quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

4 gatos

Depois de um dia inteiro em casa, decidi sair pra passear com Agnes. Pra animar a menina, Luis deu a ela uma tarefa: identificar 4 gatos. O propósito do passeio era ver as luzes de Natal no Palácio do Governo e comprar picolé. 

Quando saímos, as luzes ainda estavam apagadas e a padaria estava cheia. Caminhamos até o mirante, para ver o rio Madeira (enchendo aos poucos). Lá encontramos com a Marcela Bonfim, conversamos um bocado e contamos o gato número 3, que era um dos vários gatos dela (ela não admite que tem gatos, prefere dizer que o cachorro dela é que adotou os gatos). 

A noite foi caindo, decidimos voltar pra ver as luzes e tomar picolé. Nesse trajeto de volta para a avenida, a contagem ultrapassou os 4 gatos (tínhamos chegado em 7). Nas duas últimas quadras até em casa, que caminhamos pelas ruas de trás da avenida, fomos surpreendidas pela numerosa população felina. Nossa contagem chegou a 15.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Terceira dose

 

Agora que o aplicativo ConecteSUS voltou a funcionar e exibir a minha carteira de vacinação digital, pude tomar a minha terceira dose (Pfizer, dessa vez) da vacina contra covid-19. Não mostrei nenhum documento em papel, tudo estava no celular: a carteira de motorista digital serviu como documento enquanto o meu RG é confeccionado (fica pronto em fevereiro!).

A trama da vida

O sobrenome "Sheldrake" evocou memórias tanto em mim como no Luis. Não é o cara da "ressonância mórfica"? Com a pulga atrás da orelha, descobri que esse era Rupert, pai de Merlin (e Cosmo). Trama da vida é um livro de divulgação científica que nos apresenta uma perspectiva completamente nova sobre a vida no planeta: a partir dos fungos.

O livro conta com algumas ilustrações, mas mesmo assim tive que buscar no Google informações (bem) básicas para seguir apreciando a leitura:

Plantas (e animais) e fungos formam redes. Por muito tempo, a Biologia só contava com o conceito de parasitismo. O conceito de simbiose veio depois, mas não significa exatamente o que Sheldrake entende como associação entre dois seres de modo tal que um oferece ao outro o que este não consegue sozinho. Ying e yang é a imagem que vem à mente para mostrar uma associação/dependência em que os dois seres envolvidos se beneficiam da relação simbiótica. Quando se pensa em termos de redes,

[...] a noção de indivíduo se aprofundou e se expandiu até se tornar irreconhecível. Falar sobre indivíduos não fazia mais sentido. A biologia - o estudo dos organismos vivos - havia se transformado em ecologia - o estudo das relações entre os organismos vivos. (p. 26)
Acompanhamos o jovem Merlin num laboratório tropical no Panamá e nos maravilhamos com os outros pesquisadores ao redor dele: alguns acordam cedo para seguir macacos, outros passam as noites em claro para registrar a atividade dos morcegos; enquanto uns observam formigas nas copas das árvores, ele desenterra raízes no solo. Gostei do olhar atento de Sheldrake ao que acontece em volta, ao que é correlato. Para entender os fungos, passamos a conviver, ao longo de algumas páginas, com caçadores de trufas, flores que não fazem fotossíntese, pesquisadores militantes, pesquisadores de laboratório, cogumelos mágicos, cientistas da computação, empreendedores, farmacêuticos e tantos outros.

 

Merlin Sheldrake participou da Flip, cujo tema desse ano foi centrado nas plantas. Foi uma sessão um tanto conturbada (tradução pouco simultânea pra ele e inexistente pra nós, deslumbramento evidente da moderadora pelo outro convidado, perguntas bobas e silêncios longos). Nesse contexto da Flip, antropocêntrica por natureza (Literatura é humana), deslocando seu foco para as plantas, a "internet das árvores" parecia uma boa metáfora:

[...] cerca de 80% dos links na web apontam para 15% das páginas. O mesmo se aplica a muitos outros tipos de rede - como rotas globais de viagens aéreas e redes neuronais no cérebro. Em cada uma delas, hubs bem conectados possibilitam atravessar a rede em um pequeno número de etapas. É em parte graças a essas propriedades "sem escala" que doenças, notícias e moda se espalham rapidamente pelas populações. [...] Elimine o Google, a Amazon e o Facebook da noite para o dia ou feche os três aeroportos mais movimentados do mundo, e você causará grande confusão. Remova seletivamente árvores grandes e centrais - como fazem muitas madeireiras para extrair as madeiras mais valiosas -, e haverá sérios distúrbios. (p. 190)
Só que, no livro, a metáfora é considerada fitocêntrica. Como pensar os fungos a partir ... dos fungos? É preciso entender melhor os fungos!

sábado, 18 de dezembro de 2021

Plena

Depois que Luis e Agnes libertaram os periquitos e depois que tínhamos decidido não ter mais animais em apartamento, Luis e Agnes apareceram com uma canária filhote. Claro que nenhum dos dois jamais limpou a gaiola, comedouro, bebedouro ou piscina dela. Mas Agnes deu um nome pra ela: Plena. Porque tem penas, porque se transforma em bolinha quando se sacode.

