... mas com a extrema direita muito à vontade.
segunda-feira, 31 de outubro de 2022
sábado, 29 de outubro de 2022
Não podemos perder essa estrela
Saímos da garagem com uma estrela vermelha (decoração natalina) presa na antena do carro. Desviei de uma caminhonete da companhia de energia que ocupava o meio da rua e vi pelo espelho retrovisor a estrela caindo no chão. Parei o carro, Luis desceu pra coletar a estrela. O funcionário da distribuidora de energia que estava na calçada também se movimentou em direção à estrela.
- Não pode perder essa estrela - ele disse - vamos ganhar amanhã!
Nas avenidas de comércio (7 setembro e Jatuarana) sentimos apoio das pessoas. O pessoal na rua dançava, o pessoal no carro de som jogava bandeira, e mais uma bandeira dançava na rua. Sorrisos, o L desenhado com a mão e buzinas eram sinais de apoio. Em outros trajetos, fomos recebidos com dois dedos (inclusive a Polícia Militar fazendo 2), gritos de "ladrão"e "arrastão". No geral, tivemos a impressão de que a passeata mostrava às pessoas que em Porto Velho vai ter 13.
Um carro de som tocando música pedindo pra votar no 22 se intrometeu na carreata. Como seria a reação dos bolsonaristas se o contrário acontecesse?
Amanhã depositaremos nossa esperança na urna. Amanhã acaba essa ansiedade. Amanhã o povo decide. Amanhã a estrela brilha.
terça-feira, 25 de outubro de 2022
Autoria e escrita
Para um editor, o autor é aquele que é responsável pelo texto: aquele que escreveu o texto e assina o contrato de cessão de direitos autorais.
Entendo que nem toda pesquisa é realizada por indivíduos isolados e que existem laboratórios, grupos de pesquisa e redes que publicam seus textos em periódicos. Como a lista de autores (nesses casos) é grande, convencionou-se discriminar o papel que cada co-autor teve na elaboração daquela pesquisa realizada em caráter coletivo. A taxonomia CRediT estabelece como alternativas de autoria:
conceitualização (mais no plano das ideias e objetivos da pesquisa)
curadoria de dados (relacionado à anotação de corpora)
análise formal (aplicação de ferramentas estatísticas, matemáticas, computacionais etc.)
captação de recursos (apoio financeiro para a publicação)
investigação (condução de experimentos, composição de corpus)
metodologia (criação de modelos para lidar com os dados)
administração de projeto (planejamento e execução)
recursos (provimento de materiais, cobaias, reagentes, pacientes)
software (desenvolvido para a pesquisa)
supervisão (do projeto todo)
validação (verificação e garantia de reprodutibilidade)
visualização (formatação do material para apresentação)
escrita - primeira versão (preparação da publicação)
escrita - revisão e edição (revisão crítica, comentário)
Trocando em miúdos, parte-se do princípio de que a co-autoria extrapola o trabalho de escrita propriamente dito do texto a ser publicado. E o trabalho de escrita se desdobra no trabalho de escrever e no trabalho de ler o escrito para modificá-lo.
Acho que esses papéis valorizam o trabalho da equipe que se responsabiliza pelo texto publicado. Há critérios para o nome de alguém constar na lista dos co-autores (e não vale mais o apoio emocional, cafeínico etc.) e a contribuição de cada indivíduo é devidamente reconhecida.
Só que esses critérios não valem, a meu ver, para todos os tipos de autoria. Suponhamos uma entrevista. Alguém provocou uma pessoa a falar. Esse alguém organizou um roteiro de perguntas/questões. Esse alguém entrou em contato com a pessoa entrevistada, interagiu com ela, gravou a entrevista. Temos então uma dupla autoria: o entrevistador é responsável pela entrevista e o entrevistado é autor de sua fala. A taxonomia CRediT não prevê "entrevistador" e "entrevistado".
