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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Jardim botânico

A UFSM tem um Jardim Botânico em seu terreno. Infelizmente ele está abandonado (as hortas estão com mato tão alto, que às vezes não dá pra identificar no canteiro a planta medicinal anunciada na placa). Muitas coisas nesta universidade são geridas por bolsistas. E ali no jardim botânico eles estão em falta.
Joaninha
Assim que chegamos, fomos saudados por essa gatinha. Conforme andávamos, ela nos acompanhava - miando e saltando de sombra em sombra. Nas partes de grama expostas ao sol, ela corria que dava gosto de ver. Fiquei com muita saudade de Akari e Mustafá ao brincar com essa gatinha carente.
 Muitas plantas são de clima temperado, como por exemplo esse carvalho:
 Na estufa tinha algumas preciosidades:
 Margeando a cerca, o cactário:
 E uma coleção de bambus pra fechar a visita.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Última chance

Oficialmente a UNIR aderiu à greve nacional dos docentes federais, mas isso não significa que todos os professores tenham paralisado suas atividades docentes. Alguns professores que estão em greve (e integram o comando de greve), estão agora impedindo a entrada das pessoas no Campus. Claro que há buracos na cerca da UNIR, afinal estamos em Rondônia. Comparando as duas greves, acho estranho que essa tentativa de inibir os fura-greve não tenha acontecido na greve passada, que foi contra a corrupção na UNIR e tinha um caráter moral. Agora, o comando de greve conta com aqueles que nos perseguiram na greve anterior. Os pelegos de antes são os revolucionários que agora trancam o Campus. 

Os técnicos da UNIR, últimos a aderir à greve dos docentes, anunciaram que entrarão em greve na terça (no site há nota informando que será no dia 06, sexta). De qualquer maneira, a viagem a campo da disciplina Botânica IV, ministrada pelo prof. Narcísio, não poderia acontecer no sábado, dia 07, quando os técnicos estiverem em greve; porque é preciso que um funcionário (motorista) da UNIR conduza o ônibus da universidade. A aula de campo foi agendada para segunda-feira (ontem). Com o Campus fechado pelo comando de greve, haveria duas complicações: tirar o material de coleta (sacos, tesouras, podão) e o ônibus do Campus.   

Quando cheguei na Unir-Centro às 7:30, o ônibus estava lá. Feliz, mandei mensagem tranquilizadora ao Narcísio. O motorista que havia nos levado na quarta passada passou por mim, me cumprimentou, entrou no ônibus e foi-se embora. Imaginei que ele tinha ido abastecer, mas não voltou mais. Narcísio conseguiu o telefone do motorista e perguntou o que estava acontecendo. O motorista não tinha sido convocado para nos levar e estava devolvendo o ônibus ao Campus. Narcísio ligou para o superior do motorista, que deveria ter reservado o ônibus. "Sinto muito, desculpa, perdão, vou resolver." Já havia passado das 9h e estávamos cansados de ver o Narcísio tentando ligar para o motorista ou o seu superior. Desmotivado, Narcísio dispensou a turma. Descemos todos rumo ao ponto de ônibus. O telefone toca no meio do caminho. "Daqui a 15 minutos outro motorista vai levar vocês."

Mas ainda faltava buscar o material no Campus. Narcísio e eu passamos pelo buraco na cerca, pelo comando de greve e voltamos com o material de coleta. Uma das manifestantes entrou no ônibus também e seguimos em direção a Guajará-Mirim.
Na estrada que vai pro garimpo
Depois de almoçarmos enfileirados num tronco caído, entramos na floresta ombrófila aberta. A abundância de palmeiras frutíferas (açaí e buriti) e o fato da mata não ser densa indica manejo. Manejo provavelmente indígena. Isso vai ao encontro do que já escutei da Cynthia e de um título que vi no Lattes da orientadora intelectual da Cynthia: essa terra foi plantada. Em outras palavras: o que é natural, cara pálida?
Unha de gato

Buriti

Sementinhas de uma trepadeira

Narcísio me chamou atenção para uma obviedade: nas beiras de mata se vê exponencialmente muito mais flores que no meio da mata. Isso tem dois motivos: não vemos as flores nas copas das árvores altas; onde não há luz, não há flor.
Líquen cérebro
Esse líquen, cuja formação lembra o desenho de um cérebro (com uma forcinha da imaginação), é indicador e característico de campina. Quem tiver dúvida se está no cerrado (por causa das árvores retorcidas), na campina ou campinarana (onde as árvores também são retorcidas, mas mais altas e onde o solo é arenoso), saberá que está na campina quando encontrar esse cérebro.

