Não sei se em outras editoras é diferente, mas, na EDUFRO, desde que eu assumi a gestão, a questão das capas gera uma hipersensibilidade. Outras questões também, do tipo: "essa coletânea foi escrita por professores de alto gabarito, vai mesmo mandar para avaliadores?"
Antes, o editor da EDUFRO dava boas-vindas a capas sugeridas pelos autores, porque era o que tinha. Quando comecei a contratar estagiárias matriculadas no curso de Artes Visuais, fiz questão de criar e manter uma identidade visual para as capas dos livros. Só que foram 3 estagiárias fazendo capas, cada uma com seu estilo.
Não chegamos ainda na tal identidade visual, mas chegamos a dois padrões: no painel, da esquerda pra direita, de cima pra baixo, as capas 1, 2, 3, 5 e 16 seguem o padrão faixa sólida no meio para informações textuais. Nesse padrão, o fundo é composto por uma imagem que tenta se aproximar de uma tradução do conteúdo do livro e o destaque é para o título. Já as capas 4, 6, 7, 8, 9, 11, 13 e 14 seguem o padrão em que a imagem tem mais destaque que o título. A imagem é única, enigmática, mas simboliza o conteúdo do livro. A capa 15 é uma fusão entre fundo e figura, a capa 12 era sugestão dos organizadores e foi aceita e as capas 10 e 18 são da Leidijane - que inspirou o padrão para as outras estagiárias, mas como esse padrão evoluiu, ela mesma não o seguiu.Essa foi a primeira capa que Leidijane fez. A imagem é tão abstrata, que permite várias interpretações: rios que seguem cursos paralelos, diferentes linhas que seguem o mesmo caminho... Jôsy tentou imitar esse padrão na capa 6; na capa 8 surgiu a linha de contraste pra ressaltar o título, na capa 7 a linha foi quebrada, na capa 4 as linhas se juntaram e na capa 2 virou um bloco sólido. Vitória, que acompanhou essa evolução da Jôsy, fez dos dois padrões: 1, 3, 5, 9, 11 e 13 a 16. Por fim, capa 17 é do Edison, professor e mentor de todas as estagiárias que acompanhei.
No momento, estou sem estagiária. Porque, depois que a Leidaiane saiu, demorou até que se chegasse ao entendimento que a EDUFRO pode lançar edital de seleção de estagiário em separado da Reitoria, demorou porque a portaria que nomeia a comissão de seleção tardou a sair, porque os trâmites podem se arrastar, já que as contratações foram suspensas devido à descontinuidade do contrato de seguro de vida dos estagiários. Uma novela.
Só que a editora recebeu 13 livros pra publicar fast-track. São livros produzidos no âmbito da Pós-Graduação da UNIR (só 1 não é coletânea) e advindos de programas que precisam melhorar sua nota de avaliação junto à CAPES. Como esses livros não entraram no fluxo normal, mas foram avaliados pela PROPESQ, o Conselho Editorial da EDUFRO decidiu criar uma coleção só para esses livros. Coleção Pós-Graduação da UNIR. Assim esses 13 se diferenciariam dos livros do catálogo.
Algumas editoras criaram coleções que entraram pra história: da Coleção Primeiros Passos, por exemplo, eu nem lembro o nome da editora - mas lembro da coleção. A editora Perspectiva, por exemplo, tem uma Coleção Debates que se reconhece pela capa. Outra maneira de marcar a coleção é criando uma logo para a coleção, como a Unesp faz no caso da Coleção Arte e Educação. No caso da Unesp ainda, a curadoria da Coleção Biblioteca de Filosofia vai assinada por Marilena Chauí - na capa.
E a EDUFRO sem capista pra pensar as capas dessa coleção. Na imagem do painel acima, falta 1 capa, mas ela é similar à capa 6, só que em verde. A empresa terceirizada contratada pra diagramar os livros assumiu a tarefa de fazer as capas. Acho que só 3 propostas da gráfica foram aceitas de pronto pelos organizadores, todas as outras foram trocadas, daí que algumas parecem repetidas. E de repente alguém lembrou de uma regra da ABNT de escrever o nome de siglas por extenso na primeira vez que as siglas aparecem. Regra tão básica, deve servir para todos os contextos, inclusive nomes, certo? Eis que na folha de rosto e na ficha catalográfica constava Coleção Pós-Graduação da UNIR e na capa constava Coleção Pós-Graduação da Universidade Federal de Rondônia - sem a sigla: UNIR.
Essa é a quarta vez que organizadoras de livros disputam capas com a editora. Mesmo depois de termos colocado no contrato de cessão de direitos autorais uma cláusula que estabelece que a capa é responsabilidade da editora. Nas outras vezes, era porque já tinham uma capa pronta que a EDUFRO rejeitava. Chegamos a oferecer mais de uma versão em alguns casos, mas sempre com muita tensão. Dessa vez o nó foi o nome da coleção que o Conselho Editorial criou - e que foi alterado na capa.
Capas são importantes mesmo para livros que não são comercializados. O que uma editora pode fazer pelos autores (além de promover e distribuir o livro), é avaliar o livro (e não o currículo dos autores) e dar uma forma ao texto. O autor é responsável pelo texto; a editora normaliza o texto, coloca-o numa forma padronizada, e o embala numa capa, lombada, contracapa e orelhas.

























