sexta-feira, 21 de julho de 2023

O plano e o cachorro na pista

O plano era o seguinte: eu voltaria a Porto Velho dia 21, chegando às 13h para colocar a mudança no caminhão, distribuir o que não vai, pintar o apartamento, consertar as coisas quebradas, desligar a energia e devolver a chave na imobiliária. Pra isso, o caminhão de mudança saiu de Brasília no tempo certo e chegou no dia 21 de manhã em Porto Velho. 

Eu entrei no avião pra Porto Velho e esperei o tempo passar. Não era um voo direto: conexão em Cuiabá. Foi anunciada a descida e o piloto passou a dar voltas em cima da paisagem patchwork. Depois de fazer voltas na outra direção, o piloto anunciou que seguiríamos a Campo Grande (MT) porque havia um cachorro solto na pista de pouso em Cuiabá. Por questões de segurança, não pousaríamos em CGB.

Os passageiros com destino a Alta Floresta se alarmaram: "eu vou perder uma diária de 4 mil reais!". Chegamos em Campo Grande sem saber como cada um continuaria a sua viagem. O avião foi abastecido (combustível e comida) e o piloto anunciou que se permanecêssemos mais 5 minutos ali, corríamos o risco do voo terminar ali. Relatou que o cachorro em Cuiabá foi capturado e entendemos que regressaríamos a CGB. Cinquenta minutos e amendoim+cookie+balinhas de gelatina depois, aterrissamos em Cuiabá. Os passageiros com destino a Ji-Paraná tiveram sorte: o avião deles esperou e puderam sair primeiro do avião. Os passageiros com destino a Porto Velho foram orientados e retirar a bagagem e entrar no ônibus que leva pro hotel.

Eu fui pra fila do check-in para saber quando será o voo a PVH de amanhã. Diziam que haveria um voo extra, mas não informavam o horário. "Descanse no hotel, entraremos em contato." Tem um caminhão de mudança me esperando, só eu tenho a chave da casa. Insisti no voucher indenizatório. Duas atendentes prometeram imprimir o voucher pra mim e não voltaram, eram fisgadas por homens que reclamavam mais alto (tipo aqueles que perderam a diária do hotel em Alta Floresta). Conclusão: perdi o ônibus pro hotel.

Me disseram que iam chamar Uber e que era pra eu entrar na fila do Uber. Não tinha fila do Uber, só fila normal do check-in. Mudaram o hotel e agora era pra esperar uma van. A atendente da Azul pegou o meu cartão de embarque, foi ali e voltou. Chegou a van, atravessamos a rua e desembarcamos num hotel mais de três estrelas. A cara das atendentes atrás do balcão do hotel revelava os pensamentos confusos delas. Uma atendente pediu pra um (hóspede de Alta Floresta) pra aguardar ali do lado e pronto, foi a faísca que faltava. O hotel não sabia que a Azul tinha feito reservas pra nós, a trupe do cachorro na pista. Eu mostrei as mensagens que a Azul tinha mandado no meu celular (os outros não receberam essas mensagens de hospedagem em hotel) e fizeram nosso check-in com agilidade.

Acho que tenho tipo um carma com Cuiabá. O carro quebrou aqui na vinda e tivemos que ficar dois dias a mais de molho; o cachorro na pista me segurou aqui de novo. Se eu tivesse chegado em PVH hoje às 13h, conforme o plano, teríamos embalado as coisas hoje e amanhã; e o caminhão regressaria a Brasília amanhã mesmo. Como só chego no sábado em horário indefinido, a mudança vai ficar pra segunda-feira, porque o condomínio não permite mudança no sábado de tarde ou domingo.

domingo, 16 de julho de 2023

Eixão, tesoura e bloquinho

Luis tinha organizado um festival de cinema Adrian Cowell em Porto Velho entre os dias 10 e 14 de julho antes de sair a requisição. Quando ele avisou à comissão que estaria em Brasília, sentiu a pressão e comprou passagem pra PVH, pra estar nas mesas, logística e homenagens. Era a despedida dele de Porto Velho e da UNIR.

