quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Recife

Marco Zero
Aquele dito popular que o caminho se faz ao caminhar vale pros nossos planos nesta viagem. O trajeto de ônibus de Natal a Recife foi desgastante pra nós pela decepção com a qualidade do ônibus que pegamos. E acumulou asco na Agnes, que sofreu nos ônibus de Fortaleza a Mossoró e depois Mossoró a Natal. Tanto foi que acabei comprando passagens de avião pelo celular e decidimos pular Aracaju, onde passaríamos um dia apenas.
Passeio de catamarã com um Brennand ao fundo
Estive em Recife com Philip, Ruy, Ninja, Fashion (e outro rapaz cujo nome esqueci) muitos anos atrás. Philip e eu subimos de Campinas a Recife de carro em 4 dias e ficamos hospedados na casa do Ruy, que tinha vindo antes de carro com os outros. Ficamos apenas 3 dias em Recife e Ruy nos levou ao Marco Zero (e outros lugares e praias).

Perguntei por WhatsApp pro Ruy qual era o nome da melhor sorveteria do mundo e ele me ofereceu pacote completo com sugestões de passeios. Juntou o passado com o presente no tempo da era digital.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Praia de Camurupim

Demoramos pra decidir alugar um carro em Natal. Depois demoramos a negociar um destino, principalmente porque não lembrávamos de todo o nome da praia que o taxista tinha recomendado: eu lembrava de Caramuru e Luis lembrava de Curumim e Curupira.
Uma parede de pedra forma uma barreira que separa a rebentação de piscinas rasas e calminhas. Pra Agnes isso significou independência pra caminhar na água, sentar e levantar de novo. E a areia era mais fofa e limpa que em Ponta Negra, onde tem muita pedra, caco de vidro e tampinha de garrafa de cerveja. Fizemos o que os nativos fazem, e de fato tinha bem menos gente em Camurupim que no burburinho de Ponta Negra.
Os únicos ambulantes em Camurupim eram vendedores de picolé. Em Ponta Negra, o assédio ao turista é canibal: oferecem óculos de sol, protetor solar, roupas de banho, tatuagens de um dia, colares e pulseiras, comidas variadas, coco, passeios de buggy, barco, em outro lugar e até tem ambulante vendendo picolé. Achei difícil fazer cara de esfinge e evitar o olhar de cada ambulante ou pedinte. Camurupim foi o nosso presente de Natal.

Natal em Natal

Praia de Ponta Negra


domingo, 24 de dezembro de 2017

Ravinas em Lagedo de Soledade

Depois de muita insistência, conseguimos achar o museu aberto e o guia disponível. Claudio nos levou até a ravina mais próxima e nos impressionou com seus conhecimentos adquiridos sobre geologia e paleontologia.
Ver as inscrições rupestres foi emocionante, bem como manter o interesse da Agnes.

Estou postando de um Tablet, digitando todas as letras com o mesmo dedo, sem ver o que escrevo porque o teclado virtual ocupa metade da tela. Confio que as imagens digam mais que palavras.

Caatinga


A caatinga oferece uma enorme variedade de plantas altamente interessantes. Saímos de Mossoró em direção a Apodi. Dali entramos pra Lagedo de Soledade e perguntamos pela Gruta do Roncador. Tinha que ir com guia e guia só no museu que tava fechado. Resolvemos desbravar a caatinga por conta própria e percebemos  muitos caminhos, muitas cercas e portão fechado na frente da atracação turística.

 Aqui parece que havia um rio que secou.
Dois jumentos olhando pra nós.

sábado, 16 de dezembro de 2017

TCC sobre TC

Maurício foi meu aluno de PIBIC, quando desbravamos Porto Velho em busca de pessoas com afasia. Na época, ele queria estudar construções de tópico-comentário (TC) na fala de sujeitos afásicos, mas aqueles que encontramos falavam tão pouco, que a estrutura sintática não teve chance de aparecer.

Me pediu pra que eu o orientasse no seu TCC (trabalho de conclusão de curso) - que no nosso curso corresponde a um artigo. Topei e ele logo se empenhou em buscar material sobre o fenômeno. Comprou dois livros da Eunice Pontes e percebeu que não havia mais material a ser adquirido sobre TC, porque pouca gente estuda o fenômeno.

O tempo passou, ele foi assumindo outras funções, TC foi deixando de ser o foco de suas atenções. Aí apareceu no site do GEL um texto sob a rubrica "Diálogos com pesquisadores" em que Ataliba e mais duas outras autoras descrevem como em 2014 o telejornalismo da Globo passou por uma reforma e foi oralizado, informalizado. Como TC é mais comum no registro oral, sugeri que ele coletasse dados de anos antes e depois de 2014.

