quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Férias em casa

Quando os números de casos de contaminação e morte por covid começaram a cair, compramos passagens aéreas. Voo direto, curto e reto. Tanto a ida como a volta. Passamos uma semana imaginando a praia, os locais de hospedagem, o contingente de pessoas na cidade e reservando hotel e pousada. Reservei carro, para que não tivéssemos que nos misturar. 

O arrependimento começou a aparecer duas semanas depois: faz sentido? É seguro? Fui no site da empresa aérea para verificar a possibilidade de cancelamento. Não segui o procedimento até o fim, parei quando veio a mensagem de que, "em caso de cancelamento, os valores serão mantidos". Não fiquei sabendo se o valor do reembolso seria o mesmo que o valor pago ou se o valor pago ficaria como crédito. 

Oscilávamos entre a alegria de viajar e o medo de tudo dar errado. 

Os números de casos e mortes voltaram a subir e decidimos cancelar a viagem. Pelo site, me era cobrada uma taxa considerável de cancelamento. Pelo telefone, eu ouvia uma gravação dizendo que a viagem ainda não estava tão próxima e que, quando faltassem menos de 45 dias, eles me atenderiam - tu-tu-tu-tu.

Já ouvi dizer em algum lugar que ariano sofre muito quando não consegue resolver as coisas no tempo em que acha que deve. Fiquei cozinhando enquanto o tempo passava. Quando faltavam 44 dias para a viagem, a mesma voz da gravação me informou que me atenderiam quando faltassem menos de 30 dias - tu-tu-tu-tu. Paciência é uma virtude. Agnes aceitou bem a nossa decisão de cancelar a praia, tão desejada praia.

Antes de chegar o grande dia do cancelamento da passagem, a empresa alterou o horário das nossas passagens. Isso nos dava o direito de reembolso total ou crédito sem taxa, já que a alteração tinha sido feita pela empresa. Recebi email (muitos, em diversos endereços), sms e até whatsapp informando o novo horário. Clique aqui para aceitar. Aceitar a alteração era fácil, difícil era cancelar a passagem.

Consegui cancelar as passagens com tranquilidade e agilidade aos 29 dias da viagem (pelo telefone), o valor pago ficou como crédito e os pontos (milhas) gastos voltaram para a conta. Luis cancelou (com reviravoltas semelhantes) as hospedagens, eu cancelei o carro e começaram as férias - como se não estivessem nem aí pra nós. A chuva chove lá fora, o trabalho continua aqui dentro e a televisão nos invade com notícias tristes.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Bacaba

Luis e Jairo entraram na trilha e nós ficamos com as galinhas. Agnes brincou muito com os pintinhos, até esbarrar num galho do poleiro. Só mesmo um machucado pra tirar essa menina de dentro do galinheiro. Andamos até a casa do Jairo. Apareceu Rompe-Mato e Agnes entendeu, pelas cascas espalhadas no chão, que ele gostava de amendoim. Aprendeu a descascar amendoim e divertiu o filhote de cachorro.

Eu me cansei de esperar pelos dois e decidi entrar na trilha com a menina. Antes do brejo, já ouvimos as vozes deles. Jairo tinha espreitado umas bacabas e queria voltar lá pra colher açaí. Por enquanto, tinha colhido bacaba, o Nescau amazônico.


Foto: Luis

Mostre-me tuas raízes

 e te direi quem és.

Pupunha
Pupunha

Açaí

Buriti.

Instrumentos e ferramentas

Tem vezes que não consigo abrir o vidro (de geleia, azeitona, o que for). Faço força, às vezes sai um grito, mas a tampa não gira. Olga me ensinou um truque: virar o vidro de ponta-cabeça e dar umas batidas.  Às vezes isso é suficiente, mas às vezes é preciso apelar para outras estratégias. Que eu saiba, ainda não inventaram uma ferramenta que abre tampas de vidro. Mas eu posso usar uma ponta de faca, por exemplo, pra liberar o vácuo. A faca não foi projetada para abrir tampas de vidro, mas quebra o galho. Taí um instrumento: qualquer objeto que resolve o seu problema, sem ter sido desenvolvido especificamente para este fim. Acho que é por isso que Rudi Keller nega que as línguas sejam instrumentos de comunicação: porque ele acredita que as línguas sejam resultado da nossa comunicação. Não usamos a língua para comunicar: comunicamos (todos os seres vivos comunicam). E porque comunicamos, é que surgiram as línguas.

Eu também poderia ter usado uma chave de fenda (se não tivesse faca).

