Foram alguns meses de reuniões preparatórias na segunda-feira de tarde com SESAI (Secretaria de Saúde Indígena, vinculada ao Ministério da Saúde), FUNAI e MPI.
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| Maria Helena Ortolan |
Foram algumas dificuldades para trazer participantes (entre não respostas ao nosso convite, pendências no SCDP e conflitos de agenda).
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| Da direita pra esquerda: Clarisse Jabur, Raquel Paz e Tatiane Botelho |
De repente virei um pólo de atração, concentrando um fluxo de informações sobre origem, destino, valor de diária, previsão de pagamento de diárias, lista de hotéis em Sobradinho (DF) e a van que não passaria nos hotéis.
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| Dr. Douglas |
Entendi que seria mais seguro criar um grupo de whatsapp com todos os participantes que o MPI trouxe - achando que assim eles poderiam conversar entre si sobre caronas, onde jantar etc., mas o grupo teve outra serventia: juntar os bilhetes de viagem (pra prestação de contas).
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| Antenor Vaz |
O Encontro é um desdobramento da
Semana de Atualização dos Planos de Contingência em casos de risco de contato que aconteceu em setembro do ano passado.
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| Liderança Yanomami |
Dessa vez, o tema central não eram os povos isolados, mas os povos de recente contato. Pela nossa lista, são 25 povos que mantêm a língua materna e cultura e por isso deveriam ser sujeitos de políticas públicas diferenciadas.
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| Kolareene Enawene |
Por exemplo, um dos Enawene estava com pendência no SCDP. Pedimos pro DSEI (Distrito Sanitário Indígena) dar baixa no sistema pra podermos emitir a passagem dele pro Encontro. Quando resolveram lá em Cuiabá, já havia expirado o prazo de 15 dias antes da viagem. A moça que opera o nosso SCDP sugeriu que esse Enawene viajasse no dia 03, um dia depois de todos os outros enawene. Eu argumentei que não podíamos permitir que um indígena de recente contato viaje sozinho. De fato, no primeiro dia do Encontro, entendemos que ele sequer entende português.
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| Tatiane Botelho e Neli de Almeida |
Aliás, o primeiro dia teve um tema de destaque: a barreira linguística que os povos de recente contato enfrentam. Antenor Vaz falava em "comunicação plena", os indígenas pediam intérprete, a FUNAI alertava que não bastava formar indígenas intérpretes. Espero que a SESAI tenha entendido que, se o Estado pretende oferecer atenção de saúde intercultural, diferenciada e específica, precisa aprender as línguas e concepções de corpo, saúde, doença, vida dos povos com os quais lida cotidianamente.
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| Lucinha Tremembé |
Saúde não é só corpo, é preciso que os indígenas compreendam o diagnóstico, que sejam consultados sobre possíveis remoções pra tratamento em hospital - que costuma ser um local inóspito.
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| Mislene Tikuna |
Quem tem a palavra inquestionada na nossa sociedade são o juiz, o padre e o médico. No sistema de Justiça, a pessoa tem o direito de se defender em sua língua materna e o sistema tem o ônus de arrumar um tradutor/intérprete. E no sistema de saúde, até onde vai a interculturalidade?
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| Rodolfo Ilário da Silva |
Clarisse Jabur é, pra mim, o melhor exemplo do esforço intercultural. Falando metade em yanomami, metade em português, ela contou que aprendeu duas línguas yanomami.
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| Lucas Manchineri |