 747. Sim, suba ao nono andar. Subi e um moço mega tímido de mãos geladas me entregou o meu crachá. 
Voltei nas Nações Unidas entendendo que eu sou advisor mesmo e que o que eles olham é o D vermelho de delegada.
Sentei onde estava escrito Brazil e conversei com quem falava português. O Embaixador da Missão Permanente sentou no microfone, ao meu lado, e Elaine sentou atrás de nós. Essa é a delegação brasileira: quem já está aqui y yo. Elaine foi muito legal comigo: me mostrou onde tem restaurante por kilo acessível dentro e fora da ONU e me deu a dimensão do que se espera do MPI.

Preparação pro Fórum Permanente de Questões Indígenas

Meu chefe me perguntou ainda em março como estava a minha disponibilidade pra viajar pra New York no fim de abril. Luis tinha planos de tirar licença capacitação em Buenos Aires, tinha que coordenar mesmo as datas. Uma vez que Luis deu ok, começou a corrida pelo passaporte oficial. Depois que ele chegou, fui com a Fran algumas vezes na Embaixada dos EUA pra pegar o visto. Reservei o hotel mais perto das Nações Unidas e mais barato, ainda assim mais caro da minha vida (5 dias dava quase todo o meu salário). Daí começou a corrida pelo credenciamento de todos os participantes. Como o Fórum dura 2 semanas (21 abr até 02 mai), e como as altas autoridades estavam mais requisitadas no final, só duas assessoras (Nayra e eu) iriam na primeira semana e a Ministra iria na segunda semana com quem sempre acompanha ela. Pra credenciar, tinha que mandar foto do passaporte aberto e foto com fundo branco, tipo 3x4. O pessoal de imprensa tinha que dar endereço e lista completa de equipamentos. Advisor era uma palavra muito genérica e não era aceita, precisavam de mais detalhes. A cada 5 que eu cadastrava, dois voltavam. Meu chefe me mandava contatos de gente de outros ministérios pra eu cadastrar. Enquanto isso, corríamos pra pedir visto pra uma assessora da Ministra. As nossas autorizações de viagem precisavam ser assinadas pelo regente máximo da instituição e nossas portarias de afastamento do país precisavam ser publicadas no Diário Oficial. 

Era uma semana com feriado, as assinaturas precisaram ser negociadas. Quando finalmente enviei a portaria de afastamento pra publicação, a pessoa da gestão de pessoas pediu pra corrigir. Assessora técnica é um cargo. Lou, o MPI não te paga, você não tem função aqui, você é professora. Entrei em crise. Eu não dou aula, faço pesquisa ou extensão no MPI. Como professora, eu nem poderia participar desse Fórum em NY. Como assino os meus despachos daqui pra frente? Sem função. Assinar como professora é desvio de função. O trabalho que eu desempenho - batendo ponto ainda por cima! - é administrativo, não é de professor. O que eu faria em NY era justamente assessorar a Nayra que precisa de tradução. Mudei a portaria pra Professora do Magistério Superior requisitada em exercício no Ministério dos Povos Indígenas e consegui a assinatura. As diárias estavam vinculadas à publicação no Diário Oficial e só cairiam na metade da viagem, por causa dos feriados bancários.

Na noite seguinte à publicação do afastamento, o meu chefe mandou mensagem. O visto da Nayra tinha expirado. Lou, você vai sozinha. Eu não sou indígena. Ficamos combinados de construir as minhas falas conjuntamente.

quarta-feira, 16 de abril de 2025

9 anos

 Minha menina completou 9 anos de vida hoje. Viva Agnes!


quarta-feira, 9 de abril de 2025

Arianos

Hoje a Assessoria Internacional comemorou o aniversário do Chico, nosso chefe.

Do meu lado esquerdo: Adriana (consultora), do lado direito: Chico; segurando as plaquinhas com a campanha "Meu chefe, minha vida": Pedro (estagiário) e Nayra Kaxuyana (assessora técnica). Do lado da Nay: Fran (secretária); do lado do Pedro: Maria Gavião (consultora) e por último: João Urt, cujo lugar estou ocupando na ASSINT, mas que se sente em casa com o Chico.

O meu aniversário caiu no domingo e foi comemorado no WhatsApp.

sábado, 5 de abril de 2025

Coincidências

Altaci e eu recebemos a Embaixada da Nova Zelândia e um representante de além-mar que fala maori. Como eles têm uns 40 anos de experiência de revitalização da língua maori, eles meio que exportam algumas técnicas, como por exemplo o ninho de línguas, que foi adotado, no Brasil, pelos kaingang e pelos kokama. 

Eu fiquei surpresa ao ouvir do Edron que, apesar dos esforços, pouca gente na Nova Zelândia é monolíngue em maori. Ele mesmo tem inglês e francês como línguas maternas e aprendeu maori quando tinha seus 30 anos de idade. Altaci, que saiu da aldeia aos 10 anos de idade, entendeu bem o que é revitalizar uma língua que é do seu povo, mas que ficou adormecida nos indivíduos da geração dela. São as crianças que estão falando kokama agora, no ninho de línguas em Manaus.

Em maori, língua ancestral é considerada alimento e quem trabalha com a língua tem as mãos quentes.

A Embaixada da Nova Zelândia tinha financiado esse projeto de revitalização do kokama, então Altaci contou o que foi feito, que resultados trouxe e que desafios estão pela frente. Ela dizia que as crianças estão aprendendo kokama aos 8 anos de idade, mas é preciso que eles continuem falando a língua quando tiverem 18 anos. Em inglês - e com tradução - veio o paralelo: mesmo a escola maori sendo exclusivamente em maori, o desafio é o mesmo, porque é difícil, por exemplo, dar aula de química, física, biologia em maori. A língua ainda não está em todo lugar: a ciência não é produzida em maori.

Daí Altaci contou que tiveram, como parte do projeto de revitalização, encontros com os parentes do Peru (kokama é língua do povo kokama/kukama no Brasil, Peru e Colômbia) para lembrar alguns ikarus. Pedi que ela explicasse esse lance de ikaru, que é o canto de preparação para diferentes atividades. Edron entendeu isso perfeitamente, porque em maori também há cantos que exercem essa função. Altaci contou que no Peru os mais velhos é que autorizavam alguns ikarus específicos, o que foi um choque para os kokama brasileiros que procuram lembrar e compartilhar tudo relativo à língua. Edron contou que alguns cantos maori eram cantados por pessoas específicas.

Altaci contou de um ikaru funerário que os kokama peruanos não conheciam e anunciou: vou cantar pra vocês. E cantou. É assim que se chora os mortos em kokama. Edron agradeceu e disse que o canto funerário maori só é conhecido das mulheres. E cantou um outro canto, sobre a chuva lavar os medos e incertezas e trazer calma.

Edron olhava pra Altaci e se surpreendia como ela era parecida com uma prima dele. Ela foi contando que vem de duas linhagens: kokama e ticuna. Da parte da mãe, todos os ticuna já são misturados. Da parte de pai, o clã kokama é dos que sonham. Sonham o futuro? Perguntou Edron. Também, respondeu Altaci - que já me contou sonhos intrigantes.