quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Despedida da Nicinha

No começo deste ano fomos notificados do desaparecimento da Nicinha, liderança do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens). Nicinha e outros desenraizados de Abunã pelo reservatório de Jirau estavam acampados em Mutum-Paraná, que um dia foi cidade.

Nossa primeira suspeita foi de que a Jirau tinha mandado silenciar uma voz ativa que incomodava. Com as investigações, foi-se descobrindo que uma outra família de acampados tramou o assassinato e escondeu o corpo. Um homem foi preso, fugiu, foi encontrado e preso no Acre.

No meio do ano, um corpo foi encontrado no reservatório da Jirau. Agora no fim do ano, o corpo foi reconhecido como sendo da Nicinha. Hoje teve a cerimônia de despedida na Igrejinha de Santo Antônio, de frente pra usina de Santo Antônio. O bispo celebrou a missa e muitas pessoas se fizeram presentes: os familiares da Nicinha, o MAB, a UNIR e amigos. No meio de tanta gente, o que eu senti foi a solidão do Ney, o companheiro dela, que sentou no chão, de frente pra caixa com os restos mortais dela e não controlou o choro. E todos nós choramos com ele.

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