Até tínhamos passagens e reservas pra passar o Natal em Belo Horizonte, com a família do Luis - e depois, em janeiro, ainda tínhamos planos de viajar de carro até a Serra da Capivara! - mas a recuperação da cirurgia no joelho não aconteceu no tempo previsto pelo médico.
Logo depois da cirurgia, já estavam programadas sessões de fisioterapia e a evolução com as muletas ideal era: duas muletas, uma muleta, nenhuma. Nos primeiros dias, Luis não podia sair de casa sozinho por causa das escadas e quem fazia tudo era eu: cuidava do jardim (Luis virou o jardineiro da praça e eu tive que assumir o papel dele quando apareciam lixos, quando um galho de uma árvore despencou, quando apareciam entulhos, quando precisava varrer manga podre), fazia comida, lavava louça, fazia compras, levava na fisioterapia, esperava, trazia de volta, repunha gelo no saco e gelo no freezer (o freezer estava tomado por cubos de gelo).
As bandagens no começo faziam com que tudo em volta ficasse roxo, mas mesmo depois que tirou a bandagem, seguia se espalhando uma mancha roxa. Doía e Luis de repente andava sem muleta, depois a fisioterapeuta ensinava a usar uma única muleta, sincronizando a passada. Não foi conforme o cronograma, e sempre acompanhado de muita dor.
Começamos a ver um seriado médico italiano. Depois de um episódio em que "Doc" dá um remédio que causa reação na paciente e tenta descobrir qual condição médica causaria aquela reação, Luis teve a sacada que o remédio que ele toma pra dormir poderia estar retardando a recuperação. Suspendeu o remédio, o roxo regrediu. Entendemos que a recuperação não é universal, mas que cada um responde com um histórico diferente.
Luis logo entendeu que o seriado não era sobre casos clínicos, mas sobre as relações amorosas entre os personagens e desistiu de ver Doc. Eu continuo achando superlegal ouvir todo mundo parlando italiano. Depois do pacote de 10 sessões de fisioterapia, e já sem muleta, Luis contratou mais outro pacote igual, pra disciplinar os exercícios. Passou a cozinhar, trabalhar no jardim e voltar de Uber da fisioterapia.
Agnes nos acompanhou nesse processo todo. Como não mudamos a paisagem, resolvi que era hora de fazer uma viagem no tempo. Consultei o último álbum de fotografias que eu tinha montado pra ela e reparei que a última foto lá era de uma vacinação contra COVID. Passei bastante tempo selecionando fotos e encontrei um lugar em que se revela fotos. Agnes ficou intrigada com essa coisa de "revelar" foto: mas é só olhar! Levei mais de 100 fotos num pendrive e me disseram que tinham pacotes de 300 fotos que saía mais baratinho. Revelamos mais de 460 fotos e ainda tenho créditos lá, o que animou a Agnes a montar o seu próprio álbum de fotografias. Demorei muito pra ordenar essa montanha de fotos e depois colar no álbum. Fui acompanhando pelo blog as datas dos eventos e suspeito que eu tenha me embananado em pelo menos duas sequências no álbum.
Ficou imenso, mas vai de junho de 2022 a janeiro de 2026... Era pra ter saído em dois volumes, mas achei melhor não desmembrar esse colosso, fruto dessas férias.


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