segunda-feira, 27 de novembro de 2017
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
Pula, menina!
15 de novembro, feriado: dia da República. Fomos no Espaço Alternativo (a pista que leva ao aeroporto que é fechada a partir das 17h) pra comemorar a recuperação da Agnes e tivemos que aturar as faixas pedindo intervenção militar contra a corrupção e as vozes raivosas no microfone defendendo valores da extrema direita, num discurso que considero extremamente equivocado. Fora essa dor de estômago - que Agnes nem sentiu - o espaço estava animado.
Colocamos a menina num pula-pula, mas ela ainda não descobriu como se pula. De frente pra ela tinha outra menina do tamanho dela, pulando num outro pula-pula. Agnes apontava, fazia o movimento, mas não desgrudava os pés do chão. Na água ela pula.
Colocamos a menina num pula-pula, mas ela ainda não descobriu como se pula. De frente pra ela tinha outra menina do tamanho dela, pulando num outro pula-pula. Agnes apontava, fazia o movimento, mas não desgrudava os pés do chão. Na água ela pula.
terça-feira, 14 de novembro de 2017
Piloto automático
Na madrugada de ontem, mais precisamente às 5 da manhã, Agnes acordou vomitando. Como ela dorme no mesmo quarto que a gente, logo acordamos assustados. Vomitou 5 vezes antes de chegarmos no hospital.
Entramos na sala de recepção verde e identificamos apenas uma funcionária atrás do balcão. Nem a triagem (sala onde a pessoa é pesada e sua temperatura é medida para que lhe seja atribuída uma fita que indica o grau de urgência com que deve ser atendido o paciente) estava aberta, nem o guarda estava lá. Expliquei pra atendente o que estava acontecendo, ela pegou o telefone.
O pediatra já vai chamar. Fomos no corredor da pediatria, verificamos todas as portas e constatamos que não havia pediatra ali. Ele desceu as escadas sonolento, usando um avental animadinho que não combinava com a cara comprida de sono. Não lembro se nos cumprimentou, só lembro que nos ouviu e mergulhou num silêncio digital diante do computador. Começou a preencher guias, carimbar e assinar papéis. Foi interrompido pelas nossas perguntas: vamos hidratar a menina? Podemos coletar exame de sangue depois?
Quando Agnes viu os uniformes verdes das enfermeiras, já se pôs a chorar. No feriado de Corpus Christi, 5 meses atrás, estivemos internados com ela por 3 dias.
* * *
Na madrugada de hoje, 1 da manhã, a cena se repetiu: Agnes acordou vomitando. Vomitou 4 vezes e teve diarreia antes de chegarmos no hospital. Dessa vez, o guarda e o pediatra de plantão estavam conversando com o atendente. Não expliquei nada. Peguei a senha, dei ao atendente, peguei meu RG e a carteirinha da Agnes na carteira e os entreguei também. O moço já ia me entregando a guia, quando perguntei se o pediatra estava embaixo ou em cima. Ele apontou para o homem que entrava no corredor da pediatria e disse que este era o pediatra.
Tivemos que esperar o painel soar e apresentar o nome da nossa filha. Esse plantonista não teve muito tempo para mergulhar no silêncio dos formulários e guias, foi interrogado pelos pais aflitos.
Reconheci a enfermeira de plantão e ficamos assustados com a determinação dela de coletar sangue e fazer a punção do acesso para o soro e remédio numa agulhada só. Agnes arregalava os olhos de dor, gritava, urrava, suava, o sangue escorria pelo braço e eu tinha vontade de gritar junto. Todas as 3 enfermeiras que seguraram a Agnes (além de nós dois) ficaram repetindo que era um mal necessário.
O exame de sangue não apontou nada específico, vermes foram descartados através do resultado do exame de fezes, não tinha febre, mas seguia com diarreia e apontando para o meio das pernas. Faltava a coleta de urina. Gastei 4 daqueles coletores horrorosos. Dois se misturaram com a diarreia, os outros dois saíram secos de dentro de uma fralda encharcada.
Voltamos pra casa quando Agnes chegou no limite da paciência. Não recebemos alta, nem pegamos a receita dos remédios, nem a guia do exame de urina. Chamamos a enfermeira que tirou o acesso, juntei nossas coisas e saímos do hospital.
