terça-feira, 29 de junho de 2021
sábado, 26 de junho de 2021
-(c)ulo
As formas latinas -ulus (masc.), -ula (fem.) e -ulum (neutro) eram sufixos que indicavam o diminutivo. Essa ideia de diminutivo persiste em português em palavras como
versículo (verso diminuto); vernáculo (pequeno doméstico = escravo nascido na casa do senhor); fascículo (pequeno feixe); maiúsculo (um pouco maior); minúsculo (um pouco menor);
óvulo (ovo diminuto); glóbulo (pequeno globo); testículo (pequena testemunha); furúnculo (pequeno ladrão que acumula seiva); cálculo (pequena calcificação); tentáculo (pequeno membro que serve para apalpar, experimentar, tentar); ventrículo (pequena cavidade, barriga, ventre);
cubículo (cubo diminuto);
homúnculo (mini homenzinho);
módulo (pequeno modelo); rótulo (pequeno rolo que carimba uma marca).
Como diz o outro, toda boa filosofia começa com um bom dicionário. No caso, um dicionário etimológico.
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| Quem é grande e quem é pequeno aqui? |
sexta-feira, 25 de junho de 2021
Pós-vacina (astrazeneca)
Tomei a vacina astrazeneca no sábado. Não tive reação no dia. Fiquei consultando os outros acerca de suas reações e fiquei esperando as minhas chegarem 12 horas após aplicação, mas nada aconteceu. Nem no domingo, nem na segunda. Na terça, tive cólicas muito fortes logo de manhã. Achei que eu não conseguiria levar a Agnes pra escola, porque eu não podia nem sentar. Associei ao frio (esse ano tivemos um recorde de friagens no Norte. Luis afirma que "mudança climática" é eufemismo pra "transformação irreversível"), mas como Luis também teve fortes dores no fígado, suspeitei que era a vacina atacando os órgãos. Justo o meu órgão reprodutor?
Na quarta de noite eu fui surpreendida com sangue no papel higiênico. Podia ser a menopausa. Porque a menstruação é um ciclo regular. Depois que Agnes nasceu, passou a ser um ciclo que podia até regular o relógio: a cada 4 semanas, ao meio-dia. Se ela vinha uma semana antes do regulamentar, algo estava desregulando o ciclo.
Nessa madrugada acordei com o lençol molhado. Isso não acontecia há tempos. Isso que eu uso o coletor (aliás, usei o mesmo coletor por 10 anos, encomendei outro da República Tcheca que caiu vítima da descoberta da Agnes de como funcionam as tesouras - aquele cabinho deve ter lhe parecido irresistível - e encomendei um terceiro) e modess noturno.
Uma busca no Google confirmou que um dos efeitos da astrazeneca é alteração do ciclo menstrual - com sangramento muito mais intenso.
quinta-feira, 24 de junho de 2021
Concentração
É comum que religiões concentrem seus dogmas num texto. Um texto único contém a narrativa, a revelação, os testemunhos, os livros. A Bíblia é o livro dos livros. Para os católicos pré-modernos, o texto sagrado tinha que ser em latim. Um texto, uma língua: sem variação, sem brecha para novas interpretações além daquelas autorizadas e controladas. Língua e poder. Nesse sentido, a Reforma foi uma afronta - traduzir o texto sagrado para o vernáculo.
A pesquisa Retratos da Leitura 2020 (referente a 2019, antes da pandemia) mostra que aproximadamente 70% dos brasileiros que têm o hábito da leitura (e portanto leem porque precisam) preferem ler no papel impresso. Quanto mais proficiente o leitor, mais flexível é para ler em formato digital. Só que a maior parte das leituras digitais se dá no celular. A menor fatia de leitores que lê livros digitais os lê no e-reader (tipo Kindle). Livros e poder aquisitivo.
Essa pesquisa revela que 40% dos que se autointitulam leitores (para os parâmetros da pesquisa, leitor é quem leu pelo menos um livro inteiro ou parte dele nos últimos 3 meses), são leitores de um livro só: a Bíblia. Leem e releem trechos, livros ou tudo. Não compram outros livros, a Bíblia passa de mão em mão. Religiosidade e classe social.
Em leitores de livros (no plural), é comum que a escolha do livro seguinte seja determinada pelo próprio autor: não que se leia todos os livros de um autor, mas que se visite mais de uma obra. Concentrar no escritor parece ser importante. Montar uma biblioteca com livros que conversam entre si parece ser interessante. Livros e conhecimento, livros e estilo.
