quarta-feira, 12 de julho de 2017

Por que morfologia é tão difícil?

Terminei de corrigir as provas repositivas (recuperação) dos meus alunos de Letras. Um exercício em especial, bem bobinho, me revelou que eles não entenderam o que é um morfema: eu pedia para que derivassem palavras da palavra dada:

dia (eu esperava exemplos como diário/ diarista/ diária)
amar (eu esperava exemplos como amável/ amoroso/ amante)
verde (eu esperava exemplos como verdejante/ esverdeado/ verdinho)
sapato (eu esperava exemplos como sapataria/ sapateiro/ sapatear)

No entanto, apareceram:

dia - diálogo, dialeto, diagrama, diamante
amar - amargo, amargura, amarula
verde - verdade, verdadeiramente, venda, vendário, vendeiro
sapato - sapo.

No caso de dia e amar, imagino que eles simplesmente tenham pensado em palavras que começam com essa sequência de letras. Não atentaram para o fato de dia- ser, nos exemplos deles, um prefixo, não o radical ao qual se pendura prefixos e/ou sufixos. E confesso que tenho dificuldade de compreender qual foi a lógica aplicada para derivar verdade de verde, pra não falar em sapo de sapato.

Desconfio que eles teriam absorvido melhor a ideia do que é um morfema se examinássemos/ estudássemos uma língua estrangeira. Me parece que conhecer a língua que se toma como objeto de estudo é um obstáculo, porque cada um tem suas intuições e entende que elas bastam para analisar palavras. Nesse sentido, não é preciso compreender os conceitos vindos de uma ciência chamada Linguística, basta aplicar regras intuitivas.

Nenhum comentário: