Vim para Estância Velha para atualizar o cadastro do Harro no CRAS (consegui!). A luz piscou, a energia caiu e voltou, e tudo que a funcionária tinha digitado não estava mais na tela. Ela respirou e fez tudo de novo. A impressora não quis imprimir, mas tinha a outra e assim pude assinar pelo Harro que todos os documentos dele estão em ordem.
Harro está caminhando com ajuda (tiraram a bengala dele, porque ele ameaçava as pessoas), ensaia movimentos de sentar e levantar antes de executá-los num impulso, dorme bem e come bem. O que me chamou atenção dessa vez é que só falou uma palavra: barbaridade. Todo o resto da comunicação foi gestual.
Quase todos que trabalham no Lar me perguntaram se ele me reconhecia. Não como filha, mas como pessoa conhecida. Só falei alemão com ele, o que deve ter reforçado o sentimento de familiaridade.
Perguntei pra minha mãe qual compositor ele gostava de ouvir. Baixei Tchaikovsky e Smetana no Spotify, pra não depender de sinal lá no Morro Agudo e levei os fones pra ele. Ouviu, fechou os olhos, se recostou na cadeira e logo depois tirou os fones com cara de desdém. Era hora do lanche.
A vida no asilo é espera. Barbaridade...

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