Uns vinte anos atrás, os dois sisos de cima me foram extraídos. Os de baixo ficaram. Ao longo do último ano, as cáries foram se instalando nos sisos de baixo e o dentista disse que não valia a pena restaurar siso, que era melhor extrair.
Marcamos a cirurgia pra 16h30 da sexta-feira. Na véspera, a secretária avisou que o cliente das 15h30 tinha faltado e perguntou se eu não podia chegar antes. Posso. Um tempo depois, avisou que o cliente das 14h30 também tinha desmarcado. Posso.
Saí de lá às 17h30. Foi um parto. Pra dentista e pra assistente foi uma luta. A dentista olhava pra imagem do raio x e ficava se perguntando como é que as raízes estavam posicionadas. Quando eu esquivava, ela perguntava se era dor ou pressão que eu sentia. Pra exemplificar pressão, ela apertou o meu ombro. Mas o que eu sentia era o alicate (que ela chamava de fórceps) puxando o meu dente pra fora - o contrário de pressão. A dentista foi me enchendo de anestesia durante o processo, cheguei a ficar exausta de tanta contração. No final, eu não sentia mais nem dor nem pressão, só era assombrada pelos sons de dente quebrando.
Me deu atestado de 5 dias. Com a cabeça cheia de anestesia, fui buscar Agnes no contraturno e as minhas coisas no MPI. Quando for extrair o outro, que ainda falta, vou numa segunda-feira, pra esse atestado ser melhor aproveitado. E vou avisar que 1h não será suficiente.
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