Numa loja de ferramentas, encontro chaves de fenda de vários tamanhos. Encontro até mesmo uma derivação da chave de fenda - a chave philips, que evoluiu com o formato do encaixe na cabeça do parafuso. Ferramentas foram desenhadas para resolver problemas específicos. Tão específicos, que a chave philips não serve para parafusos em que há somente uma fenda (-), porque a chave foi projetada para parafusos de fenda cruzada (x).

Os primeiros artesãos do livro, que manipulavam os tipos móveis de Gutenberg para compor cada página, fizeram das aspas uma ferramenta: o desafio era marcar graficamente o discurso citado (as palavras do outro). O tipógrafo fazia as letras em itálico para que o compositor marcasse, através do tipo de letra, as vozes do texto. Mas, dependendo da extensão da citação, muitas letras em itálico eram necessárias - e custavam trabalho, tempo e material para serem feitas. As aspas eram só vírgulas invertidas que podiam marcar citações dos mais diversos comprimentos. Usar aspas para marcar o discurso citado era mais econômico que fabricar letras em itálico.




domingo, 27 de dezembro de 2020

Um ano

 

Faz um ano que essa orquídea (?) foi transplantada aqui para a janela da sala pelo Luis, the constant gardener. Ela demorou esse ano todo (a quarentena e um pouco mais) para florir.

Essa é a "roxinha da Agnes", que ela ganhou de aniversário quando completou 1 ano de vida. Do vaso, essa planta tinha ido pra terra, onde floresceu por longa temporada. Quando mudamos pro apartamento, apertamos algumas das nossas preferidas do jardim nas janelas e sacada do apê.

E assim as plantas migram no espaço e entram na nossa contagem do tempo.

domingo, 20 de dezembro de 2020

Jaca torta

 


Agnes e as galinhas

 

Bem no começo da quarentena, teve um dia que Luis voltou da rua com dois pintinhos. Eles ficaram na varanda e Agnes passou horas conversando com eles. Um era pintadinho e o outro ela chamou de pretinho. Fizeram muita sujeira, muito barulho e comeram metade das plantas. Quando a ração deles tava no final, levamos os dois pro Jairo. Ele deixava os dois soltos de dia, recolhia de noite (colocava dentro de uma caixa) e dormiam na casa.

A pretinha morreu, a pintadinha virou amiga do Rompe-Mato e Jairo construiu um galinheiro. Comprou mais pintinhos.


A primeira (que era da Agnes) ainda não bota ovos (pelo menos o Jairo não os vê), mas bate nas menores. Agnes adora pegar galinhas/pintinhos. Agora tem uma terceira geração crescendo no galinheiro.




quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Vírgula opcional

A esmagadora maioria dos textos que versam sobre sinais de pontuação são manuais, gramáticas e guias de redação. Neles, há regras de pontuação copiadas e coladas ao longo dos séculos. Só que se a pessoa não entende da construção da sentença, não conseguirá aplicar - nem entender - as regras. 

Os sinais de pontuação incidem sobre a sentença e o texto. A alínea (o espaço em branco), que demarca o parágrafo, extrapola a sentença; bem como as aspas (que marcam o discurso citado, não importando sua extensão); os parênteses (dentro deles cabe desde o sinal de pontuação ao parágrafo) e o travessão que marca os diálogos - não importando quantas sentenças são enunciadas. 

O uso da alínea, ou seja, a marcação de parágrafos, não é obrigatória. Mas também não é opcional. Parágrafos têm a função de agrupar sentenças que tratam do mesmo assunto - para ordenar melhor o texto para o leitor. A legibilidade está em jogo. Costumamos desanimar diante de parágrafos de página inteira e, no polo oposto, os alunos tendem a escrever frases-parágrafo. Parênteses também não são obrigatórios ou opcionais, mas ajudam a hierarquizar a informação (o que está entre parênteses é secundário, equivaleira a uma nota de rodapé embutida na sentença). O travessão que marca diálogos é opcional se as opções forem outras maneiras de marcar graficamente a fala de alguém: aspas, itálico ou novo parágrafo.
No caso dos sinais de pontuação que incidem sobre a sentença, temos os que finalizam sentenças (ponto, exclamação, interrogação e reticências) e os que operam no interior das sentenças: vírgula, ponto e vírgula, dois pontos e travessão (duplo)

Os finalizadores de sentença são obrigatórios no sentido de que é preciso terminar as frases, mas a decisão de qual deles fará o serviço fica a cargo do escrevente. Não existe medida para se saber quando termina a frase: as sentenças podem ser infinitas (olha o Chomsky aí com a recursividade). Quando o escrevente decide encerrar uma sentença com reticências ao invés de ponto, exclamação ou interrogação, ele se coloca no texto. O texto deixa de ser uma sequência de frases e passa a ser da autoria de alguém que se posiciona em relação ao texto.