Agora a entrevista, que foi falada, é vertida para o papel. A escrita é uma técnica em que o corpo, tempo e espaço são removidos da cena. O escrito é uma mediação. O escrito permanece para além da existência da pessoa que o escreveu e pode circular em tempos e lugares não imaginados pelo redator.
Existem entrevistas ruins e entrevistas boas, mas isso tem mais a ver com as perguntas e a empatia entre as pessoas que interagem do que com a escrita propriamente da fala do entrevistado.
Escrever uma entrevista não é a simples transcrição da fala, mas um trabalho tanto de apagamento de marcas ancoradas no eu-aqui-agora da entrevista face a face como o preenchimento de vazios que tinham ficado entendidos (telepaticamente) durante a interação. Escrever uma entrevista falada é mais próximo de editar do que de ser autor. O tradutor também não se vê como autor do texto que traduz. A taxonomia CRediT não prevê "editor" ou "tradutor" porque o trabalho de pesquisa é de outra natureza.
A contribuição do entrevistado encerra-se na entrevista. O entrevistador é que escreve a entrevista, submete a entrevista numa revista, espera o tempo dos dois avaliadores, ajusta o texto de acordo com os apontamentos dos pareceristas, registra pré-print e submete a versão final.
Se o autor é quem escreveu o texto, então o autor da entrevista é...? O trabalho de escrita recai sobre o entrevistador. O entrevistado falou, não escreveu. Algumas revistas acadêmicas colocam o entrevistado como primeiro autor (a ideia, o conteúdo era dele) e o entrevistador como co-autor. Entendo que, na hierarquia da fama e prestígio, o entrevistado esteja no topo e o entrevistador pode ser um desconhecido. Mas o trabalho de escrita e a responsabilidade pela publicação da entrevista são do...?
Como se aplica a taxonomia CRediT a uma entrevista? Como se atribui co-autoria aos dois envolvidos na entrevista usando esses critérios?
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
Aliados confusos
Roberto Jefferson foi preso em 2021 por tumultuar o processo eleitoral, proferir discurso de ódio e atacar o STF - que são ações que Bolsonaro também executou. Como é uma pessoa muito doente, sua pena foi convertida em prisão domiciliar. Roberto Jefferson era o candidato inelegível que teve que recorrer ao Padre Kelmon em seu lugar. Kelmon fez dobradinha com Bolsonaro no debate em que atuou; e Lula perdeu pontos por atacar essa figura de padre no debate.
Discurso de ódio não pode ser confundido com "liberdade de expressão", porque a pessoa xingada é afetada. Atirar na polícia que vem cumprir ordem de prisão não pode ser confundido com legítima defesa. Mas essa é a estratégia da extrema direita: inverter a narrativa, vitimizar-se.
Roberto Jefferson anunciou que não se entregaria à polícia, só ao Ministro da Justiça. Bolsonaro mandou o Ministro lá. Ou seja, o presidente da República atende ao pedido descabido de um preso que atira contra policiais.
Como é que um preso tem armas em casa? Como é que ele não foi executado pela PF? Não era isso que ele queria? Suicide by cops, ou seja, provocar a polícia para executar um suicídio instrumentalizado e assim se tornar mártir. Quem é que entregou as armas usadas pelo Roberto Jefferson aos policiais? Padre Kelmon. O que esse homem estava fazendo lá?
Depois que tudo acabou, depois de um domingo inteiro de tensão, Bolsonaro faz uma live em que chama Roberto Jefferson de bandido. Os aliados de Bolsonaro ficaram confusos: não era pra apoiar Roberto Jefferson?