No começo, ela era muito assustada e não parava quieta. Depois foi acostumando. Daí começou a cantar. Achávamos que só o macho cantava... enfim. Antes da fatídica viagem a Peruíbe, onde nossos documentos e eletrônicos foram roubados, levamos a Plena pro Damián (pra ele ficar com ela ou passar adiante). No começo, ela gostou de todos os pássaros e sons da floresta, mas no fim tava sofrendo bullying (não lembro se era dos sanhaços ou das pipiras). Damián tinha amigos que criavam vários pássaros soltos (em casa) e tinha pensado em dar a Plena pra eles, mas não deu certo. Peguei a canarinha de volta. 

Ficou quieta nos primeiros dias, me deu a entender que gosta de tomar banho todo dia em água limpa e agora está cantando de novo. Como não vamos mais viajar em dezembro ou janeiro, Plena volta a nos acordar de manhã.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Na dúvida, teste.

 

Uma das minhas orientandas de PIBIC avisou que toda a família em volta dela está gripada e que uma pessoa testou positivo pra covid, outra testou negativo. Ela, no entanto, estava sem sintomas e perguntava se esse cenário de alguma forma afetaria o nosso primeiro encontro presencial.

Respondi perguntando se ela faria o teste. Os testes são estigmatizados, as pessoas na fila do teste devem sofrer com os olhares dos outros - além do peso da incerteza que carregam consigo. A resposta dela foi evasiva, mas horas depois veio a imagem do resultado: negativo.

A testagem deveria ser acessível, normal e fonte de informações para estudos sobre variantes, mutações e infecções. Essa moça foi fazer o teste por minha causa, pelo medo de colocar a minha família em risco. Espero que essa tenha sido uma das lições aprendidas durante a iniciação científica: testar é um método, não uma exceção.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Ateliê de pintura

Descobrimos hoje um ateliê de pintura em Porto Velho. Maria Miranda já tem esse ateliê faz 22 anos e tem alunos de 2 a 95 anos de idade. Muitos a seguem por anos (e ela acompanha a história de vida deles).

Agnes aprendeu novas formas de pintar: usando molde, bucha, usando o pincel de outras maneiras. Mas o que ela mais gostou mesmo foi de todo o brilho.
Depois de terminada a pintura, ela se enturmou com as meninas. O que eu achei bacana é que qualquer suporte vale pra arte: a mesa, o chão, o vaso sanitário... Não tem certo ou errado, apenas criatividade e muita atividade.

domingo, 21 de novembro de 2021

A linha e o ciclo

 

Luis comprou feijão verde e botou Agnes pra debulhar. Estabeleceu os critérios para incluir na panela ou descartar na vasilha: feijão com mancha vai pra vasilha, feijão sem mancha vai pra panela - mas sem a pelezinha. Tinha feijão verde, meio amarelo, até roxo. E apareceu feijão germinado.

Esse feijão que já tava nascendo, Agnes entendeu que não ia pra panela. Mas ela não entendeu em que estágio estava esse feijão. Luis tinha dito pra ela: "o feijão verde é o mais novo e quanto mais verde for o feijão, mais difícil vai ser tirar de dentro da vagem; e o feijão germinado é o mais velho, que está dentro da vagem há mais tempo". Quando fui me juntar a ela e pedir que me explicasse como funciona a seleção, ela disse que o feijão germinado era o mais novo.

Percebi que Agnes colocava o feijão germinado no ponto inicial de uma linha: ele vai crescer na terra, vai formar caule, folhas e vagens com feijões. Não consegui explicar pra ela (porque é teimosa) o ciclo do feijão, por que o feijão quer nascer dentro da vagem, ao invés de só secar e morrer.

sábado, 20 de novembro de 2021

GRATO 2021


Hoje foi o último dia da 7. Conferência Internacional em Gramática & Texto, vulgo GRATO 21. Quando recebi a carta de aceite, imediatamente pedi que me deixassem apresentar no último dia, porque eu estava envolvida na organização do ABRALIN em Cena 16 (que acabou ontem). Fui atendida, mas não consegui acompanhar o restante da programação da GRATO, infelizmente.

Tenho percebido uma certa dificuldade de encaixar o meu objeto de estudo (sinais de pontuação) em congressos acadêmicos. Tive até mesmo a sensação de ter tido uma ajuda por parte da editoria em processos de avaliação em que os pareceristas não viam muito sentido no trabalho que eu propunha. Nesse congresso, sobre gramática e texto, eu achei que me encaixaria mais facilmente.

O trabalho foi aprovado sem problemas, mas na sessão em que apresentei, eu era o peixe fora d'água. De novo (isso aconteceu no GEL) as perguntas e curiosidades se voltaram pra mim. Eu me sinto bastante acolhida, percebo que o tema é relevante e que os meus estudos podem ser de fato úteis para práticas didáticas.