Achei curioso que os respondentes indicaram o professor ou amigo como sendo aquele que oferece sugestões de leitura - e não o influenciador digital ou o bibliotecário. Em 2019, as bibliotecas funcionavam. Mas elas têm livros novos? Como elas disponibilizam livros digitais? As bibliotecas são locais acolhedores? Elas contam com pessoal capacitado? Achei ainda curioso que os respondentes não consideram a biblioteca como lugar para ler livros. A casa dos livros é um lugar pra estudar, emprestar livros, usar internet. Mas não pra ler. A leitura se concentra em casa.
Achei super bacana que a maior concentração de leitores que escolhem ler livros porque gostam de ler são crianças e adolescentes. Isso dá esperança.
quarta-feira, 23 de junho de 2021
Parque depois da escola
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| Agnes se orienta pela linha pra escrever: o x paira sobre a linha |
A escolinha da Agnes vai das 8h às 11h e Luis a acostumou a passar em algum lugar antes de voltar pra casa. Como ela normalmente não come o lanche na escola (porque fica conversando), essa é a hora de fazer pique-nique. Nessa hora, os parques e parquinhos estão desertos.
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| E eu, em meio à reunião anual da ABEU, só penso em livro. |
terça-feira, 22 de junho de 2021
33 Reunião anual da ABEU
A 33º Reunião anual da ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias) estava programada para acontecer em maio de 2020. Minha passagem tinha sido comprada (pela Reitoria), eu mediaria uma roda de conversa, o último dia estava reservado à socialização sem a formalidade das palestras. Mas o encontro não aconteceu. Está acontecendo agora, online. São conversas muito importantes e esclarecedoras sobre o ofício editorial.
domingo, 20 de junho de 2021
Vacinansiedade
A história poderia começar assim:
Vacinei.
E é assim que ando ouvindo esse verbo ser conjugado: Vacinou? Vacinei. Tipo aposentar, operar e tantos outros que são conjugados como se o sujeito fosse também o agente de um verbo intransitivo:
João aposentou ano passado. (Aposentou a bicicleta?)
Maria operou da vesícula. (E ela é médica?)
Mas quem ainda lembra disso? Hoje em dia, as pessoas aposentam, operam e vacinam. No caso da vacina, não fui eu quem aplicou a vacina: foi a vacinadora. Contudo, não tive papel de paciente para conseguir a vacina: tivemos que ser agentes, o que envolveu muita ansiedade.
Havia rumores de tantas mil doses adquiridas pela Prefeitura de Porto Velho. Em seguida vimos um video do prefeito anunciando um aplicativo que deveríamos baixar no celular chamado SASI e que organizaria a fila de vacinação. Fizemos o cadastro e percebemos que esse aplicativo tem poucos botões, sendo que o mais movimentado era o das notícias. Bem no começo do mês de junho, veio a notícia de que os Trabalhadores da Educação tinham que refazer o cadastro para informar em que nível atuavam, porque quem trabalha em creche e Ensino Infantil seria vacinado primeiro ... e quem atua no ensino superior, por último.
Refizemos o cadastro, esperamos ansiosos e o SASI passou a ser o aplicativo mais visitado no celular. Passaram-se os dias e fomos surpreendidos pela notícia de que a vacinação dos Trabalhadores da Educação estava sendo temporariamente suspensa - então tinha sido iniciada...
O SASI informava que era a vez dos Trabalhadores do Transporte Coletivo (como Uber e taxi estavam de fora e há apenas 30 ou 40 ônibus rodando em PVH, calculamos que essa etapa seria cumprida rapidamente). Começaram rumores de que receberíamos a vacina da Janssen, que é dose única. Assim poderíamos voltar ao trabalho presencial. De repente começaram a vir pelo WhatsApp informações sobre local e data de vacinação dos professores.
Em Porto Velho existem pelo menos 4 universidades/ faculdades particulares e a UNIR, única pública, fica a 10km da cidade. A UNIR não era local de vacinação, mas Uniron, São Lucas e FIMCA eram. Segundo a tabela, havia dois locais distintos para Trabalhadores da Educação privada e um terceiro local para os Trabalhadores da Educação (sem adjetivo qualificando). Esse último, em que nós seríamos vacinados, também era Mecca dos sem comorbidade entre 50 e 55 anos.
Entendi que nós, profissionais da Educação, éramos as últimas prioridades a serem vacinadas, já que conosco seriam vacinados aqueles que não eram prioridade, eram apenas mais velhos. Chegaram informações de que era tudo fake news. Chegaram áudios de fontes fidedignas que confirmavam que a vacinação seria no fim-de-semana, mas que o local ainda não estava definido. Voltaram a aparecer tabelas com local e hora de vacinação diferenciando o setor privado (maior em PVH) do público. Começaram os planos, as estratégias, os cálculos: ansiedade.
