quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O resgate da Amarilda

Damian, Guará e Jairo formam o trio de artesãos da Arirambas. Estão quase sempre juntos e moram bem perto um do outro.

Damian estava indo de bicicleta para a igreja, atravessando a cidade de norte a sul, quando viu a Amarilda pedalando pela zona sul. Seguiu o rapaz que entrou num salão de beleza, constrangeu o moço na frente de todo mundo, pedindo explicações pela bicicleta amarela.
 
Damian
O rapaz afastou Damian do salão e das clientes, mas Damian não largou. Ligou pro Jairo, que teve a Amarilda roubada, avisando que tinha encontrado a Amarilda e deu o endereço onde tava. Jairo imediatamente ligou pra polícia, mas o policial disse que não iria até o local porque Jairo não estava no local. Jairo ligou pra mim, pedindo pra eu ligar pra polícia. Liguei e ele perguntou se eu estava indo no local. Disse que não, porque eu tava com a minha bebê no colo. Já desanimou. Demorou um tanto e disse que o endereço não existia. Mas pro Google Maps o endereço existia.

Enquanto isso, Damian foi com o cabeleireiro até a casa dele, conversou com a mãe dele e passou também esse endereço pro Jairo. O rapaz tinha ficado com medo da ameaça de ser confrontado com a polícia, não sabia que a bicicleta era roubada e queria ajudar a resolver a situação. Jairo me ligou dizendo que era pra eu ir até a portaria aqui da Vila que Damian passaria com o rapaz e a bicicleta, pra eu reconhecer a bike e dizer se era mesmo a Amarilda. Disse que não era pra eu dar nenhum centavo pro rapaz do salão, que dizia ter pago R$ 500,- nela.

Fui na portaria e esperei um bocado. Um segurança foi chamado pra me dar apoio caso eu precisasse. O guarda me deu o telefone dizendo que era o meu esposo. Luis me pediu pra voltar pra casa, porque Jairo tinha ligado dizendo que Damian tinha os endereços todos, mas que tava difícil de convencer o cara a vir até aqui. Voltei e tentei fazer a Agnes dormir. Quando eu tava amamentando, tocou o telefone de novo. Era Damian, dizendo que estava chegando na portaria.

Entreguei a Agnes pro pai e fui voando pra portaria. Damian estava lá e a tempestade se formando. O rapaz tinha um irmão cadeirante que tava vindo junto, de carro, e eles deviam ter se atrasado. Com os primeiros pingos grossos chegou o cabeleireiro de carro. Durante a conversa a chuva engrossou e ele nos convidou a entrar no carro. Os vidros embaçaram imediatamente.

O rapaz ficou assustado quando soube quanto eu tinha pagado pela bicicleta dez anos atrás e que Jairo quase perdeu a vida por ela. Comprou a bike no bairro da Balsa (onde agora fica a ponte, de onde Jairo foi jogado no rio Madeira). Queria me devolver a bicicleta, só não queria ficar no prejuízo. Baixaria o preço pra R$ 300,-. Pedi pra ver a bicicleta (apesar de confiar plenamente que Damian não se enganaria) e fomos pra casa do rapaz. Ele e o irmão cadeirante foram de carro, eu segui esse carro e Damian foi de bike. Adivinha quem chegou primeiro? Damian.

O rapaz de nome composto por partes de nomes entrou no portão e voltou com a Amarilda. Ela já não tinha mais as duas correntes, nem o bagageiro (nem o alforje Ortlieb à prova d'água). O selim (que o rapaz chamava de sela) tava bem baixo e a combinação de marchas um horror. Desmontamos a roda da frente e colocamos a Amarilda no meu porta-malas. Damian tava atrasado e se foi pra igreja. Eu paguei os R$ 300,- que eu tinha conseguido sacar de manhã num caixa eletrônico que não tinha fila nem cartaz avisando que não fazia saque (os bancários estão em greve, os caixas eletrônicos estão disputadíssimos).

Voltei pra casa pensando que coragem Damian teve pra resgatar a Amarilda. E eu tive que pagar o resgate.

Um comentário:

Mônica disse...

Que bom que a Amarilda voltou para casa.