Com esse evento, encerro o semestre. Semana que vem começam as aulas (que serão interrompidas em janeiro e retomadas em fevereiro). Vou tirar férias no domingo!

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

A entrevista com as celebridades

Hoje foi dia de moderar apresentações de caso (relatos de experiências) no ABRALIN em Cena 16 de tarde. Comecei falando (lendo um textinho padrão que tínhamos preparado) antes da hora (por isso não vi o timer, só o aviso de que estávamos no ar) e quando entrei no ar, tava no final das boas-vindas. Comecei pelo fim!

De noite, estreou a entrevista que fiz com Kory Stamper e Arika Okrent. Foi a primeira vez que elas, as entrevistadas, tiveram acesso ao material também. Eu estava ansiosa pra ver o vídeo apresentado em público.

Passei semanas editando, traduzindo e legendando. Nunca tinha feito esse trabalho de tradução e percebi nitidamente como eu preenchia as legendas com referentes. Enquanto elas usavam pronomes vazios de significado (it, this, you), eu colocava os substantivos por extenso na legenda, pra não perder o assunto. Percebi também que enchi as legendas de sinais de pontuação. Tinha muito discurso direto na fala delas, e espero não ter me perdido nas aspas (dentro de aspas).

É visível como a minha fala em inglês é em estacato. A entrevista com a Arika foi a primeira, então eu acho que eu tava mais nervosa com ela que com a Kory, que ria muito e estava bem à vontade.

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Começou

 

Tudo (exceto as oficinas) está sendo transmitido ao vivo pelo canal do Youtube da Associação Brasileira de Linguística.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Live no Youtube da Editora Unicamp

E hoje teve live na Editora da Unicamp sobre o livro Onze sinais em jogo. Conversei com o popularizador da Linguística Vitor Hochsprung:

domingo, 7 de novembro de 2021

O tempo

 

Na Amazônia, chamam de verão o tempo da seca, da poeira, da fumaça. É o tempo em que não chove, os rios secam, as pessoas começam a desejar chuva. E chamamos de inverno o tempo em que chove (porque aí não é tão quente assim, especialmente se chove de tarde e não há mais sol pra evaporar a chuva). Pela foto, dá pra adivinhar que estamos no inverno.

A estrada da beira até o sítio está sendo alargada (derrubaram árvores dos dois lados e diminuíram o espaço entre o rio e a estrada). O serviço está sendo feito bem lentamente, largando montes de terra no meio da estrada, e só quando a chuva permite. E quando a chuva cai, desfaz o trabalho. Nem de bicicleta está dando pra passar, porque a lama não deixa a roda girar.

Então eu fui pela estrada por trás. Muita água no caminho. E poça de água em estrada esburacada é sempre uma incógnita, porque você não consegue adivinhar a profundidade do buraco. Meu coração parou na frente da igreja Filadélfia. Dali em diante a estrada foi ficando pior e eu avançava devagar. Quando cheguei na estrada da beira, não tive coragem de atravessar o atoleiro depois do Seu Calixto. E o carro na foto também deu meia-volta e não atravessou. Fui a pé, afundando e escorregando. Na volta afundei mais. Não sei se já tinha desencanado de tentar manter os sapatos limpos ou se era a sacola de manga massa que estava aumentando o meu peso.

É nessas horas que ribeirinho que é ribeirinho vai de canoa. Essa estrada não esteve sempre aí. Luis conheceu o Jairo antes da estrada da beira (e antes das usinas). Quando fizeram a estrada por trás, eu já conhecia o Jairo. 

Com a estrada, vem gente.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Elevador social

Tem gente que confunde direita e esquerda (tipo eu). Deve ser normal, porque é muita gente. Mas eu também confundo os elevadores. Social não é do povo? Aqui onde a gente mora, o elevador de serviço dá na cozinha - e a cozinha é o lugar mais social da casa. Toda vez que o porteiro informa indisponibilidade de um dos elevadores, eu retruco: o elevador da cozinha ou da sala?

Aí começaram os reajustes de aluguel, condomínio, nos alarmamos e começamos a ver outras casas e apartamentos. Entrei num apartamento que oferecia a seguinte sequência: cozinha, área de serviço, quartinho de empregada (ou despensa), banheirinho e porta pro elevador de serviço. Acho que se eu morasse ali, entenderia melhor a diferença entre elevador de serviço e elevador social.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Live no Youtube - Onze sinais em jogo

 

Ói nóis aqui traveis! Dessa vez, converso com o popularizador da Linguística Vitor Hochsprung.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Trilha antiga

Agnes e eu fomos no Parque Ecológico. Eu reparei que a entrada da trilha sobre palafitas tinha ganhado madeiras novas, então me animei: reformaram a trilha, vamos lá! Só que as tábuas e corrimão só tinham sido trocadas até a primeira curva. Depois disso tinha uma placa obstruindo a passagem e informando que estava em manutenção. E dessa vez a escada, que descia pra trilha antiga, estava aberta.

