O voo da TAP era Brasília - Lisboa - Frankfurt e comemoramos que sairíamos de Brasília direto pro outro lado do oceano, mas não contávamos com a logística portuguesa. Em tese teríamos 4 horas em Lisboa, mas uma e meia foram gastas no atraso do voo, outra hora e meia foi gasta na fila da imigração e a última hora ficamos na fila do embarque. A parte da fila da imigração foi a pior, porque havia filas para passaportes europeus e outra para todos os passaportes. Éramos praticamente todos brasileiros naquela fila, parecia castigo - e não tinha guichê de atendimento às prioridades. Uma excursão de idosos que ia a Paris ficou se cansando na fila. Em Frankfurt ainda tivemos que mostrar nossos passaportes duas vezes para a polícia.
Saímos de Brasília de noite e chegamos em Frankfurt no dia seguinte de noite (fuso horário contribui nessa conta). Não estava escuro ainda (no verão, escurece tarde), mas preferimos não pegar o trem e encarar uma viagem de 5 horas depois dessa longa viagem de avião. Nos hospedamos num hotel e na manhã seguinte pegamos o trem.
Embarcamos no Fernbahnhof de Frankfurt, que é acessível pelo aeroporto e a primeira parada do ICE era a estação central de Frankfurt. Lá aconteceu o primeiro atraso: a rota original estava bloqueada e foi preciso reprogramar a rota por via alternativa; e o maquinista do trem de Frankfurt em diante não estava no trem, mas em outro - que estava atrasado.

Nossa passagem era para dois ICEs: a baldeação seria em Kassel-Wilhelmshöhe na plataforma 3 para Bremen. Com um atraso de 80 minutos, chegamos em Kassel-Wilhelmshöhe e desembarcamos (deveríamos ter seguido viagem naquele trem até Hannover). A companhia de trem já tinha enviado emails avisando que, devido ao atraso, eu estava desobrigada a tomar o trem que constava na passagem e podia pegar qualquer trem pra chegar no meu destino. Na real, nem conferiram mais nossas passagens. Na estação de Kassel-Wilhelmshöhe consultamos a tabela de horários e vimos que o trem a Bremen seguinte partiria em mais ou menos uma hora. Só que esse trem estava uma hora atrasado.
Quando o trem entrou na plataforma, os vagões mais próximos de nós eram da primeira classe. Como eu sabia que a primeira classe fica na ponta do trem e estávamos na letra C, imaginei que a segunda classe estaria em direção às letras D, E etc. Caminhamos ao longo do trem e continuava o número 1 nos vagões. O trem acabou, começou outro trem e seguia o número 1. Cansados de puxar 3 malas pela plataforma e pressionados pelo tempo, entramos na primeira classe do segundo trem e seguimos pelo corredor até a segunda classe. Depois de acomodar as bagagens, notamos que estávamos no trem pra Hamburg. Perguntamos pros vizinhos onde estava o trem pra Bremen e responderam que precisaríamos sair desse trem e entrar no trem de trás. A estação seguinte era Göttingen, mas o trem só ficaria 2 minutos parado em Göttingen, então, com criança e bagagem, não era aconselhável fazer a mudança lá, mas em Hannover, onde os trens se separariam.
Em Hannover saímos fazendo força e abrindo caminho pelos viajantes que entravam e saíam em cada porta de vagão. Não era perto e, com medo de ficar de fora, entramos no primeiro vagão do trem de trás, pela primeira classe - que tem corredores mais largos - e seguimos até a segunda classe. O painel indicava BREMEN e comemoramos. A voz no alto-falante anunciou que não tinha boas notícias. Ao separar os dois trens, o pessoal descobriu que nenhum deles tinha autonomia para seguir sozinho. Nem o trem pra Hamburg sairia, nem o trem pra Bremen. Era preciso sair do trem e pegar outro, que passaria dali a 20 minutos na plataforma 12. Praguejando, todos lotamos a plataforma 12 - que já tinha gente esperando. Eu não vi BREMEN escrito em lugar algum, mas entendi que precisava seguir com todo mundo. Entrou um trem na plataforma 11 e todo mundo se movimentou pra entrar. Perguntei pro antigo vizinho de assento do trem anterior se aquele era o trem pra Bremen. Ele respondeu que sim, ao que lembrei da informação "plataforma 12". Ele apontou pro painel e disse que tinham mudado a plataforma. Aí eu identifiquei BREMEN e entramos. Consegui wifi quando trem parou na primeira estação.
Enquanto isso, meus pais tinham saído do vilarejo em que moram pra nos buscar de carro em Bremen. Como a minha mãe não paga plano de celular pra internet (o celular dela é um telefone mesmo), as minhas mensagens enviadas pelo whats não estavam chegando pra ela. Por sorte, meu irmão (que não tem wifi em casa e precisa de plano com internet) recebia as minhas mensagens e também foi a Bremen, nos buscar. Ele conseguiu identificar que tipo de trem é o trem de dois andares em que estávamos e localizar esse trem na estação.
Depois de entrar no carro, ainda fizemos uma viagem de pouco menos de uma hora pra chegar na casa dos meus pais. No dia seguinte, a Deutsche Bahn mandou dois emails com pedidos de desculpas pelo transtorno e voucher de 10 euros que não é acumulável com nenhum preço promocional (tipo o bilhete pra viajar em família o dia todo em qualquer meio de transporte).
Adendo: no avião da TAP, Agnes escolheu um filme e escolheu o idioma (português). Depois de um tempo vendo o filme, ela me deu os fones dela rindo: tá na língua desse avião. Eu entendo tudo, mas é engraçado.