É a segunda vez que "acaba um medicamento que Harro toma" que eu nunca fiquei sabendo que tomava. Na primeira vez, foi o Memantina, indicado para Alzheimer. De repente fui informada que acabou o Memantina. Harro não tinha diagnóstico de Alzheimer na época, nem receita pra tomar remédio para Alzheimer.
Fiz com que ele fosse submetido a exames; e um enrugamento do cérebro, característico da senilidade, "comprovou" que ele tem Alzheimer. O neurologista que atestou que Harro tem Alzheimer receitou dois remédios pra Alzheimer. E não são baratos e deixam a pessoa "mais tratável" - pra não dizer meio dopada.
Insisti que ele tomasse apenas o Memantina.
Agora acabou o Carbamazepina - que eu nem sabia que ele tomava. Para os ossos, a enfermeira-chefe disse. Olhei no Google e vi que se trata de mais um neurotrópico, indicado para crises de abstinência alcoólica, epilepsia, transtorno bipolar etc. Perguntei se era isso mesmo, e a resposta foi que ele sempre tomou esse medicamento, desde que entrou no asilo, por causa da herpes que ele teve. Meu pai teve herpes? O médico foi chamado por whatsapp e foi feita uma lista de remédios que poderiam ser tomados para aliviar a dor.
Ossos, herpes, dor. Mais um medicamento cujo efeito colateral mais comum é sonolência e que Harro toma desde sempre, mas eu não sabia. Fico sabendo quando acaba no posto e tem que comprar. Outra hipótese é que muitos medicamentos sejam comprados/buscados no posto para todos os idosos do asilo em pacote. Isso explicaria como Harro tomou Memantina e Carbamazepina sem receita por dois anos.
Eu sei que os médicos ganham comissão pelos medicamentos que receitam. Nesse sentido, trabalhar para um asilo deve dar muito dinheiro. Não só pelos medicamentos para Alzheimer, mas todos os outros, de pressão a depressão.