Descemos os degraus até a trilha na terra. Havia uma trilha paralela com bandeirinhas e outras sinalizações, que eu imagino seja usada para esportes (bike, trekking: estão anunciando um tal de enduro a pé). Agnes só pensava em voltar. A trilha era mais aberta que a do Jairo, muito bem identificável e tranquila. Quando passamos pela velha faveira ferro, entendi que estávamos na velha trilha do Parque. Minha mãe e Ulla caminharam por essa trilha, acho que Evelyn também. Renato, Pablo e Mioto caminharam por essa trilha (foi Pablares que me ensinou a bater nas árvores toktok pra ouvir a densidade da madeira). Todas as minhas visitas entre 2009 e 2012 caminharam por essa trilha. Ainda havia números nas árvores, mas as plaquetinhas com identificação tinham sido removidas. Depois veio o igarapé, depois o cipó na curva.

Agnes não entendia que estávamos mais perto do fim da trilha do que do começo. Cantava seus medos em voz alta: de escorpião, cobra, formiga. Aí chegamos nas palafitas podres. Agnes insistiu muito em seguir à direita, voltando. Isso significa que ela tem algum senso de direção. Tivemos que seguir um pedaço (à esquerda) pelas tábuas podres até chegar na parte em que as madeiras estavam todas desmontadas, no chão, aguardando ser removidas. Quando avistamos o viveiro, Agnes ainda teimava: essa é a casa de uma outra pessoa, vamos voltar. Só quando a trilha virou concreto é que Agnes entendeu que estávamos de volta no Parque. Abriu os braços e deu graças aos céus.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Em Cena 16 - Popularização da Linguística

 

Primeiro evento da ABRALIN sobre popularização da Linguística. Dias 17, 18 e 19 de novembro, manhã, tarde e noite. Teremos oficinas de manhã (será preciso se inscrever - e pagar), rodas de conversa de tarde, apresentações de case de tarde e bate-papos à noite com celebridades da popularização. Exceto as oficinas, tudo será transmitido ao vivo pelo canal do Youtube da ABRALIN. Eu estarei lá, entrevistando tanto Arika Okrent como Kory Stamper.

domingo, 24 de outubro de 2021

In the land of invented languages

Em 2009, Arika Okrent publicou um livro muito simpático de popularização da Linguística partindo das 900 e tantas línguas inventadas. É como entrar pela porta de trás da Linguística (que torce o nariz pras línguas artificiais e se concentra nas línguas naturais). Essa abordagem inusitada acaba mostrando ao leitor algumas características das línguas naturais que passam batido: são coletivas (não levam a assinatura de ninguém em específico - que depois lamenta as mudanças da "sua" língua feitas pelos usuários), são usadas (a grande maioria das línguas inventadas não teve adeptos), na maior parte, são nascidas na oralidade (e não na escrita) e altamente irregulares ("Highly irregular" é o título do segundo livro da autora). 

Muitos inventores de línguas foram motivados a criar suas línguas pela necessidade de impor lógica, regularidade e racionalidade à língua. Outros eram movidos pelo desejo de comunicação internacional (Esperanto é a mais conhecida). E claro, há espaço para extravagâncias como Blissymbolics, Láadan (a língua feminina), Klingon e outras línguas para a ficção.

Os capítulos são organizados de acordo com os tipos de propostas registradas. Houve inventores de línguas que achavam que a língua perfeita precisa ter símbolos perfeitos. Como se a notação fosse a língua. Outros já achavam que as palavras eram problemáticas na sua língua materna, e criaram uma língua em que há apenas conceitos. Partiam das mazelas da língua materna para "melhorar" o que achavam que seria uma língua boa. Os universalistas, por outro lado, que investiam na comunicação sem fronteiras, tentavam transcender a sociedade que usa uma determinada língua e esqueciam que a língua está intimamente ligada à identidade e cultura de um povo. Parênteses: descobri que Ferdinand de Saussure tinha um irmão (René) esperantista!!

Agnes e eu nos divertimos com os símbolos. Esses, que tomam ˜ como símbolo para água, ela conseguiu adivinhar. Deu risada no símbolo "cuspir", porque ela mesma chegou à conclusão. Mas o que vale ser dito sobre Blissymbolics, é que os símbolos serviram como ponte para a língua materna de crianças com necessidades especiais que não tinham acesso à língua. A história, porém, é cheia de rancores e sentimentos de posse da língua inventada. Quem é o dono de uma língua? Diante das exceções, meus alunos de alemão ficavam se perguntando por que tinham inventado aquilo. Não foi planejado. Essa é a graça. Pra Franchi, língua é atividade que nos faz - e que nós fazemos.

Nem todas as línguas inventadas representam fracassos. São mais ou menos 900 e você provavelmente só ouviu falar de duas ou três em toda a sua vida. Existem mais de 7 mil línguas naturais - todas diferentes, que nos ensinam sobre o mundo, as pessoas, como as pessoas interpretam o mundo e como funciona a mente humana. "Ambiguidades e falta de precisão permitem que as línguas sejam usadas como instrumentos de formulação de pensamento, experimentação e descobertas." (p. 256) Vagueza e imprecisão da língua oferecem a oportunidade de negociar sentidos. Línguas universais que se pretendem autoexplicativas ignoram uma parte importante das línguas naturais: a convenção. Convenções arbitrárias são aprendidas e estão ligadas a irregularidades, senso comum, conhecimento de mundo compartilhado - ou seja, cultura.