Isso tudo aconteceu uma semana antes da eleição. Esse factóide era pra virar voto (lembremos que Lula tem mais votos que Bolsonaro) e funcionar como a facada em 2018? Os 50 tiros + 3 granadas saíram pela culatra: Roberto Jefferson foi preso de novo. E o dólar subiu hoje. E as estatais desvalorizaram hoje (porque o horizonte da privatização ficou distante de novo). Se os aliados de Bolsonaro estão confusos depois do episódio de ontem, os mercados já entenderam que Bolsonaro perdeu.
domingo, 23 de outubro de 2022
Pesticida
Essa foi, pra mim, a melhor definição e explicação por que tanta gente embarca no apocalipse sorrindo. Bolsonaro é, nas palavras de Gabeira, "um homem sem virtudes". Ele não pretende construir nada, só destruir uma lista de fantasmas (a corrupção, banheiro unissex nas escolas, ideologia de gênero, o comunismo etc.). Michele, a esposa evangélica, diz nos cultos: "Não olhem para o meu marido. Olhem para mim." Ele é venenoso.
Onde tem plantação de soja, tem hospital do câncer. O pesticida não mata só as pragas.
O pesticida é a peste.
Basta não escolher o pesticida.
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
Personalidades no FELIN
Esse é o (José Carlos) Azeredo, autor de gramáticas, dicionários e livros sobre ensino de língua.
Esses são Magda Bahia Schlee e Ivo da Costa do Rosário. Conheci ambos no CCO, organizado pelo Ivo (cujo livro editei pela EDUFRO). Gosto muito da clareza e generosidade de ambos. Os objetos que eles estudam mostram didaticamente como os usos da linguagem são muito mais complexos que o nosso discurso sobre a linguagem. O discurso, claro, tem a ver com a postura teórica que adotamos. A postura funcionalista, centrada no uso, é menos categórica que a gramática tradicional e mais gradual. Não se observa caixas separadas, mas contínuos entre categorias.
Na sessão de hoje pela manhã haveria um intervalo entre a primeira mesa e a conferência da professora homenageada que estava atrasada. A coordenadora do evento anunciou ao microfone que ainda teríamos tempo para perguntas, porque, afinal de contas, a professora homenageada ainda não tinha nem chegado. Estava engarrafada. A imagem que veio à minha mente era de uma senhora dentro de uma garrafa - mas eu tenho certeza que ninguém mais pensou isso, porque os cariocas têm por convenção chamar o trânsito parado de engarrafamento.
quarta-feira, 19 de outubro de 2022
Vidas passadas de motoristas
Quando mudei pra Porto Velho, eu tinha a impressão de que as pessoas tinham aprendido a dirigir trator, no campo, sem trânsito, antes de serem transplantadas para o carro na cidade. Especialmente na Av. Jatuarana, o trânsito na rua se assemelhava aos movimentos erráticos de um jogo de videogame. É sempre preciso adotar a postura defensiva diante desses agentes de trânsito que parecem alheios ao trânsito.
Aqui no Rio de Janeiro estou andando de Uber pra cima e pra baixo porque a cidade e os caminhos são pra mim um mistério. Não sei se é porque são profissionais do trânsito, mas percebo que os motoristas aceleram e freiam olimpicamente e se metem em brechas como se fosse um esporte. Parece até que antes de serem motoristas de carro, eram motoqueiros acostumados a calcular tempos, trajetórias e milímetros.
Quando comentei esse trânsito louco com uma carioca, ela fez o contraponto com os paulistas. Acho que os paulistas são tão "comportados" no trânsito porque o enfrentam resignadamente o tempo todo.
Museu do Amanhã
Hoje é dia de jogo no Maracanã. Por que isso é relevante para quem está num congresso de Linguística? Porque a UERJ fica bem do lado do Maracanã que tem todas as ruas da redondeza interditadas em dia de jogo. A UERJ foi fechada às 16h por causa de um jogo de futebol que acontece de noite. Esse fato alterou a programação do evento - e a minha: fui conhecer o Museu do Amanhã.
Fiquei observando os turistas vendo aquelas imagens de rios, nuvens, chuva, árvores e gente tão diferente. Isso é Brasil?