Coletou 45 minutos de Jornal Nacional aleatórios dos anos de 2009, 2014 e 2017. Percebeu construções de tópico principalmente na fala de pessoas entrevistadas pelo jornal nos anos de 2009 e 2014. Em 2017, a proporção se inverteu, o que causou surpresa: a equipe do Jornal Nacional produzia 3x mais construções de tópico que as pessoas entrevistadas. Perguntei como isso era possível e ele explicou que o JN dava muito menos tempo para as pessoas falarem e ainda por cima guiava (perguntas cuja resposta será sim ou não, por exemplo) e editava a fala das pessoas. Assim, o JN tomava pra si a fala coloquial, que era o projeto de 2014.

Exemplos - o Tópico está em azul e o comentário em rosa:

Essas promessas, elas se batem, se chocam?
Essa situação, a senhora não considera trocar seis por meia dúzia?
Luiz Gustavo, ele ainda é um jogador de sucesso.
A milícia, ela já está controlando metade do território afegão.

O comentário é uma sentença completa, ao passo que o tópico é um elemento que sobra em termos sintáticos. A gramática tradicional chama o tópico de anacoluto. A forma do tópico pode variar, mas sua função é anunciar o assunto que será tratado na sentença a seguir, o comentário. 

A defesa foi hoje e na banca estiveram os professores Luiz Fiori e Nair Gurgel.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Manga massa

A temporada de manga massa está acabando. Nesse ano, não fomos importunados por vizinhos  coletando nossas mangas de manhã cedinho, nem gente pedindo manga. Outra diferença em relação ao ano passado foi que Agnes não se entusiasmou pelas mangas.

Desde fins de outubro, teve manga todo dia: in natura, em forma de suco, na salada de frutas. Distribuímos muita manga aos vizinhos, mas foi sempre deixando uma sacola cheia de manga na porta da casa. Quem mais se deliciou com as nossas mangas foram as funcionárias da escolinha de natação.

Não tem mais muita manga por cair do pé, mas temos provisões. Fiz polpa, sorvete e geleia. Continuaremos tendo muita manga.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Empatia e despedidas

Agnes está passando por um período difícil, porque temos rodado algumas escolinhas e feito alguns testes. A princípio, ela gostava da novidade, ia entrando e explorando o espaço sozinha. Mas depois que a gente sumia, ela se desesperava e chorava a ponto da escolinha me chamar de volta pra buscar, porque ela estava chorando muito. Quando ela começou a espernear ao perceber que o carro tinha entrado na rua da escolinha, desistimos das escolinhas tradicionais.

Em seguida, percebi alteração na piscina: Agnes começou tendo aula com uma professora (não sei o nome dela) que logo depois de um tempo entrou em férias. Enquanto ela tava de férias, 3 outras professoras se revezaram, mas só de uma Agnes gostou. Eu também gostei mais das aulas da Aline, uma pessoa muito expressiva e sorridente, porque percebi nas aulas dela um método, uma evolução. E as aulas dela rendiam, Agnes ficava pouco tempo parada. Daí a professora voltou das férias e Agnes começou a gritar mamãe mamãe mamãe quando a professora a pegava. Até a professora percebeu a ausência de empatia. Mudamos para o horário da Aline. Já na segunda aula, outra professora nos esperava na piscina. Mamãe mamãe mamãe. 

Outro motivo para mudarmos o horário da natação foi que resolvemos levar a Agnes na escolinha que permite a presença dos pais, mais oferece livre brincar, crianças em diferentes faixas etárias, menos rotina e disciplina militar possível. E como aprenderíamos a nos despedir da Agnes de maneira gradual, fui acompanhando ela até perceber que ela gostava da escolinha e das crianças (na verdade, só do Felipe, de 5 anos). Daí Luis viajou por 5 dias.
Continuamos indo na escolinha todas as manhãs, e quando senti que eu podia me ausentar por 15 minutos, me despedi dela. Fez barraco, chorou desesperadamente até eu voltar. No dia seguinte, a tia que segurou o rojão teve a sacada de colocar musiquinha pra Agnes. Deu certo. Ela conseguiu se acalmar com a música. Luis voltou, fomos juntos na escolinha. Ele não conseguiu se despedir da Agnes.
Viajou de novo, dessa vez por 4 dias. Na despedida, no aeroporto, Agnes chorou muito. E continuou gritando por horas a fio, até eu achar que Luis tinha morrido. No dia seguinte, não fomos na escolinha. Um dia depois, teve capoeira e ela se encantou com os sons, as vibrações, as brincadeiras das outras crianças. Tentei despedir durante a aula de capoeira, mas logo desisti, pra não comprometer a aula.

Hoje foi um dramalhão a despedida, Agnes virou o centro das atenções de todo mundo na escolinha e nos arredores. Saí e quando voltei, fiquei emocionada de ver as crianças maiores brincando com a minha pequena.

Todos os dias mandei fotos e relatos do exercício da despedida pro Luis e pro Philip, meu irmão (que trabalha numa creche parental). Com a ajuda do método do meu irmão, estamos conseguindo destraumatizar o processo de entrada na escolinha.