"Nossas línguas naturais são repletas de inconsistências e irregularidades porque são usadas por nós [...]." (p. 260) Nossas línguas atravessam gerações - e mudam! Porque as leituras de mundo mudam com o tempo. Aprendemos nossas línguas porque estamos imersos nelas (Claudia Lemos não acredita em aquisição de linguagem - ativa, em fases, construindo um vocabulário -, mas em ser capturado pela linguagem). Não escolhemos aprender línguas inventadas porque são mais lógicas ou universais. Aprendemos línguas estrangeiras porque precisamos comunicar com pessoas que falam essa língua, precisamos/escolhemos morar no lugar em que essa língua é falada etc. 

Passeando entre línguas inventadas, Arika Okrent nos mostra de que são feitas as línguas naturais. Maravilhados com as anedotas dos inventores de línguas, somos levados a pensar sobre as relações entre línguas e pessoas/comunidades.

sábado, 23 de outubro de 2021

Sem celular

Eu estava de férias, Luis e Agnes não. Pra Agnes, não fez muita diferença viajar, porque apareceram dois casos de covid na escola, então decidiram migrar pro online. Mas pro Luis fez muita diferença estar conosco fora de casa - mesmo que em home office. Aconteceu que fomos roubados. Levaram minha mochila (tão organizada, contendo 50 máscaras pff2, carteira, celular, óculos e livros) e o computador do Luis. Daí home office sem computador fica quase inviável.

O problema de terem levado o celular é que lá tinha tudo, inclusive o endereço da casa que tínhamos alugado. E qualquer email ou aplicativo que eu tentasse acessar mandava um código de verificação pra esse celular furtado. Passamos a tarde na delegacia, na companhia de policiais convencidos que o iPhone tem um sistema de rastreio impecável - exceto quando o telefone está desligado, o que era o caso.

Na casa (alugada) de Marcão e Kika, consegui entrar no Aibnb e perguntar o endereço da casa que tínhamos alugado. Fiquei observando os filhos adolescentes de Marcão e Kika imersos no celular, tablet, tela de tv. Alternavam entre jogo e um passeio rápido por tiktok, instagram, whatsapp e facebook. Quando vieram nos visitar num dia de sol, churrasco e piscina, ficaram no sofá, capturados pela tela. 

O celular não é apenas um telefone. É um GPS: o tablet da Agnes (que me salvou) não tem conectividade longe de um roteador, nem me fala as direções enquanto dirijo. O celular é o banco, são as conversas assíncronas, a previsão do tempo, o relógio, uma máquina fotográfica, filmadora e ilha de edição, a passagem de avião, a reserva do carro, a carteira de motorista.

No litoral, o atendente da Claro não tinha condições de me vender um chip com o mesmo número do chip que tava no celular roubado, porque ele só tinha acesso a DDD 11 a 19... longe de 69. Em Campinas, consegui comprar um chip de mesmo número na Claro, mas não o aparelho de celular, porque eles vinculam o aparelho a uma linha - e eles não poderiam me vender uma linha com DDD de outro estado. Comecei a baixar os aplicativos todos. Verifiquei o que havia de backup pela conta Google. No whatsapp, eu tinha os contatos dos grupos e de quem tinha escrito pra mim. Todo o resto se perdeu. Nas fotos, tinha quatro vídeos de Agnes bebê. Túnel do tempo total.

Antes eu achava super legal a ligação entre computador e iPhone. Só que tinha o excesso: toda imagem que chegava pelo whats era automaticamente armazenada no álbum de fotos no computador. Era muito lixo pra limpar - especialmente porque o iCloud vivia mandando mensagem de que a nuvem estava quase cheia e que era preciso comprar espaço. Agora, que não tenho mais iPhone, faço fotos meio tremidas que eu nem sei como mover para álbum de fotos no computador. Pelo visto, o Google vai passar a organizar minha vida mais que eu imaginava.

Agnes e Ruy depois do passeio no Parque Ecológico de Campinas

Abaporu

Circo dos Sonhos

Praça do Coco

sábado, 2 de outubro de 2021

O Madeira verde

 

O rio está baixo, como atestam os pilares da ponte e as ilhas (praias, bancos de areia) que aparecem aqui e acolá. Novidade é que não está tendo correnteza.
E o rio Madeira, sempre tão escuro, não está mais carregando matéria orgânica nem troncos de madeira. Damián conta que enxerga até 1m pela água adentro e fica observando peixes mordiscando a canoa.
A água do Madeira está verde. De tempos em tempos, isso acontece: o rio muda de cor.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Desaumentar

- Agnes, abaixa esse volume, tá muito alto isso daí!

- Peraí, não tô conseguindo desaumentar.

