Agnes e eu fomos lá no Damián. Pela estrada da beira não dava, porque o nível do rio está muito alto e não dá passagem há semanas. Tem chovido muito e as usinas não estão mais segurando água. (Quem controla a vazão do Madeira são as usinas.)
Fomos pelo km 4,5, dar a volta grande. A estrada está um tapete, porque é muito usada. Quando essa estrada encontra com a da beira, já perto da casa do Damián, o mato adensa e os buracos proliferam. Estranhamos que Tauro não tenha vindo nos cumprimentar e perguntamos se ele estava bem.
Pois é - disse Damián - todas as mulheres da casa do Preto viajaram, como fazem todo ano, para casa de parentes da Íris, pra ajudar na farinhada. E os cachorros do Preto vieram todos pra cá. Essa daqui, coitada, tava se tremendo de fraqueza. Aí agora sou eu que estou dando comida pros cachorros do Preto!
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Recursividade linguística
Na Linguística, recursividade é reconhecida no encaixamento (potencialmente infinito) de sintagmas em sentenças. Agnes entendeu isso aí intuitivamente:
- É um monstro, mãe! Ele vai comer tudo!
Até a rua, até os carros, até as árvores, até as flores, até ...
Daniel Everett, quando viveu entre os Pirahã, não percebeu essa estratégia na língua que ele estava estudando e afirmou que a língua pirahã não apresenta recursividade. Everett tem doutorado na Unicamp, orientado pela Charlotte Galves (gerativista).
Isso deu polêmica, porque Chomsky postula que a recursividade é uma ferramenta universal (de todas as línguas). Se o falante conta com um universo finito de unidades e ferramentas para gerar sentenças infinitas, a recursividade garante diversidade - e potencialmente infinitude.
Agnes só para de construir sintagmas preposicionados introduzidos por até quando colocamos limite nesses atés.
- É um monstro, mãe! Ele vai comer tudo!
Até a rua, até os carros, até as árvores, até as flores, até ...
Daniel Everett, quando viveu entre os Pirahã, não percebeu essa estratégia na língua que ele estava estudando e afirmou que a língua pirahã não apresenta recursividade. Everett tem doutorado na Unicamp, orientado pela Charlotte Galves (gerativista).
Isso deu polêmica, porque Chomsky postula que a recursividade é uma ferramenta universal (de todas as línguas). Se o falante conta com um universo finito de unidades e ferramentas para gerar sentenças infinitas, a recursividade garante diversidade - e potencialmente infinitude.
Agnes só para de construir sintagmas preposicionados introduzidos por até quando colocamos limite nesses atés.
sábado, 8 de fevereiro de 2020
Circo
Em Ribeirão Preto, Marcão nos indicou o Circo Tihany Spectacular. Agnes e eu vimos videos promocionais
com a trapezista, o malabarista e a rede russa. Fomos com boas
expectativas. O motorista de Uber que nos levou ao local disse que já tinha ido duas vezes ao circo e que valia muito: enche os olhos.
Esse não é o primeiro espetáculo que Agnes vê. Fomos ao Circo Broadway em Porto Velho porque na imagem da propaganda tinha um leão e Agnes queria ver leões. Mas não tinha leão e o palhaço, destaque no início, foi ficando constrangedor.
O picadeiro nos pareceu sólido, a arena decente e o palco próximo. Percebemos escolas no público, muitos portadores de necessidades especiais, um asilo inteiro fazendo excursão. Quando Agnes entendeu o lance do voluntário no público, ela se animou toda pra ir pro palco. Só que o palhaço pedia menino, pedia homem forte e não pedia menina de 3 ou 4 anos.
O investimento no figurino é altíssimo e as moças dançarinas usam trajes que beiram o carnavalesco. Luis reparou que as dançarinas desempenham um papel acessório: no primeiro bloco, tivemos o rapaz do bambolê, o palhaço, o moço do malabares, os meninos da hamaca russa e o ilusionista-apresentador. O gênero feminino estava representado, no primeiro bloco, apenas pelas dançarinas de cancã preparadas para um carnaval exuberante. Mas no segundo bloco teve a trapezista russa e as contorcionistas chinesas (preciso mencionar o figurino delas de dragão ou lagarto fosforescente, que dava um toque de graça ao número).
Luz e luz negra foram muito bem explorados no espetáculo "de encher os olhos". Ter um ilusionista como diretor de circo faz diferença!