Em casa, subi num banquinho e alcancei a caixa em que tinha guardado as fraldas de pano que não se rasgaram com o tempo. Escolhi a mais confortável e pus na Agnes. Como ela tinha ficado muito tempo no soro, logo a fralda encharcou. Tirei o absorvente de dentro da fralda e o torci pra dentro do copinho coletor.
Agnes e eu voltamos no hospital, mas fomos direto ao laboratório. Entreguei o copinho.
- 4 horas de jejum, tá?
- Como assim?
- Só pode coletar 4 horas depois da mamada.
- Ela não mama mais. E ela tava no soro.
...
- Não estou entendendo essa guia.
- Essa guia deve ser do médico de ontem.
- Então já coletou sangue?
- Sim, e fezes também, só a urina que tava pendente, e como eu sei que você precisa de uma guia, eu trouxe essa, que a gente não usou ontem. A guia de hoje ficou com a médica, a gente saiu sem ela dar alta.
Dali em diante a atendente se transformou numa pessoa simpática e nos atendeu com muita atenção.
Entramos na sala de recepção verde e identificamos apenas uma funcionária atrás do balcão. Nem a triagem (sala onde a pessoa é pesada e sua temperatura é medida para que lhe seja atribuída uma fita que indica o grau de urgência com que deve ser atendido o paciente) estava aberta, nem o guarda estava lá. Expliquei pra atendente o que estava acontecendo, ela pegou o telefone.
O pediatra já vai chamar. Fomos no corredor da pediatria, verificamos todas as portas e constatamos que não havia pediatra ali. Ele desceu as escadas sonolento, usando um avental animadinho que não combinava com a cara comprida de sono. Não lembro se nos cumprimentou, só lembro que nos ouviu e mergulhou num silêncio digital diante do computador. Começou a preencher guias, carimbar e assinar papéis. Foi interrompido pelas nossas perguntas: vamos hidratar a menina? Podemos coletar exame de sangue depois?
Quando Agnes viu os uniformes verdes das enfermeiras, já se pôs a chorar. No feriado de Corpus Christi, 5 meses atrás, estivemos internados com ela por 3 dias.
* * *
Na madrugada de hoje, 1 da manhã, a cena se repetiu: Agnes acordou vomitando. Vomitou 4 vezes e teve diarreia antes de chegarmos no hospital. Dessa vez, o guarda e o pediatra de plantão estavam conversando com o atendente. Não expliquei nada. Peguei a senha, dei ao atendente, peguei meu RG e a carteirinha da Agnes na carteira e os entreguei também. O moço já ia me entregando a guia, quando perguntei se o pediatra estava embaixo ou em cima. Ele apontou para o homem que entrava no corredor da pediatria e disse que este era o pediatra.
Tivemos que esperar o painel soar e apresentar o nome da nossa filha. Esse plantonista não teve muito tempo para mergulhar no silêncio dos formulários e guias, foi interrogado pelos pais aflitos.
Reconheci a enfermeira de plantão e ficamos assustados com a determinação dela de coletar sangue e fazer a punção do acesso para o soro e remédio numa agulhada só. Agnes arregalava os olhos de dor, gritava, urrava, suava, o sangue escorria pelo braço e eu tinha vontade de gritar junto. Todas as 3 enfermeiras que seguraram a Agnes (além de nós dois) ficaram repetindo que era um mal necessário.
O exame de sangue não apontou nada específico, vermes foram descartados através do resultado do exame de fezes, não tinha febre, mas seguia com diarreia e apontando para o meio das pernas. Faltava a coleta de urina. Gastei 4 daqueles coletores horrorosos. Dois se misturaram com a diarreia, os outros dois saíram secos de dentro de uma fralda encharcada.
Voltamos pra casa quando Agnes chegou no limite da paciência. Não recebemos alta, nem pegamos a receita dos remédios, nem a guia do exame de urina. Chamamos a enfermeira que tirou o acesso, juntei nossas coisas e saímos do hospital.
Em casa, subi num banquinho e alcancei a caixa em que tinha guardado as fraldas de pano que não se rasgaram com o tempo. Escolhi a mais confortável e pus na Agnes. Como ela tinha ficado muito tempo no soro, logo a fralda encharcou. Tirei o absorvente de dentro da fralda e o torci pra dentro do copinho coletor.
Agnes e eu voltamos no hospital, mas fomos direto ao laboratório. Entreguei o copinho.
- 4 horas de jejum, tá?
- Como assim?