A exposição permanente tinha uma narrativa que convergia muito bem com os textos que acompanhavam as fotos do Sebastião Salgado. Não consegui seguir a linha proposta porque a monitora me mandou fazer o percurso de trás pra frente. Mas entendi que o itinerário é mais ou menos de onde viemos, quem somos, o que estamos fazendo com o planeta e como pode ser o futuro. O fim do percurso dá nessa paisagem meio nave, meio ficção.
Achei legal essa grande caixa-preta (aquilo que é o mistério, o não acessível) fantasiada de cérebro.
terça-feira, 18 de outubro de 2022
XIV Felin
A primeira vez que apresentei trabalho sobre sinais de pontuação foi no XI Felin. Agora retorno ao evento sediado pela UERJ depois de dez anos. As escadas e rampas continuam lá, as apresentações de trabalho foram novamente concentradas num dia só, mas dessa vez é diferente.
E isso foi o legal de perceber: cada trabalho apresentado no GT coordenado por Claudia Moura (UERJ) e Lucia Deborah Araújo (Colégio Pedro II) - e as duas fizeram questão de fazer uma fala que amarra todas as apresentações - é um elo na corrente que liga o texto às nossas práticas de ensino.
sexta-feira, 14 de outubro de 2022
Jogo da memória coletiva da pontuação
Estou há um mês e meio dando aula de Metodologia da Pesquisa para o pessoal do primeiro período em Letras. A turma começou com mais ou menos 10 alunos e agora a lista de presença chegou nos 36, que é normal para ingressantes no curso.
No começo do semestre, eu propus a eles de pensar sobre métodos e teorias - mas também botar a mão na massa e desenvolver uma pesquisa até o final do curso. Escolhi os sinais de pontuação como tema, já que não são lá muito estudados. Então a proposta era aprender a fazer fichamento, resumo e pesquisa lendo e pensando sobre sinais de pontuação.
A primeira tarefa deles foi abrir duas ou três gramáticas e anotar a lista de sinais de pontuação que cada uma apresentava no capítulo da pontuação. Verificamos em sala de aula que não havia consenso entre as gramáticas consultadas, mas que havia um núcleo de 10 sinais que todas as gramáticas consideravam: [.], [,], [;], [:], [...], [!], [?], [( )], [" "], [-].
Apresentei dois estudos: um horizontal, examinando 115 redações de crianças dos anos iniciais de escolas públicas e particulares e outro estudo de caso, em que uma única criança é acompanhada ao longo tempo. Tiveram que fichar um texto teórico sobre pontuação, tiveram a tarefa de resumir outro texto teórico sobre pontuação. E a turma não parava de crescer e eu não podia garantir que todos sabiam o que são sinais de pontuação - nem por que.
Fiz um jogo da memória em que só os 11 sinais (aqueles 10 + alínea) tinham par. Os outros entravam como distração. Não cheguei a pensar como operacionalizar esse jogo numa turma de 30 e tantos. Escolhi a mesa do professor (que é a maior) e chamei todo mundo em volta. Fui colocando "as cartas na mesa" e anunciei: jogo da memória coletiva. Na segunda jogada, a turma estabeleceu que cada um apontava duas cartas que a professora desvirava.![]() | |
| Alguém da turma tirou essa foto e postou no grupo |
sábado, 8 de outubro de 2022
Ideologia na escola
Os conservadores acusam os progressistas de doutrinar as crianças na escola, os jovens na universidade etc. e tal. A ideologia do outro é reconhecida apenas quando não condiz com a própria.
A escolinha da Agnes promoveu Jogos Internos na segunda semana de setembro. Logo depois do 7 de setembro, as crianças deveriam usar o uniforme dos jogos internos (e não o uniforme da escola) que é a camisa da seleção brasileira de futebol. Quando fomos gentilmente obrigados a pagar pelo uniforme da seleção brasileira, nos recusamos. Todo dia a escola inteira perguntava: Agnes, por que você não está usando a camisa do Brasil? Quando ela contou isso em casa, Luis deu a solução: você torce pra outro time.