Curicacas pastando
Agnes e eu ficamos em Brasília, vendo casa e escola entre Planetário, Parque e cidade. Sem a voz que sai "da" Waze, eu não conseguiria acertar os caminhos. Eu que tenho dificuldades com direita e esquerda, ainda preciso interpretar "mantenha-se à direita", "saia à direita" e "retorne" como sendo equivalentes. Ideal mesmo seria instalar aquele suporte de celular numa altura visível e fazer como motorista de Uber. Ver o trajeto é mais confiável que seguir a voz...
Planetário
Morar numa casa com aluguel pagável significaria morar tipo na zona rural e ter que viajar para o trabalho. Morar num apartamento numa das asas do Plano Piloto significaria reduzir pela metade o espaço e dobrar o valor do aluguel. As escolas particulares que visitamos cobram a mesma faixa de preço (que corresponde ao dobro do que pagávamos em Porto Velho). 
Bico de papagaio

Enquanto Luis estava em PVH no festival, fui costurando apartamento em bloquinho (super quadra) com escola pública. A estrutura física das escolas públicas não me meteu medo, o atendimento foi cordial, entendi que as escolas para Fundamental 1 e 2 são separadas, ou seja, Agnes conviveria com crianças de no máx. 11 anos. Entendi que o ensino integral da pública se dá em dois lugares: a escola parque (música, teatro, piscina, ginástica) e a escola classe (caderno, lousa, ler e escrever) em dois períodos. Escola parque de manhã e escola classe de tarde, de modo que eu deixo a criança na escola parque, depois do almoço ela entra no ônibus e vai até a escola classe, onde eu a busco.

Cortei alguns fios nesse processo de escolhas, amarrei um apartamento enviando toda a documentação pra imobiliária pelo celular e apostei na escola pública. Espero muito que Agnes se adapte bem, que as coisas caibam no bloquinho, que atravessar o eixo pra ir pra escola não seja difícil e que eu consiga ir de bicicleta pro trabalho.

Ipê rosa

Apresentação

Como estávamos em contato com os nossos respectivos ministérios e estávamos sendo aguardados (será que eles vão conseguir chegar?), fomos logo lá, nos apresentar. Luis foi de manhã no CNDH e eu fui de tarde na Esplanada, Bloco C. O tapete dizia "Ministério da Economia", mas na parede está escrito "Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar". O MPI se distribui em algumas salas ao longo de pelo menos dois andares desse prédio.

Conversei bastante com Altaci Kokama e Juma Chipaia e fui entendendo o que eu vou fazer nesse Ministério. No primeiro momento, minha contribuição será técnica.
Já Luis terá um papel político e de formulação. Ainda chego lá...

sexta-feira, 7 de julho de 2023

A grande viagem

Dia 29 entramos no carro com uma mini mudança. Passamos a coletar notas fiscais de gasolina, pedágio, hospedagem e alimentação pra depois pedir ajuda de custo. A primeira noite nós passamos em Ji-Paraná, na casa do Tijolão, da Renata, Tereza e Beatriz. Agnes se deu super bem com as meninas, eu descobri que a minha portaria foi publicada no Diário Oficial naquele dia e Tijolão traçou toda a nossa rota, fez contatos e acionou a rede de apoio.

Rondônia é uma coleção de plantações de milho, soja, algodão e boi. Dormimos a segunda noite em Campos de Júlio, já no Mato Grosso.
O primeiro pedágio, ente Sapezal e Campo Novo do Parecis, foi em terra indígena, fora da rota pré-determinada.
Na divisa da TI tinha esse rio lindo de águas claras. Rio Verde.
Dormimos em Cuiabá e na manhã seguinte, ao sair do hotel, o carro não ligou. Era domingo. Acionei o seguro e veio um cara que diagnosticou que o problema não era bateria. Sugeriu um amigo mecânico, já que não havia oficina aberta no domingo. O amigo não estava disposto a vir, então estendemos nossa estadia em Cuiabá.
Se o problema era o carro, passou a ser a comunicação com o seguro. Agendei guincho que não veio, liguei milhares de vezes pra central, digitei a mesma sequência de números e contei a mesma história. O guincho de emergência levou o carro pro centro automotivo da seguradora.
Era motor de arranque, o que retrospectivamente explicava falhas. Tinha que trocar peça, mas ali não tinha. Luis passou o dia na oficina. A peça que chegou não encaixava e tiveram que fazer um artesanato. Deu certo depois de testes e ensaios.
Eu tive que acertar o relógio do carro e conseguir o código do rádio. Dormimos em Barra do Garças achando que já tínhamos atravessado a fronteira de estado e fuso horário.

Depois do rio Araguaia é que precisou acertar de novo o relógio do carro. 
Não chegamos em Brasília logo nesse dia, porque os hotéis estavam com preços de férias. Nosso último hotel bão foi em Anápolis.

Chegamos ontem, depois de 1 semana de viagem, em Brasília. Sãos e salvos, estamos hospedados na igreja enquanto procuramos casa e escola.