quarta-feira, 29 de junho de 2016

MaRvada vacina

Assim que nasceu, Agnes tomou pelo menos três vacinas: BCG (contra tuberculose), hepatite B e gripe H1N1 (que eu também tomei, não teve jeito). A marca no braço dela infeccionava e sarava, até ela completar 2 meses.

Aos 2 meses iniciou-se o calendário de vacinas dela. Por coincidência, Luis tem uma aluna, Thaís, que é vacinadora. Quando Luis viajou, Thaís e eu fomos no posto onde ela trabalha, pra tomar 4 vacinas: três agulhadas na perna e gotinhas na boca. Difteria, tétano, coqueluche, meningite, poliomielite, pneumonia, otite e rotavírus. Não sei como tudo isso está distribuído, mas Thaís disse que a última injeção, a mais dolorida, continha 5 vacinas.

Claro que Agnes chorou, claro que ela berrou. Esperamos que ela se acalmasse e entramos no carro. Logo ela adormeceu, exausta. A vacinadora do posto tinha dito que nos 4 dias seguintes a criança vai eliminar os vírus pelas fezes (e tem umas vacinas aí com o vírus vivo) e que por isso eu tinha que jogar as fraldas fora logo, não deixar no lixo no quarto. E tinha que dar banho depois de cada cocô, o que significaria uma boa média de 5 banhos por dia durante 4 dias. E Luis viajando.

Me dei conta que eu não poderia continuar usando as fraldas ecológicas e precisava voltar a comprar fraldas descartáveis. Com Agnes dormindo no carro, comprei R$ 100,00 em fraldas. Thaís disse que quando Agnes acordasse, ia chorar muito, porque a vacina "dá reação" em muitas crianças. Se ela tivesse febre, era pra dar paracetamol.

Chegamos em casa e Thaís fez compressa fria nas pernas da Agnes que, apesar do susto, sorria pra nós. Thaís foi embora e Agnes adormeceu de novo.

Quando ela acordou, chorou por 3 horas. E eu não sabia por que. Troquei fraldas, ofereci o peito mais de uma vez, fiz compressas, nada adiantava. Ela gritava tanto como no dia em que nasceu de cesárea e ficou sem mãe ou peito até a mãe se recuperar da anestesia. Percebi que eu não podia mudar a menina de posição, que todo o corpo dela doía terrivelmente. Pelo whatsapp Luis mandou dar tylenol. Tem aí, ele escreveu. No desespero, abri uma embalagem de remédio em que estava escrito algo com as letras t - y - ol e "paracetamol" e "alívio de dor e febre". Dei 6 gotas, porque Agnes pesa 6 kg.

Parou de chorar meia hora depois e dormiu. Uma hora depois acordou, mamou tudo que tinha nos meus peitos e depois de mais uma hora voltou a gritar de dor. Dei mais cinco gotas, chorando junto com ela, porque imaginei que isso nunca teria fim. Eu não queria entupir a menina de analgésico.

Dormiu no meu ombro e não tive coragem de tirá-la de lá. Conversei com as mães do grupo Araripe sobre essa primeira vacina e foram unânimes: dá reação. O que Agnes não teve foi febre e dor nas pernas - ou se teve, estavam junto e misturados com a dor generalizada. Outra coisa que vem no pacote da "reação" - que ninguém tinha me explicado o que é exatamente - é enjoo. Isso ela também não teve, porque mamou bem. Conversei com o Luis, no meio do congresso, e quase decidi nunca mais vacinar a nossa filha contra nada. O atual programa brasileiro de vacinas conta com 18 vacinas até o primeiro ano de vida. Essa, de três injeções e gotinhas, é repetida aos 4 e aos 6 meses de vida.

Ainda com a Agnes no ombro, pedi pra Berenice um contato de uma pediatra de confiança dela. Conversei com a pediatra e ela disse que não tinha muito que fazer. Quando me enrolei com os nomes do remédio que eu tinha dado (dipirona, tylenol, paracetamol pra mim eram tudo a mesma coisa e coincidentes com aquilo que eu tinha dado a ela), ela alertou que existe um similar do tylenol - não é nem genérico - que não faz muito efeito. Quando finalmente deitei a menina no berço, fui ver o que estava escrito na embalagem do remédio que eu tinha dado: "tyledol (paracetamol) sabor tangerina".

Luis descobriu que pela rede particular existem vacinas acelulares, ou seja, que contêm o antígeno, não o vírus/ a bactéria e por isso não dão reação. Lendo sobre vacinas, descobri que na rede pública algumas vacinas são multidose: uma vacina serve pra muita gente, por isso precisa ser conservada de maneira diferente e contém derivados do mercúrio... Por fim, tem a questão do preço. Uma das mães Araripe escreveu no whats que a vacina de meningite custava, com desconto e sem nota fiscal, R$ 700,00.

O capetalismo é do mal, mesmo. Você quer evitar que seu filho sofra dor no corpo, mas vai ter que pagar (caro) por isso. Depois que tudo aconteceu, percebemos que vacinar a criança não é uma coisa simples e teria exigido de nós um trabalho de pesquisa anterior - que não fizemos porque ninguém nos avisou o que a vacinação envolve.

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