Agnes teve febres difíceis de baixar. Muita dipirona, banho e gelo foram administrados por muito tempo. Como Luis teve confirmação de covid através de dois testes e eu tive, um dia depois de testar negativo, garganta fechada num dia e dor no corpo de manhã por três dias seguidos (eu culpava o sofá), suspeitamos que Agnes também estivesse com covid.
Fomos no Hospital da Unimed. O pediatra disse que no segundo dia de sintomas ele não podia pedir teste de covid pra criança, mas pediu exame de sangue. Não deu pra fazer o exame naquele dia, porque a fila do laboratório estava imensa e estávamos de jejum havia muito tempo. No dia seguinte, Agnes coletou sangue.
Eu fui na farmácia, fazer o teste rápido. Como já estava sem sintomas, não adiantaria fazer o teste do cotonete e estudamos as possibilidades de saber se já tive covid. Igg e Igm eram as minhas siglas mágicas. Havia fila na farmácia e um cartaz informando que o teste tinha que ser pago antes de pegar a senha. Fui no caixa. Acabou o teste. Acabou de hoje? Acabou tudo.
Voltei no mesmo laboratório em que Agnes tinha coletado sangue e paguei por um teste que me desse como resultado as tais siglas. Pedi nota fiscal, pra depois declarar e quem sabe restituir. Reparei que havia um protocolo rígido ali: suspeitos de covid são sempre acompanhados pelo atendente, fazem um caminho segregado e são atendidos num espaço específico - ao lado da ala pediátrica. E as duas enfermeiras que de manhã tinham coletado sangue da Agnes estavam lá coletando amostras de pessoas com suspeita de covid... A moça chegou com um cotonete pra mim e pediu que eu tirasse a máscara. Não! Igg, Igm! Ela teve um momento de estranhamento, dúvida e resolveu ler atentamente o rótulo do teste e o que estava escrito na minha pulseira. Chamou atenção da colega, explicando como era fácil de confundir os dois testes.
De tarde saiu o resultado: Agnes com inflamação (PCR) e eu com Igg reagente e Igm não reagente, ou seja, tive covid, mas ela não está mais ativa. Voltamos ao Hospital da Unimed. Luis foi no médico para pedir pra fazer teste pelo seguro de saúde. Não conseguiu. Entendeu que havia uma política de não fazer teste em quem já tinha passado pela ômicron por mais de uma semana. Depois Luis acompanhou a Agnes na pediatra. A pediatra teve que ser convencida a indicar o teste pra Agnes: terceiro dia de sintomas, se ela estiver com covid, não pode vacinar já, precisamos poder proteger os outros. Sabendo que ela está com covid, não a enviaremos a lugar algum.
Agnes chorou muito por causa dos cotonetes (um em cada narina). Teríamos que esperar 15 min pelo resultado. A pediatra ainda estava na expectativa de rever a Agnes, porque tinha localizado uma faringite que precisava ser tratada. A própria pediatra saiu do seu consultório e foi na farmácia ver se o teste já estava pronto. Não localizou o enfermeiro, entrou na sala em que o teste havia sido realizado e me disse que o teste que estava lá, sem identificação, tinha dado positivo. O enfermeiro tinha saído pra jantar. As outras enfermeiras diziam que só o enfermeiro é que podia nos dar o resultado. Depois de um tempo, passaram a ligar pra ele e preparar a papelada que eu tive que preencher.
Tivemos todos covid aqui em casa. Cada um a seu tempo, em períodos diferentes. Luis pegou primeiro, sofreu mais e teve sintomas por mais tempo. Eu peguei quatro dias depois que o isolamento dele começou. Passei a dormir com Agnes na sala e ela começou a ter febre três dias depois que eu apresentei sintomas. Agora ela tem arsenal de remédios pra faringite. A covid o corpo dela vai ter que combater sozinho.