domingo, 19 de novembro de 2023

Onde está Wally?

O fotógrafo do Congresso da Abralin liberou as milhares de fotos que fez durante o evento e pediu que, se as divulgássemos, mencionássemos seu nome: Antônio More / MorePress. Eu fiquei revivendo o evento através das imagens

Simpósio de Popularização da Linguística

Mesa Redonda da Donna Erickson

Credenciamento

Simpósio de Políticas Linguísticas

Mesa redonda sobre patologias de linguagem

Simpósio de Políticas Linguísticas

Mesa redonda sobre ensino de língua

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

PIBIC

Assim que saiu a minha requisição para o Ministério dos Povos Indígenas, tive que procurar alguém que me substituísse como orientadora de PIBIC. Lucas topou o desafio de conduzir duas alunas até a reta final do Projeto, mas já estávamos com o relatório final bem encaminhado. 

Nos Seminários PIBIC dos anos anteriores, o/a aluno/a costumava passar por uma situação parecida com a de prova oral, em que ele/a apresentava o que tinha sido desenvolvido ao longo de um ano para uma banca e uma sala cheia. Ano passado foi virtual, o que exigia do/a aluno/a habilidades técnicas (câmera, microfone, internet, compartilhar slides etc.). Dessa vez foi ainda diferente.

O/as aluno/as receberam a tarefa de elaborar banners (posters), o que exigia habilidades de resumo e diagramação. Nesse ciclo, só uma das minhas orientandas tinha bolsa; a outra, voluntária, não era obrigada a apresentar seu trabalho - e optou por não fazê-lo. Outra novidade era que os locais de exposição dos banners/posters não eram distribuídos em salas ou auditórios, mas na praça, no museu etc. A bichinha praguejou: nunca mais!

Júlia ficou brava com poster difícil de diagramar, com a ausência da orientadora (o evento não era híbrido), com a data da apresentação dela ser véspera de feriado e o local ser a praça. No horário da apresentação ainda caiu um pé d'água medonho. Ela mandava vídeos da chuva e se perguntava, ansiosa: como vão me avaliar agora? Onde eu penduro esse poster?

No fim do dia chegaram as fotos de homenagem e dos certificados em que elas (as duas) receberam menção honrosa pelo trabalho.



O melhor de tudo é que foram elas que escreveram o relatório final delas. Os créditos são delas! Deu vontade de estar em Porto Velho, no auditório da Reitoria, pra dar um abraço e os parabéns a elas.

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Visita à Chapada dos Veadeiros

Mais ou menos 20 anos atrás eu fui com Olga para a Chapada dos Veadeiros. Lembro que ficamos metade do tempo em Alto Paraíso e a outra metade em São Jorge, perto da entrada do Parque. Naquela época, a cidade de Alto Paraíso se encontrava no aeroporto (desativado) para apreciar o pôr-do-sol, as pessoas deixavam seus calçados do lado de fora da Gota e ouviam música indiana numa casa em forma de gota e o turismo estava se organizando. Lembro que as atrações turísticas eram cachoeiras e que as cachoeiras ficam localizadas em propriedades privadas - era preciso pagar entrada sempre.

Dessa vez, Luis, Agnes e eu fomos num dia pra retornar no outro e a viagem (com pausa para comida e descanso) durou 4 horas. Ficamos numa pousada em Alto Paraíso e não fomos até o Parque porque não daria tempo.
Dessa vez, fomos visitar Loquinhas, uma formação de poços (8) ao longo de um riacho. Apesar de ser em Alto Paraíso, Olga e eu não fomos até lá (eu não lembro). Gostei de ver um parque bem sinalizado, seguro e limpo. 
Fizemos uma breve incursão ao léu pelo cerrado. Essa árvore parece que perdeu a casca queimada.

Vegetação retorcida, antiga e forte.
Fora de Alto Paraíso tem a Cachoeira dos Cristais. Mesmo esquema de pagar entrada. Luis animou com o camping organizado e eu lembrei que não tenho mais barraca: ficou com o Damián. 
Entendemos dessa vez que precisamos de mais tempo para aproveitar melhor uma próxima vez.


quarta-feira, 8 de novembro de 2023

As sementes e o tempo

Em novembro de 2021, participei de um congresso de Gramática e Texto chamado GRATO21. Como estávamos na pandemia, o evento sediado em Lisboa foi remoto. Apresentei um trabalho que partia da minha experiência de ensino de sinais de pontuação: tanto as aulas de Sintaxe como as de Metodologia da Pesquisa (em que pesquisamos sobre sinais de pontuação desenvolvendo jogos e experimentos) me ofereceram material didático a ser apresentado.

O/a(s) organizador(es) do evento propuseram duas modalidades de publicação: dossiê em revista brasileira ou capítulo em ebook editado por editora portuguesa. Escolhi a Editora Colibri e enviei meu texto - que foi avaliado, voltou, foi ajustado, devolvido e conferido. Hoje recebi notícia de que o livro foi publicado.

