terça-feira, 2 de agosto de 2016

Seminário do PIBIC

Hoje teve início o Seminário Final do PIBIC (Programa institucional de Bolsas para Iniciação Científica). Este ano, o PIBIC completa 25 anos na UNIR. Eu apresentei um projeto sobre linguagem na afasia e quatro Planos de Trabalho, executados por cada um dos meus orientandos. Dois são da Medicina e dois das Letras. O PIBIC dura 1 ano e eu engravidei, fiquei de repouso e de resguardo nesse tempo. Os meninos tiveram que desenvolver sua autonomia - tanto para ir a campo e interagir com sujeitos afásicos como para fazer suas leituras.
Fábio

Fábio estudou a relação do sujeito afásico com sua afasia e percebeu que afasia é muito mais que um distúrbio de linguagem, mas uma questão social. Estudante de Medicina, percebeu como o diagnóstico e a tipificação da afasia não ajudam a compreender o sujeito afásico, nem a desenvolver terapias compatíveis.
Maurício
Maurício se concentrou nos gestos de um dos sujeitos afásicos - tema muito pouco estudado por linguistas, já que não concentra no verbal, mas na comunicação não-verbal. A maior dificuldade dele foi encontrar bibliografia que tratasse do gesto que acompanha ou substitui a fala/ a palavra. Estudante de Letras que está aprendendo Libras, entendeu que os gestos do sujeito afásico são como os nossos gestos de cada dia.
Stefânia
Stefânia entrevistou duas fonoaudiólogas para entender como elas lidam com o diagnóstico de afasia dado pelo médico e como elas fazem a avaliação de linguagem para desenvolver a fonoterapia. Entendeu que os testes de linguagem avaliam muitas coisas, até mesmo linguagem, mas nunca a linguagem toda, apenas fragmentos ou tarefas (repetir palavras, circular palavras, enumerar coisas etc.). Estudante de Medicina, envolveu-se com as questões de terapia individualizada.
Emanuelly
Emanuelly estudou o que chamamos de "linguagem possível", ou seja, estratégias linguísticas do sujeito afásico para contornar seu problema de linguagem. O achado mais interessante do trabalho dela foi quando, envolvido numa brincadeira em que o sujeito afásico tinha que dizer o nome dos objetos que apalpava numa sacola preta, o sujeito afásico indicou o número de sílabas da palavra que dá nome ao objeto. Estudante de Letras que também estuda Libras, ficou sinalizando com o Maurício os nomes dos objetos dentro da sacola.
A mais jovem pesquisadora
E apesar de eu estar de licença maternidade, a presença do orientador era imprescindível. Eu poderia ter pedido para alguém me substituir, mas quem é que estuda afasia na UNIR? Fomos com a Agnes, que já foi apresentada a meio mundo.
O quarteto fantástico
Estou bastante orgulhosa dos meus orientandos que não iniciei no fazer científico em si (discutir ciência, afinidades teóricas, ensinar a técnica de escrever: como citar, como referenciar etc.), mas que eu certamente envolvi num grande problema que eles gostaram bastante de debulhar. Senti que os dois de Medicina se envolveram bastante com os sujeitos afásicos e suas realidades e que os de Letras se envolveram com os dados que estes sujeitos lhes ofereceram.

Foram feitas muito poucas perguntas por parte da banca, e foram dadas mais orientações técnicas ("isso não é conclusão, mas resultado", "Na metodologia você não deixa claro que se trata de um estudo de caso" etc.). Isso tem a ver com a área em que os trabalhos foram inscritos: Vida e Saúde. Os professores da banca eram mais familiarizados com questões de genética, saúde do trabalhador e biologia que afasia e portanto aproveitaram pouco os trabalhos dos meus orientandos.

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