Esse não é o primeiro espetáculo que Agnes vê. Fomos ao Circo Broadway em Porto Velho porque na imagem da propaganda tinha um leão e Agnes queria ver leões. Mas não tinha leão e o palhaço, destaque no início, foi ficando constrangedor.
O picadeiro nos pareceu sólido, a arena decente e o palco próximo. Percebemos escolas no público, muitos portadores de necessidades especiais, um asilo inteiro fazendo excursão. Quando Agnes entendeu o lance do voluntário no público, ela se animou toda pra ir pro palco. Só que o palhaço pedia menino, pedia homem forte e não pedia menina de 3 ou 4 anos.
O investimento no figurino é altíssimo e as moças dançarinas usam trajes que beiram o carnavalesco. Luis reparou que as dançarinas desempenham um papel acessório: no primeiro bloco, tivemos o rapaz do bambolê, o palhaço, o moço do malabares, os meninos da hamaca russa e o ilusionista-apresentador. O gênero feminino estava representado, no primeiro bloco, apenas pelas dançarinas de cancã preparadas para um carnaval exuberante. Mas no segundo bloco teve a trapezista russa e as contorcionistas chinesas (preciso mencionar o figurino delas de dragão ou lagarto fosforescente, que dava um toque de graça ao número).
Luz e luz negra foram muito bem explorados no espetáculo "de encher os olhos". Ter um ilusionista como diretor de circo faz diferença!
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
Os primos
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Vovó Madá
Enquanto os paulistas desciam pra praia, nós retornávamos a São Paulo. Apesar de eu ter aprendido a dirigir nessa cidade, de ter morado mais de 15 anos nela, não me senti segura pra acertar os caminhos e recorri à voz do Google Maps (que se mostrou muito mais eficiente aqui, dizendo até que placas eu devia seguir). Fomos visitar Madá, hospedada na casa da irmã, para fins de tratamento.
Pequeno programa cultural na Paulista: MASP e Livraria Cultura. No MASP, achei interessante o novo formato do acervo permanente. Quadros do mesmo artista eram dispostos mais junto, mas a ideia principal era a circulação entre as obras, menos sua contemplação. Os nomes dos artistas estão afixados nas costas dos quadros, então era meio que uma charada a ser desvendada. E a novidade mais surpreendente era que dava pra ver as costas dos quadros.
Na Livraria Cultura, Luis e eu lemos vários livros pra Agnes dentro da ossada de um monstro marinho. Era até difícil achar um lugarzinho pra sentar (sábado + chuva lá fora = muita gente dentro!).
A distância entre esses dois lugares é de 3 quadras. Mas choveu e tudo parou pra esperar. Luis teve a ideia de pedir Uber. Me recusei a pagar R$ 7 pra andar 3 quadras a pé, vários km de carro, porque os locais ficam em lados diferentes da mesma avenida que não permite conversões. Quando a chuva amainou, Luis pegou Agnes no colo e guarda-chuva e eu fui correndo de banca em banca. Mas aí a chuva voltou a intensificar. Agora eram 2 quadras de distância. Uber cobrava R$ 11 e nós esperamos muito tempo pro Uber vindo da direção do Masp fazer os retornos e voltas pra voltar conosco até o Conjunto Nacional.
Pequeno programa cultural na Paulista: MASP e Livraria Cultura. No MASP, achei interessante o novo formato do acervo permanente. Quadros do mesmo artista eram dispostos mais junto, mas a ideia principal era a circulação entre as obras, menos sua contemplação. Os nomes dos artistas estão afixados nas costas dos quadros, então era meio que uma charada a ser desvendada. E a novidade mais surpreendente era que dava pra ver as costas dos quadros.
Na Livraria Cultura, Luis e eu lemos vários livros pra Agnes dentro da ossada de um monstro marinho. Era até difícil achar um lugarzinho pra sentar (sábado + chuva lá fora = muita gente dentro!).
A distância entre esses dois lugares é de 3 quadras. Mas choveu e tudo parou pra esperar. Luis teve a ideia de pedir Uber. Me recusei a pagar R$ 7 pra andar 3 quadras a pé, vários km de carro, porque os locais ficam em lados diferentes da mesma avenida que não permite conversões. Quando a chuva amainou, Luis pegou Agnes no colo e guarda-chuva e eu fui correndo de banca em banca. Mas aí a chuva voltou a intensificar. Agora eram 2 quadras de distância. Uber cobrava R$ 11 e nós esperamos muito tempo pro Uber vindo da direção do Masp fazer os retornos e voltas pra voltar conosco até o Conjunto Nacional.
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