Luis tinha arranjado ingressos pra ópera. Chegando na porta do Theatro Municipal, descobri que se tratava de uma peça de Antonín Dvorák.
Tentamos ler as legendas pra Agnes no começo, mas confesso que logo fui capturada pela peça. A Disney transformou a ninfa Rusalka na sereia Ariel - a história era conhecida.
Gostei do cenário que trazia uma linguagem simbólica. No primeiro ato, o palco central é ocupado por uma estrutura à espera de músicos: cadeiras, suportes de partitura, lâmpadas e cabos. Jezibaba, a bruxa, traz um caderno/livro de partitura enorme que é depositado no púlpito do maestro. Entendo que é a feiticeira que conduzirá a narrativa.
No segundo ato, o cenário é o palácio do príncipe pelo qual Rusalka se sacrifica. Ali só fica uma vitrola através da qual se ouve as irmãs de Rusalka que cantam no fundo do mar, longe dali.
O príncipe é seduzido por outra, Rusalka não tem voz e percebe que também não terá vez. No último ato, voltamos ao fundo mar em que as cadeiras que esperam os músicos estão bagunçadas. A cena que vemos representa a alma atormentada de Rusalka de cabelos brancos e espinhaço de peixe nas costas.
Jezibaba explica que será preciso matar o príncipe para voltar a ser ninfa e a faca que ela entrega a Rusalka é movimentada como uma batuta. Mais uma vez é a bruxa quem conduz a tragédia.
Quando o príncipe morre, uma parede que o isola das profundezas do mar e conecta com a Terra - quem sabe o céu - sobe. Jezibaba rege a passagem do príncipe e se vira pra orquestra. Com um gesto, a narradora encerra a ópera.