Família: Melastomataceae, gênero Tibouchina 

Ninho de beija-flor, segundo algumas alunas
Narcísio confessou a inveja que sentiu da comoção geral que causou esse ninho. Nenhum aluno suspira quando vê uma monocotiledónea ou marantaceae, mas todos rejubilaram ao ver o ninho com ovo.
Mosca do Mal
Esse inseto que parece uma mosca - mas provavelmente não é - tem uma ferroada do tipo que derruba cavalo. Uma guria foi picada no dedo que inchou pra caramba. Mais de um desses insetos foram coletados dentro do ônibus.
Rubiaceae, família do café
Para memorizar o nome da família Rubiaceae, uma das alunas fez associação com a professora Rubiani, que bebe bastante café. Peguei carona na associação.
Liana

Narcísio no alagado
Quando já estávamos no ônibus, voltando para a cidade, Narcísio pediu pra descer. Queria coletar uma ninféia. Com as galochas cheias de água, desistiu da ninféia, coletou outra coisa e quase teve um treco. Encontrou a planta misteriosa que estudou no mestrado e que continua lhe tirando o sono. Nunca viu seus frutos, nem sabe quem poleniza a flor. Agora que coletou muitas amostras (inclusive com raízes), terá a chance de aprofundar seus estudos. Espremia as meias encharcadas feliz como uma criança que ganhou a primeira bicicleta no Natal: tinha encontrado seu objeto de estudo ao vivo e em cores.
Pera
Na altura de Nova Mutum, o caminhão - que havíamos visto tombado na beira da estrada na ida - estava sendo retirado do barranco. A operação causou um mega congestionamento, que nos atrasou em mais ou menos uma hora. Enfim, sofremos com atrasos na saída e na volta, mas valeu a última viagem a campo. No meu cérebro, alguns nomes finalmente decantaram; no do Narcísio, tantas outras se revolveram.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Última aula de campo de fitogeografia

FloNa
Quando cheguei na Unir Centro, pontualmente às 7:30 da manhã, só havia lá o motorista. Desconfiada, liguei pro Narcísio, confirmando a viagem. Aos poucos, as pessoas foram chegando. Dessa vez, partimos em direção a Ariquemes (sudeste). A primeira viagem, em direção a Humaitá, tinha sido no rumo norte (para ver manchas de cerrado) e a segunda foi em direção a Guajará-Mirim (sudoeste, para ver campinas e campinaranas).
A FloNa é uma unidade de conservação enorme em que três empresas exploram minério. Outras empresas trabalham na recuperação de áreas degradadas.
Na trilha para a Pedra Grande
Um brigadista abria a trilha, outro a fechava. Assim controlavam o grupo em dois sentidos: cuidavam para que ninguém se desviasse da trilha e para que nenhum taxonomista (Narcísio) coletasse plantas. Essa parte da proibição de coleta foi a mais penosa para o Narcísio, porque ele encontrou uma espécie de bromélia (com flor!) que uma colega dele do Rio de Janeiro estava pesquisando e somente identificou no Pacaás.
Pedra Grande
Na Pedra Grande, novamente pudemos confirmar como o solo determina (limitando) a vegetação. Vimos na formação rochosa plantas recorrentes no cerrado amazônico, como por exemplo essa (Ficus Devendus o nome) da flor amarela e a Pseudobombax (que nome da hora!), que eu não lembro de ter visto nunca.
Muito recorrente: flor do cerrado

Pseudobombax
Nessas formações rochosas, havia várias ilhas de orquídeas, que proliferavam em fendas que acumulam água e nutrientes.

Orquídea nas fendas da rocha
Caminhando pela trilha na floresta ombrófila aberta com palmeiras, reparamos que o solo era arenoso pacas. A floresta é "aberta" porque as copas das árvores não se tocam: há luz entrando na floresta.
Castanheira
Caminhando na floresta, observamos a trilha (pra não tropeçar em raízes), os troncos das árvores e o que caiu delas (frutinhas, sementes, flores, folhas). Por essas pistas, os professores da disciplina (Laffayete e Narcísio) determinaram que a árvore na foto acima é uma castanheira.
Ombrófila aberta com palmeiras (babaçu)
Quando visitamos uma floresta de transição, duas semanas atrás, também estávamos numa ombrófila aberta com palmeiras, mas as palmeiras de lá eram predominantemente de açaí. Aqui predominava o babaçu. Nas florestas, a disputa é pela luz. Quando abre uma clareira (porque uma árvore caiu, por exemplo), é hora de ocupar esse lugar. As plantas da floresta têm duas estratégias básicas para ocupar esse lugar ao sol: banco de sementes e crescimento veloz. O babaçu, por exemplo, tem sementes muito bem protegidas contra água, que podem esperar pra germinar por 40 anos. Outras árvores fazem suas sementes germinar logo, mas o tamanho das árvores é médio. Elas ficam meio que em standby. Quando abre a clareira, elas disparam e atingem a altura das copas das outras em um prazo relativamente curto.
Curcubitaceae
Sentirei saudades dessas aulas no meio do mato, ó?

