segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Excesso e falta d'água

Marca da cheia passada
Como hoje tem um evento de lançamento do fascículo 19 da Nova Cartografia Social da Amazônia (Auditório da Unir-Centro, 19h) sobre os deslocamentos de uma comunidade que foi removida de (1) Mutum-Paraná pela usina de Jirau para (2) Nova Mutum (a company-town da empresa, onde só tem casas, nenhuma sombra, nenhum verde) e decidiu que lá não dava pra viver e foi se instalar nas margens da BR, em (3) Vila Jirau, Luis e eu fomos para Vila Jirau ontem, para convidar as pessoas.

Quando chegamos, todos já tinham sido convidados pelo João, que tinha ido a Mutum-Paraná, a cidade-fantasma. Seguimos para lá e nos deparamos com a Nicinha e comunidade de Abunã acampados em Mutum-Paraná.
Água fornecida pela Defesa Civil
A comunidade de Abunã sofreu com o excesso de água das cheias (deste ano e a histórica do ano passado) e se instalou onde conseguem pescar. Não tem água potável nem energia, mas dá pra pescar. Semana passada um fogo devorou as margens do acampamento, algumas pessoas agora só têm a roupa do corpo.
Marcas do fogo e a urubuzada empoleirada na árvore
A água parada está dando infecção nas pessoas. Tem muito pouco oxigênio na água, por isso também tem pouco peixe. Peixes de valor comercial não tem, mas dá pra ir levando com o que tem.
Comunidade de pescadores
Malhadeiras na comunidade de pescadores
Nicinha nos pediu carona, nós concordamos. Junto com ela, veio um isopor maior que o porta-malas cheio de peixe: sardinha, pacú, surubim e pirapitinga. Em troca da carona, ganhamos peixes.
Lavando roupa
Encontramos o João, ouvimos as histórias da vida sofrida que estão levando lá e voltamos pra Porto Velho. Em vez de altearem a BR (pra não alagar na enchente do ano que vem), colocaram placas no trecho: ÁREA SUJEITA A ALAGAMENTOS
Paisagem árida
 De Abunã alagada, foram para Mutum-Paraná, onde não tem água potável - a não ser aquela que a Defesa Civil dá.

Um comentário:

Mônica disse...

Ah! Esse aviso de "área sujeita a alagamento" foi a solução do governo para as enchentes. Agora não precisam mais pensar no assunto (e nem gastar com ele). Aqui em SP fizeram a mesma coisa.