quinta-feira, 5 de março de 2026

Em resumo

Tenho trafegado para a UFPE, onde está acontecendo o Interab (Congresso internacional da Abralin), todos os dias por vias diferentes. A voz da Waze me manda pra esquerda e pra direita a cada duas quadras, me faz atravessar feiras, ruas em que a maioria dos veículos tem duas rodas e ruas que mudam de largura como uma cobra depois de almoçar. Não percebi, nesse trajeto entre hotel e universidade, veias ou artérias da cidade, rotas mais usadas. Notei, no entanto, alguns nomes de bairro peculiares: Aflitos, Afogados, Encruzilhada e Espinheiro.

Achei curioso ouvir a voz da Waze dizendo "cruzamento complexo à frente" - nunca tinha ouvido isso - ou "insegurança adiante". Hoje ouvi: "histórico de acidentes reportado nos próximos 200m" e depois "siga na faixa da direita para sair à esquerda". No entanto, achei o trânsito relativamente calmo. Como não há faixas fixas (ou porque estão apagadas ou porque a rua oscila entre duas e três faixas), estão todos sempre muito atentos ao espaço que ocupam.  

Cada congresso tem sua história. Nesse congresso, fiquei muito feliz de poder mostrar jogos didáticos que eu fiz com papel, tesoura, tinta e cola. Mesmo. O nível das conversas que eu tive com pessoas que se interessaram pelos meus jogos e manequins foi acadêmico: falei de teoria, experimentos, de estudos, jogos e das minhas tentativas de dar corpo a isso tudo. A conversa que me deixou mais feliz foi a que tive com a Dudu (Edwiges Morato). Ela imediatamente reconheceu o livro "Onze sinais em jogo" que tava em cima da mesa porque foi editora da Unicamp e sucedeu a Márcia Abreu, que editou o livro. Ela pegou nas peças do jogo de memória e perguntou: você estudou pedagogia? Em seguida, pegou uma vírgula e perguntou: que material é esse? Escrever um livro sobre um fenômeno linguístico era esperado, mas fabricar jogos era incrível - e eu vi a admiração no rosto dela e ganhei um abraço.

Fui ver a mesa sobre a Década Internacional das Línguas Indígenas e perguntei pra Sâmela se ela era a Sâmela que tinha tentado vir pro MPI. Ela teve que pensar, depois disse que sim, mas que não deu certo. Eu concordei e ela perguntou quem eu era. Lou. Ela me deu um abraço inesperado e agradeceu pelo apoio, suporte e torcida.

Nesse congresso, conheci pessoas novas e durante a conversa descobrimos que tínhamos amigos em comum. Fui reconhecida por uma pessoa que não consegui localizar ainda nas minhas memórias e fiquei contente de ver um ex-aluno (se não me engano, era militar e cursava Libras à noite) da Unir. Conversei com dois colegas da Unir sobre a situação de lá e me apresentaram cenários diametralmente opostos: enquanto ela achava que tava tudo ok, ele confessou que estava tomando remédio controlado pra enfrentar a burocracia apocalíptica. Misturada com pessoas tão diferentes entre si, me vi como aluna da USP e da Unicamp, editora da EDUFRO e da Roseta, popularizadora da Linguística, professora da Unir e servidora do MPI. 

Vi pouco de Recife, vi mais as pessoas que me fizeram olhar pra mim. 

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