Nossos caminhos na FloNa. Na foto acima, estamos numa área de recuperação. O trabalho de recuperação consiste em plantação de espécies robustas, adubagem química, plantação de outras espécies e mais adubagem. Esta região de recuperação depois da mineração nos foi apresentada como região prototípica. Já há plantas que germinaram espontaneamente (sementes trazidas por animais) e todas parecem bem alimentadas. Os trabalhos começaram 15 anos atrás e as árvores não são de grande porte. Voltar ao original é impossível.
Passiflora
E pra encerrar, mais um lindo maracujá. Desconfio que este seja diferente daquele que vimos na aula anterior.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Outra ida a campo


Ontem teve outra aula de campo da disciplina de Fitogeografia. Havia bem menos alunos dessa vez, o que me espantou, já que as aulas de campo me soam mil vezes mais atraentes que as aulas em sala de aula. Na aula de campo passada, tínhamos visto manchas de cerrado na floresta amazônica. Dessa vez vimos campinas, campinaranas (falsas campinas), floresta de transição e floresta.
Achei a flor parecida com uma orquídea
A Ruisterana nos acompanhou em todos os biomas, sempre com portes diferentes: alta na beira de estrada e na floresta, quase um arbusto na campina.
O caule estava seco, as folhas caídas. Nas pontas, apenas algumas flores.
Nosso caminho nos levou em direção a Guajará-Mirim, sempre margeando o Rio Madeira. Passamos, assim, pelas duas usinas hidrelétricas no Rio Madeira. Isso significa, também, que praticamente toda a paisagem ao longo da estrada está condenada a ser alagada. Havia obras em todo o trecho, subindo o nível da estrada.
Trilho da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
As campinas são formadas em antigos leitos de rio. O curso do Rio Madeira tem mudado ao longo dos anos, até encostar na serra. Por onde passou, deixou manchas de campinas e campinaranas.
Bicho geográfico?
A floresta amazônica, então, não é uma floresta homogênea, mas um mosaico de biomas, em que ocorrem, dentre outras formações vegetacionais, cerrados, campinas, campinaranas, mata aberta e mata fechada.
Inseto zoiudo
Tanto o solo do cerrado quanto o da campina são arenosos, mas somente o cerrado tem solo argiloso, o que impede a drenagem da água. Com a água empoçada, há baixos teores de oxigênio no solo. Na campina, a drenagem da água é alta, porque o solo é composto por areia (branca), sem argila. A vegetação da campina é mais densa que a do cerrado, apesar dos indivíduos serem recorrentes nos dois biomas.

Tronco retorcido

Maracujá nativo: Passiflora Araujoi
Eu vi a flor vermelha de relance pela janela do ônibus. Quando Narcísio pediu pro motorista parar, desci junto pra ver aquela flor grande. Era uma passiflora linda, com frutos que pareciam mini-melancias.

Sol que morde a cara da gente, ar condicionado no ônibus, a umidade da mata e a falta de movimento ao ouvir explicações foram um pouco torturantes, mas as piadas, as risadas e a maravilha que é a natureza compensaram o desconforto causado pelo calor.
Jardim de formigas
A diversidade de cada um desses biomas é relativamente baixa, mas sempre aparecem pequenos tesouros, como por exemplo esse jardim de formigas, característico das campinas. As formigas se instalaram num tronco arbóreo e outras plantas (nesse caso, uma suculenta e uma bromélia) se instalaram em cima do formigueiro para formar essa simbiose.
Tirei foto desses coquinhos de palmeira espinhenta e não chamei a atenção de ninguém para a existência da planta. Quando Narcísio viu as minhas fotos, brigou comigo, porque ele queria ter coletado esse exemplar. 
Mata de transição
Muitas palmeiras e pseudo-bananeiras caracterizam a mata de transição. Sabemos que estamos na floresta e não mais na campina ou campinarana ao observarmos o solo, que é fofo. As folhas em decomposição formam um tapete orgânico.
Todos nós: bem menos que da outra vez
Ironicamente, vejo pela janela de casa que estão recapeando o asfalto (recapeando do lado de lá, asfaltando do lado de cá o que a chuva lavou) da rua no momento em que escrevo sobre o mosaico amazônico e mostro imagens de estrada de terra.
Coleta
Quando estávamos prestes a entrar numa campinarana, Narcísio avistou a flor de uma hemiepífita (as folhas se instalam no tronco hospedeiro, as raízes estão no solo) lá no alto (que nem aparece na foto). Ninguém se habilitou a subir na árvore e trazer a flor e folha, então Narcísio subiu. Com o podão (espécie de tesoura de poda na ponta da haste que Lafayette está passando pro Narcísio), conseguiu coletar o que parece ser uma nova espécie.

P.S.: Obrigada pelas correções e especificações, Narcísio!

P.S.2: No caminho, passamos por uma cidade-fantasma: Mutum-Paraná. A não ser pelos caminhos e os pés de jambo, manga, banana e bambu, sumiu tudo. Não há sinais, fora esses, de que ali, na beira da BR, existiu uma cidade. Muito louco, o poder das usinas e do progresso em nome do qual elas vieram...

terça-feira, 5 de junho de 2012

3°C

Gramado: 3°C às 9h

Vale do Quilombo

Pé de plátano

Mimosen, Mama!

Outono com ares (temperaturas) de inverno

As outras duas eu comi.