Precisei registrar esse uso inusitado de morfologia derivacional. Negação é mais complexa do que se imagina! Em primeiro lugar, porque muita coisa pode ser negada - e isso varia de uma língua pra outra. Depois, porque a negação sempre é linguisticamente marcada, já que estamos acostumados a lidar com o que existe, com o preenchimento - não com o vazio, a ausência, a negação. Na língua, aquilo que é, simplesmente, é. Aquilo que não é, é linguisticamente codificado como não sendo: através de palavras ou partes de palavras. Pelo visto, pra criança em questão, o que vale é aumentar o volume - e o contrário de aumentar, que seria apertar o botão na outra extremidade, só pode ser desaumentar.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Word by word: the secret life of dictionaries

Quando participei do LingComm21 em abril, tive a oportunidade de conhecer mais de perto algumas pessoas que trabalham no sentido de popularizar a Linguística. O evento todo foi organizado pela dupla do Lingthusiam, Gretchen (Canadá) e Lauren (Australia). As duas mantêm um podcast sobre Linguística já faz uns 6 anos - que auxilia bastante na minha preparação de aulas de Linguística. Ou seja, elas conversam bem com quem já está dentro da Linguística.

Durante o evento, percebi que existem programas de rádio, podcasts, canais no Youtube e livros, muitos livros de popularização da Linguística (em língua inglesa) que eu desconhecia totalmente. Fui anotando nomes e fui procurando os livros desses autores em sebos internacionais. Aos poucos, os livros foram chegando. O da Kory Stamper foi o que eu mais identifiquei como sendo um projeto bem-sucedido de popularização da Linguística.

Kory é lexicógrafa, trabalha para o Merriam-Webster e escreveu um livro sobre o que ela faz. Porque quando ela diz pras pessoas que o trabalho dela é fazer dicionários (escrever as definições), a reação geral é de quem está diante de um ET. O legal do trabalho dela é que, além de revisar dicionários e definir palavras, ela precisa responder ao público - que tem paixões em relação à língua. Isso a força a pensar sobre a língua. Da palavra para a língua, do micro para o panorama. Esse movimento é extremamente importante na popularização da Linguística.

Como aqui no Brasil temos pouco contato com popularização da Linguística (divulgação científica, mas feita por nós mesmos, não por jornalistas que traduzem o que entenderam para uma linguagem mais acessível), preciso alertar que o livro não se propõem a traduzir em linguagem simples uma pesquisa. O livro não está escrito em plain language. Muitas vezes eu tive que consultar o meu dicionário aqui pra acompanhar a Kory (tá, não sou fluente em inglês, tem isso, mas eu navego mais tranquilamente no David Crystal ou na Arika Okrent). O trabalho de popularização não está no vocabulário (simples) nem nas construções sintáticas (diretas), mas no humor, no envolvimento pessoal com o tema.

A capa já dá a ideia de um dicionário, a organização dos capítulos também: cada título de capítulo é uma "entrada", a chamada de um verbete. O conteúdo do capítulo orbita em torno do trabalho de definir essa palavra ou palavras desse tipo (palavras funcionais, palavrões etc.). Com o desenrolar da leitura, conhecemos um pouco da rotina silenciosa e das divisões de trabalho dentro da editora: imaginamos as salas de filólogos, definidores, a pessoa responsável por anotar a pronúncia (esse cubículo tem um telefone). Conhecemos também um pouco do aprendizado da autora em relação ao ofício. O cuidado com a forma de apresentação do livro e o envolvimento pessoal que permeia a obra se aproximam do trabalho artístico. Somos fisgados pela estética. E popularização é o trabalho de seduzir, não de convencer.

Um exemplo é quando ela teve que responder a cartas de usuários reclamando da existência da entrada "irregardless" no Merriam-Webster. Como se trata de uma dupla negação no interior da mesma palavra (i- e -less), ela mesma concordava, a princípio, que a palavra não deveria estar no dicionário, já que o dicionário somente registra palavras atestadas na escrita e que tenham uma certa idade na língua (gírias, sempre novas e efêmeras, não entram). Até que alguém (também usuário) comentou que "irregardless" não costumava aparecer sozinho: era comum que alguns "regardless" culminassem num "irregardless" ao final. Como se "irregardless" funcionasse como superlativo. E olha só: do pré-conceito chegamos numa análise interessante.

A aventura que foi revisar a definição de "bitch" eu deixo pra ela contar:

Agora que estou ajudando a organizar o Abralin em Cena 16 (dias 17 a 19 de novembro de 2021) sobre popularização da Linguística, fico muito feliz que ela tenha topado ser uma das pessoas entrevistadas e possa assim mostrar ao público brasileiro um pouco do seu trabalho (inclusive o livro novo que está pra sair).

domingo, 26 de setembro de 2021

Interab12

Hoje, domingo, 7h horário local, apresentei meu trabalho sobre sinais de pontuação numa sessão intitulada "Prosódia". Pois é. Quem me conhece, sabe que a minha relação com Fonética e Fonologia é bastante limitada. Quando eu vi que dividiria a mesa com Pablo Arantes, fiquei feliz por um lado (moramos juntos por um tempo na Oca da Tapioca), mas apreensiva por outro: acho que não vou conseguir acompanhar as discussões da mesa. Então por que me colocaram nessa mesa? Porque havia ali outro trabalho sobre a relação entre prosódia e sinais de pontuação.