A outra semente lançada demorou menos tempo para germinar. Em junho eu enviei para a Revista Nona Arte (especializada em HQs) um texto que eu queria que fosse modelo para a minha aluna de PIBIC que estudava sinais de pontuação em quadrinhos da Laerte (Overman, Gatos e Histórias repentinas). Na época, ela estava às voltas com a pesquisa bibliométrica sobre sinais de pontuação, gerenciando informação bibliográfica sem conseguir imaginar como seria a análise dos quadrinhos. Esse texto sobre [!], [?] e [...] nos quadrinhos saiu hoje também. 

Sementes lançadas em anos diferentes germinaram no mesmo dia.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Reconhecimentos

O congresso continuou independentemente do feriado. Só percebemos que era Finados porque as ruas a caminho da UFPR estavam vazias e porque os restaurantes estavam fechados - exceto um que fica ao lado do Teatro da Reitoria, que estava lotado.

Entrei na fila do kilo sem saber se eu conseguiria lugar pra sentar. Me servi e vi uma mesa com três pessoas e um lugar vazio. Pedi pra sentar com eles, já que éramos todos do mesmo congresso. Assim que me instalei, a professora na mesa se apresentou pra mim:

- Meu nome é Lívia.

- Eu sei (eu disse)

- (Ela riu) e você, como se chama?

- Meu nome é Lou.

- Lou-Ann Kleppa?

- (Eu ri)

- A gente conhece o nome, mas não conhece a pessoa (ela disse).

Fiquei bastante lisonjeada, confesso, que Lívia Oushiro sabia o meu nome.

*

Na assembleia, no final da tarde, a diretoria da gestão 2021-2023 apresentou sua prestação de contas. Luana de Conto, da comissão de popularização, se animou com os valores em caixa da Associação e quis combinar comigo quem pegaria o microfone pra reivindicar o LingPop que elaboramos na gestão anterior e não foi realizado por falta de recursos. A nova diretoria eleita (ontem) se apresentou, a chapa que perdeu (por 24 votos) fez uma fala legal, Luana ansiosa pra falar: levantou, foi pra frente (onde estava o microfone), mas não conseguiu falar porque todas as falas eram elogios e agradecimentos à diretoria que se despedia. Não caberia uma cobrança naquele momento. Luana decidiu que tínhamos que costurar o LingPop por fora.

A assembleia se desfez e fomos indo e enganchando em conversas com os colegas, até que um dos interlocutores passou a ser o novo diretor eleito - que me reconheceu porque fomos jurados do Prêmio Mattoso Câmara uns anos atrás. A conversa fluiu muito bem: Luana reconheceu que melhor do que pelo microfone.

Foto de Antônio More / MorePress


quarta-feira, 1 de novembro de 2023

REVER

Ver araucárias, plátanos, cinamomos e cerejeiras é como rever velhos amigos ou parentes. Que bom que estão ali, que bom que, apesar do asfalto, resistem.

Rever, depois de tantos anos, colegas em congresso, é quase como rever parentes ou árvores queridas. Por mais que haja ali um hiato no tempo e no espaço, tem uma aliança que se faz pela memória.

Estou bastante feliz por poder transitar entre simpósios, temas, amigos e problemas. Não sei é a sensação de este ser o meu último congresso de Linguística em que trago os meus estudos, que me movem intelectualmente (pra ser liberada pelo MPI, o argumento usado - dentre tantos que ofereci - foi que eu tinha me inscrito no congresso antes de ser requisitada, e não as possíveis articulações que eu poderia fazer nos simpósios sobre línguas indígenas ou políticas linguísticas; afinal quem estuda direito linguístico e línguas indígenas são os linguistas), mas estou me sentindo muito em casa. Não só pelas árvores, a arquitetura, o cheiro do ar, as pessoas conhecidas: a Linguística é a minha formação.

Não acho que a minha contribuição seja super importante, apesar de gostar de ver olhos brilhando quando apresento o meu trabalho. O que eu acho legal é ter a capacidade de entender e avaliar trabalhos alheios e juntar as pontas entre o que foi falado na mesa-redonda da manhã sobre o fato de que não importa tanto sabermos o que a máquina faz, porque não sabemos como a máquina faz o que faz com a apresentação da tarde sobre a IBM desenvolvendo corretor ortográfico de celular e tradutor para línguas indígenas. O que esses dados de língua fornecidos por linguistas (dicionário, gramática) e constante treinamento da inteligência artificial por parte dos falantes significam para uma empresa que não tem interesses humanitários? O que move os linguistas estrangeiros que articulam a empresa com a comunidade indígena?

Acho legal poder falar sobre tudo isso com pessoas que estão na mesma sintonia porque passaram por experiências semelhantes. Acho legal perceber que esses parceiros de diálogo são firmes em suas posições.