Já os sinais que operam no interior da sentença são sintáticos. Isso significa que eles separam, marcam e delimitam unidades menores que a sentença (orações, sintagmas e palavras). O ponto e vírgula é opcional quando a opção for separar as duas orações por ponto (ou travessão) ou os itens da enumeração por vírgula. Dois pontos é opcional quando a opção for o ponto, a vírgula, ponto e vírgula, o travessão ou, dependendo, a partícula 'que'. O travessão é opcional quando a alternativa for dois pontos ou ponto e vírgula. No caso de travessões duplos, a alternativa pode ser parênteses ou vírgulas duplas. No caso de delimitação do discurso citado, as aspas podem assumir a função dos travessões.

Deixei a vírgula por último. A vírgula é o mais sintático dos sinais: delimita, separa e marca unidades. 

As vírgulas duplas são opcionais quando a opção for outro sinal duplo. Nesses casos, as vírgulas delimitam unidades menores que a sentença. Uma maneira de entender a diferença entre explicativas e restritivas é atentando para a presença da vírgula: a oração não é, em si mesma, restritiva ou explicativa. A colocação da vírgula faz com ela seja explicativa ou deixe de ser. A opção não é entre usar ou não a vírgula, mas entre o que se quer: uma restritiva ou uma explicativa. 

Vírgulas separam unidades iguais entre si. Isso vale para itens numa lista e para orações (coordenadas, correlatas, justapostas ou construções de tópico-comentário). No caso da orações subordinadas, não temos vírgula se a conjunção estiver no meio, entre as duas orações, porque uma oração está dentro da outra. Conjunção não é automaticamente ocasião para vírgula: é preciso atentar para a posição da conjunção na sentença. Se a subordinada e a principal estiverem invertidas, a vírgula marca a inversão. Se as coordenadas estiverem invertidas, dá um nó na cabeça. 

Vírgulas marcam ordem de palavras. Em português, a ordem de palavras é SVO + adjuntos. Se os adjuntos (sintagmas preposicionados ou adverbiais) não estiverem no final, as vírgulas delimitam esses sintagmas para mostrar que eles estão deslocados. Algumas gramáticas afirmam que a vírgula é opcional para delimitar sintagmas deslocados curtos. Qual é a medida? Quantos metros de sintagma são considerados toleráveis para o carimbo de curto? Estudando estruturas de tópico-comentário, percebo que topicalizamos (significa trazer para o início da sentença, dar destaque à informação) cada vez mais. Inclusive adjuntos. Que a gramática tradicional tolera como opcionais. Por fim, vírgulas marcam elipses. Jason Merchant compara a elipse a um buraco negro: não podemos olhar dentro da elipse, mas podemos analisar o comportamento do que orbita ao seu redor. Se a vírgula marca o buraco negro, a opção não é o espaço em branco, mas o verbo elidido.

Resumindo: não faz sentido que a vírgula seja opcional - do tipo usar a vírgula ao invés de nada. Há opções, mas na maioria das vezes, as opções são outros sinais de pontuação!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Feira

Mais ou menos simultaneamente à instalação da pandemia, estabeleceu-se a feira agroecológica do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). Eu fazia o pedido de frutas e verduras pelo Whatsapp e na sexta-feira eu atravessava a cidade pra ir lá na Igreja São José Operário (onde começa a Jatuarana), buscar os produtos e pagar por eles. Havia outras bancas com produtos regionais (farinha de mandioca, goma de tapioca, couve, cheiro verde etc.) e um cartaz anunciava a feira do MAB. O homem que vende abacaxi na entrada da Vila da Eletronorte (com quem cheguei a trocar manga massa por abacaxi quando morávamos na Vila da Eletronorte) sabia da feira e passou a esperar o fim da feira antes de ir embora, porque muita gente que ia na feira, passava por ele.

A Cleide, que me vendia os produtos, era velha conhecida do Luis. Com o avanço da pandemia, Cleide mudou pra quinta-feira e vinha sozinha, entregar as encomendas dos clientes. Assim evitava aglomeração de feira. Eu conhecia muitos dos clientes dela: a maioria dos que eu conhecia eram professores da UNIR. Teve um dia que ela perdeu os contatos de todo mundo no celular e lá fui eu escrever email institucional pros colegas avisando e pedindo pra eles darem um toque pelo whats. A prefeitura de Candeias, que fornecia o transporte pro pessoal da feira de sexta, cancelou as viagens de quinta da Cleide e ela voltou pra sexta-feira, junto com as outras bancas.

Descobrimos que essa feira está inserida num Projeto de Extensão da UNIR de hortas agroecológicas e que a ideia é evoluir para entrega (a domicílio) de cestas com produtos da época. Pensamos que o pessoal do Maravilha poderia participar desse projeto.