De fato, sinais de pontuação são meio difíceis de alocar em congresso. Quando submeti outro trabalho sobre sinais de pontuação no GEL, o Grupo de Trabalho de Ensino de Língua Materna rejeitou o meu trabalho, mas o de Gramática Funcional aceitou. Só que os trabalhos da mesa de Gramática Funcional eram completamente diversos do meu. No final, a maior parte das perguntas veio pra mim: eram curiosidades sinceras em relação aos sinais de pontuação. O que eu tinha a dizer (e disse) era muito diferente dos mistérios da Gramática Tradicional.

A organização do Interab 12 decidiu dar destaque aos sinais de pontuação colocando dois trabalhos seguidos. Quem nos achou, pode acompanhar duas abordagens bem diferentes. Talvez a compreensão do objeto não seja a mesma. Percebi que quem estuda as relações entre prosódia e sinais de pontuação tende a focar em um sinal (ou dois: vírgula e ponto). Júlio Galdino, que apresentou antes de mim, mencionou na fala dele um trabalho sobre parênteses. Schlechtweg (que sobrenome curioso: "mal caminho") estuda como as pessoas pronunciam aspas quando leem em voz alta (fazendo uma pausa). Eu entendo o sistema de sinais de pontuação como um sistema.

E sistema tem a ver com escolhas. Do conjunto de sinais de pontuação, é possível escolher um para separar, delimitar ou marcar unidades. Se é possível escolher, temos uma dimensão pragmática, semântica além das dimensões sintática e prosódica nos sinais de pontuação. Quem diria que esses sinais tipográficos guardam tantos segredos acerca de si...

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

sábado, 11 de setembro de 2021

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Revisão completa

Estávamos chegando aos 80 mil km, eu estava com dificuldades esporádicas de engatar a terceira marcha, o rádio não funcionava e pedia um código que não sabíamos qual era, pequenos consertos se faziam necessários. Marcamos uma revisão na concessionária: a revisão de 80 mil, que é específica por causa da correia dentada e outras coisas. Fui na locadora de carros e aluguei um carro por 5 dias, calculando que a revisão se estenderia de quinta a segunda.

No dia da revisão, o carro não ligou. Tive que acionar o seguro que (depois de uma hora de espera) mandou um cara que deu uma carga na bateria, que fez o carro funcionar. O homem pediu pra eu deixar o carro ligado por uns 15 minutos. Quando quis sair com o carro, botei a ré - e o carro morreu. Não ligou mais. O mesmo cara do seguro voltou (depois de uma hora de espera) e guinchou o carro. Desconfiamos que o rádio, que não desligava e pedia código, estava consumindo a energia da bateria.

Eu fui com o carro alugado, ele de guincho. Na concessionária, me deram 3 opções de revisão completa. Entendi que quanto mais completa a revisão, maior era o investimento no ar condicionado - que no nosso carro nunca foi lá essas coisas. Escolhi a revisão mais completa, ganhei um descontão e fiz uma lista de outros "reclames": o parachoque estava meio solto, a janela atrás do motorista estava travada, dois encaixes do cinto de segurança não funcionavam, e ocasionalmente acendia uma luz de alerta que deixava o carro fraco. Tudo foi anotado, foi prometido contato constante.

Enquanto isso, Agnes se animava com o carro emprestado: tem cheiro de novo. Quando expliquei a ela que poderíamos viajar com o nosso carro quando estivesse pronto, ela ficou triste: ela tinha gostado tanto do carro emprestado...

Só que a única comunicação que recebi da concessionária era que a bateria estava totalmente descarregada e que precisava trocar e custava tanto. Autorizei a troca, mesmo porque sem bateria, nada funciona. Luis e eu fomos de carro alugado pra concessionária, buscar o nosso. O mecânico mostrou todos os filtros e óleos e produtos que aplicou/trocou. Depois mostraram um orçamento. Demoramos a entender o que era aquilo: o valor era maior que a revisão completa e quase todos os itens vinham acompanhados de asterisco, o que significava que não tinham a peça em estoque. Em miúdos: fizeram a revisão completa, que é o pacote fechado deles, mas não consertaram nada do que pedimos - porque não tinham as peças. Se tivesse que pedir na montadora, podia demorar 20 dias úteis pra chegar. Concessionária que não tem peça... pode, isso?

Contrariados, pegamos nosso carro e devolvemos o carro emprestado. Dois dias depois, quando eu ia levar Agnes pra escola, a luz de alerta acendeu.

Luis ligou na Renault e perguntou que droga de "revisão completa" é essa que não revisa os problemas que tínhamos apontado. O mecânico veio aqui, levou o carro e se puseram a encomendar o módulo eletrônico (corpo de borboleta) e as bobinas. Como é concessionária, eles não podem comprar essas peças em qualquer loja de peças: tem que ser peça original.