- Agnes, por que você não está usando a camisa do Brasil?
- Eu torço pra Alemanha, tia.
- Ah, tá.
E acabou o bullying. O 7 a 1 ainda deve estar na memória das pessoas. Mas não se trata de times de futebol, bem sabemos. No dia da eleição, o que foi que as pessoas vestiram pra demonstrar sua posição política? Minha família vestiu vermelho. Éramos uma ilha vermelha atravessando a rua, entrando na escola, andando na calçada. O entorno vestiu a camisa da seleção brasileira.
* * *
Ontem veio bilhete na agenda da criança. Pedia autorização pra passeio. Nas outras escolas que Agnes frequentou, o passeio era em parques. Porto Velho não tem zoológico ou museu pensado para o público infantil, então a cidade não oferece tantas opções de passeio fora da escola, concordo. Mas esse passeio será na Base Aérea Militar - que não é um lugar de passeio para crianças, convenhamos. Por que esse destino foi escolhido pela escola? Por que agora?
sexta-feira, 7 de outubro de 2022
O lugar do livro acadêmico
Me sinto muito honrada de ter sido convidada pelo Gilberto Hochman (Editora Fiocruz) para participar do debate no Fórum de Editores da ANPOCS sobre o lugar do livro acadêmico nas Ciências Humanas e Sociais. Espero estar à altura dos colegas (e que no certificado não conste Kaplla, mas Kleppa mesmo).
quinta-feira, 6 de outubro de 2022
Avatar
Levei Agnes pra ver Avatar (achando que era o 2, mas esse fica guardado até o Natal). É o filme que já conhecemos, que volta às telas. Talvez para preparar o público que não viu o filme em 2009 para a sequência, talvez para relembrar quem já tinha visto no passado. O filme é clichê, mas é didático.
Dessa vez reparei mais na figura do Jake Sully, um ex-fuzileiro incapacitado e cadeirante que não deixa escapar a chance de entrar no avatar preparado para o irmão gêmeo. Com o avatar, Jake pode andar, correr e saltar de novo. Viver no corpo do avatar é como viver um sonho. Na base militar, no corpo dele, ele faz o jogo duplo: informa os militares acerca do território que eles querem explorar em busca de um minério caro (porque lhe prometeram suas pernas de volta) enquanto se envolve com o povo Na'vi. Quem percebe o jogo dele não cobra nem corta, apenas direciona. E os afetos vão se estreitando e o individual e o coletivo vão ganhando pesos diferentes. A pergunta "e o que eu ganho com isso?" vai dando lugar à constatação "de tudo que nós todos perdemos com isso!"
Ontem circulou uma nota da Andifes de novos cortes na Educação. O decreto é do dia da véspera da eleição e só ontem é que a maldade foi percebida. Precisamos perder tudo pra reagir?
segunda-feira, 3 de outubro de 2022
Bolhas
Os bolsonaristas estão bravos, diz a faxineira evangélica. Acham que Bolsonaro tinha que ter ganhado no primeiro turno.
A Globo News está chocada porque as pesquisas Datafolha e IPEC (Ibope não existe mais) não previam o resultado das urnas.
Ciro Gomes está baqueado, diz Andrea Sadi, porque seu desempenho foi pior que o da Simone Tebet, que não era conhecida, não tem programa nem plano.
Eu estou surpresa com o número de votos que figuras nefastas e comprovadamente incompetentes para o exercício de cargos públicos receberam (Damares, Onyx, Ricardo Salles, Pazuello, Hamilton Mourão, Sérgio Moro e Bolsonaro). Como o povo se beneficia da atuação dessas figuras?
Com cada um na sua bolha, o sistema de representatividade se mostra frágil como bolha de sabão.



