Aí o Jairo me mostrou duas caixas de manga que ele tinha coletado pra ir vender no sinal, mas não foi. Perguntei pra Cleide se ela podia vender as mangas do Jairo. Ela intuiu que a feira de terça (em outro lugar) seria mais promissora. Busquei as mangas no Jairo e levei na feira de sexta. Vendeu tudo. Quando fui buscar as mangas no Jairo pra levar na feira de terça-feira, levei uma lista de coisas que ele queria trocar pelas mangas. Fiz a feira e Cleide vendeu todas as mangas de novo. Na feira da sexta-feira seguinte, veio gente no carro, perguntando preço, enquanto eu descarregava as mangas do Jairo. As pessoas passaram a incluir mangas em seus pedidos. Cleide encomendou duas caixas de manga pra feira de terça. Vendeu tudo e disse que se tivesse uma terceira caixa, vendia também. Jairo quis saber se a Cleide podia vender também as bananas do Preto, os mamões do Damián e bolo de macaxeira da Íris.

Hoje o Jairo não colheu manga, porque teve que consertar a cerca. Quando eu fui na feira, buscar as minhas encomendas, Cleide disse que as mangas fizeram falta. Duas caixas pra terça! Pode trazer banana e bolo de macaxeira, não deixa perder nada!

Sessão de lançamentos 2019-2020

 

A ABRALIN vai promover uma sessão conjunta de lançamentos de livros no dia 19 de dezembro. 50 livros publicados entre 2019 e 2020 serão apresentados em 10 minutos pelos seus autores/organizadores. Ivo Rosário e Monclar Guimarães, organizadores do livro livro Fundamentos e métodos para o ensino de língua portuguesa, lançado pela EDUFRO, apresentarão o livro deles entre 11h e 11h10. Eu vou apresentar o meu, Onze sinais em jogo, das 13h20 às 13h30 (horário de Brasília).

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Quatenta metros de idade

Crianças que mal sabem contar para além do 10 misturam os números em respeito à ordenação de centenas e dezenas: noventa e trezentos e cinco. Agnes também faz isso, normal.

Novidade é o número "quatenta" e a confusão expressionista de unidades: kilos de altura me dão um nó na imaginação...

Aqui Agnes queria pegar quatenta galinhas - num conjunto de 12.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Sete anos

 

O casamento foi celebrado em Gramado, na mesma igreja em que os meus pais se casaram. Poucos amigos tiveram condições de vir: estávamos geograficamente distantes de todos, mas perto da minha família. Fiquei muito contente com a presença de todos que puderam compartilhar esse momento conosco. Essa foi a última viagem de avião do meu pai...

"Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho."

Nesses sete anos que se passaram, alguns membros da família instalada através do nosso casamento já não estão mais entre nós: o pai do Luis, a Madá, meu tio Gerhard e minha Oma. Mas a família ganhou a Agnes. Nós três, do núcleo familiar menor, temos sobrenomes diferentes (Garzón, Kleppa e Novoa), mas somos o resultado da mistura que começou sete anos atrás. (Na verdade, casamos logo depois de nos conhecermos.)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Audiência pública, mas vocês não podem entrar

Fazer audiência pública em tempos de pandemia é complexo: de modo virtual, nem todos têm acesso e direito a voz, de modo presencial tem o risco de contaminação pela covid-19. A Assembleia Legislativa de Rondônia optou por fazer a audiência pública sobre a desafetação da Resex (reserva extrativista criada em 1996) Jaci-Paraná e Parque estadual Guajará-Mirim (invadido por uma estrada que abriram durante a cheia de 2014, que passou a escoar gado ilegal) de modo presencial. 

O tema é escandaloso: A Resex vem sendo desmatada sistematicamente por grileiros, madeireiros, criadores de gado e plantadores de soja. Os povos tradicionais que viviam do extrativismo (indígenas, ribeirinhos e quilombolas) foram ameaçados, enxotados e violados com o avanço da exploração predatória do território. Desafetar a Resex significa regularizar as cabeças de gado que pisotearam e compactaram o solo a ponto de não nascer mais nada. Significa premiar quem invadiu a Resex

No caso do Parque estadual Guajará-Mirim, a história se repete, mas do jeito mais clássico de invasão de terras na Amazônia: através de uma estrada que vai abrindo caminho para a ocupação e que escoa os produtos pilhados.

Chegamos a um ponto de devastação ambiental em que não é mais suficiente parar de explorar as riquezas naturais. É preciso reparar, plantar de novo - não soja!

A audiência estava marcada pra 9h. Chegaram os representantes do agronegócio. Entraram. Chegaram pessoas avulsas que não usavam terno e gravata. Entraram. Chegou o ônibus trazendo o pessoal dos movimentos sociais. Não pode entrar.