Eu tinha submetido um texto parecido com outro em 2020. Hoje em dia não se fala mais em autoplágio, mas de reciclagem, porque existe uma lógica (manter a coerência consigo mesmo) nisso. Os dois textos compartilhavam o mesmo corpus, mas propunham análises diferentes. O corpus era formado de construções de tópico-comentário recolhidas no Jornal Nacional. No primeiro texto, publicado na CadLin, analisei principalmente as formas sintáticas das construções de tópico e vinculei cada forma a um tipo de falante no Jornal Nacional.
apresentadores - anacoluto
repórteres - topicalização e anacoluto
entrevistados - deslocamento à esquerda com pronome-cópia
Os apresentadores são aqueles que leem o teleprompter. Nessa fala lida, não foram encontradas construções de tópico, mas eles entrevistaram, por exemplo, os candidatos a presidente e conversaram entre si. Na fala deles, apareceram construções como (tópico em negrito):
Pergunta. O senhor pretende levar para o Brasil inteiro esse modelo de concessão de estradas estaduais de São Paulo?
Os repórteres produziam muitos anacolutos, mas também topicalização, em que o tópico poderia ser inserido no comentário tranquilamente:
Botar Messi na roda. Muita gente já tentou *, mas até agora o resultado foi esse (imagem de Messi comemorando).
Os entrevistados produziram, em sua maioria, deslocamentos (o sujeito sai da sentença, é movido pra posição de tópico e um pronome é gerado no lugar do sujeito - uma abordagem bem gerativista):
A convenção de Haia, ela tem exceções.
O outro texto, que submeti em 2020 na Revista Investigações, pretendia fazer a relação entre as formas das construções de tópico (anacoluto, topicalização e deslocamento à esquerda) com as funções que o tópico estabelece em relação ao comentário. Quem faz esse tipo de coisa? Funcionalista acredita no pareamento entre forma e função.
O texto submetido na Investigações foi avaliado por pareceristas que leram o meu texto na CadLin e pediram que as partes iguais fossem alteradas. A editora da Revista Investigações me deu a chance de reformular o texto e então eu tomei o texto da CadLin como referência pra desdobrar a análise da forma e função. A nova versão, submetida em 2021, foi reavaliada e aceita pelos pareceristas. No final de 2021 a editora avisou que o texto não caberia mais na edição daquele ano, que o texto sairia em 2022. Saiu anteontem. 28 de dezembro.
* * *
Outra publicação no final de 2022 foi a entrevista com a Kory Stamper, que saiu hoje. Eu já tinha publicado a entrevista com a Arika Okrent na mesma revista, então o processo todo se deu de maneira muito mais acelerada (11 dias entre submissão e publicação, e isso com 3 avaliações!!!).
Uau, hein? Duas publicações na reta final do ano...













