Alugamos carro mais uma vez, mas vimos que o prejuízo seria grande se esperássemos essas peças chegarem. Ficamos pensando em quem poderia emprestar o carro pra nós e chegamos na Heloisa, que não está em Porto Velho (mas deixou o carro aqui). Na primeira semana, tive grandes dificuldades de acertar as marchas: a ré, primeira e terceira eram mais ou menos no mesmo lugar. A segunda entrava se vinha da primeira, mas se eu reduzia, não encontrava o lugar da segunda. Aconteceu de eu quase parar em lombadas, procurando a segunda. Sorte que não vinha ninguém atrás... A janela do passageiro abria e fechava aleatoriamente, o carro produzia sons esquisitos e parecia mais pesado que o nosso.

Ontem pegamos o nosso carro de volta. 21 dias o carro ficou lá. Passar pela experiência de dirigir outros 3 carros me faz pensar que o nosso é o melhor carro - ainda mais agora, que está quase completamente consertado e revisado.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Mesmo nome

Eu tinha levado duas caixas contendo livros para o malote interno da universidade redistribuir para os campi do interior. A diretora da seção me ligou dizendo que não podia mandar caixas, que tudo que vai pelo malote precisa estar em envelopes.

Agnes foi comigo no campus. Com uma sacola de envelopes embaixo do braço e gatos no encalço, fomos no protocolo. O rapaz lá disse que uma caixa, menorzinha, tava no jeito. Desfiz a outra caixa e fui tentando colocar os livros nos envelopes. Ele percebeu que eu gastaria muitos envelopes e sugeriu que eu dividisse os 40 livros em dois grandes blocos e embalasse cada bloco. Como eu tinha papel kraft na EDUFRO, avisei que ia lá, buscar o papel.

Agnes, eu e os gatos fomos até a biblioteca. No caminho, ela perguntou: 

- Pra onde a gente vai?

- Na editora, buscar papel.

- Quem é a editora? 

- Sou eu.

- A gente vai até você mesma????

- Não, é o mesmo nome: a editora é um lugar, mas também é uma pessoa.

A Biblioteca Central (dentro da qual fica localizada a editora) estava fechada. Eu tenho a chave da EDUFRO, mas não da Biblioteca. Voltamos. Antes de chegar no protocolo, cruzamos com o Luã.

- Oh, Luã, cê tá na Biblioteca?

- Sim, professora. Tá precisando ir na EDUFRO?

- Estou, sim. Pode abrir pra nós?

 

- Mamãe, mamãe, mamãe!!!! Como você chamou esse moço?

- Luã.

- E o seu nome, mamãe, não é Luan também?

- O meu nome também é Lou-Ann.

- Como pode, o mesmo nome pra homem e pra mulher?

- Os nomes são escritos de jeitos diferentes.

- Ah, tá...

domingo, 5 de setembro de 2021

Depois de agosto

 

Quando vamos no Damián e Agnes não quer acompanhar a conversa, ela vai no coqueiro, tira umas fibras e monta um "oninho". Desse daí vão nascer mangas!
O brejo secou, o rio baixou, as folhas estão caindo. Pra Agnes, folha seca vira cocar.
Café. Damián plantou. Tem um cheiro surpreendente de jasmin.
Buritis.
O ipê da casa do Preto está um espetáculo. Parece que as flores emanam um brilho próprio.
Flor de sapucaia. A sapucaia perdeu todas as folhas durante a seca, desenvolveu novas antes da chuva e, agora que choveu, deixou cair suas flores.
Luis pegou a enxada e começou a cavar um caminho no brejo seco. A ideia era guiar a água quando voltasse a encher. Logo topou com essa rã embaixo da terra esperando a próxima chuva.
Os pés de cupuaçu estão com flor.

domingo, 29 de agosto de 2021

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Seca, poeira e fumaça

Temos a impressão de que este ano a fumaça está pior que no ano passado. O mundo acorda branco, o sol da alvorada é um disco tão vermelho como o sol que se põe. E a lua parece o sol.

Fomos para o sítio por trás, passando pelas fundiárias do Jairo e do pai do Preto. Na divisa da terra do Jairo, bem onde passa a cerca, a vizinha do Jairo queimou tudo e passou trator. Encontramos várias macaxeiras trituradas no caminho. O problema é que o fogo não parou na cerca do Jairo. E apagar fogo só com facão não deu muito certo.
Na ida, pela estrada de trás, vimos uma cotia atravessando a estrada. Na volta, pela estrada da beira, vimos um esquilo atravessando a estrada. Nunca antes vi tantos animais desalojados e perdidos.

Cadê os 3 prédios + hotel?

domingo, 22 de agosto de 2021

Filme de barata

 

Agnes e Luis no almoço:

- Estão queimando toda a Amazônia.

- Não vai sobrar nada, papai, só as baratas.

- Terrível, né?

- Daí só vai ter filme de barata!!!

sábado, 21 de agosto de 2021

sábado, 7 de agosto de 2021

Agnes documentando

 

Todas as fotos foram feitas pela pequena Agnes.




Lou-Ann Kleppa