Ainda houve margem para interpretações: Trabalhadores da Educação e colaboradores. Seriam os técnicos? Seriam os terceirizados? Alguém perguntou se os estagiários também entravam, mas aí já é demais: estagiário não tem vínculo empregatício. Cada um alimentava, do seu isolamento, esse comboio de perguntas e respostas pelas redes sociais - já que esse é o meio em que socializamos atualmente. Alguém dizia que a validade da vacina da Janssen estava perto do fim, outros disseram que a vacina da Janssen não chegaria. Muitas vozes (por escrito). O jornal (G1, hein) anunciava um quarto ponto de vacinação com drive-thru (que depois não se confirmou).
Quinta-feira de noite, na cama, vendo o celular, Luis vibrou: fui agendado! Vou vacinar amanhã pela idade. O agendamento (e a notificação) chegou menos de 12 horas antes do evento. Sexta-feira ele foi, passou a manhã na fila e voltou vacinado, com data pra tomar a segunda dose. De noite, pouco antes da meia-noite, foi a minha vez de receber a notificação do agendamento. No dia da manifestação, eu seria confinada à fila de vacinação.
A manifestação, descobri no meio do caminho, era uma carreata que passava pelo meu caminho ao ponto de vacinação. Quando cheguei na FIMCA (que não era o local de vacinação previsto na tabela da Prefeitura, mas o local indicado no agendamento), fila sem distanciamento:
Reconheci colegas na fila, vi gente segurando o braço (na verdade, o algodão) e fui progredindo, ao longo de uma hora, até a sala de vacinação. Depois de vacinada, segurando o algodão, só consegui dizer "não dói" à primeira pessoa que reconheci na fila dos que aguardavam.
No dia em que o Jornal Nacional mudou o tom para descrever as manifestações populares, destacando o valor da ciência, a bandeira do Brasil (ignorando as bandeiras vermelhas) e o FORA BOLSONARO (reforçando, no editorial ao fim, que não tem dois lados nessa história), no dia em que o Brasil ultrapassou a marca dos 500 mil mortos por covid, eu fui vacinada.
Nas redes sociais, cada um dava testemunho das reações à vacina. Reparei que aqueles que tiveram covid relataram febre, frio e tremedeira, dores de cabeça e nas pernas. Eu não tive nada. Luis teve enjôo de noite e dores no fígado, mas também já passou. Reparei também que mesmo que nós, professores, tenhamos tomado vacina no mesmo dia, não estamos agendados para a segunda dose na mesma data. Imagino que isso esteja relacionado ao lote da vacina que tomamos. De todo modo, a segunda dose será em setembro e o semestre (2020-2) que começa amanhã encerra em outubro. Imagino que quando dermos o semestre de 2021-1, será em modo presencial.
domingo, 13 de junho de 2021
domingo, 6 de junho de 2021
Ninho de beija-flor
Na sexta, o/a beija-flor estava quietinho/a, sentado no ninho, deixando a gente se aproximar do limoeiro. Fiquei de trazer uma câmera com zoom decente e, quando voltei com a câmera hoje, o ninho parecia vazio. Subi na casa do Damián e tirei essa foto. Ficamos impressionados com a trama do ninho: parece que teias de aranha, musgos e materiais bem finos foram usados pra construir essa tigela. Mas dali, da casa, nem com zoom eu conseguia ver se tinha ovo dentro do ninho.
Damián botou uma cadeira em frente ao limoeiro e depois botou um banquinho mambembe em cima. Eu fiquei com medo das habilidades circenses não serem suficientes pra se equilibrar, acertar os botões da máquina e fazer uma boa foto. Achei um cavalete da altura do banquinho em cima da cadeira. Ele removeu a cadeira, posicionou o cavalete no lugar - e o banquinho em cima. Quando ele puxou o galho pra perto de si, dois bicos se abriram.
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sexta-feira, 4 de junho de 2021
Colheita
Agnes foi guiando, Rompe-Mato foi acompanhando. Não conseguimos avançar muito na trilha, porque na primeira baixada tinha água.
Damián se surpreendeu com a quantidade de quiabo maduro e depois entendeu que não se pode deixar o quiabo passar do ponto no pé. Colhemos muitos quiabos - provavelmente duros.
João Gomes - ou cariru.
Primeira abóbora foi dividida em duas partes. Uma ficou, a outra veio.

