- Só pode coletar 4 horas depois da mamada.
- Ela não mama mais. E ela tava no soro.
...
- Não estou entendendo essa guia.
- Essa guia deve ser do médico de ontem.
- Então já coletou sangue?
- Sim, e fezes também, só a urina que tava pendente, e como eu sei que você precisa de uma guia, eu trouxe essa, que a gente não usou ontem. A guia de hoje ficou com a médica, a gente saiu sem ela dar alta.
Dali em diante a atendente se transformou numa pessoa simpática e nos atendeu com muita atenção.
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Terceirização dos pais
Eu mesma confesso que ando bastante angustiada por não conseguir exercer a minha profissão (especialmente o papel de editora da Edufro) a contento e fico imaginando que a creche seria uma solução: Agnes teria contato com outras crianças, eu teria tempo.
Mas quando olho ao redor, percebo que essa terceirização tem limites bastante elásticos. Na natação, o núcleo duro da turma (as pessoas que vêm sempre) é composto por: Agnes e eu, uma criança com necessidades especiais e a mãe, um menino e a babá. O menino não chora mais, mas também não ri, nem se diverte como a Agnes ou a menina com distúrbio motor. O menino mergulha, bate perna, anda em cima do tapete, mas trava na hora de pular nos braços da babá. Pelas conversas (sobre a roupa de banho do menino, por exemplo), entendo que a babá viaja com a família nas férias. Ou seja, o trabalho não é o único motivo que levou os pais a contratarem uma babá.
Dos 4 desenhos que ocasionalmente vemos com a Agnes na TV, apenas a Peppa tem pais presentes e uma rotina de criança. E a Peppa é uma porquina. As crianças humanas, Luna e Jupter, estão sempre na casa dos avós no sítio; os Mini Beat Power Rockers estão sempre na creche com a tia Dolores; e Lola, Jules e Baby Joe estão sempre com a babá Miss Moon.
Os desenhos infantis naturalizam a terceirização dos pais e trabalham com a "babá divertida e genial" (Miss Moon), com a integração - através da música - entre as crianças (Mini Beat Power Rockers), com as eternas férias no campo na casa dos avós (O show da Luna). Mas quem assiste a esses desenhos não tem uma babá feiticeira. Bebês que ficam na creche o período integral não interagem com outros bebês. Crianças da idade da Luna e do Jupter têm rotina e essa rotina está ligada à escola.
Fico até pensando que esses desenhos pretendem acalmar e tirar a culpa dos pais: a casa dos avós/ a babá será legal, e se não for, como é o caso da Dolores, os bebês vão se unir e fazer coisas legais.
Mas quando olho ao redor, percebo que essa terceirização tem limites bastante elásticos. Na natação, o núcleo duro da turma (as pessoas que vêm sempre) é composto por: Agnes e eu, uma criança com necessidades especiais e a mãe, um menino e a babá. O menino não chora mais, mas também não ri, nem se diverte como a Agnes ou a menina com distúrbio motor. O menino mergulha, bate perna, anda em cima do tapete, mas trava na hora de pular nos braços da babá. Pelas conversas (sobre a roupa de banho do menino, por exemplo), entendo que a babá viaja com a família nas férias. Ou seja, o trabalho não é o único motivo que levou os pais a contratarem uma babá.
Dos 4 desenhos que ocasionalmente vemos com a Agnes na TV, apenas a Peppa tem pais presentes e uma rotina de criança. E a Peppa é uma porquina. As crianças humanas, Luna e Jupter, estão sempre na casa dos avós no sítio; os Mini Beat Power Rockers estão sempre na creche com a tia Dolores; e Lola, Jules e Baby Joe estão sempre com a babá Miss Moon.
Os desenhos infantis naturalizam a terceirização dos pais e trabalham com a "babá divertida e genial" (Miss Moon), com a integração - através da música - entre as crianças (Mini Beat Power Rockers), com as eternas férias no campo na casa dos avós (O show da Luna). Mas quem assiste a esses desenhos não tem uma babá feiticeira. Bebês que ficam na creche o período integral não interagem com outros bebês. Crianças da idade da Luna e do Jupter têm rotina e essa rotina está ligada à escola.
Fico até pensando que esses desenhos pretendem acalmar e tirar a culpa dos pais: a casa dos avós/ a babá será legal, e se não for, como é o caso da Dolores, os bebês vão se unir e fazer coisas legais.
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
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