Eu estava comparando o texto do conto How to talk to girls at parties do Neil Gaiman com a adaptação para os quadrinhos dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá. Olhava os diálogos no conto e procurava o mesmo texto (traduzido) nos balões de fala. Agnes se interessou pelos quadrinhos e pela curiosidade dos garotos em relação às garotas: eles precisam aprender a falar com garotas?
Reparei que a sequência não era bem linear e apontei que a fala "São só garotas, não são de outro planeta!" não estava nos quadrinhos. Agnes levou a HQ embora e voltou depois de um tempo: "Achei! Tá aqui a fala 'Elas não vêm de outro planeta!', tava na outra página."
Achei legal a atitude dela de ler sozinha, mas como eu não lembrava do conteúdo, fiquei um pouco receosa: olha, Agnes, esses garotos não são da sua idade. Acho que essa história ainda não é pra você.
De noite teve a briga de sempre pra escovar dentes, botar pijama etc. e declarei que eu só leria com ela depois que tivesse escovado os dentes e colocado pijama. Ouvi Agnes lendo em voz alta no quarto dela. Decodificava as letras pronunciando tudo como está no alfabeto, depois lia tudo de novo, com os sons encaixados nas palavras. Essa segunda leitura combinava melhor com as imagens nos quadrinhos. Foi avançando na leitura, até que "MÃE! (pausa) es- (pausa) MÃE! est- MÃE! estrangeiro". Achei legal que ela tenha conseguido ler sozinha a palavra grande que causava dificuldade. Ela veio ao meu quarto depois, pra resolver a dúvida quanto à pronúncia do W.
Ler livros proibidos é bem mais legal que ler os livros da escola, né...